quinta-feira, 16 de julho de 2020

Daddy Grey - Capítulo 36


ANASTASIA

Estudar pensando no que eu ia fazer mais tarde, não era nada fácil, mas tentei me concentrar ao máximo, já que eu havia perdido uma semana. Quando me encontrava começando a última aula, pedi para a professora para usar o banheiro e ela consentiu. Mal entrei em uma das cabines, já tirei o celular de dentro do bolso do blazer do meu uniforme e liguei para o meu pai, que me atendeu depois de alguns toques.

Oi, minha princesa.

— Oi, meu Daddy lindo e gostoso – falei, já o ouvindo rir.

Já saiu?

— Não, não. Estou na minha última aula, mas daqui a pouco eu saio.

Ah, ok. Você tem dinheiro em sua bolsa, Princesa?

— Tenho, Daddy. Porque?

Tive um contratempo e vou entrar em reunião agora...

— Poxa. Então, a gente não vai mais passar a tarde juntos? – inquiri, triste e frustrada.

Nós vamos, meu amor. Já até fiz a reserva do quarto mais caro de um motel para a minha princesa. Eu só não vou poder te buscar no colégio, então você terá que pegar um táxi e vir para cá, para empresa.

— Ok, Daddy. Eu preciso voltar para a aula.

E eu para a reunião.

Nos despedimos, então retornei para a sala de aula.


★ ★ ★ ★ ★


— Vai continuar me ignorando? – ouvi Kate indagar, atrás de mim, enquanto eu fechava o meu armário.

— Não estou te ignorando, Kate – informei, me virando para ela.

— Está sim. Mal falou duas palavras comigo durante toda a manhã e na hora do intervalo, dispensou minha companhia e quis ficar sozinha na biblioteca.

— Eu tinha provas depois do intervalo e precisava estudar, Kate. E nas aulas, eu não poderia ficar vadiando como a gente fica, porque perdi muita coisa nessa semana que viajei. Estava tentando prestar atenção nas lições, pois não quero ficar no colégio durante as férias. Só isso – murmurei, já passando meu braço pelos ombros dela – Deixa de paranóia, doida. Eu tô de bem com você.

— Pensei que você tivesse ficado chateada pelo o que aconteceu em Las Vegas – ela comentou à medida que andávamos pelo corredor, rumo à entrada.

— Fiquei, mas já passou.

— Certeza?

Assenti, sorrindo, e logo vimos um grupinho de meninas perto da entrada, cochichando e rindo enquanto olhavam para algo na rua.

— Ui, que deus grego é aquele, meu pai do céu! Virei totalmente hétero agora! – Kate exclamou, então olhei na direção que a mesma olhava e fiquei surpresa ao ver quem era.

Jack, usando um terno preto e óculos escuro, se encontrava escorado em um belo conversível vermelho, em uma pose totalmente sexy demais, tanto que acabei mordendo o lábio inferior e imaginando coisas pervertidas com ele e com meu pai.
— Eu dava até morrer de exaustão – minha amiga falou, rindo, e eu ri junto.

De repente, percebi que Jack se aproximava de nós, à medida que tirava o óculos, causando uma onda de suspiros das alunas do grupinho atrás da gente.

— Oi, pequena – ele disse, dando um sorriso para mim, e pude jurar ter ouvido mais suspiros apaixonados vindo do grupinho.

— Oi, tio Jack – cumprimentei e dei um abraço nele, já me desvencilhando em seguida – Essa aqui é a minha amiga Kate.

— Oi, Kate.

— Eu dou tudo – ela falou, fazendo Jack rir, enquanto eu morria de vergonha da taradice dela.

— O que faz aqui, titio?

— Já que você não me ligou, perguntei para sua tia onde você estudava e ela me contou, então resolvi vim te ver e te convidar para tomar um sorvete.

— Tomar sorvete. Uhum... Sei... – ouvi Kate murmurar baixinho, rindo cinicamente.

— Não liga para a minha amiga. Ela fugiu do hospício recentemente.

Jack riu.

— E aí, aceita tomar sorvete? Prometo não demorar e te levar para sua casa sã e salva, e não muito tarde também.

Sorri e assenti, aceitando o seu convite.

— Dá até ficar roxa, amiga. Depois me conta e me passa o contato do Senhor Me Fode até a Alma – Kate sussurrou, quando a abracei, me despedindo dela.

— Deixa de ser tarada, oh pessoa! – exclamei, rindo, já me desvencilhando da mesma.

Jack se despediu de Kate e me conduziu até o seu carro, ao qual o mesmo logo abriu a porta para mim, sendo muito cavalheiro e me fazendo sorrir.


★ ★ ★ ★ ★


— Está bom o sorvete? – Jack me perguntou.

Nos encontrávamos sentados em um banco do Green Lake Park, perto do lago, após termos ido comprar nossos sorvetes em uma sorveteria que ficava localizada em frente ao parque.

— Sim. Está muito bom – informei, dando-lhe um sorriso.

— Eu queria conversar com você sobre uma coisa, pequena.

Virei o rosto novamente e o encarei.

— Conversar sobre o quê?

— Na verdade são duas coisas. A primeira é sobre você ser a babá da minha filha.

Franzi o cenho, bem confusa.

— Eu gostaria de saber se você aceitaria ser a babá da Alexa? Ela tem sete anos e...

— Eu não sei se sou boa com crianças, tio Jack – falei, o interrompendo, e complementei – Mas, posso pensar sobre o assunto e te dizer a resposta depois, ok?

— Ok.

— E qual era a outra coisa? – inquiri, voltando a comer o meu sorvete.

— Esse assunto é um pouco mais delicado. Nós somos amigos, não é? – ele indagou e eu assenti com a cabeça – Você confia em mim?

— Sim. Confio.

— Que bom, pequena. Então... Tanto sua tia Mia quanto sua mãe, comentaram comigo como você é muito próxima do seu pai, próxima até demais. Está acontecendo algo entre vocês dois?

Fiquei muda na hora e desviei o olhar para o lago à nossa frente.

— Você não confia em mim – ouvi ele dizer – Pois bem, vamos fazer o seguinte. Eu conto o meu segredo e você me conta o seu, ok?

Apenas assenti com a cabeça. Então Jack começou a me contar sobre ele ser um Dominador e que o mesmo conhecia minha mãe muito antes dela conhecer o meu pai, pois ela era uma submissa e havia sido submissa dele por algum tempo, mas que tinham se separado quando ela se casou com o meu pai. Todavia, eles dois haviam se reencontrado quando ele passou a namorar a tia Mia, e agora eles voltaram a ter uma relação, mas que ninguém poderia saber disso.

— Então você está traindo a tia Mia e a minha mãe está traindo o meu pai?

— Aos olhos de nós, praticantes, não é considerado traição você ser casado e ter uma submissa ou ser uma submissa, mas seu pai e sua tia não entenderiam a situação e achariam que estamos traindo eles. Promete guardar esse segredo, pequena?

— Prometo, tio Jack – murmurei.

Fiquei um pouco receosa de contar sobre eu e o meu pai, mas como Jack tinha confiado a mim o segredo dele, eu poderia fazer o mesmo, então me desabafei com ele.

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