ANASTASIA
Eu poderia até dizer que havia tido um dia bastante entediante, devido eu ter ficado trancada no quarto do hotel o dia todo. Todavia, tédio foi o que menos eu senti hoje. Pela manhã, após meu pai voltar com remédios e inúmeras pomadas, tomamos o nosso café da manhã na cama.
Depois ele passou uma das pomadas na minha bocetinha dolorida e me fez tomar um comprimido para dor e outro para desinflamar meus cortes. Acabei dormindo a manhã toda, e só acordei quando meu pai me chamou para almoçar. Ele estava menos bravo comigo, então, ao contrário do café da manhã, o nosso almoço foi bem animado.
Conversamos sobre o que o mesmo havia feito enquanto eu dormia e meu pai falou que tinha ficado pesquisando alguns lugares para visitarmos quando eu estivesse melhor, montando assim um roteiro de passeio para nós dois. Apressada como eu era, rapidamente pedi para irmos hoje mesmo, mas ele foi firme em dizer não.
Então, não havendo muitas opções, passamos a tarde toda deitados na cama, assistindo filmes na TV a cabo. Assim como na hora do almoço, também jantamos na mesinha da varanda e meu pai perguntou, pela milésima vez naquele dia, como estava a minha bocetinha.
Apenas respondi que ela se encontrava um pouco menos dolorida e que só ardia na hora de fazer xixi. Depois do jantar, ele me ajudou a banhar e, pela terceira vez, meu pai passou pomada em mim e me deu os remédios para eu poder tomar. Após colocarmos nossas roupas de dormir, fomos deitar na cama para mais uma leva de filmes.
Acabamos por assistir, em meio a tantos outros, um filme chamado Lolita, o que deixou meu pai um pouco desconfortável e me fez refletir sobre a situação ao qual eu e ele estamos vivendo.
No filme, o tal de Humbert, um cara velho de seus quarenta e poucos anos, se apaixonava por Dolores, uma adolescente de quatorze anos, e os dois, após a morte da mãe da garota, saem em uma viagem de um ano pelo país até se estabilizarem em uma cidade. Lolita acaba por se interessar por outro homem, igualmente de meia-idade, e acaba fugindo com ele.
Não sei ao certo o que deixava meu pai mais desconfortável naquele filme, se era o fato de ter algumas semelhanças com a gente, ou se era porque ele sabia que poderia vir a ser preso se alguém descobrisse, ou melhor, se minha mãe resolvesse contar o que ela sabia.
— Daddy? – o chamei enquanto ele procurava outro canal de filme.
Meu pai estava recostado na cabeceira da cama, em meio às almofadas, enquanto que eu me encontrava parcialmente sentada entre suas pernas, apoiando o meu tronco sobre sua barriga. Então, me inclinei um pouco para o lado e o encarei.
— O que foi, minha princesa? – ele indagou repousando o controle remoto no colchão, já me olhando.
— O senhor me daria duzentos mil dólares?
Meu pai franziu o cenho na hora, fazendo-me rir.
— Para quê você quer esse dinheiro?
— Quando voltarmos para casa, eu quero me emancipar – informei, me sentando, meio de lado.
— Porque quer se emancipar, Princesa? Eu não fui um ótimo pai, é isso que está querendo dizer?
Sorri e me inclinei, roubando-lhe um selinho.
— Não é isso, Daddy. O senhor foi e é o melhor pai do mundo. Só que eu não quero ver o senhor preso como o cara do filme. Eu sei que se a mamãe abrir a boca, o senhor vai preso, porque eu sou menor de idade e eles não querem saber se eu dei permissão ou não.
— Não se preocupe com isso, minha princesa. Sua mãe não vai falar nada.
— Mas se ela falar, Daddy? Se eu for emancipada, vou ser de maior e o senhor não vai poder ser acusado de nada – falei e me aconcheguei novamente na barriga dele, que logo me abraçou – Por favor, Daddy! Eu preciso do dinheiro, pois quero ficar com o senhor para sempre.
— É isso mesmo que você quer, Princesa? – ouvi ele inquirir, surpreso, e eu assenti com a cabeça.
— O senhor foi o único que me amou nesta vida. Não quero que ninguém nos separe. Quero que isso aqui que nós temos dure para sempre.
— Eu prometo que ninguém vai nos separar, minha princesa. E irei lhe dar o dinheiro e comprarei uma casa em seu nome para você morar assim que se emancipar.
— Não esquece do meu carro também, Daddy – comentei travessa, fazendo meu pai rir.
— Tudo bem. Um carro também. Agora vamos prestar atenção no filme que está passando na TV, ok?
Minha resposta foi um bocejo longo e inesperado, então ele resolveu que era melhor nós irmos dormir. Meu pai me fez sair de cima dele e o mesmo se levantou da cama, indo fechar a porta da varanda à medida que eu me virava de costas para ele.
— Não faz isso, Princesa – ouvi meu pai resmungar, então o encarei por cima do ombro.
— Não faz o quê, Daddy?
— Não me provoca. Levanta para eu poder puxar logo o edredom.
— Eu não estou provocando o senhor – rebati enquanto saía da cama, para logo em seguida me deitar de novo.
— Está provocando sim, virando essa sua bunda para o meu rumo, com esse short cravado nela.
Apenas rolei os olhos, sorrindo, e fiquei de frente para ele antes de lhe roubar um beijo de boa noite.
— Sonhe comigo, Daddy – murmurei, já fechando os olhos, então segundos depois senti um beijo em minha testa que me fez sorrir.
Eu poderia até dizer que havia tido um dia bastante entediante, devido eu ter ficado trancada no quarto do hotel o dia todo. Todavia, tédio foi o que menos eu senti hoje. Pela manhã, após meu pai voltar com remédios e inúmeras pomadas, tomamos o nosso café da manhã na cama.
Depois ele passou uma das pomadas na minha bocetinha dolorida e me fez tomar um comprimido para dor e outro para desinflamar meus cortes. Acabei dormindo a manhã toda, e só acordei quando meu pai me chamou para almoçar. Ele estava menos bravo comigo, então, ao contrário do café da manhã, o nosso almoço foi bem animado.
Conversamos sobre o que o mesmo havia feito enquanto eu dormia e meu pai falou que tinha ficado pesquisando alguns lugares para visitarmos quando eu estivesse melhor, montando assim um roteiro de passeio para nós dois. Apressada como eu era, rapidamente pedi para irmos hoje mesmo, mas ele foi firme em dizer não.
Então, não havendo muitas opções, passamos a tarde toda deitados na cama, assistindo filmes na TV a cabo. Assim como na hora do almoço, também jantamos na mesinha da varanda e meu pai perguntou, pela milésima vez naquele dia, como estava a minha bocetinha.
Apenas respondi que ela se encontrava um pouco menos dolorida e que só ardia na hora de fazer xixi. Depois do jantar, ele me ajudou a banhar e, pela terceira vez, meu pai passou pomada em mim e me deu os remédios para eu poder tomar. Após colocarmos nossas roupas de dormir, fomos deitar na cama para mais uma leva de filmes.
Acabamos por assistir, em meio a tantos outros, um filme chamado Lolita, o que deixou meu pai um pouco desconfortável e me fez refletir sobre a situação ao qual eu e ele estamos vivendo.
No filme, o tal de Humbert, um cara velho de seus quarenta e poucos anos, se apaixonava por Dolores, uma adolescente de quatorze anos, e os dois, após a morte da mãe da garota, saem em uma viagem de um ano pelo país até se estabilizarem em uma cidade. Lolita acaba por se interessar por outro homem, igualmente de meia-idade, e acaba fugindo com ele.
Não sei ao certo o que deixava meu pai mais desconfortável naquele filme, se era o fato de ter algumas semelhanças com a gente, ou se era porque ele sabia que poderia vir a ser preso se alguém descobrisse, ou melhor, se minha mãe resolvesse contar o que ela sabia.
— Daddy? – o chamei enquanto ele procurava outro canal de filme.
Meu pai estava recostado na cabeceira da cama, em meio às almofadas, enquanto que eu me encontrava parcialmente sentada entre suas pernas, apoiando o meu tronco sobre sua barriga. Então, me inclinei um pouco para o lado e o encarei.
— O que foi, minha princesa? – ele indagou repousando o controle remoto no colchão, já me olhando.
— O senhor me daria duzentos mil dólares?
Meu pai franziu o cenho na hora, fazendo-me rir.
— Para quê você quer esse dinheiro?
— Quando voltarmos para casa, eu quero me emancipar – informei, me sentando, meio de lado.
— Porque quer se emancipar, Princesa? Eu não fui um ótimo pai, é isso que está querendo dizer?
Sorri e me inclinei, roubando-lhe um selinho.
— Não é isso, Daddy. O senhor foi e é o melhor pai do mundo. Só que eu não quero ver o senhor preso como o cara do filme. Eu sei que se a mamãe abrir a boca, o senhor vai preso, porque eu sou menor de idade e eles não querem saber se eu dei permissão ou não.
— Não se preocupe com isso, minha princesa. Sua mãe não vai falar nada.
— Mas se ela falar, Daddy? Se eu for emancipada, vou ser de maior e o senhor não vai poder ser acusado de nada – falei e me aconcheguei novamente na barriga dele, que logo me abraçou – Por favor, Daddy! Eu preciso do dinheiro, pois quero ficar com o senhor para sempre.
— É isso mesmo que você quer, Princesa? – ouvi ele inquirir, surpreso, e eu assenti com a cabeça.
— O senhor foi o único que me amou nesta vida. Não quero que ninguém nos separe. Quero que isso aqui que nós temos dure para sempre.
— Eu prometo que ninguém vai nos separar, minha princesa. E irei lhe dar o dinheiro e comprarei uma casa em seu nome para você morar assim que se emancipar.
— Não esquece do meu carro também, Daddy – comentei travessa, fazendo meu pai rir.
— Tudo bem. Um carro também. Agora vamos prestar atenção no filme que está passando na TV, ok?
Minha resposta foi um bocejo longo e inesperado, então ele resolveu que era melhor nós irmos dormir. Meu pai me fez sair de cima dele e o mesmo se levantou da cama, indo fechar a porta da varanda à medida que eu me virava de costas para ele.
— Não faz isso, Princesa – ouvi meu pai resmungar, então o encarei por cima do ombro.
— Não faz o quê, Daddy?
— Não me provoca. Levanta para eu poder puxar logo o edredom.
— Eu não estou provocando o senhor – rebati enquanto saía da cama, para logo em seguida me deitar de novo.
— Está provocando sim, virando essa sua bunda para o meu rumo, com esse short cravado nela.
Apenas rolei os olhos, sorrindo, e fiquei de frente para ele antes de lhe roubar um beijo de boa noite.
— Sonhe comigo, Daddy – murmurei, já fechando os olhos, então segundos depois senti um beijo em minha testa que me fez sorrir.

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