THE BOWER RESIDENCE, APART. 06
ANASTASIA
Após a passagem de plantão, eu praticamente corri para casa, pois Jack já havia chegado ao hospital para assumir o plantão da manhã na Cirúrgica, o que indicava que Teddy tinha ficado sozinho em casa. Todavia, eu o encontrei ainda dormindo, feito um anjinho.
Então aproveitei e fui tomar um banho. Não me demorei no banheiro e estava saindo do mesmo, já vestida em uma roupa mais casual, quando vi Theodore aparecer na porta do quarto, esfregando seus olhinhos.
— Bom dia, meu amorzinho – murmurei, o pegando no colo e rodando a gente, fazendo ele soltar uma gargalhada gostosa e contagiante.
— Bom dia, mamãe Ana – Teddy falou, me abraçando, repousando sua cabeça em meu ombro.
— Se você quiser, pode me chamar só de “Mamãe”... – sugeri, afagando a costinha dele – ...porque para mim, você já é meu filho.
Theodore ergueu o rosto e me encarou.
— Mas a senhora vai ser só minha mamãe ou eu vou ter que te dividir com as outras crianças também?
— Só lá no hospital, filho. Porque isso deixa mais feliz as crianças que estão lá doentinhas. Tudo bem, meu amor?
Ele fez um bico fofo, mas assentiu com a cabeça, segundos depois.
— Tudo bem, mamãe.
Sorri, o enchendo de beijinhos pelo rosto.
— Agora me conta como passou a noite. O que você e o tio Jack andaram aprontando? Não foram assustar os vizinhos não, né filho? – indaguei, fazendo cócegas nele, enquanto adentrava o meu quarto, que era o que ele dormia, temporariamente.
— Não, mamãe – Teddy disse em meio a risos – Tio Jack me ensinou a jogar videogame, mas não gostei de matar zumbi não.
Ri à medida que eu o colocava no chão.
— Depois bebemos achocolatado e comemos sanduíche enquanto assistíamos um desenho estranho.
— Estranho? – inquiri, tirando a blusinha do pijama dele.
— É, mamãe. O cara tinha cabeça de cavalo e a namorada dele tinha a cabeça de gato. Era engraçado. Tinha também vários outros animais que falavam como pessoas. Tinha uma mulher que namorava com um cachorro que era ator de cinema.
Theodore ria à medida que eu tentava lembrar que desenho era aquele, até que de repente eu lembrei. O desenho era BoJack Horseman, que eu e Jack amávamos assistir, pois realmente era muito engraçado. Todavia, não era nada adequado para o Teddy.
“Eu vou matar o Jack na porrada por causa disso. Ah se vou...”
— Filho, esse desenho não é para criança e sim para adultos – alertei, o encarando bem séria.
— Mas mesmo estranho, ele é divertido, mamãe.
— Eu sei, meu amor. Mas não é mais para você assistir esse desenho, ok?
Ele assentiu, então o mandei ir banhar enquanto eu preparava o nosso café da manhã.
★ ★ ★ ★ ★
— A gente vai passar o dia de novo com o papai, mamãe? – Teddy perguntou à medida que terminávamos de comer.
— Sim, filho. Ele foi fazer uma última cirurgia e logo logo seu pai sai do hospital e vem morar aqui com a gente.
— Vai demorar muito para ele sair de lá, mamãe?
— Não, meu amorzinho. Daqui duas semanas, seu pai tá aqui – informei e Theodore sorriu.
Depois de terminarmos nosso café da manhã, peguei minha bolsa e a mochila do Teddy e saímos do apartamento, rumo as escadas. Estávamos saindo do prédio, quando encontramos com Leila, que se aproximava da porta de entrada do edifício.
— Está chegando agora, amiga? – indaguei, parando, e ela assentiu com a cabeça, parando também à nossa frente.
— Sim. O enfermeiro que ia assumir o plantão da manhã teve uns problemas em casa e chegou tarde, daí fiquei lá até agora. Tô morta de cansada. Esse é o...
— Filho do Christian, o paciente do 69. Dá “Oi” para a tia Leila, meu amor – pedi, olhando para Theodore que logo encarou minha amiga e sorriu.
— Oi, pequeno – ela o cumprimentou, dando um sorriso também, depois me encarou – Jack me contou a novidade. Que você e o Grey estão namorando. Meus parabéns, Ana! Até que enfim vamos te ver com um homem de verdade, sem ser o grude do Jack – Leila falou rindo e eu rolei os olhos.
— Deixa eu ir, amiga.
— Ah, Ana. Depois eu quero falar com você e o Jack sobre o apartamento de vocês – ela murmurou, me fazendo ficar confusa.
— Como assim?
— Está ficando muito caro eu me manter sozinha naquele apê grande de três quartos. Depois eu queria sentar com você e com o Jack para vermos uma possibilidade de eu poder ir morar com vocês dois. O apartamento de vocês tem três quartos também, não é?
— Sim.
— Então, eu posso ficar no terceiro quarto e ajudaria vocês tanto com as despesas quanto com o aluguel.
De repente, tive uma ideia.
— Eu e o Christian estamos pensando em ir morar juntos – anunciei, vendo Leila arregalar os olhos, extremamente surpresa.
— Mas já?
— Sim.
— Vocês são rápidos, hein? – ela zombou, rindo.
— Um pouquinho. Então... Aí eu poderia ficar com o seu apartamento e você ficaria no meu lugar, morando com o Jack e dividindo as despesas com ele. Ficaria mais em conta para você, amiga. O que você acha? – propus e vi Leila pensar um pouco.
— Tudo bem. Nesse final de semana, a gente faz a troca, pode ser? O aluguel desse mês já está pago – ela anunciou.
— O nosso também – informei, dando um sorriso.
Nos despedimos, depois seguimos nossos caminhos.
★ ★ ★ ★ ★
MEMORIAL UNIVERSITY MEDICAL CENTER
— A senhora e o papai vão me dar irmãozinhos, mamãe? – ouvi Teddy perguntar, me fazendo abaixar o olhar para ele, que se encontrava ao meu lado no elevador, de mãos dadas comigo.
— Com certeza, filho – murmurei, sorrindo – Você quer quantos?
— Só uma irmãzinha está bom, mamãe. Não. Depois pode ter mais um menino também para brincar comigo – Theodore falou e ficou meio pensativo por alguns segundos – Não, não. Menina, mamãe. Duas meninas. Eu quero duas irmãzinhas. Quero ser o único homem, senão vou ter que dividir os meus brinquedos.
Ri à medida que saíamos do elevador.
— Tudo bem, meu anjo. Vou falar para o seu pai que você quer duas irmãzinhas – informei, passando segundos depois pela enfermaria, dando um “Oi” para as técnicas, já indo para o quarto do isolamento.
Deixei Teddy sentadinho na poltrona, concentrado nos joguinhos do celular do mesmo e eu fui até a enfermaria pedir informação sobre o Christian. A enfermeira me informou que ele já se encontrava na sala de recuperação, esperando o efeito da anestesia passar para poder vir finalmente para o quarto.
Estava agradecendo à ela, pela informação, quando Jack apareceu, se postando ao meu lado, já passando o braço por trás dos meus ombros.
— E aí, o exame de DNA, como vai ficar? – ele inquiriu, após a enfermeira sair de perto de nós.
— Quando cheguei, eu passei lá no laboratório com o Alex e expliquei a situação para ele. O mesmo disse que poderia fazer o nosso teste, que era só eu avisar quando você estivesse desocupado, que ele pessoalmente iria subir aqui na clínica para coletar os nossos sangues.
— Tem uma enfermeira hoje me ajudando lá na Cirúrgica, então posso demorar um pouco para fazer logo a coleta.
Assenti e pedi permissão à enfermeira de plantão para usar o telefone da clínica e ela permitiu, então dei a volta no balcão, tirei o telefone do gancho e disquei para o ramal do laboratório, avisando o Alex de que o mesmo poderia subir.
Enquanto esperávamos ele, falei para o Jack sobre a minha troca de apartamento com a Leila e que a mesma iria ficar no meu lugar com relação às despesas e a divisão do aluguel.
— Poxa! Vai me abandonar mesmo, amor? – ele indagou, fazendo um bico.
— Eu não vou te abandonar, Jack. Só vou morar no apartamento do andar de cima – informei, sorrindo, já percebendo o Alex vindo no início do corredor.
— Oi, Ana. Jack.
— Oi, Alex – o cumprimentamos juntos.
— Onde vocês querem fazer a coleta? – ele perguntou e eu achei melhor fazermos lá no isolamento mesmo, então seguimos para lá.
Para que Theodore não desconfiasse para que servia aquilo tudo, tivemos que dizer a ele que o exame que iríamos fazer era para detectar uma doença que só aparecia naquele tipo de exame de sangue. Primeiro foi Jack, depois eu e por fim, Teddy, pois o mesmo ficou com um pouco de medo da agulha.
— Vou tentar agilizar o máximo para vocês – informou Alex e nós o agradecemos.
— Eu também já vou voltar para a clínica – anunciou Jack, segundos depois, então assenti com Theodore ainda sentadinho em meu colo.

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