MEMORIAL UNIVERSITY MEDICAL CENTER
ANASTASIA
Meu dia com Teddy foi meio estranho, pois eu não parava de olhá-lo e de pensar se o mesmo era realmente o meu filho ou não. A cada hora durante o decorrer do dia, eu estava mais convencida de que Theodore era o bebê que eu havia dado à luz e depois colocado na porta daquela grávida.
Entretanto, eu precisava confirmar com Christian, se a mulher que abriu a porta e pegou o Teddy era ou não a esposa que ele mencionou uma vez para mim, mas o problema era como eu iria fazer isso sem dar muito alarde.
De repente, me sobressaltei com o toque do celular. Fechei então o meu armário e me recostei nele, já olhando o telefone. Era uma mensagem de Jack.
Não se esqueça de perguntar ao Christian. Beijão
Mandei apenas um “Ok”, antes de respirar fundo e guardar o celular dentro da minha necessaire, já saindo do vestiário, indo rumo ao elevador para ir receber o meu plantão noturno na Clínica Pediátrica.
A enfermeira também me avisou que a Dr.ª Grace havia dado muitas altas, tanto pela manhã quanto pela tarde, então meu plantão iria ser bem tranquilo, o que me daria muito tempo livre para conversar com Christian.
— Bom plantão para você, Ana – a enfermeira me desejou enquanto passava álcool em gel nas mãos.
Agradeci, já dando a volta no balcão para me sentar na cadeira, colocando minha necessaire no canto da mesa do interior do balcão, próxima ao telefone. Assim que a outra enfermeira foi embora, comecei a fazer minhas coisas, deixando a visita do isolamento por último.
★ ★ ★ ★ ★
Era por volta das onze da noite quando finalmente fiquei livre dos meus afazeres, incluindo minhas evoluções sobre as visitas nos leitos, só havia ficado a do Christian, que eu iria fazer agora.
Peguei então minha prancheta e o presente, já avisando as técnicas onde eu iria estar, caso algum enfermeiro ligasse pedindo leito, depois me dirigi até o isolamento.
— Oi, querido – falei à medida que eu higienizava as mãos com álcool em gel.
— Oi, meu amor! – ele exclamou, todo feliz – Pensei que você não iria vir me ver – Christian comentou, fazendo um bico fofo.
Me aproximei da cama, deixando a prancheta e o presente ao pé da mesma e me sentei na beirada, inclinando-me um pouco, já o beijando, aproveitando que o biombo se encontrava na frente da janela de vidro, que dava vista para o corredor.
— Como você está hoje, amor? Passou o dia bem? – inquiri, acariciando sua bochecha enquanto que ele também afagava a minha, com um sorriso nos lábios.
— Passei bem sim. Sem muita dor. Só fiquei com muita saudade e um pouco entediado por olhar para as paredes.
— Pois a partir de hoje você não ficará mais entediado, querido – murmurei, me virando um pouco e pegando a caixa, já entregando à ele.
— Um presente? Para mim?
— Sim. Abre – pedi e Christian o fez, já me encarando surpreso ao ver que era um celular.
— Amor, não precisava se incomodar com isso.
— Precisava sim. Agora você pode falar com o Teddy, porque eu também comprei um celular para ele, que vem com vários joguinhos legais e educativos.
— Ai, amor... Eu nem sei o que dizer. Muito obrigado e não se preocupe que vou te pagar...
— Não tem nada que me pagar, meu amor. Presente é presente, ouviu? – indaguei, o beijando de novo, me afastando em seguida – Agora deixa eu anotar aqui sobre sua situação atual – falei, pegando minha prancheta.
— Coloque aí que eu estou com muita fome.
Sorri à medida que eu escrevia.
— É o procedimento padrão para cirurgias, querido. Sem comida e sem água até lá. No máximo, eu posso molhar um algodão e passar nos seus lábios, se você estiver com sede – informei enquanto verificava o acesso do braço dele.
“Pergunta logo, Ana!” briguei comigo mesmo à medida que eu terminava de olhar o curativo da barriga de Christian.
— O que você tem, amor? Parece preocupada com alguma coisa.
Me aprumei e o encarei.
— Não é nada demais, querido – falei, dando um meio sorriso.
“Sua covarde!”
— Tudo bem. Vai demorar muito a minha cirurgia?
— O procedimento em si não é muito demorado não. Porquê?
— Porque eu estou com fome. Que horas mesmo o doutor vai vim fazer?
— Está marcado para você ir às sete da manhã para o centro cirúrgico, ou seja, você vai ganhar um almoço super reforçado.
O vi gemer, jogando a cabeça para trás, fazendo-me rir.
— Tomara mesmo, porque já estou me sentindo mais magro ainda. Você gosta de homens esqueléticos?
Sorri e me sentei novamente na beirada da cama, deixando a prancheta e a caixa do celular dele em cima da poltrona.
— Sem drama, amor. Meus filhos são menos dramáticos que você, sabia? E olha que eles são crianças e você é um adulto – comentei, rindo, já me inclinando um pouco, dando-lhe um selinho.
— E por falar em filhos... Como está o Teddy? Ele tem se comportado muito?
— Sim, sim. Ele está bem e é um menino incrível.
— Que bom, meu amor. Estou com saudades do meu pequeno. Amanhã você pode trazer ele para me visitar?
— Claro.
— Meu filho é tudo para mim, mas agora tenho você também.
Dei um sorriso e respirei fundo, me enchendo de coragem.
— Theodore me contou que é adotado? É verdade?
— Ele te contou isso? – Christian indagou, surpreso.
— Hoje mais cedo, a gente tava comendo em uma lanchonete no shopping, daí eu perguntei sobre a mãe dele, então Teddy disse que não a tinha conhecido, mas que você dizia que ela era bem bonita e que estava no céu junto com a irmãzinha dele e com os anjos, e que esses anjos haviam levado ele para você cuidar e não ficar triste.
O vi suspirar, tristonho, depois me olhou.
— Sim, é verdade. Ele é adotado. Você não se importa com isso, não é?
— Com o fato do Teddy ser adotado? Não, não.
— Porque você está nervosa, meu amor?
— Não é nada, querido. Mas eu gostaria de saber um pouco mais sobre você. Como era sua vida antes do acidente? Como adotou o Theodore? Essas coisas, entende?
— Entendo. Mas você vai me contar sobre sua vida também?
— Não tenho muito o que contar, mas vou sim.
— Tudo bem. Bom... O que quer saber de fato?
— Pode começar me falando da sua esposa. Ela morreu de que?
— Antes de vir para Savannah, eu morava em Nova York com minha esposa, que se chamava Mia. Ela estava grávida de quase nove meses quando teve um deslocamento de placenta. Mia morreu durante uma cesariana de emergência para salvar nossa filha Evie, que infelizmente também não sobreviveu.
— Ah, eu sinto muito, amor – falei, afagando sua mão.
— Eu fiquei sem chão na época, mas dois meses antes, alguém tocou nossa campainha à noite e Mia foi atender. Haviam deixado um bebê, de poucos dias, em nossa porta.
Imediatamente, senti um calafrio percorrer a minha espinha.
“Meu Deus! Teddy é meu filho mesmo!” pensei, em choque.

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