sexta-feira, 27 de março de 2020

Paciente 69 - Capítulo 03


MEMORIAL UNIVERSITY MEDICAL CENTER

ANASTASIA

Passava um pouco das cinco e meia, quando terminamos de descer a última criança e finalizei minha evolução de alta no prontuário dela. Aproveitei que o Sr. Grey tinha acabado de acordar, então peguei minha prancheta e fui, finalmente fazer a visita rotineira que os enfermeiros faziam quando chegava um paciente novo.

— Boa tarde, Sr. Grey – falei assim que entrei, dando um sorriso acolhedor e me aproximei de seu leito, sentando na beiradinha da cama.
Não era costume, nós enfermeiros, fazermos isso, de sentar na beirada do leito do paciente, mas eu era diferente. Eu gostava daquele contato mais próximo com eles. Acabei notando que ele se encontrava com o olhar vago, um pouco aéreo, eu diria. Então, comecei a fazer algumas perguntas para ver se ele sabia onde estava e no segundo depois, seus olhos se fixaram em mim.

— É você... O meu anjo... – ele disse tocando em meu rosto.
Sorri e segurei sua mão, repousando gentilmente ela ao lado de seu corpo.

— Não sou anjo nenhum, Sr. Grey. Sou apenas uma enfermeira. A sua enfermeira, mais especificamente. Como o senhor está?

— Bem – ele murmurou, meio como se não acreditasse naquilo.
Contei-lhe então sobre a troca e a administração do novo remédio que eu havia feito enquanto ele dormia horas atrás.

— Obrigado, moça. E por favor, me chame pelo meu primeiro nome mesmo. Sei que estou ficando velho, mas não quero ser chamado de senhor não – ele comentou, me fazendo rir.

— Ok... Christian. Mas você vai me chamar por Ana e não de moça, ok?

Ele assentiu, chegando até a dar um sorriso também, meio fraco, mas deu.

— E o meu filho? – Christian perguntou quando eu me levantei da beirada da cama.

— Seu filho está sob os cuidados da assistência social do hospital. Provavelmente, ele deve estar em um lar provisório enquanto você está se recuperando. Vou verificar se a assistente pode trazê-lo no horário da visita amanhã.

— Seria bom demais. Muito obrigado, Ana.

— De nada. Agora vou ter que abrir o seu curativo – avisei e ele me encarou com uma expressão de angústia – Não precisa se preocupar, Christian. Devido ao remédio que lhe dei, não vai doer nada.

— Promete?
— Prometo – falei dando um sorriso e afagando sua mão.

— Tudo bem.

Avisei que iria pegar a bandeja de materiais para o procedimento e que logo voltaria para fazer, antes de sair do quarto.


★ ★ ★ ★ ★


Enquanto eu cortava e retirava, com cuidado, as ataduras e gazes da queimadura do Christian, o mesmo me encarava atentamente, seguindo com o olhar, cada movimento que eu fazia.

— Se eu fosse outra pessoa, ficaria muito incomodada ao ver alguém me encarando desse jeito – comentei com a voz um pouco abafada pela máscara cirúrgica.

— Me desculpe. É que estou tentando não olhar para minha barriga e como você é muito bonita, então... – ele, de repente, se calou e eu tirei minha atenção do penúltimo pedaço de gaze sobre a queimadura, o olhando de relance – Ah... Foi com todo respeito que eu disse que você era bonita, Ana. Espero que seu marido não me quebre a cara por isso.

“Marido? De onde ele tirou isso, meu Deus? Logo eu, que corro de relacionamentos, vou ter um marido?”

— Não sou casada, Christian – informei rindo e completei – E nem pretendo ter um marido, por enquanto.

— Eu pensei que você fosse, porque naquela vez que eu vim ao hospital com o Teddy, aquele rapaz que não lembro o nome...

— Jack?

— Acho que é esse. É aquele que lhe deu a chave da brinquedoteca.

— É o Jack mesmo. Mas, o que ele te disse?

— Que vocês eram noivos. Que eu não deveria me aproximar de você, senão ele me quebrava a cara. Ai!

— Desculpe, esta última tava um pouquinho grudada. E sobre o Jack, ele só estava me protegendo. Somos melhores amigos e sou como uma irmã mais nova para ele. Jack adora falar que é meu noivo, que é extremamente ciumento, só para afastar os caras tarados de perto de mim – falei enquanto limpava o local com uma gaze umedecida com soro.

— Ah... Entendi. Mas, não se preocupe, que não sou tarado.

Aquilo me fez sorrir, então quando ia respondê-lo o doutor apareceu, adentrando o quarto, enquanto higienizava as mãos com álcool em gel.

— Boa tarde, Sr. Grey. Sou o Dr. Elliot Trevelyan, cirurgião plástico. Como o senhor está?

— Bem melhor agora, doutor.

— Você deu o Ibuprofeno ou o Vicodin para ele? – Elliot perguntou, olhando-me, quando eu peguei a bandeja com os restos do curativo e comecei a me afastar de perto do leito.

— O segundo, doutor.

— Ok – ele então voltou sua atenção para Christian – Vou dar uma olhada na sua lesão para...

Deixei o quarto e voltei para a enfermaria, adentrando a sala de preparo de medicamentos, descartando as ataduras, as gazes, os algodões usados, as luvas e a máscara no cesto do lixo. Depois de lavar as mãos, peguei a pasta do Christian e, escorando-me ao balcão, fui evoluir minha visita.

Não demorou muito e o Elliot apareceu, me informando que pediria exames pré-operatórios para o Christian e que era para eu passar isso em plantão, para que o enfermeiro que estivesse amanhã de manhã realizasse o eletrocardiograma e entrasse em contato com o laboratório, para que eles viessem colher o sangue do paciente, e com o setor de imagens, para realizarem um raio X de tórax.

— Não se preocupe, doutor. Amanhã estou de plantão o dia todo – informei enquanto ele imprimia as solicitações de exames.


★ ★ ★ ★ ★


Depois que o doutor foi embora, aproveitei que as meninas se encontravam evoluindo os seus respectivos pacientes, então retornei ao isolamento.

— Vou ter que refazer o curativo, mas antes você precisa banhar, Christian – murmurei, já encostando a porta e empurrando o biombo hospitalar, cobrindo a visão da janela de vidro que dava para o corredor – Prontinho, agora você já pode levantar.

Notei que o mesmo ficou meio com vergonha, pois estava só com o lençol cobrindo-lhe do quadril para baixo. Então, o informei de que ele não precisava ter vergonha, porque nós éramos treinados para não se importar com a nudez dos pacientes.

— Ah, ok. Então você pode me ajudar? Eu ainda não consigo levantar sozinho – Christian murmurou e eu fui ajudá-lo.

O conduzi para o banheiro e fiquei escorada na soleira da porta. Mesmo sendo treinada para aquilo, eu não pude deixar de notar o tamanho do pau dele, que mesmo mole, parecia ser um pouco grande.

“Será que duro era maior?” indaguei pensativa e balancei a cabeça, para dissipar aquele pensamento.

— Você consegui ficar bem por alguns minutinhos? Porque eu preciso pegar uma toalha e uma camisola limpa para você vestir.

— Consigo sim.

Sai do quarto e dei um pulinho rápido na salinha onde guardamos toalhas, lençóis, fronhas, mantas, camisolas, capas para biombos e conjuntos de pijama infantil e adulto. Tudo esterilizados. Peguei o necessário e voltei ao quarto, deixando a camisola em cima da cama e indo para o banheiro.

Christian desligou o chuveiro e se aproximou de mim, então o mandei virar de costa e com cuidado, eu comecei a enxugá-lo. Quando passei para a frente, nossos olhares se encontraram por alguns segundos e eu sorri, terminando de enxugar seu peito e braços.

Depois o ajudei a retornar para a cama, já colocando o lençol sobre seu quadril, cobrindo-lhe sua nudez. Então, fui buscar os materiais para o novo curativo.

— Enfermeira?

Olhei por sobre o ombro e vi uma das técnicas na porta da sala de preparo.

— Oi, Andrea.

— Eu vou fazer extra hoje a noite, então queria ficar com os mesmos pacientes.

Assenti em afirmação e ela saiu. Terminei de arrumar a bandeja e sai.

— Meninas, eu estou indo fazer o curativo do paciente 69, se alguma das eletivas subir enquanto eu tiver ocupada, cada uma recebe um para passar na troca de plantão – informei e me dirigi para o isolamento.


★ ★ ★ ★ ★


Ficamos conversando coisas aleatórias à medida que eu ia fazendo o curativo dele. Christian falou um pouco de sua vida como pai solteiro e eu contei como eu e Jack nos conhecemos, e Christian não estava acreditando muito que nós éramos só amigos.

— Acho que se eu fosse o seu namorado, com certeza teria ciúmes de vocês dois. Para mim, homem e mulher não podem ser melhores amigos.

— Ué, e porque não? – perguntei fechando o curativo.

— Porque amizades assim sempre tem algum sentimento amoroso ou erótico envolvido por trás.

— O mundo está evoluindo, Christian. Olha, parece que tem gente querendo participar da nossa conversa também – comentei rindo, quando notei o pau dele um pouco duro, fazendo assim um certo volume sob o lençol.

— Desculpe.

— Tudo bem. Eu tenho culpa no cartório também. Eu não deveria ter triscado nele enquanto fazia o curativo. Relaxe um pouco e ele logo voltará a dormir.

— Com você aqui? Eu duvido muito – Christian disse, então o encarei.

Não sei o que deu em mim naquele momento. Foi como se uma entidade devassa se apossasse do meu corpo e da minha mente, e a única coisa que eu pensava era em saborear aquele pau.

Então, fui até a porta, trancando-a, e voltei tirando as luvas e a máscara, colocando a bandeja sobre uma mesa ao pé do leito. Depois puxei o lençol para baixo, ignorando o que Christian falava e então, comecei a chupá-lo.

Eu lambia, chupava e massageava com as mãos, toda a extensão do pau dele à medida que eu o escutava reprimir seus gemidos, para ninguém ouvir. Entretanto, ele logo veio a gozar em minha boca, aliviando-se.
Enquanto limpava o canto da minha boca, me dei conta do que tinha acabado de fazer e olhei para Christian, meio envergonhada.

— Me desculpe e por favor, não conte isso para ninguém. Eu não posso perder o meu emprego – pedi constrangida e desviei o olhar, subindo o lençol novamente.

— Não se preocupe, Ana. Não contarei nada e... obrigado.

Apenas dei um meio sorriso, ainda morrendo de vergonha da situação, então peguei a bandeja e sai do quarto.

“Meu Deus, o que eu acabei de fazer? Com certeza, fiquei doida” pensei respirando fundo, antes de ir para a enfermaria.

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