sábado, 28 de março de 2020

Sussurros de um Crime - Capítulo 13


ANASTASIA

LONDRES, 2007

— Chegamos! – Christian anunciou estacionando o carro em frente a linda e moderna casa de campo localizada em uma enorme clareira tendo como plano de fundo uma magnífica floresta.

— Até que é bem moderninho o nosso refúgio – falei sem nenhum humor na voz.

— O importante é que estamos bem longe de Evanston – Christian disse já saindo de dentro do carro e eu fiz o mesmo – Aqui está a chave, vai abrindo a casa enquanto eu pego as nossas malas.

Assenti pegando a chave de sua mão e andando rumo a porta. A casa era uma mistura de madeira e pedras ao estilo bem rústico com um toque sutil de modernidade.

O seu interior era bem aconchegante e bastante iluminada devido às enormes portas de vidro que davam acesso a um deck de madeira e ao magnífico quintal.

— Devo admitir que o Ethan tem um bom gosto – Christian comentou parando ao meu lado no deck.

— O que é aquilo? – indaguei apontando para uma pequena estrutura a uns cinquenta metros de distância da casa.

— É uma sala de estar ao ar livre. Acho que é para ver o pôr-do-sol, não sei – ele disse dando de ombros – Vem Anastasia, os quartos são lá em cima.


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UM MÊS DEPOIS

— Quem em sua sã consciência namora um zumbi? – perguntei comentando sobre o filme que estávamos assistindo no meu quarto depois de jantarmos.

Já havia se passado um mês desde que chegamos a Londres e tudo estava indo bem, no começo foi difícil porque o chato do Christian vivia pegando no meu pé por causa da minha alimentação, mas graças a Deus já estou totalmente recuperada do ombro e posso comer tudo que eu quiser.

— Também estou me perguntando isso. Porque tipo, o infeliz tá morto e gente morta fede então o cheiro dele não deve ser dos melhores – Christian falou fazendo uma careta enquanto olhava o filme.

— Isso é muito nojento – disse sorrindo e ele riu.

— Quer saber esse filme tá um saco, vamos fazer outra coisa? – ele perguntou.

— O quê, por exemplo? – questionei enquanto desligava a Tv e pegava a bandeja de pipoca de cima da cama.

— Sexo.

O encarei com raiva e joguei o controle nele, mas o mesmo se esquivou a tempo.

— Ah qual é Ana, eu sou homem e faz tempo que não fico com ninguém. Preciso extravasar essa tensão sexual acumulada – ele tentou se defender.

— Você tem duas mãozinhas, use-as para se divertir, mas vá fazer isso no seu quarto – falei tentando expulsar ele da minha cama.

— Isso não tem nenhuma graça. Por favor Anastasia, só umazinha, rapidinha – Christian fez uma cara de cachorro pidão – Juro que não te perturbo mais.

— Está bem, só uma, mas eu preciso ficar bêbada – falei saindo do quarto.

— Nossa, sou tão ruim assim na cama? – ele perguntou enquanto descíamos para o barzinho perto da sala de estar.

— Não é isso, eu não quero mesmo é me lembrar de nada.

— Para depois não se arrepender – ele murmurou pensativo.

— Isso mesmo. Nossa, fiz uma descoberta interessante sobre você hoje.

— E qual foi? – Christian me encarou desconfiado.

— Christian Grey não é apenas um rostinho bonito, ele usa o cérebro também – sorri.

— Sem graça você, hein? Vamos ver o que o Ethan guarda aqui – ele começou a colocar as garrafas em cima do balcão – Tem Vodka, Hennessy, Martini, Heineken, Whisky, Cerveja e... só isso, então o que vai querer, senhorita?

— Uma dose de cada, por favor.

Pegamos uma garrafa de cada tipo e fomos para sala. Ficamos conversando sobre as nossas travessuras de infância enquanto bebíamos e não sei quanto tempo se passou, mas começamos a rir de qualquer coisa.

— Tenho uma dúvida – Christian se levantou e foi até próximo à mesa de jantar quase que esbarrando numa poltrona durante o trajeto – Porque o retardado do Ethan colocou pedras na mesinha do deck? – ele perguntou me olhando então levantei e fui até ele, cambaleando um pouco.

— Hum... Acho... não, tenho certeza que é para a mesa não sair voando – falei séria, depois explodimos em gargalhadas, o que nos desequilibrou e acabei caindo por cima dele.

— Ei cuidado aí, gatinha – ele falou me segurando pela cintura.

— Não tínhamos que fazer algo? – indaguei tentando me lembrar do que era.

— Também não lembro, mas tenho uma ideia muito melhor – disse me puxando para um beijo.

— Preciso de mais bebida – falei contra os lábios dele e Christian me soltou, resmungando.

Saí me arrastando de quatro até o sofá, onde me servi de mais um copo de uísque, talvez fosse o quinto ou o sexto, não sei direito.

— Cadê sua blusa? – perguntei quando Christian se sentou no sofá só de short.

— Saiu voando – ele sorriu meio débil então me puxou para o seu colo e começamos a nos beijar ardentemente.


★ ★ ★ ★ ★


Acordei com uma claridade chata no meu rosto, sentei meio sonolenta e notei que estava no chão da sala, completamente nua. De repente, flashes da noite passada me vieram à mente e tentei pensar em outra coisa, por exemplo, a horrível dor de cabeça que estava sentindo.

Escutei um barulho na cozinha, caçei minha roupa, mas não encontrei então vesti a blusa do Christian que estava jogada em cima da mesa de jantar e fui para a cozinha.

— Bom dia – falei na porta já sentindo o cheiro de café.

— Bom dia.

Fui até a pia lavar meu rosto e enquanto amarrava o cabelo num coque, Christian empurrou uma xícara de café.

— Não obrigada, vou tomar um remédio para dor de cabeça.

— Não tem – ele colocou a xícara na minha mão – Beba. Isso é o melhor remédio para curar uma ressaca – falou encostando-se a bancada à minha frente e notei que ele estava vestindo apenas o short do pijama.

Enquanto bebíamos nossos cafés, fiquei pensando se Christian se lembrava da noite passada ou não. Eu queria perguntar, mas estava com medo. Medo de sua resposta, porém em algum momento eu teria que fazer isso então era melhor ser agora. Ele se encontrava lavando sua xícara quando o chamei.

— Christian?

— Sim.

Parei ao seu lado depositando minha xícara em cima da bancada, e eu sentia seu olhar sobre mim então o encarei.

— Você lembra de alguma coisa de ontem à noite?

— Não e você? – ele falou sério.

— Também não – menti.

— Estava pensando em visitar alguns pontos turísticos daqui da região e a gente pode comer alguma coisa no caminho. O que você acha?

— Você prometeu que não me torraria a paciência, lembra? – falei tentando mudar o clima chato que havia se instalado entre a gente – E outra, nós já visitamos todos os pontos turísticos desta cidadezinha.

— Nem todos – ele sorriu – Faltou o Haras Roly.

— Tá de brincadeira comigo, né?

— Vamos, Ana – ele fez a cara de cachorro pidão.

Não sabia o motivo, mas aquilo era o meu calcanhar de Aquiles.

— Se fizer essa cara de novo, juro que jogo café quente em você – ameacei tentando não ceder.

— Então isso é um sim.

— Não.

— E você vai ficar fazendo o quê sozinha nesta casa?

— Não sei, eu invento algo para fazer.

Ele saiu dizendo que ia se arrumar. Fui para o meu quarto tomar uma ducha e fiquei pensando que se eu ficasse sozinha com certeza aquelas lembranças iriam me atormentar então sai do banheiro, me vesti rápido e desci a tempo de encontrar Christian à porta.

— Sabia que você ia mudar de ideia.

— Não começa senão vai levar um murro.

Ele riu, abrindo a porta, e dando passagem para mim.

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