sexta-feira, 27 de março de 2020

Paciente 69 - Capítulo 08


MEMORIAL UNIVERSITY MEDICAL CENTER

CHRISTIAN

Encontrava-me muito ansioso para poder passar o dia acompanhado do meu filho e da mulher mais linda do mundo, que possuía os lábios mais doces e macios desse planeta. Não que eu já tivesse beijado todas as mulheres do mundo para saber isso, mas eu tinha quase certeza, que nenhuma outra deveria ter uma boca tão bonita e macia como a Ana possuía.

A todo momento eu olhava para o relógio, pendurado na parede do quarto, rezando para que eles chegassem logo, antes que eu infartasse devido a ansiedade. Era por volta das oito, quando a porta do quarto se abriu, fazendo-me abrir um sorriso de felicidade ao ver os dois.

— Bom dia, papai! – exclamou meu filho, correndo até a cama, mas Anastasia logo o chamou, lembrando-o de passar o gel nas mãos por causa das bactérias – Desculpa, mamãe Ana. Eu tinha esquecido.

— Está desculpado, meu amorzinho. Deixa eu ver se você espalhou bem. Perfeito. Agora pode ir dar um abração enorme no seu pai – ela disse, dando um sorriso para ele, que logo correu de novo para perto de mim.

— E aí, filhão. Como passou a noite? Se comportou bem? – perguntei, enquanto Anastasia o colocava sentado na beirada da cama.

— Me comportei bem sim, papai. Não é verdade, mamãe Ana?

— Sim, meu amor – ela falou, afagando o cabelo de Teddy, depois direcionou seu olhar para mim, ainda sorrindo – Não se preocupe, Christian. Ele foi um anjinho. Até nos ajudou a arrumar a cozinha depois do jantar. Eu fiquei muito impressionada.

— Mamãe Ana, eu posso ir brincar na salinha de brinquedos? – Theodore perguntou de repente, fazendo com que eu e Anastasia ficássemos confusos.

— Pensei que você quisesse passar o dia comigo, filho.

— Isso mesmo, já que o mocinho resolveu me acordar antes das seis e meia da manhã com uma buzina – Ana comentou e eu olhei para Teddy, o repreendendo – Não foi culpa dele, Christian. Quem estava com a buzina e que eu tenho certeza de que foi o autor da brincadeira, foi o Jack.

— O tio Jack é super legal, papai. O senhor tem que conhecer ele.

— Eu já conheço ele, filhão. Mas agora eu quero saber se vou ser realmente trocado por uma sala cheia de brinquedos? – inquiri, vendo Theodore dar uma risada e negar com a cabeça.

— Não, papai. Mas o senhor tava com a cara de bobo olhando para a mamãe Ana, então eu quero deixar vocês dois namorar sozinhos, porque assim que o senhor melhorar, a gente pode ser uma família e a mamãe Ana pode ser a minha mamãe de verdade.

Eu não sei quem ficou mais vermelho de vergonha, se foi eu ou a Anastasia. Porém, ela logo desceu o Teddy da cama e disse para o meu filho ir pedir para o tio Jack, pois parecia que o amigo dela é que estava de plantão ali hoje.

— Desculpe pelo que o Theodore disse – murmurei meio sem jeito, assim que ficamos a sós no quarto.

— Está tudo bem, Christian. Ele é só uma criança e não sabe bem o que diz – Anastasia comentou se sentando no lugar onde meu filho encontrava-se segundos antes.

— O pior é que Teddy sabe, mas eu não queria que você soubesse agora.

— Não entendi – ela disse, me olhando confusa, então peguei em sua mão.

— Estou apaixonado por você, Ana – declarei e a mesma ficou sem reação – Eu não queria falar isso agora, para você não se assustar ou pensar que sou tarado, ou coisa do tipo, mas a verdade é que eu me apaixonei por você há quatro anos, quando a vi brincar com o meu filho na brinquedoteca dessa clínica. Só que o seu amigo me fez acreditar que você era comprometida na época, então quando Teddy foi liberado, eu não voltei a te procurar aqui no hospital, mas isso não significa que eu parei de pensar em você todos esses anos.

— Christian...

— Por favor, deixa eu terminar de dizer o que eu sinto, antes de você me rejeitar de uma vez – pedi e Anastasia deu um meio sorriso, já assentindo com a cabeça – Você é uma mulher incrível, Ana. Antes de te conhecer, “Namorar” era a última coisa na minha lista de prioridades em vida, pois eu ainda amava muito a minha falecida esposa. Mas você mudou tudo. Não estou dizendo isso só porque Teddy gosta muito de você, ou pela aquela chupada, e que chupada, Senhor – comentei sorrindo, porém logo a vi corar – Desculpe. Eu só estou tentando dizer que nós dois precisamos de você em nossas vidas. É isso.

Ela abaixou o olhar para onde nossas mãos estavam e ficou ali de cabeça baixa por um tempo. A ansiedade em saber o que Anastasia tava pensando e no que ela diria, me corroía violentamente.

— Fala alguma coisa, Ana. Por favor. Qualquer coisa. Até um fora é melhor do que esse silêncio atormentador – falei minutos depois.

— Desculpe. Eu estava pensando em tudo o que você disse...

— E? – a interrompi, fazendo a mesma sorrir enquanto repousava sua outra mão sobre a minha.

— Ainda bem que você não disse tudo isso há quatro anos, porque teria levado um belo fora.

Levei alguns segundos para processar o que ela tinha falado.

— Então isso quer dizer que... – parei de falar quando a vi afirmar com a cabeça.

— Eu aceito fazer parte da sua vida e da do Teddy.

Levantei minha mão, trazendo as delas junto e as beijei, feliz. Entretanto, quando me inclinei um pouco, aproximando-me para beijá-la, Ana se levantou.

— O que foi? – inquiri, confuso.

— Não podemos nos beijar aqui, Christian.

— E porque não?

— Tem uma janela de vidro que dá para o corredor. Alguém pode nos ver e eu não sei o que acontece quando um funcionário se relaciona emocionalmente com um paciente. Se é demitido ou não.

— Tudo bem, amor – murmurei, meio triste, mas dando um sorriso bobo ao me dar conta de que já tinha começado a chamá-la de “Amor”.

— Mas lembro que você disse para mim que queria ir lavar o rosto no banheiro, não foi? – ela indagou, já puxando minhas pernas para fora da cama.

— Não falei isso não – comentei à medida que Anastasia me obrigava a levantar do leito.

— Banheiro. Sem janela de vidro. Privacidade. Beijo. Sacou?

Apenas ri, sentindo umas pequenas pontadas na barriga, então me deixei ser conduzido por ela até lá. Assim que adentramos, me recostei na pia e esperei Ana tomar a iniciativa do beijo, quando a mesma fechou a porta.

Ela então pareceu perceber que eu não iria fazer nada e se aproximou de mim, colando nossos lábios, porém sem se encostar em mim. Todavia, segurei sua cintura e a puxei de encontro ao meu corpo enquanto aprofundávamos o beijo e foi impossível controlar meu desejo e minha ereção.

— Desculpe, amor. Acho que me animei sem querer – comentei sorrindo segundos depois, quando desvencilhamos nossas bocas à procura de ar.

— Espero ser uma boa namorada para você, Christian – Anastasia disse me abraçando pela cintura, mas não muito forte, devido a minha queimadura.

— Porque? Você não se acha boa suficiente para ficar comigo?

— Não é isso, querido. Eu nunca namorei, então não tenho experiência em ser uma “Namorada” – ela ressaltou, se afastando um pouco de mim, encarando-me.

— Não me diga que você ainda é virgem! – exclamei, tentando parecer não muito abismado com aquilo para que a Ana não se sentir ofendida ou algo do tipo.

— Não, seu bobo. Quer dizer, eu sou virgem sim. Da porta dos fundos, dos buracos dos ouvidos, do nariz e do umbigo.

Não me aguentei e cai na risada, mas não por muito tempo, pois logo gemi com dor na barriga. Anastasia foi muito atenciosa, demonstrando preocupação comigo, perguntando se eu estava sentindo muita dor. Mas quando ia respondê-la, escutamos umas batidas na porta.

— Se tiverem transando aí nesse banheiro, eu juro que transfiro o seu paciente favorito lá para a Clínica Cirúrgica, mocinha.

Ana rolou os olhos e foi abrir a porta, revelando o amigo dela, que nos encarou semicerrando os olhos.

— Não estávamos transando, seu chato. Você acha que eu sou doida de fazer sexo aqui no trabalho?

— Se tu já chupou ele. Para transar só basta subir em cima e quicar.

Olhei para Anastasia, assustado.

— Ah, não se preocupe com ele, querido...

— Hum... querido... – Jack zombou fazendo uma cara cínica, olhando para nós dois, depois riu – O que eu tô perdendo aqui, hein?

— Nada que seja do seu interesse, seu ridículo. E para de rir – Ana resmungou o empurrando, fazendo o mesmo rir mais ainda.

— Ownnn... Então a minha Aninha tá de namoradinho novo, é isso?

— Isso mesmo – falei me aproximando dela devagar, passando meu braço por cima dos seus ombros.

— Ver se cuida bem dela. A trate como uma princesa, que ela é. E se você fizer a minha Aninha chorar uma vez nesta vida, eu juro que viro o Freddy Krueger e te aterrorizo em sonho até você ficar lelé da cuca e ser internado num hospício, está me ouvindo?

Assenti, então Ana me ajudou a voltar para a cama e logo disse que iria ver como Teddy estava na brinquedoteca enquanto Jack passava a visita que os enfermeiros sempre fazia todo dia de manhã.

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