sexta-feira, 27 de março de 2020

Paciente 69 - Capítulo 09


MEMORIAL UNIVERSITY MEDICAL CENTER

ANASTASIA

Após ver como Teddy estava, aproveitei para ir até a sala do enfermeiro-chefe, a fim de poder conversar com ele sobre os meus horários. Todavia, a porta se encontrava fechada quando cheguei lá, mas para a minha sorte, quando eu ia saindo, o vi vindo pelo corredor.

— Anastasia? Você não deveria está de folga hoje? – José me questionou, se aproximando de mim ainda com a cara de surpreso.

— Bom dia, enfermeiro – murmurei, à medida que o começava acompanhar até a sua sala.

— Bom dia.

— Estou de folga sim, mas vim passar o dia como acompanhante de um paciente. Gostaria de falar com o senhor um minuto – informei, enquanto o via abrir a porta, dando-me logo passagem para entrar também.

— Alguém de sua família está internado? – ouvi ele perguntar enquanto eu me sentava em uma das cadeiras em frente a sua mesa.

— Não, enfermeiro. É o meu na... – parei subitamente de falar e encarei José, que havia se sentado em sua poltrona – Como é a política do hospital com relação ao envolvimento entre funcionários e pacientes? – perguntei, meio receosa.

— Porque, Anastasia? Por acaso, é o seu namorado que se encontra internado aqui?

— Sim, mas estamos namorando só há alguns minutos, porque o Christian precisa de alguém que o ajude com a criação do Teddy, que é o real motivo de eu ter vindo aqui falar com o senhor, pois preciso mudar o meu horário para que o Jack possa ficar com ele em um período e eu no outro – falei, rapidamente, quase atropelando as palavras.

— Ok. Vamos por partes. Você recebeu ou propôs o pedido de namoro?

— Eu recebi – murmurei um pouco nervosa.

— Ok. Você e o... Como é o nome do paciente mesmo?

— Christian. Christian Grey.

— Você e o Sr. Grey já se conheciam antes dele ser internado no hospital ou por alguma razão você deu a entender que gostava dele durante a permanência do mesmo aqui?

— Bem... O Christian já tinha vindo anos atrás com o filho doente, mas depois da doutora liberar o Teddy, nós não nos encontramos mais, até essa semana quando o recebi na Clínica Pediátrica vindo da UTI Adulto. Juro ao senhor que não fiz nada que o incentivasse repentinamente a querer algo comigo. Segundo Christian, ele já havia se apaixonado por mim desde a época que o mesmo veio aqui com o filho – informei e vi José fazer uma cara pensativa, recostado em sua cadeira.

— Tudo bem. Não vejo nenhum problema com esse seu namoro com o Sr. Grey. E se por acaso acontecer alguma intercorrência devido a isso, eu tomo partido ao seu favor, mas eu quero que você seja discreta.

— Com certeza, enfermeiro – falei, animada, já o agradecendo em seguida.

— Não há de quê. Agora vamos para a outra parte. Você quer mudar seus horários de plantão, é isso?

— Sim. O senhor sabe que eu e o Jack dividimos um apartamento próximo daqui, né? – inquiri e ele assentiu com a cabeça – Pois bem, nós dois estamos cuidado atualmente do Teddy, filho do Christian, que não tinha uma casa provisória para ficar. Aí, eu me ofereci. Só que ele não pode ficar sozinho em casa, então preciso que o senhor mude o meu horário na escala.

— Entendi. Posso te colocar na escala da noite?

— Pode sim, enfermeiro.

— Então, eu vou mudar a escala aqui e a partir de amanhã, você já começa a dar noturnos, ok?

— Ok e obrigada, enfermeiro.

Após me despedir dele, saí de sua sala e fui, meio que apressada para a Pediatria, louca para contar a novidade ao Christian.


★ ★ ★ ★ ★


O resto do dia passou rápido e quando dei por mim, já era hora de ir para casa. O Dr. Trevelyan havia vindo, no período da tarde, fazer uma visita para informar ao Christian que amanhã ele iria colocar os enxertos de pele e que dentro de duas semanas, no máximo, Christian poderia finalmente receber alta para dar continuidade a sua recuperação em casa.

Depois que o doutor foi embora, conversamos sobre onde ele poderia ficar após sua alta hospitalar e acabei oferecendo o nosso apartamento como lar provisório, até o mesmo poder voltar a trabalhar e conseguir alugar uma casa ou um apartamento para ele e o Teddy morar.

E por falar no Theodore, o mesmo se encontrava todo encolhidinho na poltrona ao lado da cama, dormindo de tão cansado que ele tinha ficado por passar o dia todo ali no hospital.

— Ele está tão fofinho dormindo que dá até uma dó acordá-lo para irmos embora – comentei, olhando de relance para Teddy, enquanto ouvia Christian sorrir.

Eu estava a cada segundo me apaixonando ainda mais por Theodore. Pela primeira vez, naquele dia, vendo ele brincar com o pai em cima da cama, eu imaginei como estaria o meu filho agora. Provavelmente, deveria está com a mesma idade que Teddy, ou completando sete anos igual a ele.

Também me peguei pensando em como seria a aparência do meu filho. Se teria cabelos loiros escuros igual ao Jack ou castanhos igual ao meu. Se teria os meus olhos azuis ou os olhos esverdeados do Jack, ou a linda mistura dos dois como eram os olhos do Theodore.

O remorso novamente bateu na porta do meu coração, acusando-me sobre o que eu tinha feito ao bebê e, principalmente, ao meu melhor amigo, que vai ficar arrasado quando eu contar isso à ele. Eu não queria dizer nada ao Jack, mas a culpa estava começando a me matar e isso tudo tinha haver com um simples garotinho que resolveu me adotar como mãe.

— Espero ser uma boa madrasta – murmurei baixo, respirando fundo.

— Você vai ser é a mãe dele, amor. Já é a mãe do Teddy. Aliás, é a melhor mãe do mundo – escutei Christian dizer, fazendo-me olhá-lo, sentindo ele apertar minha mão.

— Por enquanto, sou apenas a “namorada do papai”. Eu só seria a mãe dele, no sentido geral da palavra, se a gente se casasse, queri...

— Quer se casar comigo então? – ele me interrompeu, fazendo-me franzir o cenho na hora, meio incrédula.

— Dois pedidos no mesmo dia? Está por acaso tentando bater algum recorde, querido? – inquiri sorrindo e logo o sorriso chegou ao lábios de Christian.

— Não, amor. Eu só não quero te perder.

— E você não vai, seu bobo – falei, me inclinando um pouco para frente, o beijando por alguns segundos – Mas, vamos com mais calma, seu apressadinho – sussurrei, enquanto ele afastava o meu cabelo que tinha caído para frente.

— Tudo bem, meu amor.

Lhe deu um selinho antes de me aprumar, depois olhei a hora no relógio de novo.

— Temos que ir, querido. Ou senão o Jack vai acabar me expulsando daqui – comentei sorrindo e Christian assentiu, então me levantei da cama e fui mexer em Teddy, que logo veio a acordar – Oi, meu amorzinho. Já está na hora da gente ir e deixar o seu papai descansar.

Theodore balançou a cabeça concordando à medida que bocejava de sono. Assim que o mesmo deu um abraço em Christian e eu me despedi dele, peguei Teddy no colo, que logo me abraçou, enterrando o rosto no meu pescoço, voltando a dormir segundos depois.

— Te espero lá em casa – falei quando passei pela enfermaria, onde Jack se encontrava em pé ao balcão, anotando as coisas no caderno de passagem de plantão.

— Ok, amor. E pedi pizza para gente jantar hoje, tá?

Apenas assenti, já saindo rumo aos elevadores.

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