sexta-feira, 27 de março de 2020

Paciente 69 - Capítulo 15


MEMORIAL UNIVERSITY MEDICAL CENTER

CHRISTIAN

Lentamente fui despertando e logo percebi vozes perto de mim.

— Seu pai deve tá meio sonolento, mas você pode falar com ele se quiser, meu amorzinho – era a voz do meu anjo, então virei o rosto para o outro lado e logo Ana e Teddy entraram no meu campo de visão enquanto eu tentava manter meus olhos abertos.

— Tudo bem, mamãe. Oi, papai.

— Oi, filho... – murmurei, fazendo um careta ao sentir tanto minha boca quanto minha garganta, secas.

Como se Anastasia soubesse, ela sorriu para mim, já informando que iria pegar um pouco de água para passar a minha sede. Agradeci com um sorriso, vendo a mesma sair do quarto, em seguida.

— Tá se... comportando ainda... filho?

— Sim, papai – Theodore disse, sentadinho na beirada da cama, já começando a me contar sobre a agulhada que ele tinha levado hoje cedo.

Gradativamente, fui me deixando levar pelo som da voz do meu filho, adormecendo.

— Teddy, cuidado com a barriga do seu pai – escutei a voz da Ana, fazendo com que eu abrisse novamente os olhos.

— Desculpe, mamãe.

— Desculpa, filho... O papai tá... com muito sono...

— É da anestesia misturada ao remédio para dor, amor. Já já você estará mais desperto. Tome. Beba devagar, meu amor – Anastasia pediu, aproximando da minha boca, um copo com canudinho.

Em goles pequenos e lentos, fui saciando minha sede com a água, que se encontrava meio fria.


★ ★ ★ ★ ★


Como Ana havia dito, depois de alguns minutos, eu estava mais atento às coisas que aconteciam ao meu redor. Ela então me informou que havia conseguido um apartamento de três quartos, no mesmo prédio que a mesma morava, para que nós três pudéssemos ir morar após a minha alta.

— Papai, eu quero ser como a mamãe – anunciou Theodore, de repente.

— Um enfermeiro, filho? – inquiri, sorrindo, olhando para Anastasia, que sorria também, fazendo carinho no cabelo de Teddy.

— Sim. Quero poder ajudar e cuidar dos outros, igual a mamãe faz aqui.

— Eu acho muito lindo da sua parte, você pensar assim, meu filho. Mas só que você vai ter que estudar bastante e o senhor não gosta de estudar, rapazinho – comentei, cutucando-lhe a barriga, fazendo ele dar uma gargalhada gostosa.

— Eu vou estudar, papai. Prometo.

— Vai também parar de fingir que está com dor de barriga para tentar não ir à escola? – indaguei, pois Theodore tinha essa mania desde o jardim de infância – Até porque sua mãe sabe quando alguém está doente de verdade ou está mentindo – ressaltei, fazendo Teddy encarar a Ana.

— Verdade, mamãe?

— Isso mesmo, meu amorzinho. Você não vai conseguir passar a perna em mim.

— Poxa vida! – ele exclamou, fazendo um bico, o que fez a gente rir.


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DUAS SEMANAS DEPOIS

Hoje, finalmente, eu iria poder ir para minha nova casa com a minha nova família. Eu já não aguentava mais ficar ali no hospital e graças a Deus, a cicatrização dos enxertos estavam acontecendo muito bem, mais rápido até que o previsto pelo Dr. Trevelyan.

Ontem Anastasia havia recebido o resultado do teste de DNA e veio me informar que o mesmo tinha dado positivo. Novamente, Ana me garantiu que nem ela e nem Jack iriam tomar judicialmente o Theodore de mim.

Me tranquilizei com relação a isso, porque eu confiava na Anastasia, mesmo que lá no fundo do meu interior a dúvida e o medo ainda existisse.

— Ansioso para ir para nossa casa, amor? – indagou Ana, assim que eu saí do banheiro, vestido na roupa que a mesma tinha trazido para mim.

Segundo Anastasia, ela e Teddy tinham ido fazer compras no início da semana e a mesma tentou comprar algumas roupas que poderiam me servir por enquanto, porque Ana ia comigo comprar mais roupas à medida que eu fosse voltando ao meu peso normal.

— Que gato. Fiu fiu! – ela exclamou, sorrindo, vindo me abraçar.

— Não estou gato, amor. Estou parecendo mais um esqueleto isso sim – resmunguei, pois eu tinha perdido muito peso ao longo do tempo que havia ficado internado aqui.

— O esqueleto mais gato que eu já vi – Anastasia sussurrou, me dando um beijo, interrompido segundos depois pela chegada do cirurgião plástico.

— Se não quiser ir embora, eu posso voltar depois – ele disse, em tom de brincadeira, fazendo a gente rir.

— Não, doutor. Eu quero ir embora logo.

— Tudo bem. Deite na cama para que eu possa ver como está sua barriga.

Assenti, já me desvencilhando da Ana e indo fazer o que o Dr. Trevelyan tinha mandado. Ele elogiou novamente a minha recuperação e disse que dentro de uma semana eu já poderia voltar às atividades normais, incluindo trabalho, atividades físicas e sexo.

— Não se preocupe, doutor. O senhor não está falando com uma criança – garanti, ajeitando minha blusa, pegando em seguida o atestado médico para que eu levasse ao meu trabalho e visse se ainda tinha meu emprego garantido depois de quase três meses afastado.

— Não. Estou falando com um homem que começou a namorar a enfermeira mais gata desse hospital e que com certeza está louco querendo aproveitar para dar uns amassos nela assim que sair daqui – ele disse, piscando para mim, que fiquei um pouco sem graça à medida que Anastasia segurava uma risada.

Após o cirurgião me dar uma receita contendo um remédio para dor, caso eu sentisse alguma nos próximos dias, ele me liberou, saindo do quarto.

— Estou pronto para recomeçar a minha vida – comentei, sorrindo para Ana que se aproximou lentamente de mim, que ainda me encontrava sentado na beirada da cama.

— Eu também, meu amor – ela murmurou, segurando meu rosto e me dando um beijo.

— Sua carruagem chegou...

Fomos interrompidos novamente, agora por Jack, que estava hoje de plantão ali na clínica. O mesmo adentrou o quarto com uma cadeira de rodas com Theodore sentado nela, rindo de algo que não sabíamos.

— Eu consigo andar, Jack – ressaltei, mas Anastasia logo disse que era uma das regras do hospital, então me sentei na cadeira, deixando-me ser conduzido por Jack até a entrada do hospital.

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