ANASTASIA
— Porque me colocou neste caso? – perguntei assim que nos sentamos.
— Como já disse, quero minha melhor equipe trabalhando para solucioná-lo o mais rápido possível.
— Clarisse Grey era minha tia, Hunter. E se eu ficar envolvida emocionalmente ou atrapalhar o ca...
— Anastasia. Eu confio plenamente em seu trabalho e na sua ética profissional – ele falou, me interrompendo.
— Tudo bem – suspirei – Posso te pedir um pequeno favor?
— Sim.
— Enquanto estiver trabalhando no laboratório pode ficar de olho na minha irmã por mim? – pedi.
— Contanto que ela não apronte, está tudo bem.
— Obrigada, Hunter.
Sai da sala dele e fui para minha. Encontrei Kim sentada na minha cadeira, girando em volta de si mesmo.
— Você vai ficar na sala do Hunter enquanto eu estiver no laboratório – informei.
— Na sala da múmia? Porque não posso ir com você, maninha? Juro que nem vai me notar lá – ela murmurou, fazendo bico, mas se levantando da cadeira.
— Porque o laboratório é uma área restrita apenas para funcionários – falei, segurando a porta para que ela passasse.
— Aquela múmia é muito chata.
— Vê se se comporta garota e não chame o Hunter de múmia.
Ela entrou na sala dele então fui imediatamente para o laboratório, que ficava no segundo andar do prédio, mas encontrei Jack no caminho.
— E aí? Tem novidades sobre o caso? – perguntei.
— Leila está analisando a carta e o envelope, já eu e você vamos até Kenwood – Jack disse e me conduziu para fora do prédio.
— O que vamos fazer em Chicago? – perguntei entrando no carro dele.
— Iremos conversar com a Sra. Fletcher. Ela foi melhor amiga da Sra. Grey e talvez ela nos diga algo de novo, quem sabe – Jack deu partida no carro, não demorando muito e logo entramos na rodovia principal que dava acesso à Chicago.
A conversa com a Sra. Fletcher não deu em nada, ela apenas nos relatou a mesma coisa já mencionada no relatório. Meu celular começou a tocar quando estávamos saindo da casa dela.
— Steele – atendi, era a Leila passando algumas informações sobre o caso – Ok. Obrigada, Leila.
— E aí? O que a ela descobriu? – Jack perguntou assim que desliguei o celular.
— Tanto o papel da carta quanto do envelope datam da época do homicídio e a amostra de tinta obtida vêm de uma caneta específica usada apenas em hospitais e só tem uma empresa que fabrica esse tipo de caneta.
— E qual é? – ele inquiriu ligando o carro.
— Haldings Colle localizada aqui em Kenwood.
Assim que adentramos na fábrica, notei que na recepção havia um quadro onde continha fotos de todos os tipos de canetas produzidas no local.
— Sabe qual caneta estamos procurando? – Jack perguntou.
— É esta aqui – disse, colocando o dedo indicador em cima do desenho.
— Como sabe que é essa?
— Porque eu já vi uma dessa em algum lugar lá em casa.
— Como, se a caneta é só para hospitais? – ele quis saber, mas quando ia responder uma moça apareceu na recepção abrindo uma porta lateral de vidro.
— Bom dia. Desculpem senhores, por não os atender imediatamente. Em que posso ajudá-los?
Antes de respondê-la, li o nome bordado no blazer do seu uniforme.
— Srta. Ling, não é? Somos Investigadores da Polícia de Evanston e gostaríamos de falar com o dono da empresa, ele está?
— Só um segundo – ela pediu e pegou o telefone, segundos depois informou – O Sr. Haldings irá recebê-los, venham comigo, por favor.
A seguimos até uma porta de mogno envernizado onde havia uma placa dizendo: HALDINGS, WOLTER.
— Podem entrar – escutamos uma voz grave e forte do lado de dentro do escritório, assim que entramos pude constatar que o mesmo era bem moderno chegando a contrastar com a fachada rústica da fábrica – Em que posso ser útil, policiais? – disse o Sr. Haldings virando um pouco a cadeira para nos encarar.
— Sou o Detetive Hyde e esta é a Detetive Steele, somos da Polícia de Evanston – informou Jack enquanto apertávamos a mão dele – Estamos investigando um homicídio em nossa cidade e uma de suas canetas específicas para uso hospitalar foi usada em uma de nossas evidências. Gostaríamos que o senhor cooperasse e nos dissesse para quais hospitais vocês forneceram este tipo de caneta a doze anos atrás.
— Nesta época em questão era meu pai que estava à frente da nossa fábrica, mas verei o que posso fazer, só um minuto – ele pediu e pegou o telefone chamando sua secretária.
Dez minutos depois, ela apareceu com uma pasta preta na mão e entregou para o Sr. Haldings.
— Apenas um hospital recebeu este tipo de caneta naquele ano, foi o Thorek Memorial Hospital daqui de Chicago – ele disse, me entregando uma folha de registro.
“Aquele era o hospital onde meu tio trabalhava” pensei.
— Obrigada pela sua cooperação – Jack agradeceu e saímos da fábrica.
Liguei para Leila enquanto saíamos de prédio.
— Williams falando! – ela atendeu no terceiro toque.
— Oi, Leila, já terminou de examinar a nova evidência?
— Estou finalizando. Encontrei algumas digitais parciais nos lados do envelope e um pouco de amostra de DNA na saliva usada para fechar o envelope. Estou esperando os resultados da análise.
— Assim que obtiver mais informações nos avise e não se esqueça de também comunicar o Hunter – pedi e complementei – Estamos à caminho de Evanston, mas enquanto não chegamos, quero que você ligue para o Thorek Memorial Hospital e pergunte quantos médicos receberam a tal caneta específica para uso hospitalar.
— Ok – ela respondeu e desligou.
— Leila achou algumas digitais parciais e um pouco de DNA no envelope – informei ao Jack.
— Isso é ótimo! Então... já que temos alguns minutos de percurso a sós...
— Nem vem que não tem.
— O quê? – ele me olhou, confuso.
— Não vou fazer sexo oral em você.
— Eu não penso só em sexo, sabia?
— É claro não – debochei e ele ficou com raiva – Ok, termina o que você ia falar.
— Posso te fazer uma pergunta?
— Já está me fazendo uma.
Ri e ele me deu um murro no braço. Às vezes, o Jack era meio crianção.
— Pergunta logo o que você quer saber, peste! – exclamei, massageando o local do soco.
— O que está rolando entre você e o “senhor certinho”?
— Ah, não! Esse assunto de novo não, né?
— Ah, sim. Quero saber de tudo.
— Como você quer saber de tudo se eu não me lembro de nada. Ah... você me fez lembrar uma coisa.
— O quê? Conta logo.
— Você ficou com a loira de vestido estilo vadia?
— Fiquei e ela era bem gostosa, mas não muda o foco da conversa, mocinha. Me conta o que houve naquela boate.
— A única coisa que sei é que hoje acordei nua no quarto dele.
— Então vocês fizeram sexo?
— Já disse que não lembro e, por favor, vamos parar de falar nesse assunto, porque isso é passado. E passado para mim tem que ficar enterrado.
— Mas às vezes ele volta para te atormentar, Ana.
Me recostei no banco e não sei porque, mas aquelas palavras do Jack me fizeram tremer por dentro.
— Porque me colocou neste caso? – perguntei assim que nos sentamos.
— Como já disse, quero minha melhor equipe trabalhando para solucioná-lo o mais rápido possível.
— Clarisse Grey era minha tia, Hunter. E se eu ficar envolvida emocionalmente ou atrapalhar o ca...
— Anastasia. Eu confio plenamente em seu trabalho e na sua ética profissional – ele falou, me interrompendo.
— Tudo bem – suspirei – Posso te pedir um pequeno favor?
— Sim.
— Enquanto estiver trabalhando no laboratório pode ficar de olho na minha irmã por mim? – pedi.
— Contanto que ela não apronte, está tudo bem.
— Obrigada, Hunter.
Sai da sala dele e fui para minha. Encontrei Kim sentada na minha cadeira, girando em volta de si mesmo.
— Você vai ficar na sala do Hunter enquanto eu estiver no laboratório – informei.
— Na sala da múmia? Porque não posso ir com você, maninha? Juro que nem vai me notar lá – ela murmurou, fazendo bico, mas se levantando da cadeira.
— Porque o laboratório é uma área restrita apenas para funcionários – falei, segurando a porta para que ela passasse.
— Aquela múmia é muito chata.
— Vê se se comporta garota e não chame o Hunter de múmia.
Ela entrou na sala dele então fui imediatamente para o laboratório, que ficava no segundo andar do prédio, mas encontrei Jack no caminho.
— E aí? Tem novidades sobre o caso? – perguntei.
— Leila está analisando a carta e o envelope, já eu e você vamos até Kenwood – Jack disse e me conduziu para fora do prédio.
— O que vamos fazer em Chicago? – perguntei entrando no carro dele.
— Iremos conversar com a Sra. Fletcher. Ela foi melhor amiga da Sra. Grey e talvez ela nos diga algo de novo, quem sabe – Jack deu partida no carro, não demorando muito e logo entramos na rodovia principal que dava acesso à Chicago.
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A conversa com a Sra. Fletcher não deu em nada, ela apenas nos relatou a mesma coisa já mencionada no relatório. Meu celular começou a tocar quando estávamos saindo da casa dela.
— Steele – atendi, era a Leila passando algumas informações sobre o caso – Ok. Obrigada, Leila.
— E aí? O que a ela descobriu? – Jack perguntou assim que desliguei o celular.
— Tanto o papel da carta quanto do envelope datam da época do homicídio e a amostra de tinta obtida vêm de uma caneta específica usada apenas em hospitais e só tem uma empresa que fabrica esse tipo de caneta.
— E qual é? – ele inquiriu ligando o carro.
— Haldings Colle localizada aqui em Kenwood.
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Assim que adentramos na fábrica, notei que na recepção havia um quadro onde continha fotos de todos os tipos de canetas produzidas no local.
— Sabe qual caneta estamos procurando? – Jack perguntou.
— É esta aqui – disse, colocando o dedo indicador em cima do desenho.
— Como sabe que é essa?
— Porque eu já vi uma dessa em algum lugar lá em casa.
— Como, se a caneta é só para hospitais? – ele quis saber, mas quando ia responder uma moça apareceu na recepção abrindo uma porta lateral de vidro.
— Bom dia. Desculpem senhores, por não os atender imediatamente. Em que posso ajudá-los?
Antes de respondê-la, li o nome bordado no blazer do seu uniforme.
— Srta. Ling, não é? Somos Investigadores da Polícia de Evanston e gostaríamos de falar com o dono da empresa, ele está?
— Só um segundo – ela pediu e pegou o telefone, segundos depois informou – O Sr. Haldings irá recebê-los, venham comigo, por favor.
A seguimos até uma porta de mogno envernizado onde havia uma placa dizendo: HALDINGS, WOLTER.
— Podem entrar – escutamos uma voz grave e forte do lado de dentro do escritório, assim que entramos pude constatar que o mesmo era bem moderno chegando a contrastar com a fachada rústica da fábrica – Em que posso ser útil, policiais? – disse o Sr. Haldings virando um pouco a cadeira para nos encarar.
— Sou o Detetive Hyde e esta é a Detetive Steele, somos da Polícia de Evanston – informou Jack enquanto apertávamos a mão dele – Estamos investigando um homicídio em nossa cidade e uma de suas canetas específicas para uso hospitalar foi usada em uma de nossas evidências. Gostaríamos que o senhor cooperasse e nos dissesse para quais hospitais vocês forneceram este tipo de caneta a doze anos atrás.
— Nesta época em questão era meu pai que estava à frente da nossa fábrica, mas verei o que posso fazer, só um minuto – ele pediu e pegou o telefone chamando sua secretária.
Dez minutos depois, ela apareceu com uma pasta preta na mão e entregou para o Sr. Haldings.
— Apenas um hospital recebeu este tipo de caneta naquele ano, foi o Thorek Memorial Hospital daqui de Chicago – ele disse, me entregando uma folha de registro.
“Aquele era o hospital onde meu tio trabalhava” pensei.
— Obrigada pela sua cooperação – Jack agradeceu e saímos da fábrica.
Liguei para Leila enquanto saíamos de prédio.
— Williams falando! – ela atendeu no terceiro toque.
— Oi, Leila, já terminou de examinar a nova evidência?
— Estou finalizando. Encontrei algumas digitais parciais nos lados do envelope e um pouco de amostra de DNA na saliva usada para fechar o envelope. Estou esperando os resultados da análise.
— Assim que obtiver mais informações nos avise e não se esqueça de também comunicar o Hunter – pedi e complementei – Estamos à caminho de Evanston, mas enquanto não chegamos, quero que você ligue para o Thorek Memorial Hospital e pergunte quantos médicos receberam a tal caneta específica para uso hospitalar.
— Ok – ela respondeu e desligou.
— Leila achou algumas digitais parciais e um pouco de DNA no envelope – informei ao Jack.
— Isso é ótimo! Então... já que temos alguns minutos de percurso a sós...
— Nem vem que não tem.
— O quê? – ele me olhou, confuso.
— Não vou fazer sexo oral em você.
— Eu não penso só em sexo, sabia?
— É claro não – debochei e ele ficou com raiva – Ok, termina o que você ia falar.
— Posso te fazer uma pergunta?
— Já está me fazendo uma.
Ri e ele me deu um murro no braço. Às vezes, o Jack era meio crianção.
— Pergunta logo o que você quer saber, peste! – exclamei, massageando o local do soco.
— O que está rolando entre você e o “senhor certinho”?
— Ah, não! Esse assunto de novo não, né?
— Ah, sim. Quero saber de tudo.
— Como você quer saber de tudo se eu não me lembro de nada. Ah... você me fez lembrar uma coisa.
— O quê? Conta logo.
— Você ficou com a loira de vestido estilo vadia?
— Fiquei e ela era bem gostosa, mas não muda o foco da conversa, mocinha. Me conta o que houve naquela boate.
— A única coisa que sei é que hoje acordei nua no quarto dele.
— Então vocês fizeram sexo?
— Já disse que não lembro e, por favor, vamos parar de falar nesse assunto, porque isso é passado. E passado para mim tem que ficar enterrado.
— Mas às vezes ele volta para te atormentar, Ana.
Me recostei no banco e não sei porque, mas aquelas palavras do Jack me fizeram tremer por dentro.

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