quinta-feira, 16 de julho de 2020

Daddy Grey - Capítulo 42


CHRISTIAN

UMA SEMANA DEPOIS

— Ao que tudo indica temos uma grande chance de que a morte de sua esposa seja considerada acidental pelos investigadores. E que a Srta. Grey, provavelmente, não seja acusada de nada – disse o meu advogado, sentado à minha frente, em meu escritório, após chegarmos do enterro da Carla.

Minha casa estava repleta de pessoas, amigos e familiares, que vieram prestar as condolências pela morte da minha esposa, tanto para mim quanto para os meus filhos, que infelizmente não eram meus filhos de verdade, mas mesmo assim eu os amava, pois os havia criados desde pequenos.

Após o início da investigação sobre a morte de Carla, Jack me ligou para conversar comigo, mas me recusei a atendendo-lo, pois eu sabia o que ele queria. Todavia, o meu foco naquele momento era na Anastasia e em tudo que ela estava passando.

Mentir sobre o ocorrido nunca foi uma opção para nós três. Entretanto, pediram um mandado para nossos celulares e acabaram descobrindo as mensagens que eu e a Ana trocávamos. Foram dois dias de puro inferno, com os olhos deles voltados somente para mim, como o suspeito principal.

Segundo eles mesmo disseram “O marido é sempre o culpado nesses casos” e devido a isso, eu ouvi cada absurdo no interrogatório que durou intermináveis horas. Só não fui preso e acusado de pedofilia e incesto, porque Taylor alegou que eu e a Anastasia sabíamos que não tínhamos nenhum parentesco.

O mesmo também havia falado que sabia e, como o pai biológico, autorizava o nosso envolvimento, ou seja, a polícia não poderia fazer nada contra mim com relação à isso. Todavia, para o resto da minha família, foi meio que um escândalo quando descobriram através da mídia local.

Muitas pessoas apontaram os dedos para mim, acusando-me das piores atrocidades. Outros apenas acharam graças da diferença de nossas idades, que pouco importava para mim. Eu só queria era ser feliz com a Ana e ponto final.

— E com relação aos meus filhos? Como ficará a guarda deles? – perguntei, com um pouco de medo de ouvir a resposta do advogado.

— Os gêmeos já possuem a maioridade, então cada um já pode decidir por si próprio se vão querer ficar morando com você e manter o seu sobrenome ou se vão querer conhecer, conviver e ter o sobrenome do pai biológico. Já a Srta. Grey, por ser menor se idade e devido aos recentes acontecimentos sobre a descoberta de uma relação entre vocês dois, ela passará a viver com o pai biológico a partir de amanhã como previsto na decisão da juíza, até a própria convocar uma nova audiência para conceber a guarda definitiva para o Sr. e a Sra. Taylor.

— Podemos recorrer da decisão dela?

— Sim, nós podemos, mas como advogado e amigo, eu acho melhor não fazermos isso.

— E porque não? – inquiri, indignado.

— Você já se safou de não ser preso por pedofilia e incesto. Mesmo tendo o teste de DNA que comprove a ausência de parentesco sanguíneo entre vocês dois, ainda sim você a criou como filha e ainda quer criá-la e manter relações sexuais com a mesma. Perante a lei, você pode até está respaldado, mas para a mente retrógrada da sociedade, isso é incesto, Christian.

— Eu quero que a sociedade se exploda! Foda-se todos eles! Eu quero ser feliz nessa merda! – exclamou, meio alterado.

— Não é tão simples assim. Ela pode sofrer represálias na escola. Vocês dois podem sofrer represálias onde quer que forem. Sair para jantar em um restaurante como pessoas anônimas? Isso nunca mais vai acontecer. Vão sempre está apontando os dedos para vocês. Não seja egoísta. Pense no que a Srta. Grey pode sofrer com tudo isso – ele me alertou, fazendo-me pensar um pouco.

— Eu e ela podemos mudar de cidade ou até de país, talvez – sugeri, esperançoso.

— Isso só pioraria as coisas, Christian. Podem surgir, se é que não já surgiu, rumores de que você mandou ela matar a própria mãe para que ambos pudessem ficar juntos.

— Isso é um absurdo! – exclamei com raiva, batendo na mesa, com a mão em punho.

— Nós sabemos que é um absurdo, mas os outros não. Eu aconselho você a conversar com o Sr. Taylor sobre uma possível ida deles, incluindo a Srta. Grey, para outra cidade, estado ou país, após a audiência da guarda definitiva – meu advogado falou, fazendo-me respirando fundo à medida que eu me recostava em minha cadeira e fechava os olhos.

— Você quer que a gente se separe, não é? – indaguei, o encarando, segundos depois.

— É o melhor a se fazer pelo bem de todos, Christian. Apenas por enquanto, deixe a poeira abaixar e aí vocês dois podem fazer o que quiserem.

— Tudo bem. Conversarei com Jason sobre isso.

De repente, escutamos baterem na porta, então pedi que a pessoa entrasse, já vendo de que se tratava de Anastasia, que entrou pedindo desculpas por nos interromper.
— Pa... Sr. Grey, eu gostaria de falar com o senhor, se não estiver ocupado – ela pediu, com uma expressão séria e bem abatida.

— Eu já estou de saída – anunciou meu advogado, já se levantando da poltrona, ao qual se encontrava sentado, então me despedi do mesmo e o acompanhei até a porta do escritório.

— Vai ser rápido, Sr. Grey – ouvi Ana falar enquanto eu fechava a porta novamente.

— Não precisa me tratar assim, minha princesa – murmurei, meio triste, já me virando para encará-la.

— Eu... Eu não quero mais continuar com isso – ela disse, virando de costas para mim e se afastando alguns passos – Eu preciso me afastar de você – Anastasia comentou, parando e se virando novamente, me olhando.

— Um tempo longe um do outro vai ser bom, Princesa.

A vi fechar os olhos, respirando profundamente, já fazendo uma carinha de choro, desabando em lágrimas em seguida. Então, me aproximei dela rapidamente e a abracei bem forte.

— Não fizemos nada de errado, minha princesa. Vai dar tudo certo, eu prometo. Eu te amo muito. Nunca se esqueça disso, ok? – indaguei, me desvencilhando um pouco dela e segurando seu rosto entre minhas mãos – Se afaste o tempo que precisar, mas me prometa que vai voltar para mim quando tudo estiver mais calmo.

— Eu prometo, Daddy – Ana murmurou, fungando um pouco.

Apenas sorri e beijei sua testa, carinhosamente, à medida que meu peito se inundava de angústia e de tristeza, pois ficar separado da minha princesa iria ser muito difícil, mas eu iria conseguir de um jeito ou de outro.

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