sábado, 28 de março de 2020

Sussurros de um Crime - Capítulo 20


ANASTASIA

— Que visão mais linda de se ver quando se está acordando – falei meio sonolenta quando Christian saiu do banheiro completamente nu.

Sentei-me e olhei a hora no celular. Passava das duas da manhã. Ele sorriu e veio me dar um selinho rápido depois foi rumo ao closet.

— Desculpe se te acordei, amor, mas me ligaram do hospital. Uma das gestantes que acompanho o pré-natal entrou em trabalho de parto essa noite – Christian informou enquanto eu me levantava da cama e ia até o closet.

— Não precisa se desculpar, amor. Esse é seu trabalho e assim como você entendia o meu, eu entendo o seu. Pode ir sem problemas, só não esquece que as oito e meia da manhã temos que prestar depoimento lá no departamento – falei me aproximando dele e ajeitando a gola da sua camisa.

O beijo que ele me deu foi o mais carinhoso do mundo e o nosso filho começou a chutar fazendo-me sorrir contra os lábios de Christian.

— O que foi, amor?

Não respondi, apenas peguei a mão dele e coloquei onde o fruto do nosso amor estava fazendo a festa. Christian sorriu e iniciou uma leve carícia, o que fez o bebê se acalmar.

— Será que você nasceu para ser pai, querido? – indaguei.

— Contando que você seja a mãe dos meus filhos, está tudo bem para mim – ele se afastou e saiu do closet sendo seguido por mim – Vou tentar me desocupar no horário e passar aqui para irmos juntos.

— Se quiser podemos nos encontrar no departamento, o que você acha? Eu posso pegar carona com a Leila e o Jack.

— Ok, amor – ele me deu mais um beijo e depositou outro sobre minha barriga – Nada de estripulias aí dentro, rapazinho – sorri, pois era engraçado ver o Christian brigando com o filho ainda dentro da barriga – E você, Sra. Grey, volte a dormir.

— Tudo bem. Até mais tarde, amor.

Christian saiu do quarto então retornei para cama e tentei dormir novamente, conseguindo minutos depois.


★ ★ ★ ★ ★


Consegui levantar cedo e após uma ducha, fui me arrumar para meu segundo dia de policial aposentada. No dia anterior, foi maravilhoso, pois pude levar pessoalmente meus filhos ao colégio, tirar um tempo para fazer compras e cuidar um pouco de mim.

Eu nunca fui dessas mulheres que são vaidosas e românticas com os maridos. Sempre odiei tudo isso, mas depois de tudo que aconteceu comigo e estando casada com o homem mais compreensivo, romântico, carinhoso e atencioso do mundo, eu acabei me tornando uma dessas mulheres.

Vesti uma calça jeans especial para grávidas depois coloquei uma bata bege meio folgada e por cima botei um casaquinho branco, por fim calcei um par de sapatos de salto na cor azul bebê e passei uma escova no cabelo.

Sai do quarto e fui ver se as crianças já estavam acordadas. Elas ainda não haviam se levantado então tive que acordá-las para só depois poder descer e preparar o café da manhã.

Me encontrava terminando de pôr a mesa quando Jack apareceu na cozinha já arrumado.

— Legal esse apartamento. Gostei dele. Tem até elevador interno privativo – ele comentou sentando-se na cadeira da bancada da ilha da cozinha.

— Depois que fiquei grávida, eu uso ele o tempo todo – murmurei fazendo Jack sorrir.

— Vai ficar sedentária desse jeito, Anastasia.

— Deixa eu desfrutar dos itens do meu apartamento – resmunguei – Quer um pouco de café?

— Sou todo servido.

Leila logo apareceu para tomar café então perguntei se as acomodações de ambos estavam boas e meus amigos responderam que sim. Eu tinha feito questão de que Leila e Jack ficassem hospedados aqui no apartamento, pois assim me sentiria rodeada de mais segurança.

Os informei que iria para o departamento junto com eles, devido eu ter emprestado meu carro para os dois. Não demorou muito e logo as crianças apareceram adentrando a cozinha correndo, indo se sentar na pequena mesa redonda próxima a enorme parede de vidro.

— O que eu falei sobre apostar corrida dentro de casa? – perguntei me aproximando da mesa com as mãos na cintura, ninguém respondeu então cruzei os braços e encarei os três que logo baixaram as cabeças envergonhados – Eu ainda não escutei a resposta para a minha pergunta. Layla. Lindsey. Teddy. O que eu falei sobre apostar corrida dentro de casa?

— Que é proibido – eles disseram ao mesmo tempo.

— Isso mesmo. E por causa da desobediência, os três não irão mais amanhã para a casa da vovó Eleonor.

— Mas mãe... – eles começaram a reclamar, mas levantei a mão pedindo silêncio.

— Que isso, Ana. Deixa os meninos se divertirem enquanto ainda são crianças – comentou Jack atrás de mim.

— Concordo com o meu cunhado – disse Leila quando me virei para eles.

Quando retornei à atenção para meus filhos, os três estavam fazendo a tão famosa carinha de cachorrinho pidão que o Christian sabia fazer e que tinha ensinado para os nossos filhos.

— Com licença, Sra. Grey. Bom dia – Swanny cumprimentou-me adentrando a cozinha.

— Bom dia, já tomou café? – indaguei.

— Ainda não, senhora.

— Então sente-se e aproveite o lanche – verifiquei a hora no relógio próximo ao armário e olhei para Swanny – Eu e o Christian vamos prestar nossos depoimentos hoje pela manhã então provavelmente não retornaremos até a hora do almoço. Quero que você leve as crianças para a casa de praia dos Kleyn em East Hampton.

Os três começaram a comemorar então olhei feio para eles, que logo ficaram quietos novamente.

Terminei de beber minha vitamina de banana com aveia e depositei o copo dentro da pia. Leila e Jack também já haviam terminado de comer então me despedi dos meus anjinhos, peguei meu celular em cima da bancada e passei uma mensagem para o meu marido enquanto seguíamos rumo a entrada.

— Onde está o Christian? Ele não vai? – perguntou Leila quando já estávamos em frente ao elevador.

— Uma das pacientes dele entrou em trabalho de parto durante a madrugada e ele teve que ir para o hospital, mas vamos nos encontrar lá no departamento – informei então adentramos o elevador que havia acabado de chegar.

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