sexta-feira, 27 de março de 2020

Paciente 69 - Capítulo 13


MEMORIAL UNIVERSITY MEDICAL CENTER

CHRISTIAN

Isso tudo era muito surreal para ser verdade, mas as coisas se encaixavam perfeitamente, então não poderiam ser só coincidências.

“Tudo tem um propósito na vida. Nada acontece por acaso” pensei, analisando toda a situação.

“Ana disse que sentiu no seu coração que a minha casa era a certa para ela deixar o Teddy. Será que Deus fez ela sentir isso, porque sabia que eu iria precisar dele meses depois?”

“Será que Deus proporcionou o nosso encontro há quatro anos para que Anastasia pudesse conhecer o Theodore?”

“Será que meu acidente aconteceu, só para que eu pudesse voltar a vê-la e me apaixonasse por ela, fazendo assim a Ana ficar perto do filho para sempre?”

Eram tantos questionamentos que me passavam pela cabeça, que nem consegui descansar direito.


★ ★ ★ ★ ★


Era por volta das duas e meia da manhã, quando eu apertei o botão, chamando a técnica que cuidava de mim aquela noite, para que a mesma pudesse chamar a Anastasia a fim de eu poder conversar com ela. Todavia, a própria apareceu, segundos depois.

— Desculpe, Sr. Grey. A técnica responsável pelo senhor está no momento de descanso dela. Posso ajudá-lo em alguma coisa? – Ana perguntou, se aproximando devagar.

Rapidamente, notei que a mesma se encontrava com o rosto um pouco inchado e com os olhos meio vermelhos. Sinais de que ela havia chorado e isso me deixou muito triste.

— Eu te fiz chorar não foi? Vem cá, amor – a chamei, estendendo minha mão na direção dela, que me olhou dando um meio sorriso.

— Eu estou bem, querido – Anastasia falou, pegando na minha mão, já se sentando na beirada da cama – Isso vai mudar alguma coisa entre a gente? Eu juro que não sabia que Teddy era o meu filho e nem...

— Ei, amor – a interrompi, erguendo meu braço, acariciando sua bochecha – Não vai mudar nada, ok? Eu ainda te amo e quero muito você em minha vida. Desculpe se fui rude com você e te fiz chorar.

— Não, não. Está tudo bem, amor – ela murmurou, sorrindo, já secando as lágrimas.

— Eu só fiquei com medo de perder o Teddy e...

— Você não vai perder ele, Christian. Theodore é seu legalmente.

— Mas e se o seu amigo querer assumir a paternidade? Eu não tenho recursos financeiros para ir ao tribunal e no final eu sair perdendo, porque é claro que o juiz será a favor de vocês, por serem os pais biológicos. Não sei se conseguiria perder mais alguém que eu amo.

— Amor, isso não vai acontecer.

— Como você sabe?

— Porque depois que eu saí daqui, naquela hora, eu liguei para o Jack, para ver como Teddy estava e acabei desabafando com ele sobre nossa conversa. Jack me garantiu que se fizéssemos o DNA e o resultado fosse positivo, ele não vai brigar na justiça por causa da paternidade, mas Jack gostaria de ficar próximo ao Theodore, como padrinho, se você permitir.

— Tem mesmo certeza de que ele não vai querer tirar o Teddy de mim? – inquiri, respirando fundo.

— Tenho, amor. Jack não é uma pessoa ruim para fazer uma coisa dessa. Eu confio nele totalmente. E outra, criar uma briga desnecessária como essa, só afetaria o Theodore. Deixaria a cabecinha dele muito confusa e não queremos isso.

Fechei os olhos por alguns segundos, então a encarei novamente.

— Tudo bem, meu amor. Pode fazer o DNA.

Ana abriu um sorriso e se inclinou, me beijando.

— Obrigada, amor.

— Eu só acho que vai ser meio difícil de olhar para o Jack e o Teddy juntos, tendo você no mesmo ambiente, sabendo que vocês são os pais dele – comentei, dando um meio sorriso.

— Vai ser sim, mas logo vamos nos acostumar e seremos uma grande família.

— Quando vão fazer o DNA?

— Amanhã eu vou conversar com o rapaz do laboratório e ver se ele coleta os nossos sangues, mas vão ser duas semanas de expectativa. Até lá, eu acho que você já deve ter recebido alta e estará em casa. Teddy tem medo de agulha, amor?

— Tem medo da picadinha só, mas tenho certeza que você convence ele, assim como fez daquela vez.

— Ah, mas era o aparelho de pressão, se não me falha a memória. Ele não ficou internado, então não precisou pegar acesso.

— Eu preciso achar um lugar para ficar, após minha alta. Mas eu perdi tudo no incêndio. Roupas, móveis e documentos. A assistente social conseguiu providenciar pelo menos minha identidade de novo, mas tem outros documentos importantes que preciso refazer... Meu Deus! Tanta coisa para resolver e eu aqui.

— Ei, amor. Se acalme. Eu vou correr atrás disso tudo para você, ouviu? E sobre a casa, nós já conversamos sobre isso, lembra? Você pode ficar lá no apartamento que eu divido com o Jack. Tem um quarto extra lá, daí o Theodore pode ficar nele e você pode dormir comigo, no meu quarto, até acharmos um lugar para nos mudarmos.

— Você vai querer morar comigo mesmo?

— Sim, amor.

A puxei para um beijo, pois eu me encontrava muito feliz. Aqueles lábios eram tão bons, mas minha boca estava seca demais.

— Amor, você pode fazer aquele negócio do algodão agora? Estou com muita sede.

— Claro, querido. Vou lá buscar – ela disse, dando-me um selinho antes de se levantar e sair do quarto.

Anastasia retornou, uns minutinhos depois, com uma bandeja de alumínio contendo dois copos. Um cheio com água e outro com um chumaço de algodão, que ela logo ensopou de água, apertou um pouco entre os dedos, retirando o excesso.

— Bem que você poderia me dar logo esse copo todo com água, né? Ninguém ia ver, amor – falei, fazendo a mesma sorrir e negar com a cabeça à medida que esticava o braço.

Isso apenas aliviou um pouco a minha sede, mas não à cessou por completa, o que me fez resmungar e Ana prometer que repetiria o processo antes dela passar o plantão.

— Você vai está aqui, quando eu acordar da cirurgia, amor? – perguntei um pouco mais alto enquanto ela se encontrava no banheiro, jogando os copos descartáveis no cesto de lixo.

— Você quer que eu esteja aqui quando você acordar? – ela inquiriu, voltando para o quarto, sentando na poltrona ao lado da cama.

— Quero. Se você não estiver muito cansada pela manhã, é claro.

— Esse plantão está bem tranquilo, pois a clínica está quase vazia, então posso te mandar para o centro cirúrgico antes de passar o plantão para o enfermeiro da manhã. Depois vou dar um pulo em casa para tomar um banho e buscar o Teddy, e volto para ficar como sua acompanhante, ok?

— Ok, meu amor.

— Agora você precisa voltar a dormir, querido.

— Eu ainda não dormi – confidenciei e Anastasia me olhou bem séria.

— Você precisa estar descansado antes da cirurgia, amor. Vou ficar aqui com você até que consiga dormir um pouco, tudo bem?

Assenti, então ela puxou a poltrona para mais perto da cama e se sentou novamente, segurando minha mão, sorrindo para mim. E foi vendo aquele anjo lindo que adormeci.


★ ★ ★ ★ ★


Acordei horas depois, com a técnica de enfermagem me chamando para tomar banho, já me dando um vidrinho dizendo-me que ao invés do sabonete eu deveria me ensaboar com aquele líquido ali e lavar bem a ferida da minha barriga.

Assenti e com ajuda dela, fui para o banheiro. Após o banho, a técnica me deu uma camisola aberta e mandou que eu a vestisse com a abertura para frente do meu corpo e assim o fiz.

Logo um técnico apareceu empurrando uma maca e pediu que eu me deitasse ali, já me cobrindo, da cintura para baixo, com um lençol.

— Me mandar paciente, justamente quando eu estou mandando paciente para o centro cirúrgico e quase em cima da passagem de plantão é sacanagem, Nate – ouvi Anastasia resmungar à medida que os técnicos conduziam a maca para fora do quarto.

— Não tenho culpa se a Dr.ª Grace só liberou a transferência dele agora – o tal de Nate falou, então pararam com a maca perto do balcão da enfermaria e Ana me olhou, dando-me um sorriso, mas logo deu a volta no balcão e atendeu o telefone, que havia começado a tocar.

— Oi, doutor. Não, não. O paciente já está à caminho, deve está chegando aí no centro cirúrgico – ela disse e começou a fazer sinal com a mão para que os técnicos fossem indo na frente e foi bem engraçado de ver aquilo.

— Vai levar seu paciente para o centro cirúrgico que eu quebro o seu galho e faço a sua visita. Anoto tudo para você evoluir depois – escutei o carinha dizer enquanto nos afastávamos e segundos depois, Ana apareceu no meu lado.

Pensei que ela não fosse segurar minha mão, quando ergui a mesma, mas Anastasia segurou e me deu um sorriso confortador, dizendo que tudo iria correr bem e que logo eu estaria de volta ao quarto.

“Assim espero. Que Deus me proteja nessa cirurgia”

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