THE BOWER RESIDENCE, APART. 06
ANASTASIA
Assim que cheguei em casa, coloquei Teddy na cama e preferi não tirar a roupinha dele, pois isso o acordaria. Então, com cuidado para não fazer barulho, peguei uma calcinha na gaveta da cômoda e sai, deixando a porta meio entreaberta.
Aproveitei e liguei para a pizzaria, pedindo logo o nosso jantar, depois passei no quarto do Jack para pegar minha roupa de dormir e minha toalha, e por fim me dirigi ao banheiro.
Enquanto a água caía sobre mim, enxaguando-me, pensei em mil e uma maneiras de contar para o Jack sobre o nosso filho, e também em vários finais que aquela conversa poderia ter. Eu teria que fazer o meu amigo ver que a minha decisão foi a melhor para todos naquele momento e isso me deixava mais nervosa ainda.
Após terminar de banhar e de colocar o conjuntinho com o qual eu dormia vestida, saí do banheiro, já encontrando Jack adentrando o corredor.
— Pediu a pizza? – ele inquiriu em um tom de voz alto, então fiz sinal de silêncio e indiquei o meu quarto – Ele já está dormindo?
— Sim – informei enquanto entrávamos no quarto dele – E eu já pedi a pizza sim. Ela deve está para chegar. Pode ir banhar se quiser. Eu fico atenta à porta.
Jack assentiu e só pegou sua toalha, antes de sair do quarto. Então peguei minha carteira e fui me sentar no sofá da sala para esperar o entregador, que não tardou em chegar com a nossa pizza.
★ ★ ★ ★ ★
Assim que retornei para a sala, após deixar as coisas na cozinha, vi Jack e Theodore no corredor. Meu amigo se encontrava com a toalha enrolada na cintura, já Teddy estava só de calça.
— A pizza chegou – falei me aproximando, chamando a atenção deles.
— Olha, mamãe Ana. Eu e o tio Jack temos a mesma marca no peito – disse Theodore sorrindo apontando para uma mancha localizada ao lado do seu mamilo direito.
Eu me encontrava com um sorriso nos lábios à medida que eu me aproximava dos dois, mas o mesmo se desfez quando vi aquela marca de nascença. Flashes do meu parto e do meu filho em meus braços, logo me atingiram como uma onda batendo violentamente contra uma encosta.
— Impossível – sussurrei, ajoelhando-me em frente aquela criança que me encarava com um semblante confuso.
Eu ainda não estava acreditando naquilo. Não fazia nem duas horas que eu tinha me pegado pensando em como seria a aparência do meu filho e agora ele estava ali, na minha frente.
“Meu Deus! Como eu não pude perceber as semelhanças?” indaguei mentalmente enquanto segurava o rostinho de Teddy entre minhas mãos.
— Tá assustando o menino, oh sua louca – a voz de Jack me despertou e eu o encarei, vendo-o rir, então soltei Theodore e me levantei.
— A pizza está na cozinha. Não estou com fome – murmurei enquanto começava a me afastar deles, já entrando no quarto do Jack, que logo apareceu, fechando a porta atrás de si.
— Você está bem, Ana? – escutei meu amigo falar, mas não respondi, pois minha mente não estava ali e sim em Junho de 2010 – Amor? Ei, doidinha, fala comigo.
Encarei Jack, que se encontrava ajoelhado a minha frente, segurando minhas mãos entre as dele.
— Eu preciso te contar uma coisa, Jack.
— Será que não dá para esperar até a gente encher o bucho? – ele perguntou, em um tom brincalhão, mas eu neguei com a cabeça – Então deixa eu vestir pelo menos uma roupa.
Jack se levantou e foi colocar sua roupa de dormir, então voltou para perto de mim e se sentou ao meu lado, parcialmente de frente para o meu corpo.
— Pronto, sou todo ouvidos.
— Eu engravidei...
— Eita que vocês dois não perderam tempo, né? Mas peraí... – ele parou de falar, como se pensasse em algo.
— Eu não estou grávida, Jack.
— Ah sim. Eu já ia perguntar se era do queimado mesmo, porque o tempo não bate. Mas porque você disse “Eu engravidei”?
— Porque eu realmente fiquei grávida... no passado. Lembra do dia que saímos para comemorar com a Leila e os outros, depois do nosso último dia de estágio antes da formatura?
— Sim, eu lembro.
— A gente abusou da bebida e acabamos ficamos naquela noite.
— Sim – Jack falou e eu o vi puxar profundamente o ar, provavelmente já deduzindo o óbvio.
— Então... semanas depois eu descobri que estava grávida. De você.
— Você abortou o bebê? – ele inquiriu bem sério e um pouco raivoso, eu arriscaria dizer.
— Não.
— Foi por isso que você viajou para Nova York? – Jack inquiriu e eu assenti, já vendo-o levantar da cama e andar pelo quarto – Eu sabia que tinha alguma coisa estranha com aquele papo de tia doente. Meu Deus, eu tenho um filho e nem sabia! – ele exclamou, parando de andar, então me encarou com raiva – Porque você não me contou? Poxa, Ana, somos melhores amigos, porque você escondeu isso de mim?
— Eu fiquei com medo – murmurei abaixando a cabeça, envergonhada, tentando não chorar.
— Com medo de mim? – ouvi Jack indagar, incrédulo.
— Não – minha voz saiu meio engasgada.
— Olha para mim, Ana – escutei ele pedir, já sentindo o mesmo se sentar ao meu lado de novo, então ergui e virei o rosto para Jack, olhando-o – Do que você teve medo?
— Da nossa amizade acabar.
— Como a nossa amizade iria acabar por causa de uma criança, Ana? Eu não estou entendendo.
Respirei fundo, ainda sentindo o nó do choro contido em minha garganta, então virei meu corpo, ficando de frente para ele.
— Nós estávamos iniciando nossas carreiras naquela época, Jack. Um filho só atrapalharia isso. E não diga que isso é mentira, porque nós sabemos que é verdade. Nossas vidas iria mudar drasticamente, e eu não estava preparada para isso. Não estava preparada para ser mãe. E eu também não queria que você, assim como eu, tivesse que escolher entre sua carreira e um bebê, como sua mãe fez quando engravidou do seu pai durante a faculdade deles...
— A gente poderia ter passado por isso juntos, Ana. Você não deveria ter decidido isso sem me consultar.
— Eu sei, mas como eu te conhecia tão bem, acabei fazendo essa burrice. Me desculpe, Jack. Espero que me perdoe e ainda queira ser meu amigo – murmurei, enxugando uma lágrima que havia escorrido.
— E porque eu deixaria de ser seu amigo, Ana? Estou sim muito aborrecido, por você não ter me dito nada, mas isso não vai abalar a nossa amizade. Não se preocupe – Jack disse, fazendo-me sorrir quando o mesmo apertou a ponta do meu nariz – Então, o que você fez com o nosso filho? Deixou ele em algum orfanato em Nova York? Quero saber de tudo, desde o momento que você subiu naquele avião, até o dia que você voltou para cá.
— Prometo que te conto mais tarde, mas agora precisamos conversar sobre um negócio sério, Jack.
— Ai meu Pai! O que é agora? – ele indagou, extremamente exagerado.
— Tem haver com nosso filho. Acho que Teddy não apareceu na nossa vida por acaso.
— Seja clara, criatura de Deus. O que tem a ver o menino com o nosso filho?
— Tudo, Jack. Eu dei a luz à um menino e o mesmo nasceu com a sua marca de nascença, no meu local.
Vi meu amigo fazer uma cara confusa, então ele de repente arregalou os olhos, com se finalmente tivesse entendido o que eu tinha insinuado.
— Você está dizendo que o Theodore é o nosso filho?
— Eu não tenho cem por cento de certeza, mas tudo indica que sim. Ou é coincidência demais do Teddy ter a mistura dos nossos olhos, ser meio loirinho como você e ter a mesma marca de nascença, exatamente no mesmo lugar.
— Mamãe Ana! Tio Jack! Vocês estão aí? – escutamos Theodore bater de leve na porta do quarto, então nos entreolhamos.
— A gente ver isso depois, Ana. Vamos tentar agir normalmente com o Teddy e não criar suposições sem provas concretas, ok?
Assenti, já levantando para ir abrir a porta.

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