quinta-feira, 16 de julho de 2020

Daddy Grey - Capítulo 14


ANASTASIA

Acordei uma sensação gostosa em minha bochecha e ao abrir os olhos, vi meu pai acariciando o meu rosto à medida que um sorriso logo se formava em meus lábios.

— Bom dia, minha princesa. Está na hora de levantar – ele disse e eu fiz uma careta.

— Está tão bom aqui. Só falta o senhor aqui debaixo do edredom comigo – falei, meio manhosa e resolvi provocá-lo um pouco – E para facilitar a nossa futura brincadeira, eu nem estou usando roupa.

Rapidamente, vi o seu olhar recai-se sobre o meu corpo, sutilmente delineado pelo lençol. Depois de alguns segundos, ele deu um risinho e passou a mão no rosto, antes de voltar a me encarar.

— Não me provoque, mocinha – meu pai murmurou, se inclinando sobre mim, beijando minha testa – Levante e vá se arrumar, pois vou te levar na Dra. Greene.

Franzi o cenho de repente.

— Ué, mas não estou doente – rebati e vi o mesmo sorrir.

— Vou te levar à ginecologista, lembra minha princesa? Você precisa começar a tomar anticoncepcionais senão vai acabar engravidando do seu Daddy e isso não pode acontecer.

“Até que um bebê não seria ruim, seria?” pensei, já voltando a prestar atenção no que meu pai falava.

— ...mas, eu disse a todos ontem que você estava meio doentinha e sua avó comentou que poderia ser uma virose. Então, só usei essa desculpa para te levar em uma médica de confiança, que por coincidência é ginecologista – ele disse, dando uma piscadinha, fazendo-me rir.

— Ai, Daddy. O senhor é bem espertinho, não é?

— E a senhorita está me enrolando para ficar deitada, não é? – meu pai rebateu se levantando da beirada da cama, já mandando de novo que eu fosse me arrumar.

Assim que ele saiu do quarto, me levantei e corri para o banheiro quando lembrei que depois do médico, a gente iria passar o resto do dia em Olympia, nos divertindo muito.


★ ★ ★ ★ ★


Depois de me vestir, desci para tomar o café da manhã. Como eu deveria parecer doente, não coloquei maquiagem ou acessórios, só um vestido rosa claro que cobrisse meus hematomas, meias 7/8 pretas e sapatilhas estilo boneca, da mesma cor que a do vestido.
— Vai matar aula, hein? – escutei meu irmão zombar assim que eu entrei na sala de refeições.

— Sim, ela vai faltar no colégio hoje, Elliot. Sua irmã está doente e vou levá-la ao médico – meu pai disse, já se levantando da mesa e se aproximando de mim, tocando em minha testa e no meu rosto, como se verificasse a temperatura – Ainda está meio quente – ele murmurou, então entrei na farsa e fiz uma cara de pré-choro, como se sentisse dor e o abracei pela cintura, afundando meu rosto em seu peito.

— Eu quero voltar pra cama, papi. Meu corpo está tão pesado e dolorido – falei com a voz meio abafada, porém com a entonação bem manhosa.

— O senhor não está vendo que isso aí é frescura e das brabas, papai? – ouvi minha irmã indagar, já ganhando uma bela reprimenda do nosso pai.

“Ih, se ferrou, maninha chata do caralho!” pensei enquanto era conduzida por ele para fora da sala de refeições.

— Daddy, eu tô com fome – murmurei bem baixinho, quando meu pai fechou a porta.

— A gente passa na Starbucks e você compra o que quiser, Princesa – ele sussurrou no meu ouvido, dando-me depois um beijo na lateral da minha testa.


★ ★ ★ ★ ★


A consulta foi bem tranquila e eu dei graças a Deus por meu pai ter recebido uma ligação bem na hora que a Dra. Greene começou a fazer algumas perguntas pessoais sobre sexo, pois se ele tivesse ficado no consultório, com certeza eu teria dado bandeira com relação ao nosso segredo.

Após as perguntas, a médica me examinou e disse que passaria, além dos anticoncepcionais para tomar, um analgésico para dor e um gel hidratante íntimo para eu poder passar na minha boceta que, segundo a mesma, se encontrava um pouco inchada e com leve fissuras ao redor da entrada do canal vaginal.

Ela também me recomendou que não fizesse sexo por uma semana com o “namorado” que eu havia dito que tinha durante as perguntas, pois as fissuras poderiam aumentar e se tornarem mais sérias. Apenas assenti, concordando enquanto me levantava da mesa de exame.

“Como se eu fosse te ouvir, né minha senhora? Ninguém nunca ouvi os médicos” pensei à medida que via meu pai adentrar o consultório, pedindo licença, já sentando-se ao meu lado e conversando com a doutora sobre vida pessoal, pois parecia que ambos haviam estudado juntos no passado e eram amigos.

Assim que ela me entregou a receita e um atestado de um dia para eu poder levar para minha escola, nos despedimos da Dra. Greene e começamos a andar rumo à saída, porém notei meu pai meio estranho, então quando saímos do prédio, eu segurei em seu braço, parando à sua frente.
— O que foi, pai? O senhor está estranho.

— Não é nada demais. Só uma mudança em nossos planos. Não poderemos ir mais para Olympia, filha – ele disse, afagando os meus ombros, deixando-me inicialmente triste com a notícia.

— Porque? O senhor prometeu que a gente ia.

— Aconteceu um imprevisto e eu vou precisar viajar hoje a tarde para resolver um problema em San Francisco. Só voltarei depois de amanhã a noite – meu pai falou.

Imediatamente, minha tristeza passou a ser raiva, fazendo-me empurrá-lo, fechando a cara, e sair pisando fundo rumo ao carro. Escutei ele me chamar várias vezes, mas eu me encontrava com tanta raiva que o ignorei, porém quando tentava abrir a porta do veículo, fui agarrada pela cintura, virada e empurrada contra a porta.

— Princesa...

— Eu não quero ouvir suas desculpas – falei com o olhar baixo, controlando-me ao máximo para não chorar, mas foi em vão.

Enquanto meu corpo balançava pelo choro descontrolado, me senti envolvida em seus braços, fazendo-me procurar aconchego nele, mesmo que eu tivesse com raiva do mesmo. Fiquei ali, abraçada ao meu pai, por alguns minutos até que me acalmei, já me desvencilhando dele.

— Princesa...

— Desculpe por eu ter agido como uma criança mimada, Daddy – falei o interrompendo novamente.

Ele então pegou em meu queixo, fazendo-me levar o rosto e encará-lo.

— Eu vou viajar, mas estava pensando em levar a minha princesinha comigo – meu pai comentou dando um sorriso que logo chegou aos meus lábios.

— Sério?

— Sim, Princesa.

O abracei mega feliz, mas não por muito tempo, porque ele me afastou um pouco, lembrando-me que estávamos em um local público e não poderíamos ficar muito tempo abraçados. Depois meu pai abriu a porta e pediu para que o esperasse ali dentro do carro, pois ele tinha que ir falar novamente com a Dra. Greene. Assim o fiz e permaneci sozinha, o esperando por quase quinze minutos até que vi meu pai sair da clínica com um papel em uma das mãos e se aproximar, já entrando no veículo.

— O que é isso? – inquiri, confusa, quando o mesmo me passou o papel dobrado.

— Um atestado médico de cinco dias. Aparentemente sua virose é contagiosa demais ao ponto de te impossibilitar de ir à escola – ele disse com um sorrisinho meio cínico.

— Mas, e as provas finais?

— Se está doente, você tem todo direito de fazer as provas quando voltar ao colégio. E você é uma menina muito inteligente, Princesa. Com certeza, conseguirá tirar notas boas – meu pai comentou, à medida que ligava o carro.

— Oba! Vou passar cinco dias em casa!

— Errado, mocinha. Vai passar comigo.

O olhei surpresa.

— Mas só vamos passar um dia e meio em San Francisco – o lembrei e já vi meu pai rir.

— Decidi estender nossa estadia lá na cidade para cinco dias.

“OMG!”

— Ai que felicidade! – exclamei, quicando de alegria no banco – Melhor Daddy do mundo – falei fazendo um coração com as mãos para ele, que olhou sorrindo antes de voltar a prestar atenção no trânsito.


★ ★ ★ ★ ★


Depois de termos passado na farmácia para comprar as coisas que a doutora havia me receitado, fomos até a escola, onde o meu pai entrou para entregar o atestado médico e conversar rapidamente com a diretora sobre a minha atual condição de saúde. Após isso, voltamos para casa e eu fui direto para o quarto, preparar minha mala.





CHRISTIAN

Enquanto, Ana subia para arrumar suas coisas, eu me dirigi até onde Taylor ficava e o informei de minha viagem repentina, já solicitando que o mesmo providenciasse a preparação do meu jatinho particular.

— Qual dos seguranças eu devo informar que irá acompanhar você nesta viagem, Christian – ele disse, do jeito informal que nos tratávamos quando não havia ninguém por perto.

— Ah, não se preocupe com isso, Jason. Eu não vou precisar de segurança – falei, já o vendo se recostar em sua cadeira, levantando uma das sobrancelhas, então complementei – Eu vou levar a Anastasia comigo e ela está com uma virose um pouco contagiosa e eu não quero que um de seus homens fique indisposto por causa disso.

— Ah, sim. Gail me contou que ouviu vocês comentando que a menina Ana está doente. Então, é uma virose? – ele inquiriu e eu assenti, confirmando – Melhoras para ela.

— Obrigado, Jason. Eu acho que é tudo. Só peça para um dos motoristas preparar um dos carros para nos levar até o aeroporto – pedi e Taylor disse um “Ok”, desejando-me em seguida uma boa viagem.

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