ANASTASIA
Assim que entrei no Departamento de Polícia de Evanston, onde trabalho como investigadora criminal, ouvi Jack gritar por mim e esperei ele se aproximar. O mesmo estava bem elegante e bastante sexy em um terno preto, com certeza aquilo tudo era só para impressionar a Mia.
— Pode falar um pouco mais baixo? Estou de ressaca – sussurrei quando ele parou a minha frente.
— Pois eu nem estou – ele zombou, abotoando os dois botões de seu paletó.
— É cínico mesmo.
— Bom dia, Ana – disse Jack, com o tom de voz mais baixo, beijando meu rosto – Bom dia, Kim. Já foi pega de novo por andar dirigindo bêbada? – ele perguntou, sorrindo.
— Não, seu chato.
— Hoje é dia de ir para o trabalho dos pais no colégio dela – expliquei à medida que começávamos a andar pelo enorme corredor.
— Ainda existe esse tipo de coisa nas escolas? – Jack indagou, rindo.
— Infelizmente, mas entre ficar numa sala de aula ouvindo um professor chato tentar ensinar algo e vim para o departamento, eu prefiro mil vezes estar aqui.
Assim que adentramos minha sala, joguei a bolsa na cadeira.
— Jack, sabia que a Aninha e o Christian transaram ontem?
— Sério? – ele exclamou chocado.
“Às vezes tenho vontade de esganar minha irmã. Mas peraí como ela sabe?” pensei.
— Como você sabe disso, Kim, já que passou a noite toda fora? – perguntei.
— A Nory me contou o babado.
— Me conta direito essa história, Ana. Desde quando você e o “senhor certinho” estão namorando?
— Ah, faça-me o favor! Eu e o traste do Christian nos odiamos desde criança.
— Não foi o que a Nory me disse.
— Fica quieta, monstrinha. E Jack, vamos falar de trabalho, ok.? O que você queria comigo?
— Ah é... A Mia está nos esperando na Sala de Autópsias.
— Qual é o caso?
— Vítimas de um homicídio próximo ao Dawes Park – ele me informou.
— Legal! – exclamou minha irmã.
— Promete se comportar?
— Prometo – Kim murmurou, animada.
— Vamos – Jack falou, já no corredor, indo em direção do elevador, pois a Sala de Autópsias ficava no subsolo.
— Bom dia, Mia – a cumprimentamos, assim que entramos na enorme sala.
Todas as oito mesas estavam ocupadas com corpos que pareciam ainda estar esperando por autópsia. Com certeza, aquele dia ia ser muito corrido para Mia.
Ela fez um sinal para que esperássemos enquanto terminava de falar com sua irmã Leila, que estava um pouco curvada olhando o corpo de uma jovem. Mia se afastou entrando em seu escritório e Leila aproveitou para vir nos cumprimentar.
— Oi, gente. Bom dia!
— Bom dia, Leila. Qual é o seu caso? – perguntei, indicando com a cabeça a jovem em cima da mesa.
— Vítima de espancamento “post mortem” para encobrir a verdadeira causa da morte, um tiro certeiro na nuca.
— Legal, posso ver? – Kim pediu então a encarei com um olhar reprovativo – Quieta no meu canto, entendi.
— Aqui está o projétil que retirei da sua vítima – Mia falou, parando ao lado dela, entregando um saco de evidência contendo o resto de uma bala de calibre 32.
Leila agradeceu, se despedindo da gente e saiu.
— Então o que tem para nós? – Jack perguntou à Mia, dando-lhe uma piscada de olho, e a mesma o ignorou totalmente, já se virando para mim.
— Homem, por volta dos 27 anos, baleado à queima roupa. O tiro entrou e saiu do corpo.
— Estilo execução, maneiro – minha irmã disse, tentando tirar uma foto.
— Se você não guardar essa merda de celular, nunca mais te trago aqui – ameacei e Kim, guardou o aparelho, na mesma hora – Continue, Mia.
— O casal foi amarrado ou coisa parecida? – ela perguntou.
— Eles foram encontrados na sala do apartamento e ambos estavam amarrados em cadeiras, um de frente para o outro – Jack informou.
— Isso explica as escoriações nos pulsos, pés e ao redor do corpo...
À medida que falava, Mia ia nos mostrando os locais das lesões no corpo do homem. Depois ela foi até o seu escritório e voltou com algumas chapas de raio X.
— Esses raios X são da outra vítima. Mulher, por volta dos 25 anos. Olhem isso.
— Múltiplas fraturas no crânio, costelas quebradas, rádio trincado e fêmur quebrado – eu disse enquanto ela apontava para as chapas de raios X colocadas no quadro de luz a nossa frente – Nossa, essa moça foi espancada até a morte.
— Sim e há sinais também de que em algum momento da tortura, ela tenha sido brutalmente violentada com algum tipo de objeto. Já mandei as digitais de ambos para análise para obtermos suas identidades – Mia nos informava quando nossos bipes começaram a apitar.
Era uma mensagem do Hunter, nosso chefe, para irmos com urgência até a sala de reunião e imediatamente corremos para lá.
Encontramos Hunter ao telefone então nos sentamos à mesa esperando que ele acabasse.
Com certeza, era a Promotoria pegando no pé dele de novo. Como sei? Pelos sinais é claro: Gravata sobre a mesa, paletó desabotoado, camisa com os dois primeiros botões abertos e por fim o repetitivo movimento de passar a mão pelo cabelo.
Se ele está falando com a Promotoria e nos chamou aqui é porque o assunto é sério. Segundos depois, Leila também entrou na sala e se sentou ao lado do Jack. Quando Hunter desligou o aparelho, olhou para minha irmã que estava num canto da sala, concentrada mexendo em seu Iphone e depois me encarou.
— Dia de ir para o trabalho dos pais – expliquei antes que ele falasse alguma coisa – Mas o que houve, Hunter? – perguntei mudando de assunto rapidamente.
— Estávamos no meio de um caso quando você nos bipou – murmurou Jack.
— Primeiramente, bom dia a todos e não se preocupem com seus casos, pois já determinei outros investigadores para cuidarem deles. Estamos com um caso muito mais importante em nossas mãos – informou Hunter, colocando uma caixa em cima da mesa.
Li a etiqueta de identificação e fiquei em choque. Nela havia o nome GREY, CLARISSE e mais abaixo possuía o carimbo de ARQUIVADO SEM CONCLUSÃO.
— Porque vamos investigar um caso já arquivado? – Leila perguntou assim que Hunter entregou uma pasta para cada um de nós.
— Por acaso surgiu alguma pista nova?
— Sim, Jack. Por isso que bipei vocês três – Hunter falava enquanto eu dava uma olhada no relatório contido na pasta – Quero minha melhor equipe de investigadores para solucionarmos este caso, pois acabo de falar com a Promotoria e eles nos deram um prazo de dois dias para concluirmos tudo.
— Peraí... dois dias? Está de brincadeira, não é Hunter? Segundo isto – joguei a pasta sobre a mesa – Este caso ficou seis meses sob investigação e foi arquivado sem provas suficientes para acharem o culpado. Porque acha que vamos solucioná-lo em apenas dois míseros dias? – perguntei, encarando-o.
Neste momento, um dos detetives do departamento entrou na sala e entregou dois sacos de evidência, contendo num deles um papel meio amarelado e no outro um envelope.
— Porque temos isto. Esta é a nova evidência para ser analisada. É uma carta supostamente escrita a punho pelo assassino. Nela ele relata em detalhes de como praticou o homicídio. Aqui está a caixa e espero ficar a par do andamento do caso – disse Hunter, finalizando a reunião.
— Hunter posso falar com você um minuto? – pedi e ele assentiu.
Fomos até a sala dele que ficava próxima da minha, mas antes de entrar, pedi a Kim que me esperasse na minha sala.
Assim que entrei no Departamento de Polícia de Evanston, onde trabalho como investigadora criminal, ouvi Jack gritar por mim e esperei ele se aproximar. O mesmo estava bem elegante e bastante sexy em um terno preto, com certeza aquilo tudo era só para impressionar a Mia.
— Pode falar um pouco mais baixo? Estou de ressaca – sussurrei quando ele parou a minha frente.
— Pois eu nem estou – ele zombou, abotoando os dois botões de seu paletó.
— É cínico mesmo.
— Bom dia, Ana – disse Jack, com o tom de voz mais baixo, beijando meu rosto – Bom dia, Kim. Já foi pega de novo por andar dirigindo bêbada? – ele perguntou, sorrindo.
— Não, seu chato.
— Hoje é dia de ir para o trabalho dos pais no colégio dela – expliquei à medida que começávamos a andar pelo enorme corredor.
— Ainda existe esse tipo de coisa nas escolas? – Jack indagou, rindo.
— Infelizmente, mas entre ficar numa sala de aula ouvindo um professor chato tentar ensinar algo e vim para o departamento, eu prefiro mil vezes estar aqui.
Assim que adentramos minha sala, joguei a bolsa na cadeira.
— Jack, sabia que a Aninha e o Christian transaram ontem?
— Sério? – ele exclamou chocado.
“Às vezes tenho vontade de esganar minha irmã. Mas peraí como ela sabe?” pensei.
— Como você sabe disso, Kim, já que passou a noite toda fora? – perguntei.
— A Nory me contou o babado.
— Me conta direito essa história, Ana. Desde quando você e o “senhor certinho” estão namorando?
— Ah, faça-me o favor! Eu e o traste do Christian nos odiamos desde criança.
— Não foi o que a Nory me disse.
— Fica quieta, monstrinha. E Jack, vamos falar de trabalho, ok.? O que você queria comigo?
— Ah é... A Mia está nos esperando na Sala de Autópsias.
— Qual é o caso?
— Vítimas de um homicídio próximo ao Dawes Park – ele me informou.
— Legal! – exclamou minha irmã.
— Promete se comportar?
— Prometo – Kim murmurou, animada.
— Vamos – Jack falou, já no corredor, indo em direção do elevador, pois a Sala de Autópsias ficava no subsolo.
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— Bom dia, Mia – a cumprimentamos, assim que entramos na enorme sala.
Todas as oito mesas estavam ocupadas com corpos que pareciam ainda estar esperando por autópsia. Com certeza, aquele dia ia ser muito corrido para Mia.
Ela fez um sinal para que esperássemos enquanto terminava de falar com sua irmã Leila, que estava um pouco curvada olhando o corpo de uma jovem. Mia se afastou entrando em seu escritório e Leila aproveitou para vir nos cumprimentar.
— Oi, gente. Bom dia!
— Bom dia, Leila. Qual é o seu caso? – perguntei, indicando com a cabeça a jovem em cima da mesa.
— Vítima de espancamento “post mortem” para encobrir a verdadeira causa da morte, um tiro certeiro na nuca.
— Legal, posso ver? – Kim pediu então a encarei com um olhar reprovativo – Quieta no meu canto, entendi.
— Aqui está o projétil que retirei da sua vítima – Mia falou, parando ao lado dela, entregando um saco de evidência contendo o resto de uma bala de calibre 32.
Leila agradeceu, se despedindo da gente e saiu.
— Então o que tem para nós? – Jack perguntou à Mia, dando-lhe uma piscada de olho, e a mesma o ignorou totalmente, já se virando para mim.
— Homem, por volta dos 27 anos, baleado à queima roupa. O tiro entrou e saiu do corpo.
— Estilo execução, maneiro – minha irmã disse, tentando tirar uma foto.
— Se você não guardar essa merda de celular, nunca mais te trago aqui – ameacei e Kim, guardou o aparelho, na mesma hora – Continue, Mia.
— O casal foi amarrado ou coisa parecida? – ela perguntou.
— Eles foram encontrados na sala do apartamento e ambos estavam amarrados em cadeiras, um de frente para o outro – Jack informou.
— Isso explica as escoriações nos pulsos, pés e ao redor do corpo...
À medida que falava, Mia ia nos mostrando os locais das lesões no corpo do homem. Depois ela foi até o seu escritório e voltou com algumas chapas de raio X.
— Esses raios X são da outra vítima. Mulher, por volta dos 25 anos. Olhem isso.
— Múltiplas fraturas no crânio, costelas quebradas, rádio trincado e fêmur quebrado – eu disse enquanto ela apontava para as chapas de raios X colocadas no quadro de luz a nossa frente – Nossa, essa moça foi espancada até a morte.
— Sim e há sinais também de que em algum momento da tortura, ela tenha sido brutalmente violentada com algum tipo de objeto. Já mandei as digitais de ambos para análise para obtermos suas identidades – Mia nos informava quando nossos bipes começaram a apitar.
Era uma mensagem do Hunter, nosso chefe, para irmos com urgência até a sala de reunião e imediatamente corremos para lá.
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Encontramos Hunter ao telefone então nos sentamos à mesa esperando que ele acabasse.
Com certeza, era a Promotoria pegando no pé dele de novo. Como sei? Pelos sinais é claro: Gravata sobre a mesa, paletó desabotoado, camisa com os dois primeiros botões abertos e por fim o repetitivo movimento de passar a mão pelo cabelo.
Se ele está falando com a Promotoria e nos chamou aqui é porque o assunto é sério. Segundos depois, Leila também entrou na sala e se sentou ao lado do Jack. Quando Hunter desligou o aparelho, olhou para minha irmã que estava num canto da sala, concentrada mexendo em seu Iphone e depois me encarou.
— Dia de ir para o trabalho dos pais – expliquei antes que ele falasse alguma coisa – Mas o que houve, Hunter? – perguntei mudando de assunto rapidamente.
— Estávamos no meio de um caso quando você nos bipou – murmurou Jack.
— Primeiramente, bom dia a todos e não se preocupem com seus casos, pois já determinei outros investigadores para cuidarem deles. Estamos com um caso muito mais importante em nossas mãos – informou Hunter, colocando uma caixa em cima da mesa.
Li a etiqueta de identificação e fiquei em choque. Nela havia o nome GREY, CLARISSE e mais abaixo possuía o carimbo de ARQUIVADO SEM CONCLUSÃO.
— Porque vamos investigar um caso já arquivado? – Leila perguntou assim que Hunter entregou uma pasta para cada um de nós.
— Por acaso surgiu alguma pista nova?
— Sim, Jack. Por isso que bipei vocês três – Hunter falava enquanto eu dava uma olhada no relatório contido na pasta – Quero minha melhor equipe de investigadores para solucionarmos este caso, pois acabo de falar com a Promotoria e eles nos deram um prazo de dois dias para concluirmos tudo.
— Peraí... dois dias? Está de brincadeira, não é Hunter? Segundo isto – joguei a pasta sobre a mesa – Este caso ficou seis meses sob investigação e foi arquivado sem provas suficientes para acharem o culpado. Porque acha que vamos solucioná-lo em apenas dois míseros dias? – perguntei, encarando-o.
Neste momento, um dos detetives do departamento entrou na sala e entregou dois sacos de evidência, contendo num deles um papel meio amarelado e no outro um envelope.
— Porque temos isto. Esta é a nova evidência para ser analisada. É uma carta supostamente escrita a punho pelo assassino. Nela ele relata em detalhes de como praticou o homicídio. Aqui está a caixa e espero ficar a par do andamento do caso – disse Hunter, finalizando a reunião.
— Hunter posso falar com você um minuto? – pedi e ele assentiu.
Fomos até a sala dele que ficava próxima da minha, mas antes de entrar, pedi a Kim que me esperasse na minha sala.

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