quinta-feira, 16 de julho de 2020

Daddy Grey - Capítulo 05


ANASTASIA

DUAS SEMANAS DEPOIS

O clima estava meio esquisito entre eu e o meu pai. Ele começou a me evitar o dia todo e quando estávamos no mesmo cômodo, principalmente durante o jantar, meu pai sempre me tratava indiferente e até com um pouco de rudeza em seu tom de voz quando eu perguntava algo à ele.

Também notei que o clima entre os meus pais se encontrava bem tenso e ontem, quando eu estava indo dormir, até escutei uma briga deles. Minha mãe havia esquecido do jantar que eles ofereciam para o resto da nossa família para comemorar o Dia dos Pais e o meu pai ficou furioso por ela colocar os livros a frente de tudo e de todos.

Não sei como terminou a briga deles, pois fui logo me deitar, porque precisava chegar cedo hoje aqui no shopping para poder comprar um presente para o meu pai, a fim de agradá-lo para que o mesmo pudesse voltar a me tratar bem.

— Se eu tivesse uma filha, com certeza, ficaria feliz em ganhar um conjunto de tacos de golfe como esse.

Olhei para o lado e encarei o homem, bem charmoso, que parecia ter a idade do meu pai, eu diria. Ele desviou o olhar da vitrine, sorriu para mim e depois se afastou.
— Obrigada pela dica – falei e ele apenas inclinou a cabeça, num aceno.

Chamei a vendedora e indiquei o lindo jogo de tacos de golfe que vinha com bolsa e com suporte de descanso, então ela foi efetuar a venda e verificar meu cartão de crédito, porém quando me aproximei do balcão do caixa, a moça disse que infelizmente eu não tinha o valor necessário para finalizar a compra.
— Pelo amor de Deus, gente. Não dá para fazer um desconto para a garota? – falou o cara de minutos atrás, parado no caixa ao lado.

— Infelizmente este produto não tem desconto, senhor – informou a vendedora, então me desculpei e disse que veria outra coisa dentro do meu limite de crédito.

— Negativo. Você escolheu esse conjunto e não vou ficar parado vendo uma filha sair sem o presente para o seu pai. Quanto é os tacos?

— Não precisa...

— É US$ 3.000, senhor.

— Passe a compra dela no meu cartão – ele disse e entregou o seu cartão de crédito para a moça que começou a mexer no computador.

— Obrigada pela gentileza, senhor...?

— Hyde, mas me chame apenas de Jack. E não precisa me agradecer. Saber que Christian vai gostar do presente, isso já basta como agradecimento.

— Conhece meu pai? – indaguei curiosa enquanto a moça me entregava a pesada bolsa que Jack logo se ofereceu para segurar e em troca me entregou a sacola de presente dele.

Seguimos conversando até a minha vaga no estacionamento do shopping, já que eu tinha conseguido me livrar do Taylor, pegado uns dos carros e vindo sozinha. Provavelmente, vou eu iria levar um baita sermão do meu pai, mas foda-se, eu tinha conseguido comprar o presente dele.

Durante nossa breve conversa, pude saber mais sobre Jack. Ele tinha feito negócios bem lucrativos com meu pai e parecia conhecer muito bem toda a minha família. O mesmo era empresário no ramo alimentício e estava se divorciando da megera da esposa, palavras dele e não minhas.

Agradeci novamente pela ajuda enquanto ele colocava os tacos no porta-mala, então Jack perguntou se eu poderia passar meu número de telefone para mantermos contato. Como não vi mal nenhum nisso, eu dei à ele, que logo se despediu de mim com um aperto de mão e saiu rumo a outra fila de carros. Peguei o celular que tinha esquecido dentro do carro e vi que havia dez ligações perdidas do meu pai. Apenas ignorei e resolvi ir para a casa dos meus avôs.





CHRISTIAN

— Já descobriu onde aquela menina se meteu? – escutei Carla perguntar enquanto almoçávamos.

— Ainda não, mas Taylor está resolvendo isso, querida. Não se preocupe – falei tentando tranquilizá-la um pouco, mas eu mesmo estava muito inquieto e com medo de que acontecesse o pior com a minha princesinha.

— Não estou preocupada, Christian. Só queria saber se já a encontraram ou não, porque ela pegou um dos meus carros.

— Ela está na mansão do vovô Carrick.

Parei subitamente de comer e encarei os gêmeos que haviam falado ao mesmo tempo.

— E desde quando vocês tem essa informação? – indaguei, já meio aborrecido.

— Hoje mais cedo, a gente estava falando com a vovó Grace e ela interrompeu a ligação via Skype, porque a mala da Ana tinha chegado lá de surpresa.

— Tem certeza, meninos?

— Está insinuando que os meus filhos estão mentindo, Christian? A única errada nessa história é a Anastasia. Ela que não avisou para onde ia. Ela que roubou um dos carros. Ela que... Onde você está indo?

— Buscar a minha filha – falei, dando mais ênfase na palavra “minha” enquanto saía da sala de refeições.

Liguei para a mansão Trevelyan e minha mãe atendeu. Ela confirmou que Anastasia se encontrava lá, então fui até a casa onde a equipe da segurança ficavam e os dispensei para que passassem o resto do Dia dos Pais com suas respectivas famílias. Depois disso, peguei uns dos carros e fui para a casa dos meus pais, em Bellevue.


★ ★ ★ ★ ★


— Oi, filho – minha mãe cumprimentou-me assim que ela abriu a porta.

— Oi, mãe. Vim buscar a Anastasia. Onde ela está?

— Aninha estava aqui, mas assim que você desligou, ela recebeu uma ligação da melhor amiga dela, a Kate, e saiu depois disso.

— Sabe para onde a minha filha foi?

— Pelo que eu vagamente escutei, creio que ela foi para o shopping para se encontrar com a amiga e uns meninos. Parece que eles iam se encontrar na praça de alimentação e almoçar por lá.

— Obrigada, mãe. Até mais tarde no jantar.

— Tchau, querido.

Sai da mansão dos meus pais e voei para o shopping. Uma mistura de raiva e preocupação me assolava enquanto eu dirigia de volta para Seattle, mas se a Anastasia achava que iria se safar de ser castigada, ela está redondamente enganada. Entretanto, eu tinha que pensar em um bom castigo para aplicar nela.

“Até que dar umas palmadas naquela bundinha tinha sido bem gostoso. Sem contar com a massagem depois, que foi...”

Me assustei, voltando a realidade, com uns carros buzinando para eu avançar logo o sinal aberto, então coloquei o carro em movimento, rapidamente.


★ ★ ★ ★ ★


Assim que estacionei o veículo em uma das vagas do estacionamento subterrâneo do shopping, peguei o elevador e fui direto para o andar da praça de alimentação, pois já eram quase uma da tarde e minha mãe tinha dito que eles iam almoçar ali. A praça estava lotada, então demorei alguns minutos para poder encontrá-los e assim que o fiz, me dirigi até a mesa onde Anastasia, Kate e mais dois rapazes conversavam e riam.

— Gostaria de saber se nenhum dos quatro tem pai para passar esse dia especial?

Os quatro me encararam.

— Oi, tio Delícia – Kate disse, fazendo-me franzir o cenho, confuso.

— Pai, o que está fazendo aqui? – Anastasia indagou, já se levantando.

— Vim te buscar. Vamos – murmurei, pegando no braço dela e arrastando-a para o estacionamento.

— Estou de carro – ela comentou enquanto andávamos entre os carros, seguindo rumo ao meu.

— Eu sei. Um dos motoristas virá buscá-lo depois. Eu quero saber o que deu em você para sair sem avisar ninguém, hein? – vociferei, assim que entramos no carro – Deixou eu e sua mãe muito preocupados.

— Duvido – ouvi ela dizer, então girei a chave, desligando o motor e a encarei.

— Está dizendo que eu estou mentindo, Anastasia?

— Meio mentindo. A mamãe nunca se importou comigo, então eu duvido que ela tenha ficado preocupada.

Peguei em sua mão, mas Ana desfez o contato e cruzou os braços, olhando para a janela.

— Filha, sua mãe te ama, só que é do jeito dela.

Escutei um riso de deboche e Anastasia me encarou, fazendo notar que seus olhos estavam meio marejados.

— A mamãe não gosta de mim. Nunca gostou – ela murmurou, já se entregando as lágrimas, então tirei o cinto dela e o meu, e a puxei para um abraço.

— Ela gosta sim, minha princesa.

— Não gosta não. Ela me odeia – Anastasia choramingou contra a curva do meu pescoço.

A empurrei um pouco, afastando-a e peguei seu rosto em minhas mãos, limpando suas lágrimas com as pontas dos meus polegares.

— O que deve importar é que eu gosto muito de você. Os outros são os outros, ok?

Ela me olhava intensamente e uma incontrolável vontade de beijá-la me atingiu, mas eu não tomei a iniciativa e sim ela, que se aproximou lentamente seu rosto do meu até que nossos lábios se tocaram.

— Anastasia... – tentei ser firme, porém não resisti e me entreguei aquele beijo, tornando-o avassalador e mais profundo.
“Puta que pariu! Já estou duro” pensei aflito, mas eu não conseguia parar de beijar ela.

— O que estamos fazendo? – indaguei ofegante após desvencilhar meus lábios do dela, minutos depois.

— Não sei, mas eu estou gostando muito.

— Eu também – admiti segundos antes de selar novamente nossas bocas enquanto minha mão saía de sua cintura e subia para seu busto, sob sua blusa.

— Eu quero me sentir mulher com você, Daddy. Só você. Minha virgindade é o meu presente de Dia dos Pais para o senhor.

Sorri contra sua boca e me afastei um pouco para olhá-la.

— Gostei de “Daddy”.

— Então seja meu Daddy gostoso – ela disse, bem sexy, tentando vir para o meu colo, mas eu a impedi – O senhor não quer?

— Aqui não é apropriado, Princesa.

— Vamos para outro lugar então.

— Tem certeza que quer fazer isso?

Anastasia assentiu mordendo o lábio de um jeito bem sexy, o que me deixou mais excitado do que já me encontrava. Então, girei a chave, já colocando o carro em movimento, saindo do estacionamento rapidamente.

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