terça-feira, 7 de abril de 2020

RUNWAY - Angel's & Devil's - Capítulo 04


DAKOTA

— Sra. Runway, Anna Wintour está na linha 2 querendo falar urgentemente com a senhora – Erica disse, assim que passei pela sua mesa, indo rumo a minha sala.

— Diga que estou ocupada – falei, sentando-me em minha confortável cadeira.

— Ela insiste, senhora.

Respirei fundo e ergui um olhar ameaçador para Erica, parada rente à mesa, que se desculpou saindo do escritório em seguida. Entretanto, minutos depois, ela adentrou a sala com a Srta. Baker. Ela tinha sido a Diretora Criativa da VOGUE anos atrás, antes de Anna Wintour entrar em crise e levar a revista a falência, consequentemente, levando a nossa à ascensão.

— Obrigada, Sra. Dornan...

— É Sra. Runway – a corrigi enquanto indicava a cadeira ao seu lado.

O motivo de eu não usar o sobrenome do meu marido? Simples. O fato de que meu casamento não irá durar tanto tempo assim para eu fazer essa mudança e ter que bater cabeça para revertê-la futuramente.

— Desculpe.

— Tudo bem. Vamos falar de você. Seu currículo é impecável e isso eu gostei. Como você já trabalhou nessa função antes, provavelmente não irá ter dificuldades em se adaptar às normas e as regras da Revista RUNWAY – ressaltei e Allane me olhava atentamente.

Ficamos conversando por alguns minutos até que Jamie e sua Diretora de Produção adentraram o meu escritório. Fiz as apresentações e seguimos para a sala de reuniões para nos encontrarmos com o resto da diretoria da revista.


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Minha irmã chegou atrasada, como eu tinha previsto, e assim que entrou, olhou para Ian dando um sorriso, confirmando minhas suspeitas de que a mesma tinha passado a noite com ele, mas eu iria ter que falar com os dois, antes que isso saísse do controle.

— O aniversário de 46 anos da RUNWAY é daqui a 09 meses e precisamos fazer algo especial e glamouroso a altura da RUNWAY para comemoramos a 500° (quingentésima) edição da revista. Quero sugestões, pessoal – falei, após apresentar oficialmente a nova integrante da diretoria, para que isso entrasse na ata da reunião ao qual Erica digitava.

— Poderíamos montar uma retrospectiva de todos esses anos da revista, que tal Dakota? – sugeriu Ian, recostando-se à cadeira.

— Perfeito, Sr. Tucker. Ou podemos fazer um editorial sobre o fundador de todo esse império magnífico, ou seja, nosso querido e falecido pai – rebateu Nina, com um sorriso.

— Fazer uma entrevista com os principais ícones da moda, que já tiveram suas marcas em destaque na RUNWAY também é uma grande ideia – salientou Mirela, olhando para o Jamie, que concordou prontamente com a ideia dela.

Eles nem faziam o favor de disfarçar a atração sexual que existia entre ambos. Por esse motivo, uma das cláusulas do contrato de casamento era que ele transferisse a sede de sua marca para o prédio da revista, pois assim eu poderia controlar o Jamie e seu pau inquieto, mantendo-os longe da mídia fofoqueira.

— E porque não fazer uma viagem ao redor do mundo, mostrando a moda em suas várias facetas. Desde a fina seda japonesa ao colorido da Índia. O que a senhora acha?

Pensei um pouco e assenti com um gesto de cabeça.

— Excelente ideia, Srta. Baker – murmurei, então olhei para Jamie – E querido, sua coleção do mês de aniversário da revista se baseará nos elementos da nossa viagem.

— Claro, querida – Jamie falou e pegou na minha mão, beijando o dorso – A minha rainha terá a melhor coleção de todas – ele disse, representando muito bem o seu papel de marido dedicado e amoroso perante os nossos empregados.

Continuamos a reunião por mais uma hora, para definirmos e adiantarmos a base das edições futuras da revista, pois iríamos passar muitos meses fora de Nova York, viajando pelo mundo.





JAMIE

Depois da reunião da diretoria, tivemos mais uma hora de reunião mensal com os empregados. Eu odiava ficar sentado numa cadeira por horas a fio, escutando sobre editoriais, índices de vendas e etc, mas a Dakota insistia que eu participasse daquela chatice e ainda com um sorriso radiante na cara.

Meu negócio era criar. Poderia passar o dia todo sentado, mas contanto que seja desenhando meus modelitos em minha mesa.

Passei o resto do dia entre o ateliê de costura dando uma olhada nos últimos retoque das roupas e no meu ateliê onde decidi, após ver como as peças ficavam com o movimento de andar das modelos, quais daquelas peças iriam compor o meu desfile previsto para daqui a dois dias.


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Passava um pouco das sete e meia da noite, quando Mirela me informou que já estava indo embora.

— Eu tinha prometido que ia passar depois do trabalho para ver como está a Coqui, mas vou ter que ficar até tarde, Mi. Pode dizer a ela que vou visitá-la amanhã?

— Porque você mesmo não fala! – Mirela vociferou, zangada, arrumando suas coisas, depois atravessou o ateliê vindo até a minha mesa – Eu já estou cansada de ver a carinha de decepção dela, todas às vezes que você promete algo e não cumpre. Só me faz um favor, Jamie. Nunca mais prometa algo para a nossa filha.

Ela saiu com raiva, batendo a porta com força. Respirei fundo, pensando no que eu poderia fazer sobre isso.


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Era por volta das dez horas, quando adentrei a cobertura, me assustando com um grito. Então, olhei em direção da voz, vendo Nina, Dakota e uma jovem, provavelmente deveria ser a irmã mais nova delas, que se aproximou de mim.
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— Não sei se desmaio, ou se te abraço, ou se te beijo. Acho que vou fazer tudo ao mesmo tempo – disse a garota, já se pendurando em meu pescoço, abraçando-me para em seguida me beijar na bochecha e se desvencilhar de mim, pedindo várias selfies.

— Se controle...

— Tudo bem, querida. Eu gosto de agradar os meus fãs – falei, interrompendo a Dakota.

— Na casa dessa garota tem espelho não? – escutei Nina comentar bem baixo, então reparei no look da irmã delas, que observei ser de algumas das minhas coleções passadas.

— Eu gostei, mas acho que isso era para ser uma saia, não era? – indaguei, indicando o vestido dela.

— Sim, mas como eu quero ser estilista futuramente, estou desde já criando e remodelando algumas peças de roupa que tenho no meu armário, que aliás são todas suas, porque você é o meu estilista preferido. Você não é gay, é?

A pergunta me pegou de surpresa e por alguns segundos fiquei sem ação.

— Quer saber a resposta? Pergunte para sua irmã o que fazemos na cama e aí você me diz se sou gay ou não – respondi, dando um sorriso para Emily e olhando em seguida para Dak, que rolou os olhos enquanto ajeitava o robe de sua camisola.

— Eu não vou me dar ao trabalho de responder a uma pergunta idiota dessa – ela disse, emburrada, e se aproximou – Mandei preparar um quarto de hóspede para você e a partir de amanhã irá ser minha assistente.

— Se ela quer ser estilista no futuro, porque não ser a assistente do melhor do mundo... eu.

Dakota me olhou desconfiada e deu de ombros, se afastado rumo ao sofá da sala de estar, então de repente notei algo de estranho na roupa da irmã dela.

— Peraí, isso não era para ser tão desbotado assim. Por acaso essa saia, quer dizer, vestido, é uma falsificação?

— Óbvio né, Sr. Thony. Eu acabei de fazer 18 e ainda moro com meus pais num pequeno subúrbio em Iowa City. Acha que eu vou ter dinheiro para comprar uma original? É claro que não. Nem vendendo um dos meus rins no mercado negro eu conseguiria, e olha que eu pesquisei o valor, hein.

Sorri.

— Ok. Vamos estabelecer algumas regras de convivência. Primeira: Ninguém perto de mim vai usar imitações baratas das minhas roupas. Segunda: Me chame de Jamie ou Jay. E por último: Suas irmãs vão te levar para fazer comprar...

— Suas irmãs uma vírgula. Eu estou é vazando fora. Tenho um compromisso – anunciou Nina, se despedindo da Dak e passando por nós, indo rumo ao elevador.

— E eu tenho trabalho para fazer. Irei ficar trancada no meu escritório.

— Me conta uma novidade, amor – resmunguei ironicamente, vendo-a terminar de pegar algumas coisas sobre o sofá e sair também – Ok, vamos ser só você e eu. Suba, tire essa roupa de quinta categoria, jogue-a no lixo e vista um roupão. Sem nada por baixo. Tenho lingerie na galeria também.

— Vamos fazer compras a essa hora?

— Claro. Não se preocupe, minha galeria fica aqui no andar de baixo.

— Ok.

Ela fez o que eu mandei e logo desceu. Ficamos por lá, na galeria, por quase duas e meia e quando retornamos a cobertura, subimos para os quartos e notei que Dakota ainda não tinha voltado ao nosso.

Provavelmente, ela iria passar a noite no escritório dela, como sempre ou quase sempre, então me preparei para dormir e me deitei.

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