DAKOTA
Acordei, já sentando-me na cama e me espreguiçando. Olhei a hora no despertador e passava um pouco das sete da manhã então levantei, notando que estava sozinha na cama. Deduzi que Jamie se encontrava no banheiro e mesmo sabendo que veria a mesma cena de sempre, eu me dirigi até lá.
— Você precisa fazer isso pelado? – perguntei, adentrando o banheiro, o encontrando no chão, sobre o tapete, fazendo seus exercícios matinais.
— Bom dia para você também... amorzinho – ele falou erguendo o rosto em minha direção – Ao invés de encher o meu saco de como eu me exercito, pode por favor subir nas minhas costas para eu poder terminar essa série?
Rolei os olhos e ergui um pouco minha camisola, subindo em cima dele, sentando-me em sua costa.
— É impressão minha ou você está mais pesada, Dakota?
— Vou fingir que não escutei isso – comentei, emburrada, vendo-o começar a subir e descer.
Assim que Jamie terminou a tal série de exercícios, sai de cima dele e fomos nos preparar para mais um dia de trabalho.
Estava sentada à penteadeira, maquiando-me, quando meu celular começou a tocar e fiz uma careta quando olhei o visor.
— Oi, Janelle.
— Bom dia, filha. Ou é Boa tarde? Sempre me confundo com o fuso horário daí. Como você e sua irmã estão?
— Estamos bem, obrigada – disse secamente enquanto escolhia uma cor de batom.
— E o pai de vocês?
Engoli em seco e suspirei fundo antes de responder.
— Faz quatro anos que ele faleceu, não se lembra?
— Oh, filha! Eu me esqueci.
— Não era de se esperar... – falei em um tom ríspido e sarcástico – ...pois vive se esquecendo das coisas, não é mesmo? – “principalmente das filhas” completei mentalmente, mas minha mãe não se abalou com a minha frieza e logo começou a falar sobre a vida dela e em como estava feliz por morar na Itália.
Jamie de repente entrou no quarto, quase todo vestido.
— Sabe onde coloquei aquela minha gravata azul escuro, estilo couro de cobra?
— Deve está na sua gaveta de gravatas – disse o óbvio, encarando-o pelo o reflexo do espelho.
— Quem é esse, filhinha?
— Não está! – ele gritou de dentro do closet.
— Não me faça ir até aí e achar essa gravata, senão eu vou enfiá-la na sua boca! – gritei de volta.
— Dakota Johnson Runway, diga agora mesmo quem é esse rapaz que falou com você?
Puxei o ar profundamente, tentando não mandar minha própria mãe para aquele lugar, mesmo ela merecendo.
— Vamos esclarecer duas coisas, Dona Janelle. Primeiro, eu tirei o “Johnson” do meu nome no dia que você se casou com o Jonathan. E segundo, com quem falo ou deixo de falar não é problema seu. Sou bem grandinha para isso. Agora eu preciso terminar de me arrumar para poder ir trabalhar.
— Ah, filha, eu queria te pedir um favor...
— Então foi para isso que você me ligou? – inquiri, a interrompendo.
— Claro que não, filhota – revirei os olhos em tédio – Sua irmã Emily terminou o colegial e pretende fazer faculdade de moda, mas primeiro ela quer estagiar e como você está no comando da RUNWAY agora, eu pensei que talvez você pudesse conseguir um emprego para ela.
— Aham, sei... Sem mentiras comigo, tá? Pode ir logo falando que merda essa garota fez aí, para você está querendo jogar ela para cima de mim?
— Millie não fez nada, só está andando com péssimas companhias e eu quero ela bem distante daqueles sapatões – “Janelle e seus preconceitos medíocres” pensei enquanto ela continuava falando – Mas o que eu disse sobre o estágio é sério. Faz esse favor para mim, filhinha.
Suspirei meio desanimada, pois sabia que ela iria ficar me enchendo a paciência se eu não fizesse isso.
“A Nina é que não vai gostar muito da ideia” pensei.
— Tudo bem, Janelle. Pode mandar ela, que conseguirei algo.
Desliguei sem ao menos se despedir dela e fui tirar o roupão para vestir a roupa que eu havia separado.
Desci a escada e me aproximei da mesa, notando que meu marido não havia encontrado sua gravata.
— Você está bonita – Jamie comentou, sem desviar o olhar do jornal.
Sentei e servi-me de uma porção de frutas e cereais enquanto dava uma olhada nas últimas notícias do mundo pelo meu celular. O dia estava ensolarado e isso refletia na ampla e luxuosa cobertura onde morávamos há pelo menos dez meses.
O nosso apartamento era um duplex luxuoso. No primeiro andar possuía uma bela sala de estar com móveis modernos e sofisticados integrada, parcialmente, com a sala de jantar, uma cozinha bem equipada com os últimos lançamentos em utensílios e eletrodomésticos, um escritório para mim e um ateliê para meu marido.
Janelas se estendiam do chão ao teto inserindo luminosidade e calor ao ambiente. Já no segundo andar se encontrava quatro suítes: Uma que eu e Jamie dividíamos, outra da minha irmã Nina e duas para eventuais hóspedes. Todo o apartamento, com exceção do nosso quarto e do ateliê do Jamie, era de tons de branco e preto.
— Já viu que nós saímos no jornal? – ouvi Jamie perguntar, então a página que eu havia clicado se abriu, revelando nossa foto.
— Estou vendo agora. Primeira página como sempre. Só que essa imagem que escolheram de nós não me favoreceu – falei.
— Tem razão, mas você continuou linda como sempre.
Levantei o olhar, encarando-o séria.
— Dois elogios logo no início do dia. Quem foi dessa vez, Jamie? A nossa faxineira? Ou está novamente iludindo uma das modelos da nossa revista? – indaguei calmamente, ele fez menção de falar, mas levantei a mão, fazendo-o se calar – Quer saber, eu nem quero saber o nome da coitada que você está iludindo agora.
— Tudo bem – ele disse, dando de ombros e sorvendo um pouco de seu café – O que você irá querer como presente de desculpa? Chocolates? Diamantes? Um jatinho novo?
— Dessa vez, eu quero que você produza uma coleção exclusiva só para mim.
— Como desejar, querida.
— Bom dia, família! Que lindo dia, não é!? – Nina gritou do parapeito do segundo andar.
Jamie e eu nos entreolhamos, assustados e surpresos, pois ela tinha acordado com muito bom humor para alguém que tinha chegado às cinco da manhã e que apenas dormiu duas horas, se é que essa garota dormiu. Só que infelizmente eu teria que dar uma notícia, ao qual acabaria com toda essa alegria dela.
— Você está bem? – Jamie perguntou, deixando de lado seu jornal e encarando ela que descia as escadas quase aos pulos.
— Claro e bom dia, cunhadinho – ela depositou um rápido beijo na bochecha de Jamie e rodeando a mesa, repetiu o mesmo gesto comigo – Bom dia, irmãzinha.
Encostei o dorso da minha mão na testa dela.
— O que foi? – Nina indagou, confusa.
— Estou verificando se está com febre.
Ela empurrou minha mão e revirou os olhos.
— Estou apenas de bom humor.
— Percebe-se – falei – Tomou algum estimulante?
— Ou algum energético?
— Não Dak e não Jamie.
— Teremos uma hóspede por algum tempo – joguei a bomba.
— Quem? – ambos perguntaram.
— Nossa mãe ligou pedindo que a Emily ficasse conosco por alguns meses.
— Ah não, maninha. Não faz isso comigo não. Tava tão feliz – resmungou Nina, sendo dramática como sempre.
— Quem é Emily? – Jamie nos olhou, confuso.
— É nossa irmã mais nova.
— Meia-irmã – corrigiu-me Nina.
— Emily. Emily. Ela não foi para o casamento, foi?
— Não. Porque não a convidei.
— Se ela é sua irmã...
— Meia-irmã – interrompeu Nina, já irritada.
— Que seja. Se essa tal de Emily é ir... – ele parou de falar quando viu o olhar mortal que Nina lhe lançava – ...é parente consanguínea de vocês duas, porque não a convidou para o nosso casamento? – questionou-me Jamie.
— Por que não gostamos muito dela – disse Nina.
— Motivo?
— O pai dela fez de tudo para separar os nossos pais.
— Nina! – a repreendi, pois meu marido não precisava saber sobre o que aconteceu na minha vida, porque isso não fazia parte do contrato ao qual nós assinamos quando nos casamos.
— Que foi? – ela me olhou irritada, depois se voltou para Jamie – Jonathan conseguiu o que queria e nossa mãe casou-se com ele. Um ano depois ela teve aquela coisa ao qual nossa mãe nos obrigou a chamar de irmã. Então resolvemos cortar a relação com a Janelle e a família Johnson-Warner.
— Só que vamos ter que aguentá-la por alguns meses, ok Nina? – falei repousando o copo de suco, vazio, sobre a mesa.
— Se não queriam ela aqui era só você ter falado “Não” para sua mãe – disse Jamie olhando a hora no seu Rolex de ouro.
— Você não conhece Janelle Johnson e nem quero que conheça.
Ele deu de ombros e se levantou, informando-nos sobre a hora, então segui seu gesto, já saindo da mesa também. Nina então nos comunicou que iria só mais tarde para a RUNWAY.
— Não demore a aparecer, porque depois que eu e Jamie tivermos nossa reunião com a Allane, vai ter a reunião mensal da revista com todos os diretores dos setores e você está incluída nela – informei pegando minha bolsa e fui me encontrar com Jamie que se encontrava em frente às portas do elevador.
SEIS MESES DEPOIS
Acordei, já sentando-me na cama e me espreguiçando. Olhei a hora no despertador e passava um pouco das sete da manhã então levantei, notando que estava sozinha na cama. Deduzi que Jamie se encontrava no banheiro e mesmo sabendo que veria a mesma cena de sempre, eu me dirigi até lá.
— Você precisa fazer isso pelado? – perguntei, adentrando o banheiro, o encontrando no chão, sobre o tapete, fazendo seus exercícios matinais.
— Bom dia para você também... amorzinho – ele falou erguendo o rosto em minha direção – Ao invés de encher o meu saco de como eu me exercito, pode por favor subir nas minhas costas para eu poder terminar essa série?
Rolei os olhos e ergui um pouco minha camisola, subindo em cima dele, sentando-me em sua costa.
— Vou fingir que não escutei isso – comentei, emburrada, vendo-o começar a subir e descer.
Assim que Jamie terminou a tal série de exercícios, sai de cima dele e fomos nos preparar para mais um dia de trabalho.
★ ★ ★ ★ ★
Estava sentada à penteadeira, maquiando-me, quando meu celular começou a tocar e fiz uma careta quando olhei o visor.
— Oi, Janelle.
— Bom dia, filha. Ou é Boa tarde? Sempre me confundo com o fuso horário daí. Como você e sua irmã estão?
— Estamos bem, obrigada – disse secamente enquanto escolhia uma cor de batom.
— E o pai de vocês?
Engoli em seco e suspirei fundo antes de responder.
— Faz quatro anos que ele faleceu, não se lembra?
— Oh, filha! Eu me esqueci.
— Não era de se esperar... – falei em um tom ríspido e sarcástico – ...pois vive se esquecendo das coisas, não é mesmo? – “principalmente das filhas” completei mentalmente, mas minha mãe não se abalou com a minha frieza e logo começou a falar sobre a vida dela e em como estava feliz por morar na Itália.
Jamie de repente entrou no quarto, quase todo vestido.
— Sabe onde coloquei aquela minha gravata azul escuro, estilo couro de cobra?
— Deve está na sua gaveta de gravatas – disse o óbvio, encarando-o pelo o reflexo do espelho.
— Quem é esse, filhinha?
— Não está! – ele gritou de dentro do closet.
— Não me faça ir até aí e achar essa gravata, senão eu vou enfiá-la na sua boca! – gritei de volta.
— Dakota Johnson Runway, diga agora mesmo quem é esse rapaz que falou com você?
Puxei o ar profundamente, tentando não mandar minha própria mãe para aquele lugar, mesmo ela merecendo.
— Vamos esclarecer duas coisas, Dona Janelle. Primeiro, eu tirei o “Johnson” do meu nome no dia que você se casou com o Jonathan. E segundo, com quem falo ou deixo de falar não é problema seu. Sou bem grandinha para isso. Agora eu preciso terminar de me arrumar para poder ir trabalhar.
— Ah, filha, eu queria te pedir um favor...
— Então foi para isso que você me ligou? – inquiri, a interrompendo.
— Claro que não, filhota – revirei os olhos em tédio – Sua irmã Emily terminou o colegial e pretende fazer faculdade de moda, mas primeiro ela quer estagiar e como você está no comando da RUNWAY agora, eu pensei que talvez você pudesse conseguir um emprego para ela.
— Aham, sei... Sem mentiras comigo, tá? Pode ir logo falando que merda essa garota fez aí, para você está querendo jogar ela para cima de mim?
— Millie não fez nada, só está andando com péssimas companhias e eu quero ela bem distante daqueles sapatões – “Janelle e seus preconceitos medíocres” pensei enquanto ela continuava falando – Mas o que eu disse sobre o estágio é sério. Faz esse favor para mim, filhinha.
Suspirei meio desanimada, pois sabia que ela iria ficar me enchendo a paciência se eu não fizesse isso.
“A Nina é que não vai gostar muito da ideia” pensei.
— Tudo bem, Janelle. Pode mandar ela, que conseguirei algo.
Desliguei sem ao menos se despedir dela e fui tirar o roupão para vestir a roupa que eu havia separado.
★ ★ ★ ★ ★
Desci a escada e me aproximei da mesa, notando que meu marido não havia encontrado sua gravata.
— Você está bonita – Jamie comentou, sem desviar o olhar do jornal.
Sentei e servi-me de uma porção de frutas e cereais enquanto dava uma olhada nas últimas notícias do mundo pelo meu celular. O dia estava ensolarado e isso refletia na ampla e luxuosa cobertura onde morávamos há pelo menos dez meses.
O nosso apartamento era um duplex luxuoso. No primeiro andar possuía uma bela sala de estar com móveis modernos e sofisticados integrada, parcialmente, com a sala de jantar, uma cozinha bem equipada com os últimos lançamentos em utensílios e eletrodomésticos, um escritório para mim e um ateliê para meu marido.
Janelas se estendiam do chão ao teto inserindo luminosidade e calor ao ambiente. Já no segundo andar se encontrava quatro suítes: Uma que eu e Jamie dividíamos, outra da minha irmã Nina e duas para eventuais hóspedes. Todo o apartamento, com exceção do nosso quarto e do ateliê do Jamie, era de tons de branco e preto.
— Já viu que nós saímos no jornal? – ouvi Jamie perguntar, então a página que eu havia clicado se abriu, revelando nossa foto.
— Tem razão, mas você continuou linda como sempre.
Levantei o olhar, encarando-o séria.
— Dois elogios logo no início do dia. Quem foi dessa vez, Jamie? A nossa faxineira? Ou está novamente iludindo uma das modelos da nossa revista? – indaguei calmamente, ele fez menção de falar, mas levantei a mão, fazendo-o se calar – Quer saber, eu nem quero saber o nome da coitada que você está iludindo agora.
— Tudo bem – ele disse, dando de ombros e sorvendo um pouco de seu café – O que você irá querer como presente de desculpa? Chocolates? Diamantes? Um jatinho novo?
— Dessa vez, eu quero que você produza uma coleção exclusiva só para mim.
— Como desejar, querida.
— Bom dia, família! Que lindo dia, não é!? – Nina gritou do parapeito do segundo andar.
Jamie e eu nos entreolhamos, assustados e surpresos, pois ela tinha acordado com muito bom humor para alguém que tinha chegado às cinco da manhã e que apenas dormiu duas horas, se é que essa garota dormiu. Só que infelizmente eu teria que dar uma notícia, ao qual acabaria com toda essa alegria dela.
— Claro e bom dia, cunhadinho – ela depositou um rápido beijo na bochecha de Jamie e rodeando a mesa, repetiu o mesmo gesto comigo – Bom dia, irmãzinha.
Encostei o dorso da minha mão na testa dela.
— O que foi? – Nina indagou, confusa.
— Estou verificando se está com febre.
Ela empurrou minha mão e revirou os olhos.
— Estou apenas de bom humor.
— Percebe-se – falei – Tomou algum estimulante?
— Ou algum energético?
— Não Dak e não Jamie.
— Teremos uma hóspede por algum tempo – joguei a bomba.
— Quem? – ambos perguntaram.
— Nossa mãe ligou pedindo que a Emily ficasse conosco por alguns meses.
— Ah não, maninha. Não faz isso comigo não. Tava tão feliz – resmungou Nina, sendo dramática como sempre.
— Quem é Emily? – Jamie nos olhou, confuso.
— É nossa irmã mais nova.
— Meia-irmã – corrigiu-me Nina.
— Emily. Emily. Ela não foi para o casamento, foi?
— Não. Porque não a convidei.
— Se ela é sua irmã...
— Meia-irmã – interrompeu Nina, já irritada.
— Que seja. Se essa tal de Emily é ir... – ele parou de falar quando viu o olhar mortal que Nina lhe lançava – ...é parente consanguínea de vocês duas, porque não a convidou para o nosso casamento? – questionou-me Jamie.
— Por que não gostamos muito dela – disse Nina.
— Motivo?
— O pai dela fez de tudo para separar os nossos pais.
— Nina! – a repreendi, pois meu marido não precisava saber sobre o que aconteceu na minha vida, porque isso não fazia parte do contrato ao qual nós assinamos quando nos casamos.
— Que foi? – ela me olhou irritada, depois se voltou para Jamie – Jonathan conseguiu o que queria e nossa mãe casou-se com ele. Um ano depois ela teve aquela coisa ao qual nossa mãe nos obrigou a chamar de irmã. Então resolvemos cortar a relação com a Janelle e a família Johnson-Warner.
— Só que vamos ter que aguentá-la por alguns meses, ok Nina? – falei repousando o copo de suco, vazio, sobre a mesa.
— Se não queriam ela aqui era só você ter falado “Não” para sua mãe – disse Jamie olhando a hora no seu Rolex de ouro.
— Você não conhece Janelle Johnson e nem quero que conheça.
Ele deu de ombros e se levantou, informando-nos sobre a hora, então segui seu gesto, já saindo da mesa também. Nina então nos comunicou que iria só mais tarde para a RUNWAY.
— Não demore a aparecer, porque depois que eu e Jamie tivermos nossa reunião com a Allane, vai ter a reunião mensal da revista com todos os diretores dos setores e você está incluída nela – informei pegando minha bolsa e fui me encontrar com Jamie que se encontrava em frente às portas do elevador.

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