MEMORIAL UNIVERSITY MEDICAL CENTER
ANASTASIA
— Eu acredito que nada acontece por acaso, sabe? E Teddy foi colocado em nossa porta, por alguma razão, que no início eu não conseguia entender, mas assim que perdi minha esposa e minha filha, eu entendi. Theodore veio para me salvar, para me manter vivo e lutando após essa tragédia.
Eu só o observava enquanto Christian continuava a falar, pois ainda me encontrava paralisada com a confirmação de minhas suspeitas.
— Depois de dois anos, nos mudamos para cá, pois o clima em Nova York não era muito bom para o Teddy, que teve uma pneumonia muito forte. Ele ficou internado várias semanas. Foi bem horrível e triste de presenciar. Mas aqui, Theodore ainda não ficou doente assim, só teve aquele alarde quando ele tinha quatro anos e viemos parar aqui na emergência de madrugada. Lembra, amor?
— Lembro – consegui, finalmente, dizer.
— Meses depois, que eu cheguei aqui, consegui um emprego em um escritório de contabilidade e trabalhava lá até o dia que me acidentei. Mas acho que já até fui despedido de lá.
— Provavelmente, você está só de licença médica, amor. Não pense negativo.
— Tomara mesmo. Eu tenho um filho para sustentar e eu espero que em breve, talvez, minha namorada queira morar comigo também – Christian comentou, sorrindo, e eu sorri, meio sem graça.
— Não se preocupe, querido. Eu vou te ajudar a achar um lugar para morar, quer dizer, para morarmos – falei, fazendo o mesmo ficar mega contente.
— Agora é a sua vez de falar sobre você.
— Não tenho muito o que contar, já que eu sou órfã. Desde que eu me entendo por gente, morei em uma casa para meninas aqui em Savannah, parecido com um convento, sabe?
Ele só assentiu com a cabeça, me olhando atentamente.
— Sai de lá quando passei em Enfermagem e fui morar no alojamento do campus. Foi na faculdade que eu me encontrei com Jack e imediatamente tivemos uma conexão. Ele passou a seu o irmão que eu nunca tive. Jack cuidava de mim e tudo mais, principalmente, quando começamos a dividir um apartamento. Minha única família de coração, além das freiras da casa de meninas, são Jack e os pais dele, que meio que me adotaram como filha.
— Então... Eu não preciso mesmo ter ciúmes dele, né?
— Não. Jack vai ser como se fosse seu cunhado, amor.
— Tudo bem então. Mas, vem cá... Nunca rolou nada entre vocês? Tipo sexo?
Engoli em seco e respirei fundo.
— Só uma vez.
— Ah...
— Mas a gente tava muito bêbado, mais muito bêbado mesmo, que eu nem lembro como foi o ocorrido. Só meses depois... – parei de falar, de repente.
— Meses depois? A bebida foi forte então, hein? – Christian comentou rindo e eu dei um sorriso sem graça – Pelo menos, você não acabou como essas garotas por aí, que bebe todas, transam com vários caras numa só noite, engravidam e nem sabem quem é o pai do bebê.
Eu tinha que contar a verdade para ele, mesmo que isso o afastasse de mim.
— Christian, já que estamos nessa conversa, eu acho melhor te contar uma coisa. Espero que você não surte e nem fique com medo – falei, segurando a mão dele entre as minhas.
— Porque eu ficaria surtado e com medo, amor? – ele perguntou, franzindo o cenho, confuso.
— Porque é um assunto um pouco sério.
— Ok.
— Então... Nessa noite de porre, que foi para comemorar a nossa formatura, e que eu fiquei com Jack. Bem... Eu acabei engravidando dele.
Christian me olhou, chocado.
— Mas, eu escondi de Jack que estava grávida dele e fui para Nova York para...
— Nova York?
— Sim. Eu viajei até lá para ter o bebê e poder encontrar alguma família que quisessem ser os pais dele, já que no momento eu não me sentia preparada, pois estava iniciando minha carreira como enfermeira.
— Ah, tudo bem, meu amor. Eu não iria julgar você não – ele disse, dando-me um sorriso acolhedor para mim – Pelo menos você não abortou o bebê, porque isso teria sido bem cruel.
— Eu sei. Nunca faria mal a ele, principalmente porque eu sou enfermeira e meu dever é de cuidar da vida e não de matar uma vida. Mas deixa eu continuar com o que estava contando.
— Ok, amor. Continue.
— Então... Depois que meu filho nasceu, eu ainda fiquei alguns dias com ele, mas precisava voltar para cá, para o meu trabalho. Então, em uma noite, eu peguei um táxi e fui até um bairro de classe média alta, pois sabia que o meu filho poderia ter uma vida feliz e confortável com alguma família que morasse por ali.
— Entendo.
— Saí andando a pé pelo bairro até que meu coração me fez parar na frente de uma casa, então coloquei ele no tapete de boas vindas, ao pé da porta, e toquei a campainha três vezes, até que as luzes se acenderam e eu corri para o outro lado da rua, me escondendo para ver se iam abrir mesmo a porta. Uma grávida apareceu e gritou “Amor!” enquanto pegava o meu filho nos braços e o levava para dentro.
— Ana...
— Eu acho que era a sua esposa, Christian – falei, interrompendo-o.
— Você está me dizendo que o meu filho é o seu filho com o seu amigo? – ele inquiriu, um pouco incrédulo.
— Sim.
— Você desconfia ou tem certeza disso?
— Eu desconfiei ontem a noite, quando vi a marca de nascença dele, mas agora que você falou de sua esposa e como Theodore foi parar na sua vida, eu só liguei os pontos. Tenho certeza, mas faremos um teste de DNA para ter 100% de certeza. Se você concordar, é claro.
— Não. Não. Teddy é meu, Ana! Meu filho! Eu não quero que façam DNA nenhum nele!
— Querido, se acalme...
— Me acalmar? Vocês querem tirar meu filho de mim enquanto estou preso neste hospital!
— Christian, acalme-se, por favor – pedi, segurando suas mãos, pois o mesmo estava um pouco agitado, além de respirar num ritmo descompensado.
— Por favor, não tirem o Teddy de mim. Não sei se conseguiria viver sem ele. Meu filho é tudo para mim, Ana – Christian começou a implorar, com os olhos já se enchendo de lágrimas, fazendo os meus ficarem um pouco marejados também.
— Ninguém vai tirar ele de você, Christian. Nem eu e nem o Jack queremos fazer isso. Você é o pai do Teddy. Você o criou, deu amor e tudo mais. Nós só gostaríamos de não ficar com essa dúvida para o resto da vida. Mas, se você não quer que façamos o teste, tudo bem. Ninguém irá obrigá-lo, ok?
— Ok. Pode me deixar sozinho um pouco? Preciso descansar e pensar nisso tudo – ele disse, puxando as mãos dele, desfazendo nosso contato, me deixando um pouco triste.
— Tudo bem – falei, respirando fundo, antes de levantar e pegar a minha prancheta – Qualquer coisa é só apertar esse botão ali, que a técnica responsável por você vem te atender. Você já sabe como é.
— Sei sim.
— Ok – murmurei, já saindo do quarto.
Apenas avisei para as técnicas que iria cochilar um pouco em um dos quartos vazio, antes de me dirigi para o final do corredor, adentrando o quarto. Mal fechei a porta, eu desabei no choro.
Me sentia péssima com aquilo tudo. Sentia que eu tinha estragado a minha chance de ser feliz com alguém legal, gentil e amoroso, como Christian aparentava ser, pois depois dessa noite ele, com certeza, não iria querer mais nada comigo e tentaria se afastar o máximo de mim.
“Sua idiota! Você tinha que estragar tudo!” briguei comigo mesma à medida que eu deitava em uma das duas camas existentes no quarto, ainda entregue ao choro.

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