sábado, 28 de março de 2020

Sussurros de um Crime - Capítulo 09


ANASTASIA

Minutos depois a porta foi aberta, mas apenas a cabeça do Christian apareceu.

— Oi, Ana, feche os olhos – ele pediu então suspirei e coloquei minha mão esquerda no rosto tampando minha visão – Se alguém disser o que é antes dela abrir os olhos, juro que acabo com a raça dessa pessoa – o ouvi ameaçar.

Comecei a ouvir suspiros e risos, depois um “Ai que fofo!” vindo da Nory. De repente senti um peso um pouco leve sobre minhas pernas.


O que diabos será isso?
Nada de pânico...


— Pode abrir os olhos agora – Christian falou próximo a mim então o fiz.

Olhei abismada para a coisa sentada nas minhas pernas. Christian estava segurando a cabeça do bicho com uma das mãos enquanto que a outra se encontrava atrás de sua costa.

— E aí, gostou?

Lentamente fechei a boca, me recompondo do choque inicial e a muito custo dei um sorriso.

— Aí que fofo – repeti as palavras da Nory enquanto acariciava o bicho – Amei o ursinho de pelúcia, Christian.


Ursinho? Aquilo não era um ursinho, era
um urso de pelúcia enorme.
Não exagera garota.
Tá legal. Exagerei um pouquinho. Ele era
médio, mas por que diabos o Christian me
deu um urso de pelúcia?
Namorados fazem isso.
Mas eu detesto este tipo de coisa.


— Tem mais uma coisa para você.

— Mais?


Meu Deus! O que será agora?
Aposto em caixa de chocolate.


— Isso também é para você – Christian deu um meio sorriso tirando sua mão de trás das costas revelando assim a outra coisa.


Isso...
Bem romântico. Christian é um fofo.
Não tem graça.


— Um buquê de rosas... Você é um amor, Christian.

Sorri pegando o buquê das mãos dele. Christian se inclinou e me deu um meio abraço sussurrando um “Você está indo bem” no meu ouvido.


Bem uma pinoia.
Se controla, garota.
Eu quero mesmo é pegar esse buquê e socar
goela abaixo no Christian, depois decapitar
esse urso de pelúcia infeliz.


— Podem nos deixar a sós, por favor – pedi aos outros que apenas observavam a cena.

Nory e Kate estavam com cara de gente besta e apaixonada. Tio Carrick e Behati totalmente surpresos. Elliot tentava controlar o riso. Já Kim e Nick pareciam indiferente com tudo aquilo.

— Transar no hospital deve ser muito excitante.

Ignorei o comentário idiota do Elliot.

— Como se sente? – Christian perguntou se sentando na beirada da cama enquanto os outros saiam do quarto.

— Meu ombro dói um pouco.

Christian jogou o urso no chão depois fez o mesmo com o buquê.

— Desculpe. Sei que odeia essas frescuras de romantismo, mas foi a única ideia que me passou pela cabeça.

— Tudo bem, mas você sabe de que esse teatrinho todo vai sair bem caro.

— É, estou ciente disso – ele falou rindo e eu acabei rindo também, segundos depois paramos de sorrir e Christian pegou na minha mão – Pensei que você ia morrer ontem.

— Não se preocupe. Eu sou dura de matar. E mesmo se eu tivesse morrido, você não se livraria de mim tão facilmente, pois eu voltaria dos mortos apenas para puxar seu pé durante a noite.

— Credo, Anastasia.

Gargalhei pela careta que ele fez então resolvi mudar de assunto.

— E o pessoal do departamento, vieram me ver?

— Só o José e a Leila apareceram na hora do almoço.

— Tem uma coisa que ainda não estou entendo... é como o Hunter soube que meu pai estava na mansão?

— Parece que a Kim estava mexendo escondido no celular e quando o pai de vocês entrou na sala de refeições armado, ela ligou para o Hunter e deixou a chamada acontecendo enquanto o tio Raymond nos ameaçava.

— Inteligente aquela garota. Acho que vou dá um carro de presente para ela.

— Tem certeza?

— Tenho. Ela merece.


★ ★ ★ ★ ★


No sábado por volta das quatro e meia da tarde o médico veio me avaliar e eu acabei recebendo alta. Por dentro meu ombro já estava quase sarado e por fora apenas uma pequena cicatriz revelava o local onde a bala havia penetrado.

Consegui vesti a roupa que meu tio havia deixado para mim antes dele entrar na sala de cirurgia, depois passei uma mensagem para o Christian pedindo que quando ele saísse do trabalho era para me buscar no hospital.


★ ★ ★ ★ ★


Estava sentada no sofá assistindo ao jornal local tentando saber notícias sobre meu pai quando Behati entrou no quarto de mãos dadas com Nick.

— O que vocês estão fazendo aqui? – indaguei.

— Ligaram para a mansão avisando sobre sua alta então viemos te buscar.

— Não precisava, irmã.

Mas ela nem me deu ouvidos e saiu me puxando para fora do quarto enquanto mandava o Nick pegar o urso de pelúcia. Quando chegamos ao estacionamento, dei graças a Deus por ver Christian descendo do seu carro e vindo até nós.

— Desculpe irmã, mas não precisava vocês ter vindo me buscar porque já tinha pedido para o Christian fazer isso – falei abraçando o infeliz de lado.

— Oi, gente.

Behati deu um sorriso forçado.

— Ei Christian, que tal marcarmos de sair qualquer dia desses em casais. Eu e a minha bonequinha aqui, você e minha cunhadinha, seu irmão e a namorada dele. O que acha? – Nick propôs.


Diz que não, seu infeliz.
O Christian não ler mentes, garota...
Vai se lascar, sua chata!


— É vamos marcar um dia – ele disse para o meu desânimo.

Nick e Behati se despediram dizendo que iam para uma festa e foram embora. Christian jogou o urso no banco de trás do carro e logo nós também estávamos saindo do estacionamento do hospital.

— Sabe alguma notícia do Raymond?

— Segundo o que Hunter nos informou, Raymond confessou ter matado minha mãe, mas ele alegou ter sido acidental.

Percebi Christian apertar forte o volante enquanto seu queixo se enrijecia.

— Christian?

— Eu estou bem – ele disse suavizando tanto o aperto contra o volante quanto sua expressão facial – Seu pai...

— Foi transferido para o presídio em Chicago para esperar o julgamento – o interrompi.

— Como sabe?

— Procedimento padrão do departamento. Quando um suspeito confessa um crime, nós o mandamos para o Presídio Estadual em Chicago onde ele esperará seu julgamento já que aqui em Evanston ainda não temos um sistema penitenciário capaz de suportar nossa demanda.

Enquanto nós passávamos em frente de a casa da Sra. Marks, eu tive uma ideia.

— Para o carro.

— O quê?

— Para esse carro agora – mandei e ele freou.

Desci, peguei o urso de pelúcia no banco de trás e fui até a varanda onde havia um casal em meio a beijos e amassos. Pigarreei até conseguir chamar a atenção deles.

— Entrega especial para Milly Marks – falei entregando o urso para a neta da Sra. Marks.

— Quem mandou?

— Aquele rapaz ali – disse apontando para o namorado dela – Infelizmente não pude entregar mais cedo, mas antes tarde do que nunca, não é?

— Claro e obrigado – disse o rapaz sorrindo.

Dei boa noite aos dois e voltei para o carro. Finalmente havia conseguido me livrar daquela coisa melosa.

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