ANASTASIA
— Caraca... O dia de vocês foi muito legal e sinistro – Elliot exclamou enquanto Kim e Nory terminavam de contar o resto da história.
— Christian não vai descer para jantar conosco? – meu tio perguntou-me.
— Não sei. Vou chamá-lo, com licença – murmurei, já me levantando.
— Ver se vocês descem ainda hoje, ouviu? – escutei meu primo falar à medida que eu saía da sala de jantar, apenas ignorei o comentário sem graça dele.
— Christian? – chamei, minutos depois, em frente à porta do mesmo, mas nada do infeliz responder.
Verifiquei se a mesma estava aberta e entrei. O encontrei deitado, de olhos fechados e com os fones no ouvido. Um sorriso diabólico se formou em rosto, pois resolvi assustá-lo pulando em cima da cama. Sempre fazíamos isso quando éramos pequenos.
— O que você quer, sua doida? – ele perguntou com raiva, depois de se recuperar do susto.
Suspirei, tentando parar de rir, mas era quase impossível. Eu adorava importunar a vida do Christian.
— Tio Carrick quer saber se você vai jantar ou não.
— Vou sim.
— Então é melhor se apressar, porque a Sra. Marks fez um strogonoff dos deuses – informei, já saindo do quarto.
Logo ele me acompanhou e enquanto andávamos pelo longo corredor, escutamos um barulho estranho seguido de vozes alteradas, bem ao longe.
— O que será isso? – Christian indagou, encarando-me.
— Não sei, mas parece que vem lá de baixo. Espere aqui, vou pegar minha arma no quarto.
— Calminha aí vocês dois – alguém disse atrás de nós.
Quando nós viramos, vimos dois homens, ambos armados.
— Quem são vocês? – ouvi Christian perguntar enquanto eu imaginava várias formas para desarmar os dois, mas nenhuma teria um resultado muito positivo, porém eu decidi arriscar mesmo assim.
Quando eles se aproximaram, eu avancei contra os dois usando golpes de jiu-jitsu e defesa pessoal, ensinados aos cadetes durante o curso de verão da academia, mas dois contra um não era uma luta justa e logo um deles usou um de meus próprios golpes contra mim, imobilizando-me em seus braços de aço.
Foi então que o idiota do meu primo, que até o momento só havia assistido a nossa luta, atingiu a cabeça do cara armado à minha frente com um vaso de flores, fazendo o homem desmaiar.
Era a chance que eu precisava para me libertar do outro e não hesitei quando alcancei a arma de um deles, a alguns metros de nós, e dei três tiros no meu adversário que caiu enquanto me xingava, depois confisquei as armas.
— Você atirou nele – Christian disse, assustado.
— Ou era ele ou nós. E não estou afim de morrer hoje – falei, me aproximando do meu primo.
— Será que isso é um assalto? Será que tem mais bandidos? Será que eles vão nos matar?
Não me aguentei e dei uma bela e forte bofetada na cara dele.
— Cala a boca e faz algo de útil em vez de ficar aí surtando igual a uma garotinha – murmurei, indo rumo ao meu quarto para poder pegar minha arma.
— Não vai me agradecer?
— Pelo o quê? – indaguei enquanto colocava um cartucho de balas novo na minha arma.
— Por ter te salvado minutos atrás.
O encarei de lado.
— Você agiu na hora certa. Sabe atirar? – perguntei, mudando o rumo da conversa.
— Isso foi um obrigado?
— É o máximo que vai conseguir tirar de mim, Christian. Sabe atirar ou não?
— Fiquei no exército tempo suficiente para aprender atirar – ele disse, se aproximando de mim e pegou a arma reserva que eu lhe estendia.
— Ótimo. Vamos.
Saímos do quarto e tudo parecia calmo enquanto descíamos as escadas.
— Acho que eram só aqueles dois bandidos – ele sussurrou bem baixo.
— Creio que não. Presta atenção – pedi parando e segurei seu braço fazendo com que Christian parasse também.
As vozes pareciam vir da sala de refeições, então corremos até lá. Christian abriu a porta e eu entrei, empunhando minha arma, sendo seguida por ele. Minha atenção logo se focou na cena diante de meus olhos.
Raymond, ou melhor, meu pai apontava uma arma para o tio Carrick que estava a alguns metros à frente de Elliot, Kim, Nory, Sra. Marks e mais duas empregadas, que se encontravam encostados num canto da parede.
— Pai, o que está acontecendo? – indaguei.
— Agora sim a família está toda reunida. Venham meninos, se juntem a nós – ele disse, sorrindo.
— Larga a arma, pai!
— Dando uma de valentona, querida?
— Só vou falar mais uma vez. Larga a arma ou eu vou...
— Atirar em mim?
Meu pai deu uma gargalhada e de repente, escutei um pequeno estalo a centímetros do meu ouvido.
— Eu não faria isso se fosse você, boneca – a voz soou atrás de mim.
Me virei lentamente e notei que na sala havia mais dois bandidos armados. Um tinha rendido e desarmado Christian, já o outro apontava o cano de sua arma para minha cabeça. Não tive outra opção que não fosse entregar minha arma para ele.
Christian foi para onde os outros estavam e eu fui para o lado do meu tio. Tinha que fazer alguma coisa para sair daquela situação sem que ninguém nesta sala se machucasse.
Só teria uma chance para desarmar meu pai e imobilizá-lo. Se conseguisse fazer isso os outros dois bandidos com certeza baixariam suas armas, já que parecia que ele era o líder.
— O que pretende, pai? Matar todos nós? – perguntei, dando um passo em sua direção.
Ele logo apontou a arma para mim.
— Meu acerto de contas é com o Carrick, por isso estou aqui. Vim especialmente para matá-lo – ele falou, voltando a mirar para o seu alvo.
— O que ele fez? – inquiri e com muita cautela, dei mais um passo.
— Roubou a mulher que eu amava. Clarisse era para ser minha, mas esse miserável apareceu e roubou ela de mim.
Meu pai estava descontrolado e balançava a arma enquanto falava então dei um passo para o lado me colocando entre ele e meu tio. A arma poderia disparar a qualquer momento, se ela não estivesse travada e eu não podia arriscar que Carrick levasse um tiro. Antes eu do que ele.
— Mas o senhor amava a mamãe – falei, arriscando a dar mais um passo.
Ele riu.
— Namorar a Carla foi só um meio para ficar perto da minha amada Clarisse, mas devo admitir que com o tempo eu comecei a gostar um pouco da Carla e fiquei realmente feliz quando ela me deu duas filhas, mas quando descobri a verdade sobre você, eu fiquei possesso de raiva e fui tirar satisfação com a Clarisse. Ela não poderia ter feito aquilo comigo, não poderia ter mentido todos esses anos...
— Raymond Steele, você está cercado! Saia com as mãos para cima!
Essa era a voz do Hunter.
“Como será que ele soube do que estava acontecendo aqui?”
— Vamos fugir, Raymond! – os bandidos disseram enquanto iam em direção a uma das portas laterais da sala que davam acesso aos fundos da mansão.
— Não me arrisquei vindo até aqui para ser preso sem antes de cumprir o meu objetivo.
— Você quem sabe, cara.
Ele se distraiu por um momento e essa foi minha chance então avancei contra meu pai. Ouvi os gritos da minha família enquanto eu travava uma luta com Raymond, mas ele me empurrou com força e bate minhas costas em algo, na verdade foi em alguém, que me segurou para não cair.
— Você está bem? – tio Carrick perguntou.
Assenti, meio ofegante.
— Sua pirralha, você pensou que conseguiria me desarmar? Eu sou um policial experiente.
Meu pai encarava a gente com fúria então meu instinto de policial deu um estalo. Ele iria atirar. Empurrei Carrick para o lado a tempo e a bala atingiu em cheio meu ombro direito fazendo-me cair.
A dor que sentia era insuportável. Meu tio se ajoelhou ao meu lado tirando sua blusa para tentar estancar o sangue, porém por mais que ele tentasse não conseguia. Neste momento vi a sala ser invadida por José, Leila, Hunter e Jack, seguidos por diversos policiais.
— Raymond Steele, o senhor está preso pela tentativa de assassinato contra Carrick Grey, por atirar em uma policial desarmada e como principal suspeito do homicídio de Clarisse Grey – escutei a voz do José vindo de algum ponto da sala.
Ao longe ouvi Leila pedindo uma ambulância. Olhei para o teto tentando focalizar em alguma coisa para me distrair da dor enquanto começava a sentir algo molhando minhas costas, provavelmente seria meu próprio sangue, formando uma poça embaixo de mim.
— Vai ficar tudo bem... – essas foram as últimas palavras que escutei do meu tio antes de desmaiar, devido à perda excessiva de sangue.
— Caraca... O dia de vocês foi muito legal e sinistro – Elliot exclamou enquanto Kim e Nory terminavam de contar o resto da história.
— Christian não vai descer para jantar conosco? – meu tio perguntou-me.
— Não sei. Vou chamá-lo, com licença – murmurei, já me levantando.
— Ver se vocês descem ainda hoje, ouviu? – escutei meu primo falar à medida que eu saía da sala de jantar, apenas ignorei o comentário sem graça dele.
— Christian? – chamei, minutos depois, em frente à porta do mesmo, mas nada do infeliz responder.
Verifiquei se a mesma estava aberta e entrei. O encontrei deitado, de olhos fechados e com os fones no ouvido. Um sorriso diabólico se formou em rosto, pois resolvi assustá-lo pulando em cima da cama. Sempre fazíamos isso quando éramos pequenos.
— O que você quer, sua doida? – ele perguntou com raiva, depois de se recuperar do susto.
Suspirei, tentando parar de rir, mas era quase impossível. Eu adorava importunar a vida do Christian.
— Tio Carrick quer saber se você vai jantar ou não.
— Vou sim.
— Então é melhor se apressar, porque a Sra. Marks fez um strogonoff dos deuses – informei, já saindo do quarto.
Logo ele me acompanhou e enquanto andávamos pelo longo corredor, escutamos um barulho estranho seguido de vozes alteradas, bem ao longe.
— O que será isso? – Christian indagou, encarando-me.
— Não sei, mas parece que vem lá de baixo. Espere aqui, vou pegar minha arma no quarto.
— Calminha aí vocês dois – alguém disse atrás de nós.
Quando nós viramos, vimos dois homens, ambos armados.
— Quem são vocês? – ouvi Christian perguntar enquanto eu imaginava várias formas para desarmar os dois, mas nenhuma teria um resultado muito positivo, porém eu decidi arriscar mesmo assim.
Quando eles se aproximaram, eu avancei contra os dois usando golpes de jiu-jitsu e defesa pessoal, ensinados aos cadetes durante o curso de verão da academia, mas dois contra um não era uma luta justa e logo um deles usou um de meus próprios golpes contra mim, imobilizando-me em seus braços de aço.
Foi então que o idiota do meu primo, que até o momento só havia assistido a nossa luta, atingiu a cabeça do cara armado à minha frente com um vaso de flores, fazendo o homem desmaiar.
Era a chance que eu precisava para me libertar do outro e não hesitei quando alcancei a arma de um deles, a alguns metros de nós, e dei três tiros no meu adversário que caiu enquanto me xingava, depois confisquei as armas.
— Você atirou nele – Christian disse, assustado.
— Ou era ele ou nós. E não estou afim de morrer hoje – falei, me aproximando do meu primo.
— Será que isso é um assalto? Será que tem mais bandidos? Será que eles vão nos matar?
Não me aguentei e dei uma bela e forte bofetada na cara dele.
— Cala a boca e faz algo de útil em vez de ficar aí surtando igual a uma garotinha – murmurei, indo rumo ao meu quarto para poder pegar minha arma.
— Não vai me agradecer?
— Pelo o quê? – indaguei enquanto colocava um cartucho de balas novo na minha arma.
— Por ter te salvado minutos atrás.
O encarei de lado.
— Você agiu na hora certa. Sabe atirar? – perguntei, mudando o rumo da conversa.
— Isso foi um obrigado?
— É o máximo que vai conseguir tirar de mim, Christian. Sabe atirar ou não?
— Fiquei no exército tempo suficiente para aprender atirar – ele disse, se aproximando de mim e pegou a arma reserva que eu lhe estendia.
— Ótimo. Vamos.
Saímos do quarto e tudo parecia calmo enquanto descíamos as escadas.
— Acho que eram só aqueles dois bandidos – ele sussurrou bem baixo.
— Creio que não. Presta atenção – pedi parando e segurei seu braço fazendo com que Christian parasse também.
As vozes pareciam vir da sala de refeições, então corremos até lá. Christian abriu a porta e eu entrei, empunhando minha arma, sendo seguida por ele. Minha atenção logo se focou na cena diante de meus olhos.
Raymond, ou melhor, meu pai apontava uma arma para o tio Carrick que estava a alguns metros à frente de Elliot, Kim, Nory, Sra. Marks e mais duas empregadas, que se encontravam encostados num canto da parede.
— Pai, o que está acontecendo? – indaguei.
— Agora sim a família está toda reunida. Venham meninos, se juntem a nós – ele disse, sorrindo.
— Larga a arma, pai!
— Dando uma de valentona, querida?
— Só vou falar mais uma vez. Larga a arma ou eu vou...
— Atirar em mim?
Meu pai deu uma gargalhada e de repente, escutei um pequeno estalo a centímetros do meu ouvido.
— Eu não faria isso se fosse você, boneca – a voz soou atrás de mim.
Me virei lentamente e notei que na sala havia mais dois bandidos armados. Um tinha rendido e desarmado Christian, já o outro apontava o cano de sua arma para minha cabeça. Não tive outra opção que não fosse entregar minha arma para ele.
Christian foi para onde os outros estavam e eu fui para o lado do meu tio. Tinha que fazer alguma coisa para sair daquela situação sem que ninguém nesta sala se machucasse.
Pense Anastasia, pense...
Coloque em prática o que aprendeu
na academia de polícia.
Boa hora para voltar.
Antes tarde do que nunca.
Só teria uma chance para desarmar meu pai e imobilizá-lo. Se conseguisse fazer isso os outros dois bandidos com certeza baixariam suas armas, já que parecia que ele era o líder.
— O que pretende, pai? Matar todos nós? – perguntei, dando um passo em sua direção.
Ele logo apontou a arma para mim.
— Meu acerto de contas é com o Carrick, por isso estou aqui. Vim especialmente para matá-lo – ele falou, voltando a mirar para o seu alvo.
— O que ele fez? – inquiri e com muita cautela, dei mais um passo.
— Roubou a mulher que eu amava. Clarisse era para ser minha, mas esse miserável apareceu e roubou ela de mim.
Meu pai estava descontrolado e balançava a arma enquanto falava então dei um passo para o lado me colocando entre ele e meu tio. A arma poderia disparar a qualquer momento, se ela não estivesse travada e eu não podia arriscar que Carrick levasse um tiro. Antes eu do que ele.
— Mas o senhor amava a mamãe – falei, arriscando a dar mais um passo.
Ele riu.
— Namorar a Carla foi só um meio para ficar perto da minha amada Clarisse, mas devo admitir que com o tempo eu comecei a gostar um pouco da Carla e fiquei realmente feliz quando ela me deu duas filhas, mas quando descobri a verdade sobre você, eu fiquei possesso de raiva e fui tirar satisfação com a Clarisse. Ela não poderia ter feito aquilo comigo, não poderia ter mentido todos esses anos...
— Raymond Steele, você está cercado! Saia com as mãos para cima!
Essa era a voz do Hunter.
“Como será que ele soube do que estava acontecendo aqui?”
— Vamos fugir, Raymond! – os bandidos disseram enquanto iam em direção a uma das portas laterais da sala que davam acesso aos fundos da mansão.
— Não me arrisquei vindo até aqui para ser preso sem antes de cumprir o meu objetivo.
— Você quem sabe, cara.
Ele se distraiu por um momento e essa foi minha chance então avancei contra meu pai. Ouvi os gritos da minha família enquanto eu travava uma luta com Raymond, mas ele me empurrou com força e bate minhas costas em algo, na verdade foi em alguém, que me segurou para não cair.
— Você está bem? – tio Carrick perguntou.
Assenti, meio ofegante.
— Sua pirralha, você pensou que conseguiria me desarmar? Eu sou um policial experiente.
Meu pai encarava a gente com fúria então meu instinto de policial deu um estalo. Ele iria atirar. Empurrei Carrick para o lado a tempo e a bala atingiu em cheio meu ombro direito fazendo-me cair.
A dor que sentia era insuportável. Meu tio se ajoelhou ao meu lado tirando sua blusa para tentar estancar o sangue, porém por mais que ele tentasse não conseguia. Neste momento vi a sala ser invadida por José, Leila, Hunter e Jack, seguidos por diversos policiais.
— Raymond Steele, o senhor está preso pela tentativa de assassinato contra Carrick Grey, por atirar em uma policial desarmada e como principal suspeito do homicídio de Clarisse Grey – escutei a voz do José vindo de algum ponto da sala.
Ao longe ouvi Leila pedindo uma ambulância. Olhei para o teto tentando focalizar em alguma coisa para me distrair da dor enquanto começava a sentir algo molhando minhas costas, provavelmente seria meu próprio sangue, formando uma poça embaixo de mim.
— Vai ficar tudo bem... – essas foram as últimas palavras que escutei do meu tio antes de desmaiar, devido à perda excessiva de sangue.

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