ANASTASIA
Havíamos acabado de entrar em um engarrafamento, ainda em Chicago, quando o celular do Jack começou a tocar.
— Hyde – ele atendeu e ficou sério por um tempo – Ok, estamos indo para lá – o ouvi dizer antes de desligar.
— Era a Leila? Ela descobriu algo?
— Sim, era a Leila. E sim, ela descobriu algo – ele disse me encarando por um momento com uma cara de preocupado, depois voltou sua atenção para o trânsito que ainda permanecia lento.
— Fala logo, Jack!
— Não tem as digitais e o DNA que ela achou no envelope?
— Tem. Por acaso eles batem com algum registro do nosso banco de dados? – perguntei.
— Sim. São do seu tio.
— Não é possível... – murmurei, em choque.
— E tem mais, ela também descobriu que apenas um médico no hospital recebeu aquele tipo de caneta – Jack falou virando uma esquina, saindo do engarrafamento e acelerando o carro.
— Quem, Jack? Fala logo! – inquiri, nervosa, depois de alguns minutos.
Antes de responder ele parou o carro em frente do Thorek Memorial Hospital, onde havia vários carros da polícia, tanto de Evanston quanto de Chicago.
— O único médico que recebeu a caneta foi o Doutor Carrick Grey.
Não pude acreditar no que acabara de ouvir. Saí do carro e fui em direção da entrada do hospital, mas neste momento vi meu tio sair algemado e escoltado por Hunter e José, que agradeceram o apoio da polícia local. Mais atrás estava Leila, segurando Nory, que gritava e chorava ao mesmo tempo.
Quando eles passaram por mim, tio Carrick pediu para que eu cuidasse da Nory então acenei um “Sim” com a cabeça e fui até elas. Assim que minha prima me viu, correu e me abraçou.
— Porque esses homens estão prendendo o meu pai, Ana? – ela perguntou, com os olhos vermelhos de tanto chorar.
A abracei forte, pois não teria coragem e nem sangue frio para falar o motivo. Enquanto as viaturas da polícia se distanciavam, Jack se ofereceu para levar Nory para casa, mas ela disse que queria ficar perto do pai, então consenti ao seu pedido e a conduzi até o carro, seguindo depois para Evanston.
Entrei na sala do Hunter e o encontrei de cabeça baixa, mexendo em alguns papéis.
— O que pensou que estava fazendo? Algemando e tratando o Carrick como um criminoso na frente da filha dele. Essa garota vai ficar traumatizada pelo resto da vida dela. Você poderia ter tido um pouco de compaixão, Hunter – as palavras saíam como um jato de água.
— Com quem? – ele falou, se levantando, dando a volta em sua mesa e parando a minha frente – Com aquele assassino que matou a própria mulher?
— Meu tio não é assassino! – gritei e sai da sala, furiosa.
— As provas mostram que ele é o assassino – ouvi Hunter falar atrás de mim então parei no meio do corredor e me virei, lentamente, encarando-o.
— E se as evidências estiverem erradas?
O silêncio era um forte indício de que todos no corredor e nas outras salas estavam assistindo aquela briga.
— Elas nunca se enganam...
— Mas os homens sim – o interrompi.
— Anastasia, você está deixando sua emoção falar por sua razão. Você está fora do caso a partir deste momento e tire o resto do dia de folga.
— Tenho uma ideia melhor – falei, me aproximando de Hunter – Eu me demito.
Empurrei meu distintivo no peito dele e coloquei minha arma na sua mão. Quando me virei vi Jack, Leila e José me olhando com uma expressão que parecia compaixão. Apenas passei por eles e entrei na minha sala.
— O que está havendo, Ana? – Kim perguntou enquanto eu pegava minha bolsa.
— Quando chegarmos em casa, eu explico, Nory. Vamos meninas – ordenei, já indo em direção da porta.
— Eu quero ver o meu pai! – ela pediu um pouco alterada.
— Tudo bem, Nory. Vou ver se conseguimos vê-lo antes de irmos – falei e ela se acalmou um pouco – Kim liga para o Christian agora e peça para ele vir imediatamente para cá.
— Ok.
Foi então que lembrei de que ele estava sem carro.
— Esquece a ligação, Kim. Aqui está a chave do carro, vá buscá-lo na clínica o mais rápido possível.
— Ok.
Kim pegou a chave e saiu, quase esbarrando em Jack que entrava na sala.
— Ana...
— Se veio me pedir para desistir da demissão, está perdendo seu tempo, Jack.
— Não estou aqui por isso. Vim apenas informar que vocês podem ver o Sr. Grey antes dele ser transferido para o presídio estadual.
— Presídio? Meu pai não matou ninguém! – Nory exclamou alterada novamente.
— Nory, vem cá – puxei seu braço e a abracei tentando acalmá-la – Se acalme. Seu pai é inocente. Eles estão cometendo um grande erro – falei encarando Jack com raiva.
— Me desculpe não deveria ter dito isso – ele falou.
— Mas disse. Onde ele está? – perguntei.
— Sala de Interrogatório 04.
— Filha?! Anastasia?! – meu tio exclamou surpreso assim que entramos na sala.
— Pai! – Nory disse e correu para abraçá-lo – Disseram que o senhor vai para a prisão, porquê?
— Eles acham que matei minha esposa, meu anjo – ele falou meio triste – Mas o que estão dizendo é tudo mentira, juro que nunca matei ninguém. Só que eles nem deixaram me defender.
— Acredito em você, tio – eu disse o abraçando também – Nem que quisesse, não poderia ter machucado a tia Clarisse.
— Como assim? – ele perguntou sem entender.
— Lembra que na noite da morte dela, o senhor colocou eu e o Christian de castigo.
— Sim, eu lembro. Raymond e Carla deixaram vocês lá em casa para passar o final de semana. No sábado, fui procurar minha caneta de uso hospitalar, pois iria trabalhar a noite no hospital e precisava dela, liguei para Clarisse que ainda estava na clínica, atendendo alguns de seus pacientes e perguntei da caneta.
O ouvia, atentamente, sentados à mesa existente na salinha.
— Ela me informou que não sabia então fui até o quarto do Christian, pois ele tinha mania de pegar canetas do meu escritório, mas Christian disse que você tinha roubado dele fazia alguns dias e levado para sua casa em Chicago. Então, como castigo coloquei os dois para limparem toda a biblioteca. Nesse dia, acabei chegando atrasado no trabalho e fui direto para a sala de operações, pois havia marcado um transplante de coração em um dos meus pacientes.
— Se eu conseguisse fazer com que eles te ouvissem, poderia repetir o que acabou de me falar, tio?
— Posso, mas é improvável que me escutem, pois para eles eu já sou culpado.
— Era culpado – Jack falou, entrando na sala segundos depois – Mas agora é apenas um suspeito até confirmarmos tudo o que disse.
— O quê? Você estava ouvindo nossa conversa? – indaguei, incrédula.
— Sim. Queríamos ver se ele iria dizer algo que o incriminasse.
— Por isso nos mandaram para vê-lo? – perguntei e ele confirmou com a cabeça.
— Tenho uma boa notícia – Jack falou e se virou para meu tio – Sua escrita não bate com a da carta então até confirmamos se o que disse é verdade ou não, você ficará nesta sala. Estamos entrando em contato com o hospital e seu filho que acaba de chegar será interrogado também.
Passados quase duas horas, Christian entrou na sala juntamente com Kim e Leila, que foi até Jack e sussurrou algo em seu ouvido.
— O senhor está livre – Jack comunicou e nós comemoramos.
— Podemos ir para casa? – Nory perguntou.
— É gente, porque estou definhando de tanta de fome – Kim falou, passando a mão na barriga.
— Hunter quer falar com você antes de ir embora – Jack me avisou então fui até lá.
— Armar contra um suspeito não é ilegal, Hunter? – perguntei, sentada em uma das cadeiras.
— A promotoria está me pressionando muito e quando Leila veio me avisar que a letra da carta não batia com a letra do Carrick, eu pedi que ela, Jack e José me ajudassem a fazer com que ele dissesse algo que nos levasse a descobrir a verdadeira identidade do assassino. Porque Carrick devia conhecê-lo, já que as digitais dele estão no envelope.
— Deveria ter me dito isso antes.
— Desculpe. Foi um tiro no escuro que arrisquei e graças a você e ao Christian, conseguimos uma pista do suposto assassino.
— Que bom, mas tenho que ir agora – falei, me levantando.
— Espere, Anastasia! Acho que isto aqui lhe pertence – Hunter disse estendendo meu distintivo e a arma sobre a mesa, peguei ainda indecisa – E não ande por aí falando que vai se demitir, pois uma hora eu vou acreditar – ele murmurou, sorrindo – Tire o resto do dia de folga.
— Tudo bem.
Havíamos acabado de entrar em um engarrafamento, ainda em Chicago, quando o celular do Jack começou a tocar.
— Hyde – ele atendeu e ficou sério por um tempo – Ok, estamos indo para lá – o ouvi dizer antes de desligar.
— Era a Leila? Ela descobriu algo?
— Sim, era a Leila. E sim, ela descobriu algo – ele disse me encarando por um momento com uma cara de preocupado, depois voltou sua atenção para o trânsito que ainda permanecia lento.
— Fala logo, Jack!
— Não tem as digitais e o DNA que ela achou no envelope?
— Tem. Por acaso eles batem com algum registro do nosso banco de dados? – perguntei.
— Sim. São do seu tio.
— Não é possível... – murmurei, em choque.
— E tem mais, ela também descobriu que apenas um médico no hospital recebeu aquele tipo de caneta – Jack falou virando uma esquina, saindo do engarrafamento e acelerando o carro.
— Quem, Jack? Fala logo! – inquiri, nervosa, depois de alguns minutos.
Antes de responder ele parou o carro em frente do Thorek Memorial Hospital, onde havia vários carros da polícia, tanto de Evanston quanto de Chicago.
— O único médico que recebeu a caneta foi o Doutor Carrick Grey.
Não pude acreditar no que acabara de ouvir. Saí do carro e fui em direção da entrada do hospital, mas neste momento vi meu tio sair algemado e escoltado por Hunter e José, que agradeceram o apoio da polícia local. Mais atrás estava Leila, segurando Nory, que gritava e chorava ao mesmo tempo.
Quando eles passaram por mim, tio Carrick pediu para que eu cuidasse da Nory então acenei um “Sim” com a cabeça e fui até elas. Assim que minha prima me viu, correu e me abraçou.
— Porque esses homens estão prendendo o meu pai, Ana? – ela perguntou, com os olhos vermelhos de tanto chorar.
A abracei forte, pois não teria coragem e nem sangue frio para falar o motivo. Enquanto as viaturas da polícia se distanciavam, Jack se ofereceu para levar Nory para casa, mas ela disse que queria ficar perto do pai, então consenti ao seu pedido e a conduzi até o carro, seguindo depois para Evanston.
★ ★ ★ ★ ★
Entrei na sala do Hunter e o encontrei de cabeça baixa, mexendo em alguns papéis.
— O que pensou que estava fazendo? Algemando e tratando o Carrick como um criminoso na frente da filha dele. Essa garota vai ficar traumatizada pelo resto da vida dela. Você poderia ter tido um pouco de compaixão, Hunter – as palavras saíam como um jato de água.
— Com quem? – ele falou, se levantando, dando a volta em sua mesa e parando a minha frente – Com aquele assassino que matou a própria mulher?
— Meu tio não é assassino! – gritei e sai da sala, furiosa.
— As provas mostram que ele é o assassino – ouvi Hunter falar atrás de mim então parei no meio do corredor e me virei, lentamente, encarando-o.
— E se as evidências estiverem erradas?
O silêncio era um forte indício de que todos no corredor e nas outras salas estavam assistindo aquela briga.
— Elas nunca se enganam...
— Mas os homens sim – o interrompi.
— Anastasia, você está deixando sua emoção falar por sua razão. Você está fora do caso a partir deste momento e tire o resto do dia de folga.
— Tenho uma ideia melhor – falei, me aproximando de Hunter – Eu me demito.
Empurrei meu distintivo no peito dele e coloquei minha arma na sua mão. Quando me virei vi Jack, Leila e José me olhando com uma expressão que parecia compaixão. Apenas passei por eles e entrei na minha sala.
★ ★ ★ ★ ★
— O que está havendo, Ana? – Kim perguntou enquanto eu pegava minha bolsa.
— Quando chegarmos em casa, eu explico, Nory. Vamos meninas – ordenei, já indo em direção da porta.
— Eu quero ver o meu pai! – ela pediu um pouco alterada.
— Tudo bem, Nory. Vou ver se conseguimos vê-lo antes de irmos – falei e ela se acalmou um pouco – Kim liga para o Christian agora e peça para ele vir imediatamente para cá.
— Ok.
Foi então que lembrei de que ele estava sem carro.
— Esquece a ligação, Kim. Aqui está a chave do carro, vá buscá-lo na clínica o mais rápido possível.
— Ok.
Kim pegou a chave e saiu, quase esbarrando em Jack que entrava na sala.
— Ana...
— Se veio me pedir para desistir da demissão, está perdendo seu tempo, Jack.
— Não estou aqui por isso. Vim apenas informar que vocês podem ver o Sr. Grey antes dele ser transferido para o presídio estadual.
— Presídio? Meu pai não matou ninguém! – Nory exclamou alterada novamente.
— Nory, vem cá – puxei seu braço e a abracei tentando acalmá-la – Se acalme. Seu pai é inocente. Eles estão cometendo um grande erro – falei encarando Jack com raiva.
— Me desculpe não deveria ter dito isso – ele falou.
— Mas disse. Onde ele está? – perguntei.
— Sala de Interrogatório 04.
★ ★ ★ ★ ★
— Filha?! Anastasia?! – meu tio exclamou surpreso assim que entramos na sala.
— Pai! – Nory disse e correu para abraçá-lo – Disseram que o senhor vai para a prisão, porquê?
— Eles acham que matei minha esposa, meu anjo – ele falou meio triste – Mas o que estão dizendo é tudo mentira, juro que nunca matei ninguém. Só que eles nem deixaram me defender.
— Acredito em você, tio – eu disse o abraçando também – Nem que quisesse, não poderia ter machucado a tia Clarisse.
— Como assim? – ele perguntou sem entender.
— Lembra que na noite da morte dela, o senhor colocou eu e o Christian de castigo.
— Sim, eu lembro. Raymond e Carla deixaram vocês lá em casa para passar o final de semana. No sábado, fui procurar minha caneta de uso hospitalar, pois iria trabalhar a noite no hospital e precisava dela, liguei para Clarisse que ainda estava na clínica, atendendo alguns de seus pacientes e perguntei da caneta.
O ouvia, atentamente, sentados à mesa existente na salinha.
— Ela me informou que não sabia então fui até o quarto do Christian, pois ele tinha mania de pegar canetas do meu escritório, mas Christian disse que você tinha roubado dele fazia alguns dias e levado para sua casa em Chicago. Então, como castigo coloquei os dois para limparem toda a biblioteca. Nesse dia, acabei chegando atrasado no trabalho e fui direto para a sala de operações, pois havia marcado um transplante de coração em um dos meus pacientes.
— Se eu conseguisse fazer com que eles te ouvissem, poderia repetir o que acabou de me falar, tio?
— Posso, mas é improvável que me escutem, pois para eles eu já sou culpado.
— Era culpado – Jack falou, entrando na sala segundos depois – Mas agora é apenas um suspeito até confirmarmos tudo o que disse.
— O quê? Você estava ouvindo nossa conversa? – indaguei, incrédula.
— Sim. Queríamos ver se ele iria dizer algo que o incriminasse.
— Por isso nos mandaram para vê-lo? – perguntei e ele confirmou com a cabeça.
— Tenho uma boa notícia – Jack falou e se virou para meu tio – Sua escrita não bate com a da carta então até confirmamos se o que disse é verdade ou não, você ficará nesta sala. Estamos entrando em contato com o hospital e seu filho que acaba de chegar será interrogado também.
Passados quase duas horas, Christian entrou na sala juntamente com Kim e Leila, que foi até Jack e sussurrou algo em seu ouvido.
— O senhor está livre – Jack comunicou e nós comemoramos.
— Podemos ir para casa? – Nory perguntou.
— É gente, porque estou definhando de tanta de fome – Kim falou, passando a mão na barriga.
— Hunter quer falar com você antes de ir embora – Jack me avisou então fui até lá.
★ ★ ★ ★ ★
— Armar contra um suspeito não é ilegal, Hunter? – perguntei, sentada em uma das cadeiras.
— A promotoria está me pressionando muito e quando Leila veio me avisar que a letra da carta não batia com a letra do Carrick, eu pedi que ela, Jack e José me ajudassem a fazer com que ele dissesse algo que nos levasse a descobrir a verdadeira identidade do assassino. Porque Carrick devia conhecê-lo, já que as digitais dele estão no envelope.
— Deveria ter me dito isso antes.
— Desculpe. Foi um tiro no escuro que arrisquei e graças a você e ao Christian, conseguimos uma pista do suposto assassino.
— Que bom, mas tenho que ir agora – falei, me levantando.
— Espere, Anastasia! Acho que isto aqui lhe pertence – Hunter disse estendendo meu distintivo e a arma sobre a mesa, peguei ainda indecisa – E não ande por aí falando que vai se demitir, pois uma hora eu vou acreditar – ele murmurou, sorrindo – Tire o resto do dia de folga.
— Tudo bem.

Nenhum comentário:
Postar um comentário