sábado, 28 de março de 2020

Sussurros de um Crime - Capítulo 08


ANASTASIA

Assim que abri os olhos, a primeira pessoa que vi foi Carrick. Ele estava dormindo sentado num sofá próximo a minha cama. Tentei me ajeitar de uma maneira que pudesse ficar mais confortável, mas gemi de dor fazendo com que meu tio acordasse.

— Vá com calma aí, mocinha – ele falou vindo se sentar na beirada da cama – Que bom que acordou, como se sente?

— Meu ombro dói um pouco.

— Pela quantidade de sangue que estava perdendo, pensei que a bala tivesse acertado alguma artéria importante, mas graças a Deus você está bem. Porque fez aquilo, Ana? Porque arriscou sua vida pela minha? – ele perguntou segurando minha mão.

— Isso que nós policiais fazemos, tio, tentamos salvar as pessoas.

Essa foi a melhor resposta que pude dar, pois eu não queria entrar no assunto, que tentava superar há anos.

— Não foi só por isso, foi? – ele perguntou, me olhando, então puxei minha mão e desviei o olhar para o outro lado.

— Tio, me deixa sozinha, por favor.

— Claro, minha querida. Vou avisar aos outros que você já acordou e chamarei umas das enfermeiras para te aplicar um analgésico.

— Ok – falei, meio friamente.

Ele se inclinou, beijando-me a testa, depois saiu do quarto.


Achei que já havia superado essa paixonite
idiota. Porque estou sentindo isso de novo?
Talvez não a tenha superado totalmente.
Isso talvez não seja amor e sim admiração.
É. Talvez.


Fui trazida para realidade quando Behati entrou no quarto, seguida por um rapaz e por meu tio.

— Oi, irmã – ela disse, me dando um meio abraço.

— Behati, o que está fazendo aqui?

— Kim me ligou contando sobre nosso pai e sobre você ter levado um tiro, então decidi passar um tempinho com minhas irmãs – ela sorriu, meio triste.

— Hum... Esse é o tal do Bernard? – indaguei, olhando para o belo rapaz ao lado dela.

— Não. Bernard é passado. Quero te apresentar Nick Johnson, ele é meu namorado.


Por enquanto...
Deixa de ser maldosa.
Minha irmã troca de namorado
igual troca de calcinha.
Influência de alguém, não acha?
Sem graça...


— Oi – cumprimentei, o avaliando de cima a abaixo.

— Oi, supergirl – ele falou, rindo enquanto apertava minha mão.


Não fui com a cara desse tal de Nick.
Você nunca vai com a cara deles.
Às vezes acho que a Behati foi trocada na
maternidade porque não tem condição. Ela
só pega idiotas. Todos os namorados dela
eram literalmente ou idiotas ou mesquinhos
e pelo jeito esse aí, não é diferente.
Não exagera tanto assim.
Não exagera? Minha irmã é uma retardada, não
literalmente é claro, mas essa lesa ainda não se
tocou que o Christian gosta dela, ou sabe e
namora com outros caras só para maltratar o coitado.


— Cadê o Christian? – perguntei, pensando em como ele devia estar se sentindo, ao ver a Behati com o Nick.

— Ainda está na clínica, minha querida, mas já avisei a ele que você acordou. Já os outros, estão vindo te ver – meu tio informou e não demorou muito para Kim, Nory, Elliot e Kate entrarem no quarto.

— Peraí, por quanto tempo eu fiquei desacordada? E cadê as originais? Porque essas aí não são a Nory e a Kim que eu conheço – perguntei rindo, apontando para as duas que estavam com os uniformes trocado.

— Hã hã estou morrendo de tanto de ir, Anastasia – Kim resmungou com raiva.

— Perdemos uma partida de futebol no colégio e como havíamos apostado com o outro time que se perdêssemos nós duas trocaríamos de uniforme, aí deu no que deu – Nory falou, sem ânimo nenhum.

— Eu devia estar louca, chapada, drogada quando escolhi essa coisa para jogar no meu time.

— Ei, eu sei jogar, Kim.

— Minha filha você sabe é chutar as canelas dos outros.

De repente, um som nos chamou a atenção e eu reconheci logo o que era. Meu celular estava com meu tio que o atendeu rapidamente.


Ei! E a privacidade fica onde?
Deixa de ser implicante, garota.


— Vou passar para ela – ele disse, me entregando o aparelho.

— Quem é?

— É o Christian.

— O que você quer? – perguntei, meio grossa.

Nossa... Sempre amável, né Ana?

— Desembucha.

Quero te propor uma coisa – ele disse e ao fundo ouvi uma voz de mulher que parecia estar dando o troco de algo para ele.

— Fala logo.

Eu queria que na frente da Behati, você fingisse que gosta de mim.

— O quê? – gritei.

Todos no quarto tiraram suas atenções da televisão, que alguém devia ter ligado, e me olharam assustados. Sorri, sem graça, e fiz um gesto de tudo bem, então eles voltaram sua atenção para a TV novamente.

— O que eu ganho com isso? – baixei o tom de voz, só para que Christian me escutasse.

O que você quiser?

— Hum... ok então – suspirei, fiz beicinho e comecei a encenar – Tudo bem, Christian. Eu espero até você chegar aqui para descobrir minha surpresa, mas não demora tá? Beijos – falei com a voz meiga e um pouco triste.

Obrigado, estou chegando aí. Tchau.

Segundos depois o celular vibrou. Era uma mensagem do traste.


De: Christian
Para: Anastasia
Obrigado, te devo uma.
Mas você poderia ter me chamado de amor ou amorzinho, né?


Mas estou dizendo mesmo, a gente
dá a mão e o infeliz que é o braço todo.
Deixa de ser encrenqueira.


Respondi a mensagem, rapidamente.


De: Anastasia
Para: Christian
Você me deve várias e outra... amor ou amorzinho?
Ver se não força a barra tá, seu babaca.


— Desde quando a Ana manda beijos para o Christian? Se eu me lembro bem, esses dois se odeiam.

— Behati deixa eu te atualizar, priminha. Eles só fingiam que se odiavam, mas agora os dois vivem se agarrando pelos cantos da mansão – Elliot falou rindo.

— Sério? – ela me olhou com uma sobrancelha erguida.


Humm... Tiro faz muito barulho, já
uma faca faz muita sujeira.
Quê?
Veneno! É perfeito, mas onde será que eu
consigo cianeto para colocar na comida do Elliot...
Pirou de vez foi, garota?
Eu estou bem... Super bem...
Maravilhosamente bem...


O celular vibrou de novo.


De: Christian
Para: Anastasia
Rsrsrs... Está bem. Tchau!

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