MEMORIAL UNIVERSITY MEDICAL CENTER
ANASTASIA
O resto do meu plantão passou tranquilo. O Dr. Trevelyan tinha vindo avaliar os resultados dos exames que o mesmo havia solicitado, depois foi conversar com o Christian.
Enquanto, eles conversavam, possivelmente sobre a cirurgia de enxerto de pele, Teddy ficou na enfermaria comigo, sentadinho em meu colo, brincando com um carrinho à medida que eu lia e anotava algumas coisas no caderno de passagem de plantão.
Às sete e dez da noite, terminei de passar o plantão para o enfermeiro que ia ficar a noite, então desci para bater o meu ponto. Depois segui rumo ao vestiário, a fim de trocar de roupa, antes de voltar para a clínica para buscar o Teddy.
À caminho do vestiário, encontrei Jack e o informei que iríamos cuidar provisoriamente de uma criança. O mesmo ficou mega animado com a notícia e aquilo me fez pensar no bebê que eu tinha tido e que havia deixado em frente à porta daquela família. Com certeza, Jack teria sido um pai maravilhoso para o nosso filho.
“Espero que ele nunca descubra sobre isso” pensei, enquanto seguíamos para o vestiário.
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— Está pronto para ir, meu anjinho? – indaguei assim que entrei no isolamento.
Teddy assentiu, então vi Christian passar algumas orientações para o filho, o mandando me obedecer sempre que eu ordenasse algo à ele.
— Amanhã eu posso vim ver o meu papai de novo, mamãe Ana?
— Claro, meu amor. Amanhã estou de folga, então vamos poder vir bem cedinho e passar o dia todo aqui com ele – informei, ajeitando sua franjinha, que eu achava bem fofa.
Teddy sorriu contente, indo em seguida pegar sua mochila que estava sobre uma poltrona existe no quarto, e foi se despedir de Christian, com um beijo na bochecha e um abraço, depois veio até mim e segurou minha mão, acenando para o pai, que acenou de volta.
Porém, quando nós dois estávamos à porta, escutei Christian me chamar, fazendo-me virar antes de abrir a porta.
— Quer alguma coisa? – inquiri, já o vendo sorrir.
— Sim. Cadê o meu beijo?
Franzi o cenho, confusa.
— Que beijo?
— Meu beijo de despedida – ele disse, batendo com o dedo indicador na bochecha.
— Vai lá, mamãe Ana – Teddy insistiu, em sua pura inocência de criança.
Respirei fundo e me aproximei devagar da cama, depois me inclinei sobre o leito e quando eu ia beijar a bochecha de Christian, ele virou um pouco o rosto e os meus lábios atingiram os dele, em um selinho rápido.
Novamente, corei, à medida que nossos olhares se encaravam mutuamente. Então, me afastei da cama e pegando na mão de Teddy, saí rapidamente dali, enquanto o meu coração se encontrava um pouco acelerado.
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THE BOWER RESIDENCE, APART. 06
Assim que chegamos em casa, eu já me encontrava bem mais calma. Jack havia vindo na frente, então quando adentramos o apartamento, ele veio nos receber, já banhado e vestido em uma calça preta de moletom e uma blusa cinza.
— Jack, esse aqui é o Theodore Grey, filho do...
— Paciente 69 – ele disse, me interrompendo.
— Sim. Teddy vai ficar conosco até o pai dele se recuperar e ter alta lá do hospital. O que estamos torcendo para ser muito rápido, né meu anjinho?
Theodore estava acanhado, olhando para Jack, que percebeu logo a timidez do garotinho. Jack então se ajoelhou, ficando na mesma altura que Teddy e estendeu a mão para ele.
— Oi, amigão – ele disse, mas Theodore apenas olhou para mim, depois para Jack.
— Você é namorado da mamãe Ana?
A pergunta inesperada dele me pegou de surpresa e fez Jack rir, então também me abaixei ao lado de Teddy.
— Não, meu amor. O Jack é meu melhor amigo – comentei, afagando seu bracinho, vendo logo Theodore franzir sua testinha, bem confuso.
— Mas ele é menino, mamãe Ana. E os meninos não podem ser amigos de meninas.
— E porque não? – quis saber, à medida que observava Jack conter um riso.
— Porque meninas são chatas!
— Poxa! Eu sou chata então?
— Não, mamãe Ana. A senhora é legal – ele disse, meio tímido.
— Tem um bolo delicioso de chocolate ali na cozinha. Quer ir comer um pedaço com o tio Jack aqui?
— Meu papai disse que faz mal comer doce antes do jantar – retrucou Teddy, fazendo eu e Jack nos entreolharmos.
— E seu pai está super certo. Mas não faz mal se mudarmos a ordem só uma vez e comermos a sobremesa antes do jantar enquanto a comida termina de ficar pronta. O que você acha?
Theodore balançou a cabeça, rejeitando.
— Ok, amigão – Jack falou, já se levantando e eu fiz o mesmo que ele.
— Vem comigo, meu anjinho. Vou te mostrar onde você vai dormir e depois vamos tomar banho para jantarmos.
— Tio Jack, eu quero um pedaço bem grandão de bolo. O senhor me dá agora? – Teddy pediu sorrindo, fazendo meu amigo assentir, enquanto tentava conter uma risada.
— É impressão minha ou eu acabei de ser trocada por um pedaço de bolo de chocolate? – indaguei, fazendo-me de desentendida.
— Não fique magoada, Aninha. Os meninos estão em maior número aqui – Jack murmurou, dando-me uns tapinhas no ombro, já conduzindo em seguida Theodore para a cozinha, à medida que perguntava para ele, o que as meninas chatas da escola dele faziam.
Aproveitei a oportunidade e fui para o meu quarto dá uma ajeitada nele, para que Teddy pudesse ficar ali. O apartamento possuía três quartos, mas o de hóspede estava cheio de coisas velhas que eu e o Jack tínhamos acumulados desde a época da faculdade. Então, como o outro quarto havia praticamente virado o nosso depósito, eu cederia o meu e iria ir dormir no quarto do Jack.
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Me encontrava terminando de arrumar as poucas roupas que Theodore tinha em sua mochila, em uma das gavetas da minha cômoda, quando ouvi risos no corredor, segundos antes, de Jack e Teddy aparecerem na porta do quarto.
— Vejo que estão se divertindo muito – comentei, sorrindo.
— Somos amigos agora, né?
— Sim – Theodore disse e olhou para mim – O tio Jack é super legal, mamãe Ana.
— Eu sei, meu amor. Então... esse aqui vai ser o quarto onde você vai dormir enquanto estiver morando com a gente – informei me aproximando dele e Teddy fez uma careta – O que foi, meu anjo? Não gostou?
— É um quarto de menina. Tem rosa na parede e coisas de menina.
— Eu também não dormiria aqui, amigão – Jack comentou rindo e eu dei um beliscão nele.
— Vamos fazer o seguinte. Você dorme hoje aqui e amanhã o tio Jack pinta o quarto de azul e tira as coisas de menina, né Jack?
Meu amigo semicerrou os olhos para mim e depois os revirou dizendo um “Ok”. Em seguida, mostrei ao Theodore onde havia guardado suas roupas, depois foi a vez do banheiro, então assim que voltamos ao quarto, perguntei se Teddy precisava de ajuda para banhar e trocar de roupa.
— Não preciso não, mamãe Ana. O meu papai já me ensinou a como tomar banho e me vestir sozinho desde que eu tinha seis anos, e agora eu já sou um homem crescido.
— Ok, meu amor. Qualquer coisa, eu e o tio Jack vamos está lá na cozinha.
Ele assentiu então o vi pegar o pijama e a toalha sobre a cama e sair do quarto, indo rumo ao banheiro.
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— Precisamos limpar o quarto de hóspede para o Teddy ficar lá – comentei adentrando a cozinha, encontrando Jack mexendo algo, em uma panela sobre a bancada da pia.
— Também estava pensando nisso e revendo mentalmente a nossa escala para ver quando vamos estar de folga juntos.
— Eu acho que só semana que vem. Na quarta, se não me falha a memória. Hum, que cheiro gostoso!
— Eu sei que sou cheiroso, lindão e gostoso – ele disse sorrindo, cinicamente, assim que parei ao seu lado.
— Estava falando do seu frango ao molho branco, seu convencido – zombei, o empurrando de leve com a lateral do meu corpo, fazendo Jack rir.
— Depois a gente confere nossas escalas e qualquer coisa, eu peço para Leila me substituir no dia que você tiver de folga, porque tem muita tralha velha naquele quarto e só uma pessoa não vai dá conta daquilo tudo não.
— Ok. Agora eu quero saber quando é que você vai chamar ela para sair? – indaguei enquanto o ajudava a colocar as coisas na mesa.
— Ela quem?
— A Leila.
— Ué? A gente não sai junto não?
Rolei os olhos.
— Estou dizendo chamar a Leila para um encontro, seu retardado.
— Porque eu faria isso?
— Não se faça de desentendido comigo.
— Eu não sei do que você está falando – ele disse, muito evasivo.
— Ah, não? Então, aquele olhar meio babacado que você às vezes manda para ela é o quê? Sem contar que você faz qualquer coisa por ela.
— Também faço as coisas para ti e isso não quer dizer que eu quero te comer – Jack sussurrou a última parte para que Teddy não escutasse – E eu troco ou cubro o plantão para as duas, por igual. Então, assunto encerrado.

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