sábado, 28 de março de 2020

Sussurros de um Crime - Epílogo


ANASTASIA

LONDRES, 2018
CINCO ANOS DEPOIS

Acordei um pouco tarde, mas desde cedo minha casa estava agitada e bem movimentada, pois hoje eu e meu marido iríamos renovar nossos votos em uma cerimônia que era para ser íntima, só com os amigos.

Entretanto, temos tantos amigos que colecionamos durante esses anos, que a cerimônia virou uma mega festa e tudo iria acontecer no enorme jardim da nossa mansão no interior de Londres, ao qual havíamos comprado e se mudado depois do ocorrido em Evanston.

Quando contamos tudo o que passamos e sofremos em Londres, eles ficaram chocados e logo condescendentes conosco, mas quando chegou na hora do segredo, nossa família em peso nos deram as costas. Nos criticaram por termos continuado juntos mesmo sabendo da verdade.

Pelo clima tenso e olhares de desprezo que nos lançavam decidimos sair da mansão naquela mesma noite e fomos dormir em um hotel.

Chorei muito pelo o ocorrido e por tudo que ouvimos, mas Christian me consolou dizendo que se eles não queria participar da nossa vida e nos apoiar era melhor esquecê-los e seguir em frente, pois tínhamos nossa própria família agora.

Nesses últimos cinco anos, fomos e ainda somos felizes. Assim que nos mudamos para Londres descobri que estava grávida de novo, ficamos preocupados e apreensivos se as gêmeas iam nascer igual ao Joseph, mas tudo ocorreu bem e elas nasceram saudáveis, hoje estão com três anos de pura fofura e muita sapecas.

Acabei por homenagear minhas duas mães dando à minhas filhas o nome de Carla e Clarisse. Além das gêmeas, recentemente tivemos mais um casal, também gêmeos e saudáveis. O irônico da história foi que descobri a gravidez do Josh e da Emily no dia que Christian estava sendo operado para fazer vasectomia.

Depois da minha higiene pessoal, desci ainda de robe e fui para a cozinha encontrando meu marido ao fogão fazendo mingau, os gêmeos nas cadeirinhas e as gêmeas, ainda de pijama, sentadas na bancada da pia comendo banana. Briguei com Christian por ele ter deixado as duas lá em cima e ter virado as costas para elas.

— Aí amor, sem estresse, nossas filhas são comportadas – ele disse enquanto eu colocava as meninas no chão que logo saíram correndo rumo ao quintal.

— Eu que não confio em criança. Cadê o Joseph?

— Está com os irmãos lá no quintal brincando ou atrapalhando a Eleonor e a Beatrice na arrumação dos preparativos da festa.

Fui até a varanda dos fundos e vi meus filhos correndo, brincando de pega-pega por entre os funcionários que arrumavam as mesas. Lindsey e Layla já estavam com dezessete anos, mais lindas a cada dia.

Teddy se encontrava com onze anos e dizia que já tinha virado adulto e que não queria mais meus beijos de mãe porque isso era para bebês. Joseph tava com cinco anos e era o anjo da casa, muito mimado por todos.

— Teddy, tira o seu irmão do sol, menino! – gritei com ele quando o mesmo correu atrás do irmão.

Não estava fazendo sol do tipo daqueles de verão, pois o céu se encontrava um pouco nublado, mas mãe já viu né? Preocupação ao extremo. Adentrei a cozinha novamente e me sentei ao lado do meu marido que tentava dar o mingau dos gêmeos e o ajudei.

As horas se passaram e logo a noite chegou, com ela o nosso casamento. Christian se arrumou primeiro e foi ajudar as crianças a se vestirem para irem me esperar lá no jardim. Bia e Eleonor apareceram para me ajudar com o penteado e o vestido.

— Você está linda, minha filha – disse Eleonor se segurando para não chorar enquanto Beatrice exercia sua nova profissão como fotógrafa de eventos e tirava várias fotos de nós e dos demais presentes no casamento.

Abracei Eleonor agradecendo por tudo que ela e sua família havia feito por mim e por Christian, neste momento Daniel apareceu perguntando se já estava pronta e eu assenti.

Eu e Christian já tínhamos nos casados antes, mas a sensação de vê-lo no altar com um sorriso enorme me esperando, era única. Meus filhos foram meus pajens e minhas daminhas, seguindo a frente com as alianças e as meninas jogando pétalas de rosas pelo caminho.

Daniel me entregou para meu marido, igual à primeira vez então nos viramos para a celebrante, uma senhora amiga da Eleonor que realizava casamento sem vínculos religioso, o que era o exemplo do nosso.

— Anastasia, muitos obstáculos apareceram em nosso caminho para acabar com a nossa felicidade e agradeço a eles por terem aparecidos, pois apenas fortaleceram o nosso amor. As promessas que lhe fiz em nosso primeiro casamento, eu as renovo neste. Prometo cuidar de você e ser seu porto seguro até depois da morte. Prometo que nada e ninguém irá acabar com o temos e construímos. Assim como viemos fazendo todos esses anos, continuaremos a superar cada obstáculo juntos como um casal. Prometo amá-la até o dia que todo o universo se torne um buraco negro, ou seja nunca vou parar de te amar – Christian disse segurando minha mão e começou a empurrar a aliança, fundida para dar o formato do infinito, completando em seguida – Que o símbolo eternizado em nossas alianças seja o reflexo do nosso lindo e único amor.

Ele beijou a minha mão e eu peguei a sua respirando fundo antes de pronunciar meus votos.

— Christian, nosso amor nasceu em meio a brigas e foi isso que o tornou forte como ele é hoje. Não renovarei minhas promessas que lhe fiz anos atrás e sim o agradecerei. Lhe agradeço por ter sempre estado ao meu lado quando precisei, mesmo que no início você fosse um pé no saco e eu te odiasse por sempre está torrando a minha paciência – falei fazendo uma careta e o som de risos ecoaram entre os convidados – Lhe agradeço por ter me dado a oportunidade de construir uma família linda com filhos de coração e de sangue...

Meu olhar varreu pela primeira fila de cadeiras onde Layla, Lindsey, Josh, Emily, Teddy, Joseph, Carla e Clarisse estavam e completei voltando a encarar Christian.

— Principalmente por ter me dado um filho com a aparência de um anjo – lentamente coloquei a aliança em seu dedo dizendo – Assim como nossas alianças antigas foram fundidas com as novas para tornar-se uma, que o amor que eu tenho por você se funde com o seu, tornando-o um. E por fim, eu lhe agradeço por sempre ter sido um marido carinhoso e pai dedicado e presente nas nossas vidas, fazendo-me assim a mulher mais feliz do mundo.

Por fim, Christian me puxou pela cintura, colando nossos corpos e nos beijamos ao som dos aplausos, depois fomos todos curtir a mega festa.


★ ★ ★ ★ ★


— Não vou fazer discurso. Vou recitar um pequeno poema de minha autoria, intitulado “Sangue nas veias”, que retrata perfeitamente um pouco da nossa história e do nosso amor – Christian falou, em pé ao meu lado, dando um sorriso apaixonado para mim, já começando a ler.


O nosso amor é mais forte que o sangue.
Sangue esse que ferveu em nossas veias e nos fez chegar até aqui.
As dificuldades não passaram de estímulos.
Que fizeram nosso amor crescer e ser assim.

Mentiras, conflitos e medos regaram nossa trajetória.
Mas nosso amor foi mais forte e superou cada dificuldade.
E o sangue ainda corria nas veias, DNA que queria nos separar.
Foi o que proporcionou a nossa felicidade.

Nessa longa jornada teve muitas pessoas que passaram por nossas vidas.
Não aceitaram nossas escolhas e resolveram não participar.
Mas nós escolhemos nosso amor e nossa própria família.
E assim vamos continuar a nos amar.


Assim que Christian terminou de falar, me levantei jogando-me em seus braços, emocionada. Aquele poema era perfeito, era a nossa vida descrita em palavras.

— Eu te amo – murmurei o beijando enquanto uma salva de palmas se alastrava pelo jardim.

Sorrimos entre o nosso beijo, felizes por estarmos juntos. Se vamos ser julgados divinamente, não sabemos. Talvez sim, talvez não, mas não estamos preocupados com isso agora.

O futuro só a Deus cabe. Apenas estamos vivendo o presente, um dia de cada vez, focando na nossa família e no nosso “feliz para sempre”, que hoje está recomeçando mais uma vez.

❤️ FIM ❤️

Nenhum comentário:

Postar um comentário