DAKOTA
Estamos em um engarrafamento a caminho da revista. Me encontrava no Skype conversando com Erica, minha secretária, pedindo para que a mesma agilizasse as coisas da reunião com a Allane Baker, nossa nova Diretora Criativa da RUNWAY, porque Jamie estava atarefado demais com a Semana de Moda e o mesmo iria apresentar uma nova coleção.
Ele se encontrava ao meu lado, bastante nervoso. Toda hora Jamie falava com o motorista, mandando ele tentar sair da fila e buscar uma alternativa de tráfego para nós.
— Jamie, pare de importunar o motorista. Ele sabe o que fazer.
— Já são 08:30hs – ele disse, verificando o relógio de pulso pela centésima vez, creio eu – Preciso ir ao meu ateliê antes da reunião, ma puce (minha pulguinha).
“Esse desgraçado adora me provocar. Jamie sabe que eu odeio quando ele me chama de pulga”
— Você quem sabe – retruquei.
O vi se focar em seu celular e eu me concentrei em terminar de dar minhas ordens a Erica. Depois fiquei olhando a paisagem pela janela escura do carro, observando os transeuntes passarem indiferentes ao trânsito parado.
Um casal que tinha acabado de virar a esquina me chamou a atenção. Ambos andavam abraçados e pareciam felizes um com a presença do outro lado. Ao ver aquele casal apaixonado e feliz, me fez refletir sobre minha própria vida.
“Que tipo de vida amorosa eu tive como exemplo?” inquiri a mim mesma, já sabendo a resposta.
Eu cresci em um lar onde meus pais não se amavam. Meu pai sempre foi dedicado ao trabalho e deixava minha mãe livre demais, o que ocasionou em ela ter vários amantes e depois ambos se separaram. Eu e minha irmã fomos morar com meu pai e crescemos seguindo o exemplo dele.
“O amor nos torna incapazes de fazer certos tipos de escolhas na vida. Você não precisa de amor para se sentir bem, Dakota. Mas caso precise um dia, seja bem sucedida em seu trabalho que todos irão lhe amar, minha filha” ele dizia-me enquanto me treinava para que um dia eu o substituísse no comando da Revista RUNWAY.
Então, este dia chegou e depois de quatro anos no comando da revista, eu me vi em meio a um casamento por contrato. Meu casamento com Jamie é só um negócio a longo prazo e por ironia do destino, talvez, eu me encontrava na mesma situação que meu pai vivia décadas atrás.
Um casamento de fachada e sem amor. Casado com uma pessoa que se deita ao seu lado na cama, mas que está pensando em seus milhares de amantes. Esta foi a vida do meu pai e esta é minha vida agora.
JAMIE
Consegui não pensar mais no trânsito parado quando recebi uma mensagem da minha filha Dakota. Sim, Dakota igual ao nome da minha esposa, bizarro isso, eu sei, mas tanto eu quanto a mãe dela chamávamos carinhosamente nossa Dakotinha de “Coqui” para diferenciar com o da minha esposa.
Mirela e eu, nos conhecemos há oito anos, quando ela ainda estava entre as Top Model mais famosas do mundo enquanto que a mim, me encontrava tentar lançar-me como estilista nesse mundo tempestuoso da moda.
Se estou onde estou, foi em parte graça a ela, que me ajudou, dando-me os contatos certos para engajar a minha carreira. Na época, não tínhamos, propriamente dizendo, um relacionamento sério e sim, ficadas esporádicas.
Era tipo, íamos no mesmo evento em carros separados e horários diferentes, ela sempre chegava depois de mim, pois adorava uma entrada digna de estrela de Hollywood. Então, no meio da festa, encontrávamos um banheiro ou uma dispensa, qualquer canto servia para transarmos.
Foi então que ela engravidou e eu me desesperei, pois ainda estava tentando ser famoso e não queria ser conhecido como “O namorado da Top Model Mirela Duci Poitiers, que só é famoso porque engravidou ela”. Não. Eu queria chegar no topo através do meu trabalho, tanto que fugi da França e vim para os Estados Unidos.
Mesmo tendo sido um imbecil de ter largado a Mirela grávida, a mesma nunca “manchou” a minha carreira e sempre omitiu para a imprensa quem era o pai da Dakota, até seis meses atrás quando ela começou a me pressionar para assumir a nossa Coqui.
Tive que fechar um restaurante para podermos conversar a sós, porque em casa a Dakota (esposa) iria descobrir, mas eu não me importava muito com a Dak e sim com a Nina. Minha cunhada é que era o problema, pois ela podia vazar essa informação para algum site de fofoca.
O nosso almoço tinha sido tenso e ela só se acalmou quando prometi ir visitar mais vezes a nossa filha. Todavia, Mirela está novamente no meu pé por causa da ausência da paternidade no registro da Coqui, que já se encontrava com sete anos.
Respondi minha princesinha, desejando melhoras pela dor de dente e prometendo que tentaria ir vê-la aquela noite e lhe levaria um presente, depois enfiei o celular no bolso e olhei para Dakota, vendo-a que a mesma observava a paisagem da calçada ou namorava um vestido e um terninho, ambos pretos, na vitrine da loja.
“É, admito que eles são bem bonitos e que não são de nenhuma das minhas coleções, mas será que a Dak gostou deles?” pensei comigo mesmo, então tirei o telefone do bolso e passei uma mensagem para Victoria, minha secretária.
Mandei e logo chegou sua resposta.
Segundos depois, recebi outra mensagem da minha princesinha.
Apenas dei um sorriso de canto de boca e notei que Dak me olhava, meio de relance, depois virou o rosto, balançando sutilmente a cabeça.
“Será que ela estava com ciúmes?” indaguei, mentalmente.
Provavelmente não, pois desde que a conheci naquele elevador até hoje ela me tratava como sócio e nada mais que isso.
No início, quando nos encontramos, eu realmente fiquei deslumbrado com a beleza e, acima de tudo, com a personalidade dela, então quando a Dakota me propôs casamento naquele mesmo dia, simplesmente achei que ela também tinha sentido algo por mim.
Entretanto, no dia que eu ia me declarar, Dak me chamou para assinar os papéis do casamento, onde iríamos unir nossas empresas num contrato que nos renderia bilhões de dólares. Foi então que a ficha caiu. Ela não gostava de mim e o nosso matrimônio para Dakota não passava de um negócio bem sucedido.
Estou na seca há dez meses, sem pegar mulher nenhuma por pensar que a Dak talvez mudasse o seu jeito frio, mas ela não mudou, pelo contrário, ficou pior então só me resta a masturbação que, infelizmente tinha virado parte da minha vida agora.
Eu não ia trair a Dakota, porque meus pais me deram uma educação rígida sobre o matrimônio, mas meus dias de solteiro, onde cada mês eu me encontrava saboreando uma boceta diferente, estavam atormentando o meu instinto masculino para a caça.
Dak está perdendo a oportunidade de ter a melhor foda da vida dela, mas ainda tenho esperança que um dia nós vamos passar dos selinhos e beijos encenados para beijos verdadeiros e também fazer um bom uso da cama do nosso quarto. Se isso não acontecer, Dakota vai morrer com a teia entre as pernas e com o cabaço intacto, segundo informação da minha cunhada.
Uma coisa que aprendi nesses anos de estilista, observando as mulheres, é que elas não se vestem para os homens e sim para causar cobiça nas amigas. Elas também não gostam uma das outras por inveja, por achar que a outra possui um corpo, um cabelo ou roupas melhores que as delas.
Com isso, fico me perguntando se essa tal de Emily é tão gostosa assim para causar a raiva na Dakota e na Nina. Se ela for, então eu com certeza vou precisar me aproximar da minha mais nova cunhada, para provocar a minha querida esposa e ver se ela se desperta para a vida.
— Jamie, já chegamos – comunicou Dak, pegando suas coisas entre nós.
Quando sai do carro, dei a volta e postei ao lado de minha esposa, oferecendo meu braço a ela, que o entrelaçou ao seu então sorrimos um para o outro, num gesto bem íntimo e romântico, exclusivo para as lentes do fotógrafo que se encontrava do outro lado da rua tentando ficar à paisana.
Informamos ao motorista que hoje nós não iríamos para casa almoçar, então seguimos abraçados, adentrando o nosso império mais famoso do mundo da moda.
Estamos em um engarrafamento a caminho da revista. Me encontrava no Skype conversando com Erica, minha secretária, pedindo para que a mesma agilizasse as coisas da reunião com a Allane Baker, nossa nova Diretora Criativa da RUNWAY, porque Jamie estava atarefado demais com a Semana de Moda e o mesmo iria apresentar uma nova coleção.
Ele se encontrava ao meu lado, bastante nervoso. Toda hora Jamie falava com o motorista, mandando ele tentar sair da fila e buscar uma alternativa de tráfego para nós.
— Jamie, pare de importunar o motorista. Ele sabe o que fazer.
— Já são 08:30hs – ele disse, verificando o relógio de pulso pela centésima vez, creio eu – Preciso ir ao meu ateliê antes da reunião, ma puce (minha pulguinha).
“Esse desgraçado adora me provocar. Jamie sabe que eu odeio quando ele me chama de pulga”
— Você quem sabe – retruquei.
O vi se focar em seu celular e eu me concentrei em terminar de dar minhas ordens a Erica. Depois fiquei olhando a paisagem pela janela escura do carro, observando os transeuntes passarem indiferentes ao trânsito parado.
Um casal que tinha acabado de virar a esquina me chamou a atenção. Ambos andavam abraçados e pareciam felizes um com a presença do outro lado. Ao ver aquele casal apaixonado e feliz, me fez refletir sobre minha própria vida.
“Que tipo de vida amorosa eu tive como exemplo?” inquiri a mim mesma, já sabendo a resposta.
Eu cresci em um lar onde meus pais não se amavam. Meu pai sempre foi dedicado ao trabalho e deixava minha mãe livre demais, o que ocasionou em ela ter vários amantes e depois ambos se separaram. Eu e minha irmã fomos morar com meu pai e crescemos seguindo o exemplo dele.
“O amor nos torna incapazes de fazer certos tipos de escolhas na vida. Você não precisa de amor para se sentir bem, Dakota. Mas caso precise um dia, seja bem sucedida em seu trabalho que todos irão lhe amar, minha filha” ele dizia-me enquanto me treinava para que um dia eu o substituísse no comando da Revista RUNWAY.
Então, este dia chegou e depois de quatro anos no comando da revista, eu me vi em meio a um casamento por contrato. Meu casamento com Jamie é só um negócio a longo prazo e por ironia do destino, talvez, eu me encontrava na mesma situação que meu pai vivia décadas atrás.
Um casamento de fachada e sem amor. Casado com uma pessoa que se deita ao seu lado na cama, mas que está pensando em seus milhares de amantes. Esta foi a vida do meu pai e esta é minha vida agora.
JAMIE
Consegui não pensar mais no trânsito parado quando recebi uma mensagem da minha filha Dakota. Sim, Dakota igual ao nome da minha esposa, bizarro isso, eu sei, mas tanto eu quanto a mãe dela chamávamos carinhosamente nossa Dakotinha de “Coqui” para diferenciar com o da minha esposa.
Mirela e eu, nos conhecemos há oito anos, quando ela ainda estava entre as Top Model mais famosas do mundo enquanto que a mim, me encontrava tentar lançar-me como estilista nesse mundo tempestuoso da moda.
Se estou onde estou, foi em parte graça a ela, que me ajudou, dando-me os contatos certos para engajar a minha carreira. Na época, não tínhamos, propriamente dizendo, um relacionamento sério e sim, ficadas esporádicas.
Era tipo, íamos no mesmo evento em carros separados e horários diferentes, ela sempre chegava depois de mim, pois adorava uma entrada digna de estrela de Hollywood. Então, no meio da festa, encontrávamos um banheiro ou uma dispensa, qualquer canto servia para transarmos.
Foi então que ela engravidou e eu me desesperei, pois ainda estava tentando ser famoso e não queria ser conhecido como “O namorado da Top Model Mirela Duci Poitiers, que só é famoso porque engravidou ela”. Não. Eu queria chegar no topo através do meu trabalho, tanto que fugi da França e vim para os Estados Unidos.
Mesmo tendo sido um imbecil de ter largado a Mirela grávida, a mesma nunca “manchou” a minha carreira e sempre omitiu para a imprensa quem era o pai da Dakota, até seis meses atrás quando ela começou a me pressionar para assumir a nossa Coqui.
Tive que fechar um restaurante para podermos conversar a sós, porque em casa a Dakota (esposa) iria descobrir, mas eu não me importava muito com a Dak e sim com a Nina. Minha cunhada é que era o problema, pois ela podia vazar essa informação para algum site de fofoca.
O nosso almoço tinha sido tenso e ela só se acalmou quando prometi ir visitar mais vezes a nossa filha. Todavia, Mirela está novamente no meu pé por causa da ausência da paternidade no registro da Coqui, que já se encontrava com sete anos.
Respondi minha princesinha, desejando melhoras pela dor de dente e prometendo que tentaria ir vê-la aquela noite e lhe levaria um presente, depois enfiei o celular no bolso e olhei para Dakota, vendo-a que a mesma observava a paisagem da calçada ou namorava um vestido e um terninho, ambos pretos, na vitrine da loja.
Vic, quero que ligue para a loja Style Doll’s e peça para mandarem o vestido rodado preto e o terninho preto justo que se encontram expostos na vitrine para o meu endereço. Também anexe à compra dois Louboutin, um preto e um prateado, e duas bolsas de mão nas mesmas cores que as dos sapatos.
Mandei e logo chegou sua resposta.
Ok, Sr. Dornan.
Segundos depois, recebi outra mensagem da minha princesinha.
Papai, cuidado que a mamãe está furiosa com você.
Apenas dei um sorriso de canto de boca e notei que Dak me olhava, meio de relance, depois virou o rosto, balançando sutilmente a cabeça.
“Será que ela estava com ciúmes?” indaguei, mentalmente.
Provavelmente não, pois desde que a conheci naquele elevador até hoje ela me tratava como sócio e nada mais que isso.
No início, quando nos encontramos, eu realmente fiquei deslumbrado com a beleza e, acima de tudo, com a personalidade dela, então quando a Dakota me propôs casamento naquele mesmo dia, simplesmente achei que ela também tinha sentido algo por mim.
Entretanto, no dia que eu ia me declarar, Dak me chamou para assinar os papéis do casamento, onde iríamos unir nossas empresas num contrato que nos renderia bilhões de dólares. Foi então que a ficha caiu. Ela não gostava de mim e o nosso matrimônio para Dakota não passava de um negócio bem sucedido.
Estou na seca há dez meses, sem pegar mulher nenhuma por pensar que a Dak talvez mudasse o seu jeito frio, mas ela não mudou, pelo contrário, ficou pior então só me resta a masturbação que, infelizmente tinha virado parte da minha vida agora.
Eu não ia trair a Dakota, porque meus pais me deram uma educação rígida sobre o matrimônio, mas meus dias de solteiro, onde cada mês eu me encontrava saboreando uma boceta diferente, estavam atormentando o meu instinto masculino para a caça.
Dak está perdendo a oportunidade de ter a melhor foda da vida dela, mas ainda tenho esperança que um dia nós vamos passar dos selinhos e beijos encenados para beijos verdadeiros e também fazer um bom uso da cama do nosso quarto. Se isso não acontecer, Dakota vai morrer com a teia entre as pernas e com o cabaço intacto, segundo informação da minha cunhada.
Uma coisa que aprendi nesses anos de estilista, observando as mulheres, é que elas não se vestem para os homens e sim para causar cobiça nas amigas. Elas também não gostam uma das outras por inveja, por achar que a outra possui um corpo, um cabelo ou roupas melhores que as delas.
Com isso, fico me perguntando se essa tal de Emily é tão gostosa assim para causar a raiva na Dakota e na Nina. Se ela for, então eu com certeza vou precisar me aproximar da minha mais nova cunhada, para provocar a minha querida esposa e ver se ela se desperta para a vida.
— Jamie, já chegamos – comunicou Dak, pegando suas coisas entre nós.
Quando sai do carro, dei a volta e postei ao lado de minha esposa, oferecendo meu braço a ela, que o entrelaçou ao seu então sorrimos um para o outro, num gesto bem íntimo e romântico, exclusivo para as lentes do fotógrafo que se encontrava do outro lado da rua tentando ficar à paisana.
Informamos ao motorista que hoje nós não iríamos para casa almoçar, então seguimos abraçados, adentrando o nosso império mais famoso do mundo da moda.

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