ANASTASIA
Acordei assustada no meio da noite e me sentei na cama meio ofegante, esperei alguns minutos até me acalmar e tentei lembrar o que estava sonhando, mas foi em vão.
Olhei para o lado, observando o lugar vazio e passei a mão sobre o travesseiro. Christian havia recebido um chamado logo após o jantar e acabou indo às pressas para o hospital para salvar mais vidas. Eu me orgulhava muito do meu marido.
Não consegui dormir novamente então vesti o robe por cima da minha camisola, sai do quarto e peguei o elevador privativo até a cozinha no primeiro andar. Depois dos acontecimentos em Londres, eu e Christian decidimos não voltar mais para Evanston e sim vir morar em Nova York.
Residíamos em um edifício composto por apartamentos tríplex, o mesmo era bem moderno, luxuoso e acima de tudo, com um excelente sistema de segurança. Tudo que precisávamos para manter nossa família segura.
Abri a geladeira para pegar um pouco de água e acabei vendo alguns morangos então peguei o telefone sem fio da cozinha e liguei para o celular do Christian.
— Alô?
— Oi, amor. Você está muito ocupado agora? – indaguei e dei um gole no copo com água.
— O obstetra de uma paciente até agora não chegou então me pediram para fazer a cesárea da mulher. Estão preparando a paciente para a sala de cirurgia agora então tenho alguns minutinhos. O que a minha rainha deseja? E por que você está acordada a essa hora? Aconteceu alguma coisa com as crianças?
— Calma, amor. As crianças devem estar dormindo, eu ainda não fui vê-los, mas eu liguei para você porque acordei com desejo enorme de comer torta de morango com doce de leite. Quando você vier para casa, traz a torta e também um pote de sorvete de pistache.
— É doce demais para incluir na sua dieta. Me peça outra coisa, meu amor.
— Você vai mesmo negar a torta para o seu filho? Que pai malvado – falei em deboche e o ouvi rir no outro lado da linha então de repente senti um pequeno chute – Nosso pequeno não gostou da sua ideia, Christian. Ele começou a me chutar aqui – murmurei acariciando minha barriga de cinco meses.
— Já estou vendo que ele vai puxar a teimosia da mãe. Vou pensar no seu caso, sua tarada por doces.
— Pensa com muito carinho, amor. Beijos e boa cirurgia para você.
— Obrigada, meu amor.
Assim que pus o telefone novamente no suporte do gancho, fui verificar meus filhos. No primeiro andar do nosso apartamento ficava a sala de estar, a sala de jantar, a cozinha e a sala de monitorização das câmaras internas.
No segundo piso se encontrava a sala de TV, brinquedoteca, sala de estudo e o quarto da babá das crianças. Já no terceiro andar, ficavam localizadas as nossas suítes.
Além do apartamento ter dois elevadores públicos, havia também uma escada e um elevador privativo restrito apenas ao interior dos três andares e uma escada privativa para os empregados. Ultimamente eu vinha usando mais o elevador privativo por causa da gestação.
O primeiro quarto que entrei foi no do meu filho Teddy. Quase cinco anos de muita fofura e estilo. Me aproximei dele e arrumei seu cobertor. Observando aquele anjinho, era impossível de acreditar que eu havia tentado contra a vida dele quando em um momento de desespero eu tentei me suicidar.
Nos primeiros meses após o nascimento do Teddy, eu ainda tinha esperanças que Christian fosse o pai biológico dele, mas o exame de DNA acabou com todas as esperanças que eu tinha então nós dois prometemos esquecer o assunto.
Como mãe, fiquei aflita, pensando se Christian iria tratar meu filho diferente, mas foi o contrário, os dois se apegaram um ao outro de uma forma simplesmente linda e verdadeira.
Dei um beijinho em sua testa e sai do quarto indo rumo ao quarto da Lindsey, mas acabei encontrando o lugar vazio. Entrei verificando o banheiro e o closet. Vazios também.
“Onde será que a minha filha havia se metido?” pensei tentando não ficar aflita então de repente me veio em mente outro lugar que com certeza ela estaria.
Quando abri a porta do quarto ao lado do nosso, encontrei Lindsey abraçada à irmã, ambas estavam dormindo tranquilamente. Encostei-me ao batente da porta para observá-las e acabei sorrindo, lembrando-me do dia que as duas entraram em nossas vidas.
— Anastasia! Christian! – Beatrice gritou descendo as escadas assim que entramos na mansão, ela nos abraçou e não perdeu tempo para começar com o interrogatório – E a lua-de-mel de uma noite, como foi? Ana me conte tudo e não me esconda absolutamente nenhum detalhe.
— Não fizemos nada, sua pervertida – Christian respondeu.
— Ahhhh! – ela resmungou fazendo uma cara de desânimo e nós rimos.
— Beatrice! Eles mal chegaram e você já está os enchendo de perguntas. O Christian e a Anastasia devem estar cansados, não é meus filhos? – Eleonor falou nos abraçando.
Era engraçado, mas após dois meses, eu e o Christian nos apegamos tanto a família Kleyn que não nos importávamos quando Eleonor dava uma de mãezona para cima de nós.
— Não se preocupe Eleonor, estamos bem – garanti com um sorriso – Onde estão os outros?
— Daniel já saiu para o hospital, Nicolay foi até a biblioteca e o Robert saiu com a Jessye e o pequeno Henry para ir visitar os sogros, mas todos deixaram um beijo para vocês – Eleonor então se virou para Beatrice – Filha, vá buscar logo sua bolsa para irmos.
— Eu já disse que não quero ir, mãe. Já sei. Tive uma ideia ma-ra-vi-lho-sa. Por que a senhora não leva a Ana e o Christian no meu lugar?
— Para onde vocês vão? – indagou Christian.
— Ontem sobrou muito comida do casamento de vocês, então vou levar para o orfanato onde sou madrinha. Gostariam de me acompanhar?
— Claro, mas antes podemos trocar de roupa? – ele perguntou e Eleonor consentiu.
— Quer mesmo ir ou só aceitou o convite para agradar a Eleonor? – indaguei assim que terminamos de nos vestir.
Christian se aproximou de mim e lentamente acariciou minha barriga de quatro meses.
— Talvez seja bom nós começarmos a nos socializar com crianças, não acha, amor?
— É... Pode ser – respondi dando de ombros e me afastei para sair do quarto.
Quando chegamos ao orfanato fomos apresentados à diretora que rapidamente descobrimos ser a irmã mais nova da Eleonor. Ellie era uma senhora que de primeira impressão achei que fosse muito rígida, mas quando começamos a conversar mudei meu conceito, ela era bem simpática.
Logo ela nos conduziu até o pátio do enorme prédio onde haviam várias crianças brincando.
— Filhos, preciso acompanhar minha irmã. Assuntos do orfanato. Não demoro.
— Tudo bem, Eleonor – falei.
— Com licença, Ellie. Pode me informar se aquelas duas garotinhas estão doentes? – escutei Christian perguntar então resolvi olhar em direção para onde ele apontava.
Em um dos cantos do pátio, sentadas em um banco à sombra de uma árvore, se encontrava uma menina loirinha e outra de cabelos mais escuros, ambas assemelhavam ser idênticas e pareciam ter por volta de 05 a 06 anos de idade.
Cada uma delas, segurava uma boneca de pano bastante desgastada enquanto permaneciam olhando para algum ponto específico do chão. Suas expressões eram vagas e tristes, pareciam que elas estavam mergulhadas em seu próprio mundo.
— Aquelas são Lindsey e Layla Thorne, foram deixadas aqui no orfanato com apenas 04 anos.
— O que houve com os pais delas? – eu quis saber.
— Estão mortos. Conforme a assistente social que acompanhou o caso, as gêmeas viram o próprio pai atirar na mãe e depois cometer suicídio, desde então Lindsey não fala e Layla só conversa com a irmã, ao modo delas. Ambas fazem acompanhamento com o nosso psicólogo desde que chegaram aqui, mas segundo os relatórios dele e o que nós podemos também observar é que elas nunca tiveram nenhuma melhora ou mudança de comportamento. Fico preocupada, pois Layla e Lindsey já estão com 06 anos e não conseguem se socializar com ninguém, nem mesmo com as outras crianças.
Ellie pediu licença e adentrou o prédio junto com Eleonor então chamei o Christian para irmos nos sentar no banco ao lado das garotinhas.
— Oi, podemos sentar? – perguntei, mas as duas simplesmente me ignoraram então puxei Christian para sentarmos e novamente tentei conversar com elas, em vão.
— Amor, é melhor você deixar as meninas quietas no canto delas – ele sussurrou.
Um vento rasteiro soprou em nossa direção e fez com que o meu cabelo balançasse, revelando assim a minha cicatriz. Para quem me visse de longe parecia que eu não possuía nenhuma cicatriz, mas de perto ela era facilmente notada apesar de ser bem sutil.
— O que aconteceu com seu rosto moça?
Olhamos para o lado e as duas garotinhas me encaravam com expressões de curiosidade.
— Uns caras bem malvados me machucaram. Me chamo Anastasia e esse aqui é o meu marido, Christian.
— Oi – ele disse acenando por cima do meu ombro e elas acenaram de volta, mas notei que ambas pareciam ter algum tipo de medo quando olhavam para o Christian e ele, creio eu, também percebeu isso, pois me beijou rapidamente e se levantou informando que iria dá uma volta pelo prédio.
— Qual é o nome das duas princesas sentadas ao meu lado? – indaguei assim que ficamos a sós e elas se entreolharam.
— Me chamo Layla e essa é minha irmã, Lindsey. Pode não parecer, mas somos gêmeas.
— Eu percebi que vocês se parecem um pouco. Sabia, meninas, que quando eu era pequena tinha uma boneca de pano igualzinha à de vocês? A minha se chamava Melissa. Qual é o nome das suas? – perguntei conseguindo prender a atenção das duas.
— A minha se chama Rani – disse Layla então olhei para Lindsey – E a sua, florzinha?
— É Maggie. Meg para os íntimos, você pode chamá-la de Meg se quiser – ela disse meio tímida e olhou para irmã – Desculpe maninha, eu queria falar com ela. Eu confio nela.
— Não podemos confiar em ninguém, Lindsey. Eles vão separar a gente.
— Quem quer separar vocês?
— Ontem eu ouvi a diretora conversar com um casal e eles querem me adotar, mas não querem levar minha irmã porque ela não é loira como eu — murmurou Lindsey meio triste.
— Não se preocupe, meninas. Vocês não serão separadas, vou conversar com meu marido para adotarmos as duas.
Vi um brilho no olhar das meninas, mas o mesmo morreu quando elas viram um homem todo vestido de branco vindo em nossa direção.
NOVA YORK, 2013
Acordei assustada no meio da noite e me sentei na cama meio ofegante, esperei alguns minutos até me acalmar e tentei lembrar o que estava sonhando, mas foi em vão.
Olhei para o lado, observando o lugar vazio e passei a mão sobre o travesseiro. Christian havia recebido um chamado logo após o jantar e acabou indo às pressas para o hospital para salvar mais vidas. Eu me orgulhava muito do meu marido.
Não consegui dormir novamente então vesti o robe por cima da minha camisola, sai do quarto e peguei o elevador privativo até a cozinha no primeiro andar. Depois dos acontecimentos em Londres, eu e Christian decidimos não voltar mais para Evanston e sim vir morar em Nova York.
Residíamos em um edifício composto por apartamentos tríplex, o mesmo era bem moderno, luxuoso e acima de tudo, com um excelente sistema de segurança. Tudo que precisávamos para manter nossa família segura.
Abri a geladeira para pegar um pouco de água e acabei vendo alguns morangos então peguei o telefone sem fio da cozinha e liguei para o celular do Christian.
— Alô?
— Oi, amor. Você está muito ocupado agora? – indaguei e dei um gole no copo com água.
— O obstetra de uma paciente até agora não chegou então me pediram para fazer a cesárea da mulher. Estão preparando a paciente para a sala de cirurgia agora então tenho alguns minutinhos. O que a minha rainha deseja? E por que você está acordada a essa hora? Aconteceu alguma coisa com as crianças?
— Calma, amor. As crianças devem estar dormindo, eu ainda não fui vê-los, mas eu liguei para você porque acordei com desejo enorme de comer torta de morango com doce de leite. Quando você vier para casa, traz a torta e também um pote de sorvete de pistache.
— É doce demais para incluir na sua dieta. Me peça outra coisa, meu amor.
— Você vai mesmo negar a torta para o seu filho? Que pai malvado – falei em deboche e o ouvi rir no outro lado da linha então de repente senti um pequeno chute – Nosso pequeno não gostou da sua ideia, Christian. Ele começou a me chutar aqui – murmurei acariciando minha barriga de cinco meses.
— Já estou vendo que ele vai puxar a teimosia da mãe. Vou pensar no seu caso, sua tarada por doces.
— Pensa com muito carinho, amor. Beijos e boa cirurgia para você.
— Obrigada, meu amor.
Assim que pus o telefone novamente no suporte do gancho, fui verificar meus filhos. No primeiro andar do nosso apartamento ficava a sala de estar, a sala de jantar, a cozinha e a sala de monitorização das câmaras internas.
No segundo piso se encontrava a sala de TV, brinquedoteca, sala de estudo e o quarto da babá das crianças. Já no terceiro andar, ficavam localizadas as nossas suítes.
Além do apartamento ter dois elevadores públicos, havia também uma escada e um elevador privativo restrito apenas ao interior dos três andares e uma escada privativa para os empregados. Ultimamente eu vinha usando mais o elevador privativo por causa da gestação.
O primeiro quarto que entrei foi no do meu filho Teddy. Quase cinco anos de muita fofura e estilo. Me aproximei dele e arrumei seu cobertor. Observando aquele anjinho, era impossível de acreditar que eu havia tentado contra a vida dele quando em um momento de desespero eu tentei me suicidar.
Nos primeiros meses após o nascimento do Teddy, eu ainda tinha esperanças que Christian fosse o pai biológico dele, mas o exame de DNA acabou com todas as esperanças que eu tinha então nós dois prometemos esquecer o assunto.
Como mãe, fiquei aflita, pensando se Christian iria tratar meu filho diferente, mas foi o contrário, os dois se apegaram um ao outro de uma forma simplesmente linda e verdadeira.
Dei um beijinho em sua testa e sai do quarto indo rumo ao quarto da Lindsey, mas acabei encontrando o lugar vazio. Entrei verificando o banheiro e o closet. Vazios também.
“Onde será que a minha filha havia se metido?” pensei tentando não ficar aflita então de repente me veio em mente outro lugar que com certeza ela estaria.
Quando abri a porta do quarto ao lado do nosso, encontrei Lindsey abraçada à irmã, ambas estavam dormindo tranquilamente. Encostei-me ao batente da porta para observá-las e acabei sorrindo, lembrando-me do dia que as duas entraram em nossas vidas.
— Anastasia! Christian! – Beatrice gritou descendo as escadas assim que entramos na mansão, ela nos abraçou e não perdeu tempo para começar com o interrogatório – E a lua-de-mel de uma noite, como foi? Ana me conte tudo e não me esconda absolutamente nenhum detalhe.
— Não fizemos nada, sua pervertida – Christian respondeu.
— Ahhhh! – ela resmungou fazendo uma cara de desânimo e nós rimos.
— Beatrice! Eles mal chegaram e você já está os enchendo de perguntas. O Christian e a Anastasia devem estar cansados, não é meus filhos? – Eleonor falou nos abraçando.
Era engraçado, mas após dois meses, eu e o Christian nos apegamos tanto a família Kleyn que não nos importávamos quando Eleonor dava uma de mãezona para cima de nós.
— Não se preocupe Eleonor, estamos bem – garanti com um sorriso – Onde estão os outros?
— Daniel já saiu para o hospital, Nicolay foi até a biblioteca e o Robert saiu com a Jessye e o pequeno Henry para ir visitar os sogros, mas todos deixaram um beijo para vocês – Eleonor então se virou para Beatrice – Filha, vá buscar logo sua bolsa para irmos.
— Eu já disse que não quero ir, mãe. Já sei. Tive uma ideia ma-ra-vi-lho-sa. Por que a senhora não leva a Ana e o Christian no meu lugar?
— Para onde vocês vão? – indagou Christian.
— Ontem sobrou muito comida do casamento de vocês, então vou levar para o orfanato onde sou madrinha. Gostariam de me acompanhar?
— Claro, mas antes podemos trocar de roupa? – ele perguntou e Eleonor consentiu.
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— Quer mesmo ir ou só aceitou o convite para agradar a Eleonor? – indaguei assim que terminamos de nos vestir.
Christian se aproximou de mim e lentamente acariciou minha barriga de quatro meses.
— Talvez seja bom nós começarmos a nos socializar com crianças, não acha, amor?
— É... Pode ser – respondi dando de ombros e me afastei para sair do quarto.
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Quando chegamos ao orfanato fomos apresentados à diretora que rapidamente descobrimos ser a irmã mais nova da Eleonor. Ellie era uma senhora que de primeira impressão achei que fosse muito rígida, mas quando começamos a conversar mudei meu conceito, ela era bem simpática.
Logo ela nos conduziu até o pátio do enorme prédio onde haviam várias crianças brincando.
— Filhos, preciso acompanhar minha irmã. Assuntos do orfanato. Não demoro.
— Tudo bem, Eleonor – falei.
— Com licença, Ellie. Pode me informar se aquelas duas garotinhas estão doentes? – escutei Christian perguntar então resolvi olhar em direção para onde ele apontava.
Em um dos cantos do pátio, sentadas em um banco à sombra de uma árvore, se encontrava uma menina loirinha e outra de cabelos mais escuros, ambas assemelhavam ser idênticas e pareciam ter por volta de 05 a 06 anos de idade.
Cada uma delas, segurava uma boneca de pano bastante desgastada enquanto permaneciam olhando para algum ponto específico do chão. Suas expressões eram vagas e tristes, pareciam que elas estavam mergulhadas em seu próprio mundo.
— Aquelas são Lindsey e Layla Thorne, foram deixadas aqui no orfanato com apenas 04 anos.
— O que houve com os pais delas? – eu quis saber.
— Estão mortos. Conforme a assistente social que acompanhou o caso, as gêmeas viram o próprio pai atirar na mãe e depois cometer suicídio, desde então Lindsey não fala e Layla só conversa com a irmã, ao modo delas. Ambas fazem acompanhamento com o nosso psicólogo desde que chegaram aqui, mas segundo os relatórios dele e o que nós podemos também observar é que elas nunca tiveram nenhuma melhora ou mudança de comportamento. Fico preocupada, pois Layla e Lindsey já estão com 06 anos e não conseguem se socializar com ninguém, nem mesmo com as outras crianças.
Ellie pediu licença e adentrou o prédio junto com Eleonor então chamei o Christian para irmos nos sentar no banco ao lado das garotinhas.
— Oi, podemos sentar? – perguntei, mas as duas simplesmente me ignoraram então puxei Christian para sentarmos e novamente tentei conversar com elas, em vão.
— Amor, é melhor você deixar as meninas quietas no canto delas – ele sussurrou.
Um vento rasteiro soprou em nossa direção e fez com que o meu cabelo balançasse, revelando assim a minha cicatriz. Para quem me visse de longe parecia que eu não possuía nenhuma cicatriz, mas de perto ela era facilmente notada apesar de ser bem sutil.
— O que aconteceu com seu rosto moça?
Olhamos para o lado e as duas garotinhas me encaravam com expressões de curiosidade.
— Uns caras bem malvados me machucaram. Me chamo Anastasia e esse aqui é o meu marido, Christian.
— Oi – ele disse acenando por cima do meu ombro e elas acenaram de volta, mas notei que ambas pareciam ter algum tipo de medo quando olhavam para o Christian e ele, creio eu, também percebeu isso, pois me beijou rapidamente e se levantou informando que iria dá uma volta pelo prédio.
— Qual é o nome das duas princesas sentadas ao meu lado? – indaguei assim que ficamos a sós e elas se entreolharam.
— Me chamo Layla e essa é minha irmã, Lindsey. Pode não parecer, mas somos gêmeas.
— Eu percebi que vocês se parecem um pouco. Sabia, meninas, que quando eu era pequena tinha uma boneca de pano igualzinha à de vocês? A minha se chamava Melissa. Qual é o nome das suas? – perguntei conseguindo prender a atenção das duas.
— A minha se chama Rani – disse Layla então olhei para Lindsey – E a sua, florzinha?
— É Maggie. Meg para os íntimos, você pode chamá-la de Meg se quiser – ela disse meio tímida e olhou para irmã – Desculpe maninha, eu queria falar com ela. Eu confio nela.
— Não podemos confiar em ninguém, Lindsey. Eles vão separar a gente.
— Quem quer separar vocês?
— Ontem eu ouvi a diretora conversar com um casal e eles querem me adotar, mas não querem levar minha irmã porque ela não é loira como eu — murmurou Lindsey meio triste.
— Não se preocupe, meninas. Vocês não serão separadas, vou conversar com meu marido para adotarmos as duas.
Vi um brilho no olhar das meninas, mas o mesmo morreu quando elas viram um homem todo vestido de branco vindo em nossa direção.

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