sábado, 28 de março de 2020

Sussurros de um Crime - Capítulo 22


CHRISTIAN

Estava adentrando o estacionamento do hospital para ir me encontrar com a Anastasia no departamento quando o guarda me felicitou por ter uma esposa corajosa, que mesmo grávida não largava o dever de proteger os outros.

Estranhei aquilo e o informei que ela tinha se aposentado recentemente, foi então que ele apontou para a pequena televisão dentro da guarita dizendo que ele é que não queria uma aposentadoria como aquela.

Me aproximei e quando parei na porta foi no momento que a câmera do repórter deu um zoom e acabei vendo minha esposa e um colega dela conversando com um cara usando um colete com o nome S.W.A.T numa espécie de tenda do outro lado da rua em frente ao American Museum of Natural History, parecia que um grupo de crianças estavam sendo reféns dentro do prédio.

Me afastei enquanto pegava o celular e ligava para Ana. Ela não me atendeu então adentrei o carro e sai o mais rápido dali indo para o local do sequestro, porque pelo que eu conhecia da minha esposa, com certeza ela iria entrar naquele museu para salvar as crianças.

Durante o rápido percurso liguei para ela mais algumas vezes, porém só ia para a caixa postal. Quando cheguei ao local, um policial me impediu de passar mesmo eu dizendo que era o marido da Sargento Grey, foi então que o colega da minha esposa se aproximou de nós liberando a minha passagem.

Mal havíamos chegado onde os outros se encontravam quando escutei alguém dizer que eles estavam saindo e me virei olhando para a entrada do museu.

Anastasia levantou as mãos e pediu que ninguém atirasse enquanto que o bandido a segurava à sua frente e apontava a arma para a direção dos policiais. Meu coração, fortemente, se apertou de medo por vê-la naquela situação.

Eles começaram a descer, provavelmente para adentrar em um carro preto estacionado mais à frente no meio da rua, porém quando os dois estavam quase chegando ao final da escadaria, minha Ana com um movimento rápido deu uma cotovelada no queixo do cara e se abaixou, nos segundos depois o bandido caiu após ter sido atingido por tiros disparados não sei de onde.

Foquei meus olhos na Anastasia, notando que algo estava de errado. Ela segurava ambos os lados de sua cabeça enquanto fazia uma cara de dor. Corri até ela, driblando alguns policiais que tentaram me impedir, mas antes que eu conseguisse me aproximar dela, Ana fechou os olhos, desmaiando.

Depois disso eu só lembrava de algumas coisas, como ter conduzido minha esposa para uma ambulância estacionada perto do local e de ter ligado para o Daniel.

Agora estou sentado na sala de espera, ansioso para saber alguma notícia dela que se encontrava no centro cirúrgico onde Daniel estava operando a cabeça dela para remover o coágulo.

Tempo depois, ele apareceu me informando que a cirurgia havia sido um sucesso e que o coágulo tinha sido removido totalmente.

— Agora é rezar para que a Anastasia acorde – falei tentando me manter calmo e logo o agradeci.

Quando a levaram para um quarto, eu me conduzi até lá, sentando-me em uma poltrona ao lado da cama, para esperar que minha Ana não entrasse em coma e acordasse logo.


★ ★ ★ ★ ★


DOIS MESES DEPOIS

Era agonizante ver a mulher que eu amava em coma novamente e não poder fazer nada para acordá-la. Hoje completava dois meses que Anastasia se encontrava presa à cama de um hospital enquanto eu tentava seguir com a minha vida, pois meus filhos precisavam de mim.

Semana passada, a polícia finalmente conseguiu localizar e matar os bandidos que nos machucaram anos atrás. Leila tinha sido a isca na operação deles para que os criminosos tentassem sequestrá-la pensando que fosse a minha Ana e durante o ocorrido, Leila acabou levando um tiro em meio ao tiroteio e ainda se encontrava em recuperação no hospital.

Minha vida estava uma correria e eu me dividia entre trabalho, filhos e a Anastasia. Bia foi um anjo que Eleonor mandou para mim, ela me ajudava com as crianças e sempre dormia no apartamento quando eu vinha dormir com a Ana no hospital.

Devido ao tiro que a Leila levou, Jack entrou em contato com o José, que era noivo dela, e acabou contando sobre a Anastasia também, por sua vez José com certeza contou para Hunter e o mesmo por ter se tornado amigo do meu pai acabou dizendo a ele e passando o meu novo número para ele.

Com isso, dias depois meu pai me ligou querendo saber notícias de nós e informando que a família toda iria passar as férias em Nova York, pois fazia tempo que não nos víamos.

Fiquei meio sem ação na hora, pois eles não sabiam nada do que havia ocorrido com a gente nestes últimos seis anos, então eu teria que dizer a nossa família para que assim pudessem entender a situação atual da Ana.

— Oi – escutei a voz de José, que tinha vindo para Nova York para acompanhar a noiva enquanto Jack voltou para Evanston.

Ergui o rosto encarando-o, o mesmo se encontrava na porta e adentrou o quarto quando fiz um sinal.

— Como ela está? – ele perguntou para ao pé da cama.

— Na mesma – respondi me ajeitando na poltrona.

— Ana é uma mulher forte e ela vai acordar logo.

— Tomara que sim, José. Nossos filhos já estão sentindo a falta dela em casa – falei, pois quando o mesmo chegou eu havia contado toda a verdade para ele, já que José era do nosso círculo de amizade.

— Criança sente mesmo a falta dos pais, não é? E por falar em criança, como vai ficar o bebê de vocês?

— Se a Anastasia não acordar até a trigésima quarta semana, já pedi autorização ao diretor do hospital para eu poder fazer a cesárea dela e o mesmo concordou, após relutar um pouco – falei observando a barriga da minha Ana inerte na cama – E como está a Leila?

— Está melhor, acho que logo vão lhe dar alta.

— Se quiserem continuar lá em casa após a alta dela, eu e a Anastasia ficaríamos felizes em tê-los lá. Nossa família está vindo essa semana para cá, mas acho que eles optarão por um hotel, então o quarto de hóspede é de vocês.

— Obrigado, nem sei como agradecer a gentileza. Ah, eu já ia esquecendo. Você não vai adivinhar quem eu encontrei internado na ala da emergência.

— Quem? – indaguei curioso.

— Raymond Steele.

Estranhei na hora.

— Ele não estava preso em Chicago?

— Estava, mas alguns presos de lá foram transferidos para o presídio daqui e pelo que conversei com o guarda que o está escoltando, os presos daqui não gostaram muito dele e o esfaquearam na barriga durante uma briga.

— Obrigado por me dizer isso, José. Você está muito ocupado?

— Não. A Leila está dormindo agora.

— Eu queria ir visitar meu tio, mas não gosto de deixar a Anastasia sozinha, você fica com ela por alguns minutos? – perguntei já me levantando da poltrona.

— Claro.

Desci até a emergência e pedi informação sobre Raymond então a moça me indicou um corredor fazendo com que de longe eu pudesse notar um guarda sentado em uma cadeira.

Agradeci a jovem e me aproximei do policial me identificando como sobrinho do paciente e perguntei se poderia entrar para visitá-lo, o mesmo me olhou de cima a baixo e informou que eu tinha apenas dez minutos.

Adentrei encontrando meu tio acamado tomando uma bolsa de sangue e sendo monitorado por aparelhos assim como a Ana. Ele me olhou por alguns segundos e virou o rosto perguntando o que eu estava fazendo ali.

— Soube que o senhor estava aqui e aproveitei que estou no hospital também para vir vê-lo.

— Pensei que estivesse com raiva de mim.

— Se eu o tivesse encontrado há cinco anos, com certeza o senhor não estaria aqui e sim a sete palmos debaixo da terra assim como minha mãe e a mãe da Anastasia, mas eu amadureci nesses últimos anos, tio.

Ele me olhou de repente.

— Pelo visto, vocês ainda não descobriram a verdade.

Franzi o cenho em confusão.

— Que verdade?

— Não vou contar. Provavelmente ainda deve estar no mesmo lugar então eu deixarei a própria Carla te contar. No porão da nossa antiga casa há um esconderijo no chão com piso falso embaixo da escada. Vá lá e leia a última página escrita do diário da sua tia e descubra o que ela e sua mãe foram capazes de fazer. Agora eu preciso dormir, por favor, saía.

Retirei-me do quarto meio pensativo e retornei ao quarto, pedindo para José se o mesmo poderia ficar com a Ana por algumas horas, pois eu tinha que ir em Chicago. Ele logo aceitou ficar então eu saí do hospital.

Não passei em casa para fazer malas, pois minha intenção era ir e vir no mesmo dia. No aeroporto, como se fosse obra do destino, consegui a tempo a última poltrona disponível em um voo para Chicago, então embarque.

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