THE BOWER RESIDENCE, APART. 06
ANASTASIA
Theodore era um menino muito educado e gostava bastante de ajudar as pessoas, tanto que se ofereceu para ajudar a enxugar a louça depois que terminamos de jantar.
Assim que finalizamos a limpeza da cozinha, Teddy perguntou se podia assistir um pouco de TV antes de ir dormir e eu concordei. Então, aproveitei que Jack foi com ele e fui tomar um banho, para poder ir me juntar aos dois.
Porém, minutos depois, quando cheguei na sala de estar, já banhada e usando meu conjunto de dormir, encontrei eles dormindo. Jack sentado, meio largado no sofá e Theodore ao lado dele, usando a lateral do corpo do meu amigo como se fosse um travesseiro. Me aproximei devagar, desliguei a televisão e fui mexer no Jack para acordá-lo.
— Me ajuda a pôr ele na cama – sussurrei à medida que eu pegava Teddy no colo, com muito cuidado para que o mesmo não acordasse.
Jack me seguiu até o quarto e puxou o edredom da cama, para que eu pudesse deitar o Theodore ali. Depois puxei e ajeitei as cobertas sobre ele, dando-lhe um beijo de boa noite em sua testa. Deixamos a luz do corredor acesa e a porta o quarto meio entreaberta, para o caso dele acordar de noite e ter medo do escuro.
— Está na hora de você ser mãe, hein? Porque só tem um ano para chegar na menopausa – Jack comentou, zombando, enquanto entrávamos em seu quarto.
— Ha ha, que engraçado, né? Eu ainda sou nova, meu filho. E sabe o que está na hora? E de você criar coragem e chamar a Leila para sair à dois – rebati, cinicamente, vendo-o rolar os olhos.
— Esse assunto de novo? Muda o disco, criatura.
— Eu gosto desse disco, seu chato – falei à medida que nos deitávamos.
Jack me deu boa noite e se virou de costas para mim, desligando o abajur do seu lado, mas eu não ia dormir e nem iria deixar ele dormir enquanto o mesmo não admitisse que estava caidinho pela nossa amiga, porque assim Jack não ficaria enchendo o meu saco com piadinhas quando descobrisse sobre eu e Christian, se é que existe algo entre nós mesmo.
— Jack?
— Me deixa dormir, Ana. Tu tá de folga amanhã, mas eu não.
— Se você disser que gosta da Leila, eu te conto um segredo sobre mim – murmurei, atingindo o ponto fraco dele, porque Jack era muito curioso.
— Que segredo? – ele perguntou, se virando de frente para mim, com a curiosidade estampada na cara.
— Eu não vou contar enquanto você não admitir a verdade, querido – falei, me recostando na cabeceira da cama, já cruzando os braços sobre o peito.
— Você sabe que eu tenho uma queda pela Leila desde a época da faculdade, mas ela não está nem aí para mim, então não me enche o saco com isso e desembucha logo esse segredo – Jack resmungou, se sentando também.
— Será que ela não sente ciúmes da gente? Quer dizer, da nossa amizade?
— Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe. O segredo, mulher. Desembucha.
Dei um riso baixo, por ver o meu amigo bastante ansioso.
— Se eu te contar esse segredo, você promete que não vai fazer piada?
— Aí você está pedindo para eu ir contra a minha natureza, gata.
Rolei os olhos.
— Então pega leve nas piadas, ok?
— Tá, tá. Eu prometo. Me conta logo esse segredo, porque eu estou para explodir de curiosidade.
— Eu chupei um dos meus pacientes – anunciei assim na lata e vi Jack franzir o cenho, confuso.
— Um dos seus pacientes? Mas são todos crianças... – ele disse, pensativo e um pouco incrédulo, até que ele amenizou sua expressão facial de repente – Peraí... – Jack arregalou os olhos e me encarou – O paciente do 69?
— Sim – afirmei e comecei a rir da cara dele de espanto, que parecia aquele cara do quadro “O Grito”, só que sem as mãos no rosto.
— Isso é verdade ou você está tirando uma com a minha cara? – ele inquiriu meio desconfiado, semicerrando os olhos, provavelmente porque eu não conseguia parar de rir.
— É sério – murmurei tentando, em vão, parar com a minha crise de riso.
— Sei...
Jack jogou o travesseiro dele em cima de mim, segundos antes do mesmo pular sobre ele, me prensando contra a cabeceira da cama.
— Ai, seu doido! Sai de cima de mim.
— Não enquanto você não falar a verdade – o safado disse, sorrindo cinicamente – E eu tenho a noite toda, porque aqui está tão confortável.
— Mas eu falei a verdade – ressaltei e Jack me encarou por alguns segundos, ainda desconfiado, antes de sair de cima de mim, que logo pude respirar mais aliviada, sem aquele peso sobre o meu corpo.
— Você é louca. Mais louca do que eu imaginava. Aliás, que safada você é, né? – ele comentou se deitando de novo.
— Eu não sou safada – resmunguei, meio emburrada, me deitando também.
— Não? E chupar o indefeso do queimado é o que, hein?
— Que indefeso o quê? O Christian não é nenhum indefeso não, Jack. Até me roubar um beijo, quando neguei isso a ele, o Christian já fez – retruquei, rolando os olhos.
— O quê? – Jack gritou em choque e fui meio que para cima dele, tapando sua boca com a minha mão.
— Não grita, sua peste. O Teddy está dormindo no quarto ao lado – sussurrei, então ele puxou minha mão, libertando seus lábios.
— Não me diga que vocês já transaram no isolamento?
— Não fiz sexo com o Christian não – informei saindo de cima dele, voltando para o meu lugar – Eu gosto muito do meu emprego e não vacilaria desse jeito não. E antes que abra a sua boca para comentar, eu nem sei porque o chupei ontem. Simplesmente aconteceu e quando me dei conta do que havia feito, quase morri de vergonha. Mas vamos parar de falar nisso e ir dormir, porque amanhã é um longo dia.
— Por acaso, a vinda do Teddy para ficar morando aqui conosco, tem a ver com o que aconteceu entre vocês dois? – ouvi Jack perguntar, assim que desligamos os abajures.
— Não sei, quer dizer, eu informei à assistente social que a gente fazia parte da lista de casas provisórias para crianças, daí eu já meio que me ofereci para trazer o Teddy para cá. Só que eu acho que faria isso com qualquer criança, Jack – murmurei, o olhando de relance.
— Você gosta dele?
— De quem? Do pai ou do filho? – o questionei.
— Do Teddy está evidente que você gosta. Até eu gosto dele e olha que eu o conheci a poucas horas atrás. Eu estava me referindo ao Tristan...
— Christian – o corrigi, interrompendo-o.
— Esse aí mesmo.
— Não sei, Jack. Talvez eu goste. Sinceramente, eu não sei mesmo – falei, pensativa, e em seguida dei boa noite para ele, virando-me de costas para o mesmo, tentando dormir.
JACK
— Tio Jack...
A muito custo, me permiti abrir os olhos e encarar quem perturbava o meu sono, que aliás estava muito bom. Logo a imagem de um garotinho se tornou nítida a minha frente, então busquei mentalmente o nome dele, tentando me lembrar.
“Tobias... Tallis... Theo... Theodore... Teddy... Teddy! É isso!” exclamei, à medida que eu me apoiava sobre um dos braços.
— Oi, Teddy. Que foi que houve, amigão? – inquiri, meio sonolento, dando um longo bocejo.
— Eu tentei acordar a mamãe Ana, mas ela não acordou.
Olhei por sobre o ombro, virando-me um pouco, e vi a Ana jogada ao meu lado, deitada de bruços, ressonando baixo.
— Ela deve estar cansada, Teddy. Deixa a sua mamãe descansar mais um pouco e o tio Jack aqui também – murmurei, deitando-me novamente, já fechando os olhos.
— Mas ela prometeu que a gente ia bem cedo visitar o meu papai lá no hospital, então ela tem que acordar, tio Jack.
O encarei por alguns segundos e respirei fundo, antes de me levantar.
— Tenho uma ideia para a gente acordar ela – sussurrei, piscando para ele.
— Que ideia, tio Jack?
— Uma bem divertida.
Sorri, meio travesso, e o conduzi para fora do quarto. Seguimos pelo corredor, então abri a porta e entrei no quarto de hóspede, já procurando as buzinas a gás que a gente usava na época do Super Bowl.
— Senhor, isso aqui está um caos – comentei, já achando uma das buzinas.
— O que é isso aí, tio Jack? – Teddy quis saber, assim que eu me aproximei dele, que havia permanecido parado na porta.
— Uma buzina que serve para acordar aquelas pessoas que dormem demais – murmurei, tentando não rir.
— A mamãe Ana não vai ficar brava se a gente acordar ela fazendo muito barulho?
— Vai nada, Teddy. Ela gosta de ser acordada assim – menti, já fazendo um sinal de silêncio enquanto adentrávamos novamente o meu quarto – Tapa os ouvidos, amigão – pedi num sussurro.
Então, assim que Teddy cobriu suas orelhas com as mãos, eu apertei a buzina, fazendo a Ana acordar assustada e logo me fuzilar com o olhar enquanto Teddy morria de rir da situação.
— Eu mereço vocês dois, viu – ela resmungou, emburrada, passando a mão nos cabelos.
— Desculpe, mamãe Ana. Eu vim chamar a senhora para a gente ir ver o meu papai, mas a senhora não acordou, daí eu acordei o tio Jack e pedi ajuda para ele – Teddy disse, se aproximando da cama.
— Vem cá, meu amor – Ana chamou ele para subir na cama e o mesmo assim o fez, sentando no colo dela, recebendo um abraço – Eu te perdoo por isso, seu sapeca.
— E eu? – perguntei, a provocando, já sendo alvo do seu olhar mortal.
— Você deveria era criar vergonha na cara por ficar ensinando coisa errada para o filho dos outros.
— Eu não ensinei nada. E até que foi bem divertido, né Teddy?
— Sim! – ele exclamou, empolgado, fazendo-me rir à medida que Ana rolava os olhos.
— Já que estou mais que acordado, eu vou preparar o nosso café da manhã, enquanto vocês se arrumam para ir ao hospital – informei, já saindo do quarto.

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