ANASTASIA
— Querido? É melhor irmos embora. As crianças já estão cansadas – falei olhando para nossos filhos que dormiam mesmo com o barulho da música indiana que ecoava pela enorme tenda montada no quintal da mansão Kleyn.
Teddy estava no colo de Christian, Lindsey ao seu lado recostada à ele, já Layla se encontrava do meu, também recostada ao meu corpo.
Logo avistamos Eleonor e eu avisei que já estávamos de partida então ela insistiu que ficássemos para passar o domingo e aproveitarmos a praia. Eu e Christian trocamos um olhar e assentimos em seguida, já acordando as crianças para levá-las até o interior da casa.
Enquanto meu marido terminava de pôr os meninos em seus quartos, eu fui para o nosso ver como estava o meu pequeno Joseph. O mesmo ainda permanecia dormindo em um moisés ao lado da cama, tranquilamente igual a última vez que vim olhá-lo durante a festa então preferi não mexer nele para não o acordar.
Neste momento, Eleonor entrou no quarto trazendo consigo algo roxo nas mãos.
— Tome, minha querida – ela disse entregando-me o que parecia ser roupas – Sei que não trouxeram roupa para pernoitar então tomei a liberdade de trazer uma camisola para você e uma calça de pijama para o Christian.
— Obrigada, Eleonor. Realmente não precisava se incomodar.
— Que isso, Ana. Faço com maior prazer porque vocês são da minha família, são meus filhos de coração – disse pegando meu rosto entre suas mãos – E como mãe consigo notar uma tristeza interna em seu olhar. O que houve entre você e Christian? – Eleonor perguntou, me fazendo sentar-se em um sofá branco existente no quarto.
— Não é nada.
— Não minta para mim, Ana. Sei que há algo acontecendo entre vocês. Eu percebi isso durante o dia todo e principalmente na festa.
Respirei profundamente.
— Ele está diferente comigo, ou melhor, nós estamos diferentes um com o outro – admiti, olhando-a de relance.
— Posso saber o motivo? Ou vocês querem que isso fique só entre os dois?
Respirei fundo novamente e lhe contei o nosso segredo. Eleonor ficou em choque ao ouvir tudo, principalmente a parte onde eu disse as palavras “irmãos gêmeos”, e quem não ficaria não é mesmo?
— Que situação difícil, minha querida – ela disse afagando minha mão – Não sei o que dizer realmente. Eu sou religiosa, mas não julgo vocês, porque ambos não sabiam desse parentesco antes de se relacionarem.
— Nós sabíamos que éramos primos e pecamos mesmo assim, agora estamos pecando ainda mais – comentei e olhei em direção ao moisés – E ainda tivemos um fruto desse pecado.
— Não há níveis de pecados, Anastasia. Há o pecado do mal e há o pecado que existe para o bem. Nos primórdios dos tempos bíblicos, existiram diversos casamentos entre parentes. Muitos dizem, e eu acredito nesse pensamento também, de que Eva era irmã de Adão.
A encarei confusa e ela sorriu.
— Nas escrituras está escrito que Deus tirou uma costela do Adão para criar a Eva. Se ela foi feita de uma parte do corpo dele, tecnicamente falando, eles eram irmãos. Então, após os dois serem expulsos do paraíso, eles tiveram filhos. Sem isso hoje a humanidade não estaria aqui.
— Pensando por esse lado.
— Você passou por muitas provações até recentemente e quem estava do seu lado sendo sua âncora para te manter firme? Christian, não é? Seu marido sempre esteve ao seu lado, meu anjo.
— Eu sei, Eleonor, mas mesmo assim Deus está com raiva de nós e nos castigou com um filho doente.
Ela enxugou uma lágrima minha que escorria e me puxou para um abraço.
— Eu fico triste quando vejo as pessoas humanizarem Deus ao ponto Dele ser comparado a nós seres humanos com sentimentos ruins como raiva, ódio e vingança – ela disse afagando meu cabelo – O verdadeiro Deus não castiga, não se vinga e não senti raiva, Ana. Ele é um ser tão generoso e bondoso que ao invés de punir como muitos dizem por aí, Ele te dá escolhas e cada escolha vem com uma reação. Isso se assemelha a uma pessoa diante de várias opções de caminhos em uma estrada. Cabe a ela qual direção tomar.
— E se essa pessoa tomar a direção errada e sofrer, isso não seria punição de Deus pelo erro dela? – indaguei, me desvencilhando de seu abraço.
— Não há direção somente certa ou somente errada. Todo caminho é errado e certo ao mesmo tempo, a questão não é a direção tomada e sim a pessoa. Pelo que você me contou, acredito que seu filho nasceu assim, porque é o resultado de uma escolha feita no passado que desencadeou uma sequência de reações. Se essas consequências foram para o bem ou mal só cabe a Deus essa resposta. O que você, ou melhor vocês dois devem fazer é pensar que possuem uma família agora e um filho que precisará dos pais para ajudá-lo a superar sua diversidade perante a sociedade. Foque nisso e não em algo do passado. Viva o hoje apenas, Ana.
— Obrigada, Eleonor. Vou falar com Christian sobre isso...
— Não será necessário, amor.
Olhamos em direção da voz e vimos meu marido escorado na soleira da porta.
— Está aí desde quando? – perguntei me levantando e Eleonor seguiu meu movimento.
— Cheguei na parte de eu ser sua âncora – ele disse sorrindo, se aproximando de nós – Obrigada, Eleonor. Sábias palavras as suas.
— Foi apenas meu ponto de vista com relação à situação exposta a mim. Bom, vou deixar os pombinhos a sós e voltar para a festa.
Ela se despediu de nós e saiu. Christian me puxou para seus braços, mas mal começamos a nos beijar, fomos interrompidos pelo chorinho do nosso filho, fazendo meu marido resmungar e dizer que estávamos perdendo nossa privacidade por causa das crianças e necessitávamos de uma segunda lua-de-mel urgente.
— Vou tomar um banho porque estou com os pés doloridos por causa desse sapato ou sapatilha, seja lá o nome disso. Não sei como os indianos aguentam – ele resmungou indo rumo ao banheiro enquanto eu pegava Joseph no colo.
Após trocar a fralda dele fiquei o ninando um pouco nos braços até que Christian apareceu indo vestir a calça do pijama que Eleonor havia trazido. Ele pegou nosso pequeno no colo para que eu pudesse tomar meu banho e assim eu fui, pegando a camisola durante o trajeto.
Quando retornei minutos depois, encontrei ambos dormindo tranquilamente, Joseph estava uma fofura todo esparramado sobre o abdômen do pai dele. Christian por sua vez, se encontrava com uma das mãos repousada nas costas do filho para segurá-lo.
“Mesmo dormindo ele ainda é protetor” pensei dando um sorriso e indo deitar-me ao seu lado, me aconchegando aos dois dos três homens em minha vida.
— Querido? É melhor irmos embora. As crianças já estão cansadas – falei olhando para nossos filhos que dormiam mesmo com o barulho da música indiana que ecoava pela enorme tenda montada no quintal da mansão Kleyn.
Teddy estava no colo de Christian, Lindsey ao seu lado recostada à ele, já Layla se encontrava do meu, também recostada ao meu corpo.
Logo avistamos Eleonor e eu avisei que já estávamos de partida então ela insistiu que ficássemos para passar o domingo e aproveitarmos a praia. Eu e Christian trocamos um olhar e assentimos em seguida, já acordando as crianças para levá-las até o interior da casa.
Enquanto meu marido terminava de pôr os meninos em seus quartos, eu fui para o nosso ver como estava o meu pequeno Joseph. O mesmo ainda permanecia dormindo em um moisés ao lado da cama, tranquilamente igual a última vez que vim olhá-lo durante a festa então preferi não mexer nele para não o acordar.
Neste momento, Eleonor entrou no quarto trazendo consigo algo roxo nas mãos.
— Tome, minha querida – ela disse entregando-me o que parecia ser roupas – Sei que não trouxeram roupa para pernoitar então tomei a liberdade de trazer uma camisola para você e uma calça de pijama para o Christian.
— Obrigada, Eleonor. Realmente não precisava se incomodar.
— Que isso, Ana. Faço com maior prazer porque vocês são da minha família, são meus filhos de coração – disse pegando meu rosto entre suas mãos – E como mãe consigo notar uma tristeza interna em seu olhar. O que houve entre você e Christian? – Eleonor perguntou, me fazendo sentar-se em um sofá branco existente no quarto.
— Não é nada.
— Não minta para mim, Ana. Sei que há algo acontecendo entre vocês. Eu percebi isso durante o dia todo e principalmente na festa.
Respirei profundamente.
— Ele está diferente comigo, ou melhor, nós estamos diferentes um com o outro – admiti, olhando-a de relance.
— Posso saber o motivo? Ou vocês querem que isso fique só entre os dois?
Respirei fundo novamente e lhe contei o nosso segredo. Eleonor ficou em choque ao ouvir tudo, principalmente a parte onde eu disse as palavras “irmãos gêmeos”, e quem não ficaria não é mesmo?
— Que situação difícil, minha querida – ela disse afagando minha mão – Não sei o que dizer realmente. Eu sou religiosa, mas não julgo vocês, porque ambos não sabiam desse parentesco antes de se relacionarem.
— Nós sabíamos que éramos primos e pecamos mesmo assim, agora estamos pecando ainda mais – comentei e olhei em direção ao moisés – E ainda tivemos um fruto desse pecado.
— Não há níveis de pecados, Anastasia. Há o pecado do mal e há o pecado que existe para o bem. Nos primórdios dos tempos bíblicos, existiram diversos casamentos entre parentes. Muitos dizem, e eu acredito nesse pensamento também, de que Eva era irmã de Adão.
A encarei confusa e ela sorriu.
— Nas escrituras está escrito que Deus tirou uma costela do Adão para criar a Eva. Se ela foi feita de uma parte do corpo dele, tecnicamente falando, eles eram irmãos. Então, após os dois serem expulsos do paraíso, eles tiveram filhos. Sem isso hoje a humanidade não estaria aqui.
— Pensando por esse lado.
— Você passou por muitas provações até recentemente e quem estava do seu lado sendo sua âncora para te manter firme? Christian, não é? Seu marido sempre esteve ao seu lado, meu anjo.
— Eu sei, Eleonor, mas mesmo assim Deus está com raiva de nós e nos castigou com um filho doente.
Ela enxugou uma lágrima minha que escorria e me puxou para um abraço.
— Eu fico triste quando vejo as pessoas humanizarem Deus ao ponto Dele ser comparado a nós seres humanos com sentimentos ruins como raiva, ódio e vingança – ela disse afagando meu cabelo – O verdadeiro Deus não castiga, não se vinga e não senti raiva, Ana. Ele é um ser tão generoso e bondoso que ao invés de punir como muitos dizem por aí, Ele te dá escolhas e cada escolha vem com uma reação. Isso se assemelha a uma pessoa diante de várias opções de caminhos em uma estrada. Cabe a ela qual direção tomar.
— E se essa pessoa tomar a direção errada e sofrer, isso não seria punição de Deus pelo erro dela? – indaguei, me desvencilhando de seu abraço.
— Não há direção somente certa ou somente errada. Todo caminho é errado e certo ao mesmo tempo, a questão não é a direção tomada e sim a pessoa. Pelo que você me contou, acredito que seu filho nasceu assim, porque é o resultado de uma escolha feita no passado que desencadeou uma sequência de reações. Se essas consequências foram para o bem ou mal só cabe a Deus essa resposta. O que você, ou melhor vocês dois devem fazer é pensar que possuem uma família agora e um filho que precisará dos pais para ajudá-lo a superar sua diversidade perante a sociedade. Foque nisso e não em algo do passado. Viva o hoje apenas, Ana.
— Obrigada, Eleonor. Vou falar com Christian sobre isso...
— Não será necessário, amor.
Olhamos em direção da voz e vimos meu marido escorado na soleira da porta.
— Está aí desde quando? – perguntei me levantando e Eleonor seguiu meu movimento.
— Cheguei na parte de eu ser sua âncora – ele disse sorrindo, se aproximando de nós – Obrigada, Eleonor. Sábias palavras as suas.
— Foi apenas meu ponto de vista com relação à situação exposta a mim. Bom, vou deixar os pombinhos a sós e voltar para a festa.
Ela se despediu de nós e saiu. Christian me puxou para seus braços, mas mal começamos a nos beijar, fomos interrompidos pelo chorinho do nosso filho, fazendo meu marido resmungar e dizer que estávamos perdendo nossa privacidade por causa das crianças e necessitávamos de uma segunda lua-de-mel urgente.
— Vou tomar um banho porque estou com os pés doloridos por causa desse sapato ou sapatilha, seja lá o nome disso. Não sei como os indianos aguentam – ele resmungou indo rumo ao banheiro enquanto eu pegava Joseph no colo.
Após trocar a fralda dele fiquei o ninando um pouco nos braços até que Christian apareceu indo vestir a calça do pijama que Eleonor havia trazido. Ele pegou nosso pequeno no colo para que eu pudesse tomar meu banho e assim eu fui, pegando a camisola durante o trajeto.
Quando retornei minutos depois, encontrei ambos dormindo tranquilamente, Joseph estava uma fofura todo esparramado sobre o abdômen do pai dele. Christian por sua vez, se encontrava com uma das mãos repousada nas costas do filho para segurá-lo.
“Mesmo dormindo ele ainda é protetor” pensei dando um sorriso e indo deitar-me ao seu lado, me aconchegando aos dois dos três homens em minha vida.

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