JAMIE
Assim que adentramos no elevador, Dakota desfez nosso contato e foi postar-se do outro lado do cubículo, voltando a mexer no celular dela, fazendo-me apenas rolar os olhos.
— Até daqui a pouco – falei, saindo do elevador, minutos depois, mas Dak nem ao menos se deu ao trabalho de me responder, já que estávamos sozinhos ali e não precisávamos encenar nada.
Antes de casar, eu tinha a minha Maison Sede da Angel’s & Devil’s, em uma das ruas mais movimentadas de Nova York. Todavia, uma das cláusulas do nosso contrato de casamento, imposto pela Dakota, dizia que eu deveria mover minha sede para o prédio da Revista RUNWAY. Não me importei e consenti a esse pedido estranho da minha esposa.
Passei primeiro no ateliê de costura para dar “Bom dia” para as minhas meninas. Não eram necessariamente jovens para eu chamá-las de “meninas”, mas eu tinha uma relação de amizade bem forte com as minhas costureiras que já me acompanhavam desde o início.
Após cumprimentá-las e dar um beijo na bochecha de cada uma daquelas mães de famílias com dedos de fadas, segui para o meu ateliê, cumprimentando Victoria no caminho.
Meu pequeno pedaço do paraíso era um lugar bem amplo para poder acomodar duas mesas, uma minha e outra da Mirela, além do quadro de amostras de roupas, estantes com amostras de tecidos em texturas e sapatos, bustos de manequins espalhados do meu lado da sala e uma mesa para reuniões com a minha equipe.
Encontrei Alexia, minha Produtora de Moda, e Mirela, minha Diretora de Produção, conversando na mesa de reuniões.
— Nem eu e nem o Jamie, vamos poder ir conferir o prédio, então você e o Marcos terão que ir no nosso lugar e ver se o espaço está ao nível da coleção...
— Ele tem que está à altura do glamour e luxo de Thony Angel – falei, interrompendo Mirela e fazendo Alexia olhar para mim – Bom dia, meus amores.
— Bom dia, Jamie – Alexia me cumprimentou com um sorriso e se levantou da mesa à medida que eu me aproximava, então dei um beijo na bochecha dela e a mesma corou, porque era esse o efeito que eu causava nas mulheres – Vamos verificar isso agora mesmo, Mirela. Com licença – Alexia murmurou, já pegando suas coisas e saindo do ateliê.
Vi Mirela também pegar seus materiais e passar por mim, sem nem me dar um “Bom dia” de volta.
“Eita que hoje é o dia de ‘Vamos ignorar Jamie Dornan’. Só pode ser isso”
Com certeza, ela ainda estava chateada pela nossa briga através de mensagens do WhatsApp enquanto eu me encontrava no evento de ontem com a Dakota.
— Ma vilaine (Minha safadinha) – murmurei, apelando para o nosso vínculo e a vi parar no meio do ateliê.
MIRELA
Parei e respirei fundo assim que escutei Jamie me chamar pelo apelido que ele me chamava no passado, então me virei.
— O que você quer? – perguntei, bem rude.
— Você está muito bonita.
Rolei os olhos e continuei a andar até a minha mesa, deixando os materiais sobre ela.
— Elogios não irão lhe ajudar, Jay – anunciei, aprumando-me e vendo que o mesmo havia também se aproximado e se encontrava parado a minha frente, do outro lado da mesa.
— Nós precisamos conversar.
— E você precisa decidir se esse casamento realmente vale a pena – rebati.
— Mi... – ouvi ele dizer segundos antes de dar a volta na mesa, segurar minha mão e me puxar para ele, fazendo-me ir para aqueles braços, que o desgraçado sabia que eram o meu ponto fraco.
— Sinto sua falta, mon délicieux (meu delicioso) – declarei, me soltando dele e recuando um passo.
— Eu também, ma vilaine, mas não podemos...
— Não podemos o quê? Ser felizes, Jamie?
— Minha situação está complicada agora, Mirela.
— Está assim por sua própria culpa. Quem manda ser ganancioso? A gente se deseja mutuamente e eu posso te oferecer uma família e uma fama com a realeza britânica e francesa, mas você não quer porque “gosta” dela.
— É, eu admito que gosto da Dakota, mas...
— É, gosta mesmo, de ser é o capacho dela e de ser humilhado. Provavelmente, você se arrependeu de ter me conhecido – desabafei, virando o rosto para o lado, olhando algum ponto invisível da minha mesa.
Jamie segurou e afagou meus braços.
— Olha para mim, Mi. A única coisa que eu me arrependo é de não ter me tornado famoso bem rápido enquanto “namorávamos”, porque assim eu poderia ter assumido você e, principalmente, a nossa pequena Coqui que crescia em seu ventre quando fugi da França. Mas, agora eu quero pelo menos tentar fazer a coisa certa.
— Então vai assumir a nossa filha? – o encarei desconfiada, já cruzando os braços sobre o peito.
— Sim. Quero poder passar mais tempo com ela, levá-la para passar alguns dias comigo lá em casa...
— E sua esposa?
— A Dak não liga nem para mim, provavelmente nem vai se importar com a Coqui lá. Vem cá – ele me abraçou bem forte, depois me deu um beijo na testa.
— Tudo bem então, mas se a Dakota triscar na Coqui para machucá-la ou eu notar algum hematoma na nossa filha quando ela voltar para casa, eu afio as minhas unhas só para enfiar minha mão no peito daquela vaca e arrancar o coração de pedra dela – ameacei, fazendo Jamie rir à medida que se desvencilhava de mim.
— Se duvidar nem coração tem dentro dela – ele debochou, erguendo o braço, acariciando minha bochecha.
— Vamos parar com os carinhos antes que alguém entre e nos pegue – alertei, então Jamie se afastou de mim, não antes de me roubar um selinho de canto de boca.
— Está na hora da reunião.
— Que ótimo. Hora de encarar a megera da sua esposa por uma hora e meia – comentei, passando por ele, me dirigindo rumo à porta.
— Não fala assim da puce.
— Você ainda continua a chamá-la de “pulga”?
— Um apelido carinhoso – Jamie se defendeu, se aproximando.
— Para nós dois que somos franceses sim, mas para os americanos não, Jay. Isso é um insulto.
— Um insulto carinhoso então? – ele disse, meio pensativo, segundos antes de dar um sorriso cínico para mim, fazendo-me rir.
— Ai, ai, Jay. Só você mesmo. Vamos.
KARINA
— Nunca mais, pelo o bem da sua própria vida, me mande dar uma entrevista em uma emissora – declarei, adentrando meu escritório, ao qual eu dividia com a minha melhor amiga Chrys, que também era blogueira, assim como eu.
— Como foi a entrevista? – ela perguntou, rindo, na maior cara de pau e sem tirar os olhos do notebook.
— Olha para a minha fuça e ver se eu estou sorrindo ou feliz? Aí você tem sua resposta. Isso aí é bebida? Você está bebendo hora dessa? – inquiri, me sentando na cadeira em frente de sua mesa.
— Minha filha, hoje tem reunião com a Megera de Gelo, lembra? E eu não quero está totalmente sóbria naquilo, porque senão sou capaz de pegar duas canetas e enfiar cada uma em um globo ocular meu.
— Eita, eu tinha me esquecido dessa reunião. Acho que vou fingir que estou com dor de barriga só para não ir.
— Aí de você se fizer isso e me deixar sozinha, Karina – Chrys ameaçou, bebendo o resto da sua bebida.
— Seria a minha vingança pela entrevista. Porque você sabe que eu não me dou muito bem sendo o centro das atenções.
— Uma hora tu vai ter que superar esse medo, mulher.
— Ok, agora me dá um pouco disso aí que você está tomando – pedi, fazendo uma careta.
Chrys abriu uma gaveta, tirou um copo e uma garrafa que eu notei ser conhaque. Colocou um pouco no copo para mim e me entregou, depois se serviu novamente enquanto eu entornava de uma vez o copo, sentindo o líquido queimar minha garganta e esôfago à medida que descia.
— Vai com calma aí, amiga – ela debochou, rindo – Vem, cá. Deixa eu te mostrar essa nova interface que os garotos montaram para facilitar o nosso trabalho no blog da revista.
Dei a volta na mesa e postei-me ao lado dela, olhando para a tela do notebook.
— Prático. Gostei.
— Meninas, vocês podem me reenviar aquelas imagens do editorial da entrevista com o Karl Lagerfeld, que eu mandei ontem para vocês? – escutamos a voz da May, uma das Editoras de Moda da revista, então me aprumei, a encarando.
— Seu note bugou? – Chrys perguntou.
— Tanto o meu quanto o da Vivian bugaram, mas ela conseguiu recuperar o texto do editorial, mas eu não consegui fazer o mesmo com as imagens e se essa entrevista não sair nessa próxima edição da revista, a Dakota vai comer nossas entranhas. Vocês estão bebendo?
— Reunião mensal hoje, lembra? – falei e a mesma deu um grito, já saindo da sala, correndo igual a uma desesperada.
— Deve ter ido lembrar a Vivian também – Chrys comentou, rindo.
— Provavelmente. Vou mandar as imagens para elas – anunciei, indo me sentar em minha mesa.
Assim que adentramos no elevador, Dakota desfez nosso contato e foi postar-se do outro lado do cubículo, voltando a mexer no celular dela, fazendo-me apenas rolar os olhos.
— Até daqui a pouco – falei, saindo do elevador, minutos depois, mas Dak nem ao menos se deu ao trabalho de me responder, já que estávamos sozinhos ali e não precisávamos encenar nada.
Antes de casar, eu tinha a minha Maison Sede da Angel’s & Devil’s, em uma das ruas mais movimentadas de Nova York. Todavia, uma das cláusulas do nosso contrato de casamento, imposto pela Dakota, dizia que eu deveria mover minha sede para o prédio da Revista RUNWAY. Não me importei e consenti a esse pedido estranho da minha esposa.
Passei primeiro no ateliê de costura para dar “Bom dia” para as minhas meninas. Não eram necessariamente jovens para eu chamá-las de “meninas”, mas eu tinha uma relação de amizade bem forte com as minhas costureiras que já me acompanhavam desde o início.
Após cumprimentá-las e dar um beijo na bochecha de cada uma daquelas mães de famílias com dedos de fadas, segui para o meu ateliê, cumprimentando Victoria no caminho.
Meu pequeno pedaço do paraíso era um lugar bem amplo para poder acomodar duas mesas, uma minha e outra da Mirela, além do quadro de amostras de roupas, estantes com amostras de tecidos em texturas e sapatos, bustos de manequins espalhados do meu lado da sala e uma mesa para reuniões com a minha equipe.
Encontrei Alexia, minha Produtora de Moda, e Mirela, minha Diretora de Produção, conversando na mesa de reuniões.
— Nem eu e nem o Jamie, vamos poder ir conferir o prédio, então você e o Marcos terão que ir no nosso lugar e ver se o espaço está ao nível da coleção...
— Ele tem que está à altura do glamour e luxo de Thony Angel – falei, interrompendo Mirela e fazendo Alexia olhar para mim – Bom dia, meus amores.
— Bom dia, Jamie – Alexia me cumprimentou com um sorriso e se levantou da mesa à medida que eu me aproximava, então dei um beijo na bochecha dela e a mesma corou, porque era esse o efeito que eu causava nas mulheres – Vamos verificar isso agora mesmo, Mirela. Com licença – Alexia murmurou, já pegando suas coisas e saindo do ateliê.
Vi Mirela também pegar seus materiais e passar por mim, sem nem me dar um “Bom dia” de volta.
“Eita que hoje é o dia de ‘Vamos ignorar Jamie Dornan’. Só pode ser isso”
Com certeza, ela ainda estava chateada pela nossa briga através de mensagens do WhatsApp enquanto eu me encontrava no evento de ontem com a Dakota.
— Ma vilaine (Minha safadinha) – murmurei, apelando para o nosso vínculo e a vi parar no meio do ateliê.
MIRELA
Parei e respirei fundo assim que escutei Jamie me chamar pelo apelido que ele me chamava no passado, então me virei.
— O que você quer? – perguntei, bem rude.
— Você está muito bonita.
Rolei os olhos e continuei a andar até a minha mesa, deixando os materiais sobre ela.
— Elogios não irão lhe ajudar, Jay – anunciei, aprumando-me e vendo que o mesmo havia também se aproximado e se encontrava parado a minha frente, do outro lado da mesa.
— Nós precisamos conversar.
— E você precisa decidir se esse casamento realmente vale a pena – rebati.
— Mi... – ouvi ele dizer segundos antes de dar a volta na mesa, segurar minha mão e me puxar para ele, fazendo-me ir para aqueles braços, que o desgraçado sabia que eram o meu ponto fraco.
— Sinto sua falta, mon délicieux (meu delicioso) – declarei, me soltando dele e recuando um passo.
— Eu também, ma vilaine, mas não podemos...
— Não podemos o quê? Ser felizes, Jamie?
— Minha situação está complicada agora, Mirela.
— Está assim por sua própria culpa. Quem manda ser ganancioso? A gente se deseja mutuamente e eu posso te oferecer uma família e uma fama com a realeza britânica e francesa, mas você não quer porque “gosta” dela.
— É, eu admito que gosto da Dakota, mas...
— É, gosta mesmo, de ser é o capacho dela e de ser humilhado. Provavelmente, você se arrependeu de ter me conhecido – desabafei, virando o rosto para o lado, olhando algum ponto invisível da minha mesa.
Jamie segurou e afagou meus braços.
— Olha para mim, Mi. A única coisa que eu me arrependo é de não ter me tornado famoso bem rápido enquanto “namorávamos”, porque assim eu poderia ter assumido você e, principalmente, a nossa pequena Coqui que crescia em seu ventre quando fugi da França. Mas, agora eu quero pelo menos tentar fazer a coisa certa.
— Então vai assumir a nossa filha? – o encarei desconfiada, já cruzando os braços sobre o peito.
— Sim. Quero poder passar mais tempo com ela, levá-la para passar alguns dias comigo lá em casa...
— E sua esposa?
— A Dak não liga nem para mim, provavelmente nem vai se importar com a Coqui lá. Vem cá – ele me abraçou bem forte, depois me deu um beijo na testa.
— Tudo bem então, mas se a Dakota triscar na Coqui para machucá-la ou eu notar algum hematoma na nossa filha quando ela voltar para casa, eu afio as minhas unhas só para enfiar minha mão no peito daquela vaca e arrancar o coração de pedra dela – ameacei, fazendo Jamie rir à medida que se desvencilhava de mim.
— Se duvidar nem coração tem dentro dela – ele debochou, erguendo o braço, acariciando minha bochecha.
— Vamos parar com os carinhos antes que alguém entre e nos pegue – alertei, então Jamie se afastou de mim, não antes de me roubar um selinho de canto de boca.
— Está na hora da reunião.
— Que ótimo. Hora de encarar a megera da sua esposa por uma hora e meia – comentei, passando por ele, me dirigindo rumo à porta.
— Não fala assim da puce.
— Você ainda continua a chamá-la de “pulga”?
— Um apelido carinhoso – Jamie se defendeu, se aproximando.
— Para nós dois que somos franceses sim, mas para os americanos não, Jay. Isso é um insulto.
— Um insulto carinhoso então? – ele disse, meio pensativo, segundos antes de dar um sorriso cínico para mim, fazendo-me rir.
— Ai, ai, Jay. Só você mesmo. Vamos.
KARINA
— Nunca mais, pelo o bem da sua própria vida, me mande dar uma entrevista em uma emissora – declarei, adentrando meu escritório, ao qual eu dividia com a minha melhor amiga Chrys, que também era blogueira, assim como eu.
— Como foi a entrevista? – ela perguntou, rindo, na maior cara de pau e sem tirar os olhos do notebook.
— Olha para a minha fuça e ver se eu estou sorrindo ou feliz? Aí você tem sua resposta. Isso aí é bebida? Você está bebendo hora dessa? – inquiri, me sentando na cadeira em frente de sua mesa.
— Minha filha, hoje tem reunião com a Megera de Gelo, lembra? E eu não quero está totalmente sóbria naquilo, porque senão sou capaz de pegar duas canetas e enfiar cada uma em um globo ocular meu.
— Eita, eu tinha me esquecido dessa reunião. Acho que vou fingir que estou com dor de barriga só para não ir.
— Aí de você se fizer isso e me deixar sozinha, Karina – Chrys ameaçou, bebendo o resto da sua bebida.
— Seria a minha vingança pela entrevista. Porque você sabe que eu não me dou muito bem sendo o centro das atenções.
— Uma hora tu vai ter que superar esse medo, mulher.
— Ok, agora me dá um pouco disso aí que você está tomando – pedi, fazendo uma careta.
Chrys abriu uma gaveta, tirou um copo e uma garrafa que eu notei ser conhaque. Colocou um pouco no copo para mim e me entregou, depois se serviu novamente enquanto eu entornava de uma vez o copo, sentindo o líquido queimar minha garganta e esôfago à medida que descia.
— Vai com calma aí, amiga – ela debochou, rindo – Vem, cá. Deixa eu te mostrar essa nova interface que os garotos montaram para facilitar o nosso trabalho no blog da revista.
Dei a volta na mesa e postei-me ao lado dela, olhando para a tela do notebook.
— Prático. Gostei.
— Meninas, vocês podem me reenviar aquelas imagens do editorial da entrevista com o Karl Lagerfeld, que eu mandei ontem para vocês? – escutamos a voz da May, uma das Editoras de Moda da revista, então me aprumei, a encarando.
— Seu note bugou? – Chrys perguntou.
— Tanto o meu quanto o da Vivian bugaram, mas ela conseguiu recuperar o texto do editorial, mas eu não consegui fazer o mesmo com as imagens e se essa entrevista não sair nessa próxima edição da revista, a Dakota vai comer nossas entranhas. Vocês estão bebendo?
— Reunião mensal hoje, lembra? – falei e a mesma deu um grito, já saindo da sala, correndo igual a uma desesperada.
— Provavelmente. Vou mandar as imagens para elas – anunciei, indo me sentar em minha mesa.

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