sábado, 28 de março de 2020

Sussurros de um Crime - Capítulo 15


ANASTASIA

Na academia de polícia, nós somos treinados para qualquer situação de tensão e estresse, mas nenhum treinamento é capaz de te preparar para um abuso sexual. Eu tentava não pensar na dor, nem nos tapas que eu levava daqueles monstros e muito menos na possibilidade de Christian não me querer mais depois daquilo.

O meu foco estava em manter, interiormente, a calma e tentar descobrir um jeito para que nós dois pudéssemos sair vivos dali, mas a tortura a seguir me desarmou emocionalmente por completo.

Após usarem e abusarem do meu corpo, eles me amarraram de frente para o Christian e iniciaram uma sessão de tortura psicológica e física em nós dois, horas se passaram e eu fui novamente violentada, mas os sádicos acrescentaram garrafas de cerveja ao abuso.

Christian não suportou mais olhar a cena e acabou virando o rosto então um deles pegou um canivete e marcou lentamente meu rosto. Entre as lágrimas, eu podia ver nos olhos do Christian a culpa consumindo ele por completo.

Mal terminaram de desfigurar-me com um corte na bochecha, eles me arrastaram para fora da cama e me jogaram aos pés do Christian. Estava tão dolorida e cansada dos abusos que permaneci quieta no chão, foi então que senti o primeiro chute.

— Seus miseráveis! – escutei Christian gritar e outro chute foi desferido em mim – Parem, por favor. Vou pagar vocês, só preciso de tempo para juntar o dinheiro, mas por favor parem de machucá-la.

— É claro que você vai nos pagar – ouvi um deles falar ironicamente então me fizeram ficar de joelhos e encarar Christian.

— Você só tem um mês para conseguir nos pagar tudo que deve ou nós iremos atrás de você para terminar o serviço de hoje.

— Ok. Eu vou pagar, prometo a vocês que eu pago. Por favor, soltem a gente.

— Estamos indo embora agora, mas primeiro vou deixar um pequeno aviso para o caso de você pensar em não cumprir com a sua promessa. Matem-na.

— Não, não, não. Por favor, isso não. Eu imploro. Não, por favor. Ana, me perdoa. Me perdoa, meu amor. Eu te amo muito – foram as últimas palavras que eu registrei em minha mente antes de sentir uma dor forte na cabeça e tudo ficar preto.


★ ★ ★ ★ ★


DOIS MESES DEPOIS

Os sons ao meu redor pareciam estranhos e bem repetitivos, até que consegui definir o que eram. Aparelhos. Eram sons de bipes de algum tipo de aparelho. Em seguida, escutei vozes e tentei abrir os olhos, mas eles pareciam bem pesados e só depois de muitas tentativas eu finalmente consegui abri-los.

Eu me encontrava em um quarto de hospital com paredes de vidro. Tentei falar, chamar por alguém ou alguma enfermeira, mas havia um tubo enfiado em minha boca foi então que observei o quarto. Eu estava ligada a aparelhos que me monitoravam.

De repente, ouvi a voz de Christian e olhei para o outro lado. Pela parede de vidro o vi conversando com uma mulher ruiva e um homem de jaleco. Minha garganta começou a ficar irritada e uma crise de tosse me tomou, chamando assim a atenção deles para mim.

— Anastasia... Que bom que você acordou – disse Christian assim que entrou e segurou firme minha mão.

— Tudo bem, minha jovem. Não se preocupe, vamos tirar esse tubo da sua boca e você vai se sentir melhor.

O homem, com a ajuda de uma enfermeira, tirou o tubo da minha garganta e a tosse foi passando aos poucos. A ruiva então se aproximou da cama com um copo com água e passou para o Christian que gentilmente me ajudou a beber. Tentei dizer obrigada, mas a minha voz não saiu então olhei assustada para Christian.

— Tudo bem, meu amor. É normal, você não conseguir falar depois de ter ficado em coma por tanto tempo.

“Como assim ter ficado em coma por tanto tempo?” pensei aflita.

— Em alguns minutos você vai estar falando até pelos cotovelos – informou o médico sorrindo.

— Este é o Dr. Kleyn e sua esposa, Eleonor – disse Christian nos apresentamos.

— Daniel, querido, é melhor deixarmos eles a sós um pouco – Eleonor falou dando uma piscadinha para o Christian que retribuiu com um sorriso então ela se aproximou de mim e beijou minha testa – Não se preocupe, minha querida, você vai se recuperar rapidinho, pois vou trazer um pedaço bem grande da minha torta de amora com morangos e baunilha.

— Essa não. Já vai começar – resmungou o médico.

— Você acha que o Christian se recuperou como? Não foi comendo essa gororoba do hospital, isso eu sei, não é querido?

Vi ela segurar a mão de Christian afagando-a carinhosamente e eu comecei a morrer de ciúmes daquela intimidade entre eles.

— Claro, Eleonor. Sua torta é a melhor de todas e tenho certeza que a Ana vai adorar também. Agora, vocês poderiam nos deixar a sós?

— Ah, claro querido – ela o beijou na testa e olhou para mim – Adorei te conhecer, minha querida. Amanhã eu volto para te visitar e trago a torta.

— Se você conseguir passar pela segurança do hospital, meu amor – o Dr. Kleyn comentou.

— Eu posso simplesmente suborná-los com meus quitutes, Daniel – Eleonor murmurou e o marido rolou os olhos fazendo Christian sorrir – Christian, querido, com certeza você não vai querer dormir lá em casa hoje então mandarei o motorista trazer uma roupa limpa e um cobertor para você.

— Obrigado, Eleonor.

— De nada. Vamos seu resmungão, você também vai ganhar torta, amor.

Eles saíram do quarto então Christian foi até as paredes de vidro e fechou as cortinas para nos dar privacidade depois veio se sentar na beirada da cama. A única coisa que pensei em fazer naquele momento foi beijá-lo e abraçá-lo.

— Ainda bem que você está bem, meu amor – ele falou se desvencilhando de mim – Você deve estar meio confusa, não é? – assenti em afirmação – Bom...

Christian parou de falar, abaixou a cabeça e depois de alguns segundos, eu notei que ele chorava sutilmente.

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