quinta-feira, 16 de julho de 2020

Daddy Grey - Capítulo 43


ANASTASIA

TRÊS SEMANAS DEPOIS

Minha vida havia virado de pernas para o ar depois que matei a minha mãe. Eu não queria e nem deveria ter feito aquilo. Mas foi apenas um infeliz acidente, como todos disseram, com exceção dos meus irmãos, quer dizer, meus meio-irmãos que me chamaram de assassina após o enterro da nossa mãe.

Por causa disso, eu nem esperei para o dia seguinte. Depois que todos foram embora da mansão, pedi para o meu novo pai, se eu poderia ir dormir na nova casa deles, pois anteriormente os Taylor moravam em uma residência para os empregados a alguns metros da mansão principal.

Entretanto, devido a minha guarda provisória, eles tiveram que comprar uma casa para nós três morarmos no futuro. Foi estranho dormir em um novo quarto, em uma nova cama, mas com o passar dos dias, eu fui me acostumando com o lugar, com a rotina deles e, principalmente, com o Jason e a Gail.

Eu me encontrava parcialmente feliz morando com ambos, pois eles eram maravilhosos, sempre foram quando eu morava na mansão Grey. Gail, que sempre me deu um carinho maternal, passou a me tratar com mais carinho ainda, como se a mesma fosse minha mãe, uma mãe que eu nunca tive.

Às vezes, eu me culpava muito pelo que aconteceu, porque devido a isso, eu e Christian não poderíamos continuar juntos. Além de que a empresa dele sofreu sérias baixas de empregados. Muitos se demitiram após o escândalo, em especial, o pai da Kate, que também a proibiu de falar comigo.

Sem amigos, sem paz nos últimos dias de aula antes das férias, sem a pessoa que eu amava, e por fim, sem o sobrenome Grey, pois após a audiência da guarda definitiva, meus novos pais decidiram que mudariam toda a minha documentação, e agora eu sou uma Taylor como eles.

— Ana? – ouvi Gail me chamar, trazendo-me de volta à realidade – Acabaram de chamar seu voo, minha querida.

Agradeci, já me levantando da cadeira e olhei ao redor, procurando por algum sinal do Christian, mas o mesmo ainda não havia chegado. Meu pai então pegou minha mochila e juntos saímos do salão de espera e fomos rumo ao portão de embarque.

Depois de toda essa confusão, eu tinha decidido terminar meu ensino médio em outro país por meio de intercâmbio. A cidade escolhida foi Alicante, na Espanha, pois sempre gostei do espanhol e lá seria uma boa oportunidade de eu aprender não só o espanhol como também o catalão e o valenciano, que são duas das outras línguas nativas da região.

Eu iria ficar em uma Host Family, que era praticamente um intercâmbio onde uma família local te adotava e você se tornaria filho deles pelo tempo que você estudar naquele país. Foi fácil fazer um perfil no site de Hosts e logo os perfis de algumas famílias apareceram para mim.

Após muita conversa via skype com alguns deles, eu decidi para qual família iria e paguei o meu programa de intercâmbio. Quando falei para os meus novos pais sobre isso, percebi que ambos ficaram um pouco tristes, mas mesmo assim eles super me apoiaram e me ajudaram com a documentação toda para eu poder viajar.

Eu iria ficar na Espanha por dois anos até me formar no ensino médio e poder voltar para Seattle, a fim de cursar faculdade. Até lá, todos já deverão ter esquecido tudo isso e eu poderei ter um vida mais tranquila, junto com Christian.

— Tome cuidado quando você desembarcar e for buscar suas malas. Fique sempre atenta, filha – Jason disse, sério e eu assenti.

— Tudo bem, pai.

Ainda era meio estranho ouvir ele me chamar de “filha” e eu a ele de “pai”, mas com o tempo vai ficar mais natural. Novamente, dei uma olhada ao redor, suspirando triste, convencendo-me finalmente de que Christian não iria vir se despedir de mim.

— Nos ligue se você continuar tendo enjoos e azia, filha – Gail falou, me abraçando apertado – Se precisar peça para sua Host Family te levar ao hospital, para ver ser não é alguma gastrite nervosa, adquirida pelo estresse das últimas semanas.

— Tudo bem, mãe – murmurei e ela sorriu, bastante emocionada, pois era a primeira vez que eu a chamava assim.

— Dentro da sua mochila tem um pequeno presente do Sr. Grey – meu pai avisou-me à medida que me passava ela.
Ambos me desejaram boa viagem, então segui rumo ao corredor que me levaria para dentro do avião, passando antes pela moça que verificava o passaporte e o resto da documentação. Mal me sentei na poltrona da primeira classe, tirei o tal presente de dentro da mochila.

Me surpreendi ao ver que era uma caixa pequena da Pandora, então rapidamente a abri, já vendo um papel dobrado por cima, que logo tirei, revelando assim uma linda pulseira com vários pingentes.
Desdobrei então o papel e reconheci a letra de Christian.


Minha Linda Princesa,

Me desculpe por não ter ido me despedir de você no aeroporto. Não estava ocupado, nem nada do tipo, apenas porque não vejo isso como uma despedida, pois você sempre estará em meus pensamentos, a cada segundo do meu dia.

E eu espero que também esteja nos seus pensamentos, mas para que se lembre de mim todo dia, estou lhe dando essa linda pulseira, contendo diversos pingentes. Cada um com um significado específico para nós.

As letras A e C, nos representa. Os corações com “I love you” e “Você é tão amada” gravados são as duas expressões que eu te falaria todo dia quando acordasse. Já o pingente do passaporte e da mala, se refere a essa sua viagem.

O copo de café significa “Dê uma pausa”, uma boa deixa para a nossa situação atual. A carruagem da Cinderela e a princesa, representa você. E por fim, o símbolo do Infinito é para te lembrar que meu carinho e meu amor por você serão sempre infinitos.

Te amo muito, minha princesa. Faça uma excelente viagem e se divirta e estude bastante, meu amor. E não esqueça de voltar para mim, pois estarei aqui te esperando.

Beijos do seu Daddy.


Sorri, com lágrimas nos olhos, então a coloquei em meu pulso. A aeromoça logo apareceu ao meu lado, pedindo que eu colocasse a minha mochila no compartimento de mala à cima, pois iríamos já decolar e assim o fiz, voltando a me sentar com um sorriso no rosto, admirando minha pulseira.
“Adeus, Seattle!” pensei, vendo pela janelinha o avião ir para a pista principal e logo decolar.

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