quinta-feira, 16 de julho de 2020

Daddy Grey - Capítulo 37


ANASTASIA

— Você não acha que o que seu pai está fazendo é um crime? – Jack perguntou, em dado momento.

— Eu não acho, porque consinto em tudo. Ele não me força a fazer nada.

— Tem certeza, pequena? Talvez o seu pai use a sua carência por amor para se aproveitar sexualmente de você. Te manipulando para que você ache isso normal, o que não é.

— Você não sabe nada sobre mim ou o meu pai! – exclamei, fechando a cara, emburrada – Ele não me manipula. E eu sei que isso que fazemos não é normal, mas eu amo tanto o meu pai e o que nós temos que... – parei de falar, já suspirando profundamente.

— Que você não consegue se afastar e parar? – Jack indagou, completando o meu pensamento.

— Sim – murmurei, olhando para o resto do meu sorvete, ao qual eu havia perdido a vontade de comer – Por favor, tio Jack. Não conte isso para ninguém, principalmente para a minha mãe. Eu não suportaria ver o meu pai preso por algo que não é verdade – pedi, o encarando.

— Não se preocupe, pequena. Eu não vou contar ou denunciar vocês, porque isso não é da minha conta. Eu só queria conversar com você, como amigo, para te alertar de que para as outras pessoas e para a sociedade, o que vocês fazem, é totalmente errado.

— Nós sabemos, tio Jack.

— Talvez vocês precisem parar com isso por um tempo, porque sua mãe e sua tia já estão desconfiadas. Eu sei que isso parece como se fosse um vício, que vocês não conseguem controlar, mas tentem. Se querem que isso dure muito tempo, faça que nem eu e a sua mãe. Sempre damos um tempo em nossa relação D/s para ninguém desconfiar.

— Tudo bem. Vou tentar dar um tempo nisso – falei, dando um meio sorriso, então o vi erguer a mão, com o dedo mindinho levantado.

— Guardarei o seu segredo e você guarda o meu, ok? Promessa de dedinho? – ele inquiriu, fazendo-me rir.

Ergui então a minha mão, engatando meu mindinho ao dele.

— Promessa de dedinho.

Sorrimos um para o outro.

— Acho melhor eu levar você para casa, antes que fique tarde e sintam sua falta.

— Ninguém vai sentir a minha falta em casa, só o meu pai mesmo – retruquei, então de repente, lembrei de que precisava ir me encontrar com ele.

— Pode me dar carona até a empresa do meu pai? Combinamos de nos encontrarmos lá e ele já deve está me esperando.

— Tudo bem, pequena.

Nós levantamos do banco, então peguei a minha mochila que se encontrava do meu outro lado e saímos caminhando rumo à entrada do parque.

— Faz muito tempo que você é um Dominador, tio Jack? – perguntei, após jogar o copo do sorvete no lixo, já voltando a andar ao lado dele.

— Bastante tempo. Um pouco mais de duas décadas, pequena.

— Caraca! – exclamei, surpresa, e ele sorriu – Meu pai tem uma masmorra no porão de casa. Ele disse que praticava com a minha mãe, mas ela se desinteressou – comentei, pois estava doida para saber se o mesmo também tinha uma masmorra.

— Talvez ele não tenha conseguido atender as expectativas do lado submisso dela.

— É, talvez. Você também tem uma masmorra secreta na sua casa?

— Tenho, mas ela não fica em minha casa e sim no meu hotel.

— Você tem um hotel? – indaguei, espantada, e Jack assentiu com a cabeça.

— Ele não é igual ao que você deve está pensando, pequena. É um hotel específico para praticantes e simpatizantes de BDSM se hospedarem por uma noite, por algumas horas ou por alguns dias, para realizarem sessões com seus submissos em quartos com temas de fetiches.

— Uau! Mas como assim com temas de fetiches?

— Há Dominadores, Dommes, Dominatrixes e submissos que possuem o fetiche de podolatria...

— O que é isso?

— Podolatria é um fetiche por pés, pequena.

— Eca! – exclamei, fazendo careta, e Jack riu – Como pode ter gente que tem fetiche por pés?

— Para essas pessoas, um pé bem cuidado e cheiroso, desperta muito prazer – ele disse e eu fiz careta novamente – Quem tem esse fetiche pode escolher o quarto onde tem vários quadros com fotos de pés humanos e com mobília personalizada para ter imagens de pés embutidos no design ou o formato de um pé literalmente.

— Que esquisito, mas eu gostaria de ver esse quarto.

— Quando você for maior de idade, eu posso levar você para conhecer o hotel.

— Eu tenho 21 anos, segundo minha identidade falsa – comentei, sorrindo cinicamente, à medida que parávamos perto do carro dele e Jack riu.

— Ai, ai, pequena. Vou pensar no seu pedido, ok?

Abri um sorriso, assentindo, já entrando no conversível.

“Será que o Daddy aceitaria ir no hotel do tio Jack?” indaguei pensativa e bastante animada com a ideia, enquanto seguíamos para a Grey Enterprises Holdings Inc.

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