sábado, 28 de março de 2020

Sussurros de um Crime - Capítulo 21


ANASTASIA

Era estranho entrar no Departamento de Polícia de Nova York sendo apenas uma simples usuária do sistema. Leila e Jack se despediram de mim e eu acompanhei um dos policiais até uma sala de interrogatório.

Durante meu depoimento tentei lembrar de cada detalhe sobre o ocorrido há cinco anos para que isso pudesse servir para prender aqueles bandidos antes que fizessem outras vítimas.

Estava saindo da sala quando notei o alvoroço dentro da delegacia. Todos os funcionários estavam assistindo ao que parecia ser o noticiário.

Me aproximei e descobri que um cara estava no American Museum of Natural History fazendo de reféns um grupo de crianças e uma professora. A S.W.A.T já estava no local, mas até o momento eles não conseguiram nenhum avanço com relação ao caso.

Me dirigi até a sala do Detetive Hawkins e o encontrei ao telefone de costas para a porta enquanto se preparava para sair, provavelmente ele estava indo para o museu.

— E as crianças? – Hawkins perguntou – É sério que você vai sacrificar aquelas crianças só para prender um sujeito?

Ao ouvir aquilo não me segurei e aproximei-me arrancando o telefone da mão do detetive.

— Você não vai fazer isso.

— Quem diabos é você?

— Sou a Sargento Grey, chefe responsável pelo Departamento de Polícia de Nova York e você deve ser o responsável pelo comando da equipe da S.W.A.T.

— Sim, sou o Tenente Hoover e estou superior a sua patente, então eu não deveria nem estar tendo esta conversa com você – ele disse muito arrogante.

— Olha aqui, Tenente. Aposto minha reputação, que o senhor nunca passou por uma situação onde era o refém então não sabe o que aquelas crianças estão passando, mas eu sei e pretendo resgatá-las todas com vida. Agora se a S.W.A.T quer invadir e trocar onze vidas por uma, ok, mas será a sua reputação que estará marcada com sangue inocente para sempre.

Ouvi ele respirar pesadamente.

— Tudo bem. O que você sugere?

— Eu e o Detetive Hawkins estaremos aí em alguns minutos – desliguei e olhei para Hawkins a minha frente – Não fala nada. Vamos.


★ ★ ★ ★ ★


Tudo num raio de quinhentos metros da entrada do museu estava isolado por fita amarela e havia vários curiosos tentando saber o desfecho do sequestro. Nos aproximamos a pé até onde estava montada a temporária base de operações e nos apresentamos ao Tenente Hoover.

— Como está a situação, Tenente?

— Ainda permanece a mesma. O nosso suspeito é caucasiano, na faixa dos trinta anos e está armado com um fuzil modelo 556.

Hoover nos atualizou rapidamente sobre a situação dos reféns então pedi que ligasse para a recepção interna do museu onde o suspeito se encontrava. O cara estava bastante alterado pedindo um carro para fuga então depois de uns minutos de conversa, ele se acalmou um pouco.

— Vamos fazer o seguinte. Você solta as crianças e eu fico de refém no lugar delas.

— E porque eu faria isso?

— Pense bem. O que são dez crianças em comparação com uma policial chefe do Departamento de Polícia de Nova York? – tudo ficou em silêncio por alguns minutos então decidi jogar minha última cartada – Qual é cara, eu sei que você é inteligente e está vendo uma grande vantagem na minha oferta. Libere as crianças e eu entro aí.

— Ok. Mas você entra primeiro e depois eu liberto os pirralhos. Sem gracinhas ou eu faço chover fogo em cima dos moleques.

— Tem a minha palavra. Eu posso confiar na sua também? – indaguei encarando o Tenente Hoover.

— É. Pode.

O celular ficou mudo então desliguei, virando-me para os policiais.

— Quero um carro disponível aqui em frente ao museu em menos de quinze minutos.

— Você não está pensando em deixar ele fugir, está? – indagou Hoover.

— Não, mas ele deve pensar que está no controle da situação. Você disse que tem franco-atiradores nos prédios próximos, não é?

— Sim. Eles estão prontos, mas o sujeito tem que sair do prédio.

— Vou providenciar isso para você – de repente senti meu celular vibrar, era Christian me ligando então apenas ignorei a ligação e entreguei o telefone para Hawkins – Se por acaso ele ligar e eu sei que vai, não atenda. Quando eu chegar em casa, me acerto com ele. E você, Tenente. Apenas quero o carro aqui em menos de quinze minutos.

— Tudo bem.

Preparamos tudo rapidamente então segui rumo a entrada do museu. Assim que adentrei a recepção notei as crianças e a professora sentadas em um canto, todas apavoradas e chorosas. O cara se aproximou de mim apontando a arma em minha direção e mandou que eu tirasse o colete a prova de balas.

— Já estou aqui. Agora libera as crianças e a professora.

— O combinado foi eu soltar só os pirralhos.

— Olha, sou alguém importante para a polícia dessa cidade e estou grávida então se ficar comigo terá dois reféns – falei, tentando ficar o mais calma possível e o vi andar de um lado para o outro.

— Ok. Ok – ele murmurou e apontou a arma para a jovem mulher – Você aí leva os moleques para fora. Vão logo antes que eu mude de ideia!

Assim que os reféns saíram fui me sentar, pois tinha começado a me sentir um pouco tonta. O cara só falava que queria o carro dele então peguei o telefone da recepção e liguei para o Hoover e ele me informou que o carro tinha acabado de chegar.

Informei ao suspeito que me deu uma coronhada não muito forte quando tive dificuldade em me levantar da cadeira e me segurou fortemente contra seu corpo, fazendo-me de escudo humano para ele fugir ileso.

Quando passamos pela porta do museu pedi que os policiais não atirassem, mas eles secretamente estavam esperando pelo meu sinal.

Por um momento senti uma forte dor de cabeça com se ela quisesse explodir, mas eu nem liguei muito devido achar que era o estresse de toda a operação policial e talvez também da coronhada na cabeça.

Estávamos quase chegando ao final da escadaria da entrada quando dei uma cotovelada no queixo do cara e me abaixei conseguindo sair da mira dos franco-atiradores que logo o alvejaram fatalmente.

Todavia, tombei sobre os degraus com as mãos segurando ambos os lados da minha cabeça que doía infernalmente e a última coisa que percebi foi de ver o Christian correndo em minha direção em câmera lenta, antes de eu ser engolida pela escuridão.

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