sábado, 28 de março de 2020

Sussurros de um Crime - Capítulo 27


ANASTASIA

EVANSTON, 2013

— Pronta? – ouvi Christian perguntar assim que estacionou o carro em frente à mansão.

Estava tentando parecer calma para transmitir esse estado de espírito para o Christian, porque mesmo ele dizendo que está tudo bem, a verdade é que não está.

A ideia de reencontrar com a nossa família e de relevar um segredo que possivelmente pode acabar com a nossa relação com eles já era motivo suficiente para que essa calma fosse para o espaço, mas eu queria que eles conhecessem nossos filhos e que as crianças tivessem seu primeiro, e talvez o último, Natal deles com toda a família.

Passávamos os nossos natais com os Kleyn, mas aquela não era nossa família de sangue e sim de coração e depois de muita conversa consegui convencer Christian dessa visita.

— Acho que sim – suspirou me virando para trás – Pobrezinho, ele deve estar muito cansado.

Christian seguiu meu olhar também, olhando para nosso pequeno super-herói que estava dormindo em sua cadeirinha no banco de trás agarrado ao boneco do Capitão América que tinha vindo com a fantasia.

Descemos e enquanto meu marido tirava nossas malas do carro colocando-as em frente à porta, eu pegava Joseph no colo ajeitando a manta que o envolvia, Lindsey desgrudava o bebê-conforto do banco e Layla pegava Teddy nos braços.

— Já chegamos? – ele perguntou meio sonolento esfregando seus olhinhos para tentar espantar o sono.

— Já sim, filho – disse o pai dele se aproximando já o pegando nos braços.

Era de noite então provavelmente todos estariam em casa. Suspirei criando coragem e toquei a campainha. Passaram apenas alguns segundos até que a porta foi aberta pela a Sra. Marks que logo nos abraçou.

Apresentamos nossos filhos e rapidamente ela se encantou com o Joseph. Perguntamos se alguém se encontrava na mansão e a Sra. Marks nos informou que nossa família estava terminando de jantar.

— Estou com fome – Teddy reclamou.

— Quer um pedaço de bolo sabor chocolate com café? – a Sra. Marks perguntou ao nosso filho que nos olhou pedindo permissão então consentimos.

— Nunca experimentei esse tipo de sabor – comentei enquanto Christian colocava Teddy no chão.

— É minha receita nova. Vamos crianças?

— Filha leva seu irmãozinho também – pedi passando Joseph para os braços de Layla – Se ele começar a chorar eu vou está naquela porta ali.

— Está bem, mãe.

A Sra. Marks e nossos filhos saíram rumo a cozinha então nos dirigimos até a porta da sala de jantar. Fiquei ali, com a mão na maçaneta da porta por alguns instantes até que senti Christian entrelaçar minha outra mão na sua.

— Como no jardim de infância, lembra amor? – ele falou sorrindo.

Sim. Eu me lembrava daquele dia. Era o nosso primeiro dia na creche, mas não queríamos ficar.


— Meus amores, vocês vão gostar da escolinha – mamãe disse agachada na nossa frente.

— E vocês vão conhecer amiguinhos e brincarão muito – tia Clarisse falou ao lado da mamãe.

Elas nos beijaram e nos deixaram na porta da sala saindo conversando com outra mulher que iria ser a nossa professora.

— Tô com medo – sussurrei apertando ainda mais em meu braço Melissa, minha boneca de pano que tia Clarisse havia me dado de presente.

Christian pegou na minha mãozinha e entrelaçou com a sua segurando firme para tentar me tranquilizar.

— Não fica com medo, Ana. Eu te potejo – ele disse então entramos na sala de mãos dadas um sendo a força e a segurança do outro.


Sorri da lembrança e enchendo-me de coragem abri a porta.

— Christian! Anastasia! – todos exclamaram surpresos assim que nos viram.

Logo Elliot, Kate, Kim, Nory, Ethan, Carrick e Hunter vieram nos abraçar, apenas Behati, um homem ao seu lado, duas crianças, uma mulher e uma adolescente que permaneceram sentados.

Como previsto, Kim começou a me encher de pergunta, principalmente sobre como eu havia arranjado aquela cicatriz em meu rosto, mas meu foco estava em sua barriga. Kim aparentava estar no sexto ou oitavo mês de gestação.

— Quando isso aconteceu? E por que o Hunter está aqui? – perguntei confusa.

— Nos casamos ano passado – informou Hunter dando um sorriso de orelha a orelha então olhei abismada para Kim.

— É, eu sei que eu odiava ele e até o chamava de múmia, mas o safado do amor é assim. Adora pregar peças na gente e o ódio se transformou em uma paixão enlouquecedora. Vocês também são a prova viva disso – comentou Kim sorrindo.

— E eu vou ser a madrinha – Kate informou.

— Negativo. Eu pedi primeiro, não foi Kim? – indagou Nory.

— Isso já está enchendo o saco, meninas.

— Christian. Ana. Quero que conheçam minha noiva Grace – Carrick falou sorridente quando a mulher se levantou da mesa e veio até nós. A cumprimentamos e fiquei feliz por ver ele se relacionando com alguém novamente depois de tantos anos sozinho – E aquela é a filha dela, Carmem.

— Morte – disse a garota sem desviar sua atenção do prato – Me chamo Morte.

— Desculpe a minha filha, ela é meio assim... diferente e adora trocar de nome – Grace murmurou envergonhada.

Kate e Nory também aproveitaram e nos apresentaram seus filhos. Eric, de quatro anos, era a cara do Elliot, mas loirinho igual a mãe. Garrett, de cinco, também se parecia com o Ethan só que o cabelo tinha puxado para a Nory, mais escurinho e meio ondulado.

— Amor, você não vai me cumprimentar sua irmã? – escutei alguém dizer e olhei para a mesa, naquele momento Behati se levantou junto com o homem ao seu lado e ambos se aproximaram de nós.

— Oi, Anastasia – ela falou sem emoção nenhuma na voz.

— Oi, Behati. Como você está? – perguntei a abraçando.

— Estou bem – ela falou indiferente se desvencilhando de mim e se virando para o meu marido com um sorriso no rosto – Oi, Christian.

Christian a cumprimentou igual aos outros, dando um abraço nela e logo notei um brilho em seu olhar. Seu namorado se auto apresentou, já que ela não o fez. Seu nome era Marlon Follyn e ele não era namorado e sim marido dela.

— Christian me disse que vocês iam nos visitar nas férias do meio do ano, mas acabaram não indo – comentei.

— Sim. Estava preocupado com vocês dois. Só davam notícias por telefone e nunca vieram nos visitar. Já se passaram anos – reclamou Carrick fazendo uma cara de bravo.

— E também porque José deixou escapar que você estava em coma – complementou Hunter.

Neste momento, começamos a escutar um choro que só intensificou a cada segundo até que uma porta lateral que dava acesso a cozinha fora aberta pela a Sra. Marks, e Lindsey adentrou a sala de jantar com seu irmãozinho no colo, mas estancou no lugar quando se deparou com vários pares de olhos voltados para ela.

— Mãe, acho que ele está com fome – ela disse.

Me aproximei dela para pegar o Joseph e quase esbarrei em Teddy que passou correndo entre nós duas indo direto para o pai dele.

— Papai, o bolo tá bom demais – comentou Teddy de boca cheia assim que Christian o pegou nos braços.

— Deve estar sim, filho, já que você está comendo até pela orelha – comentou Christian tirando o pedacinho de bolo e fazendo alguns rirem.

— São meus netos? – indagou Carrick se aproximando de mim e de Christian.

Meu marido acabou apresentando nossos filhos para toda a família, inclusive Layla que apareceu em seguida.

— Desde quando vocês têm filhas dessa idade? – inquiriu Elliot.

— Vamos contar tudo Elliot, será que podemos ir para a sala de estar. Assim eu posso me sentar para amamentar.

— Claro, filha.

Quando Carrick disse aquela palavra foi inevitável não olhar para Christian. Pelo olhar senti que ele me dava forças para poder começar a andar e ir juntos com os demais, que já se encontravam saindo da sala de jantar, após deixarem as crianças com a Sra. Marks.

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