MEMORIAL UNIVERSITY MEDICAL CENTER
ANASTASIA
Passava um pouco das cinco e meia, quando terminamos de descer a última criança e finalizei minha evolução de alta no prontuário dela. Aproveitei que o Sr. Grey tinha acabado de acordar, então peguei minha prancheta e fui, finalmente fazer a visita rotineira que os enfermeiros faziam quando chegava um paciente novo.
— Boa tarde, Sr. Grey – falei assim que entrei, dando um sorriso acolhedor e me aproximei de seu leito, sentando na beiradinha da cama.
— É você... O meu anjo... – ele disse tocando em meu rosto.
— Não sou anjo nenhum, Sr. Grey. Sou apenas uma enfermeira. A sua enfermeira, mais especificamente. Como o senhor está?
— Bem – ele murmurou, meio como se não acreditasse naquilo.
— Obrigado, moça. E por favor, me chame pelo meu primeiro nome mesmo. Sei que estou ficando velho, mas não quero ser chamado de senhor não – ele comentou, me fazendo rir.
— Ok... Christian. Mas você vai me chamar por Ana e não de moça, ok?
Ele assentiu, chegando até a dar um sorriso também, meio fraco, mas deu.
— E o meu filho? – Christian perguntou quando eu me levantei da beirada da cama.
— Seu filho está sob os cuidados da assistência social do hospital. Provavelmente, ele deve estar em um lar provisório enquanto você está se recuperando. Vou verificar se a assistente pode trazê-lo no horário da visita amanhã.
— Seria bom demais. Muito obrigado, Ana.
— De nada. Agora vou ter que abrir o seu curativo – avisei e ele me encarou com uma expressão de angústia – Não precisa se preocupar, Christian. Devido ao remédio que lhe dei, não vai doer nada.
— Promete?
— Tudo bem.
Avisei que iria pegar a bandeja de materiais para o procedimento e que logo voltaria para fazer, antes de sair do quarto.
★ ★ ★ ★ ★
Enquanto eu cortava e retirava, com cuidado, as ataduras e gazes da queimadura do Christian, o mesmo me encarava atentamente, seguindo com o olhar, cada movimento que eu fazia.
— Se eu fosse outra pessoa, ficaria muito incomodada ao ver alguém me encarando desse jeito – comentei com a voz um pouco abafada pela máscara cirúrgica.
— Me desculpe. É que estou tentando não olhar para minha barriga e como você é muito bonita, então... – ele, de repente, se calou e eu tirei minha atenção do penúltimo pedaço de gaze sobre a queimadura, o olhando de relance – Ah... Foi com todo respeito que eu disse que você era bonita, Ana. Espero que seu marido não me quebre a cara por isso.
“Marido? De onde ele tirou isso, meu Deus? Logo eu, que corro de relacionamentos, vou ter um marido?”
— Não sou casada, Christian – informei rindo e completei – E nem pretendo ter um marido, por enquanto.
— Eu pensei que você fosse, porque naquela vez que eu vim ao hospital com o Teddy, aquele rapaz que não lembro o nome...
— Jack?
— Acho que é esse. É aquele que lhe deu a chave da brinquedoteca.
— É o Jack mesmo. Mas, o que ele te disse?
— Que vocês eram noivos. Que eu não deveria me aproximar de você, senão ele me quebrava a cara. Ai!
— Desculpe, esta última tava um pouquinho grudada. E sobre o Jack, ele só estava me protegendo. Somos melhores amigos e sou como uma irmã mais nova para ele. Jack adora falar que é meu noivo, que é extremamente ciumento, só para afastar os caras tarados de perto de mim – falei enquanto limpava o local com uma gaze umedecida com soro.
— Ah... Entendi. Mas, não se preocupe, que não sou tarado.
Aquilo me fez sorrir, então quando ia respondê-lo o doutor apareceu, adentrando o quarto, enquanto higienizava as mãos com álcool em gel.
— Boa tarde, Sr. Grey. Sou o Dr. Elliot Trevelyan, cirurgião plástico. Como o senhor está?
— Bem melhor agora, doutor.
— Você deu o Ibuprofeno ou o Vicodin para ele? – Elliot perguntou, olhando-me, quando eu peguei a bandeja com os restos do curativo e comecei a me afastar de perto do leito.
— O segundo, doutor.
— Ok – ele então voltou sua atenção para Christian – Vou dar uma olhada na sua lesão para...
Deixei o quarto e voltei para a enfermaria, adentrando a sala de preparo de medicamentos, descartando as ataduras, as gazes, os algodões usados, as luvas e a máscara no cesto do lixo. Depois de lavar as mãos, peguei a pasta do Christian e, escorando-me ao balcão, fui evoluir minha visita.
Não demorou muito e o Elliot apareceu, me informando que pediria exames pré-operatórios para o Christian e que era para eu passar isso em plantão, para que o enfermeiro que estivesse amanhã de manhã realizasse o eletrocardiograma e entrasse em contato com o laboratório, para que eles viessem colher o sangue do paciente, e com o setor de imagens, para realizarem um raio X de tórax.
— Não se preocupe, doutor. Amanhã estou de plantão o dia todo – informei enquanto ele imprimia as solicitações de exames.
★ ★ ★ ★ ★
Depois que o doutor foi embora, aproveitei que as meninas se encontravam evoluindo os seus respectivos pacientes, então retornei ao isolamento.
— Vou ter que refazer o curativo, mas antes você precisa banhar, Christian – murmurei, já encostando a porta e empurrando o biombo hospitalar, cobrindo a visão da janela de vidro que dava para o corredor – Prontinho, agora você já pode levantar.
Notei que o mesmo ficou meio com vergonha, pois estava só com o lençol cobrindo-lhe do quadril para baixo. Então, o informei de que ele não precisava ter vergonha, porque nós éramos treinados para não se importar com a nudez dos pacientes.
— Ah, ok. Então você pode me ajudar? Eu ainda não consigo levantar sozinho – Christian murmurou e eu fui ajudá-lo.
O conduzi para o banheiro e fiquei escorada na soleira da porta. Mesmo sendo treinada para aquilo, eu não pude deixar de notar o tamanho do pau dele, que mesmo mole, parecia ser um pouco grande.
“Será que duro era maior?” indaguei pensativa e balancei a cabeça, para dissipar aquele pensamento.
— Você consegui ficar bem por alguns minutinhos? Porque eu preciso pegar uma toalha e uma camisola limpa para você vestir.
— Consigo sim.
Sai do quarto e dei um pulinho rápido na salinha onde guardamos toalhas, lençóis, fronhas, mantas, camisolas, capas para biombos e conjuntos de pijama infantil e adulto. Tudo esterilizados. Peguei o necessário e voltei ao quarto, deixando a camisola em cima da cama e indo para o banheiro.
Christian desligou o chuveiro e se aproximou de mim, então o mandei virar de costa e com cuidado, eu comecei a enxugá-lo. Quando passei para a frente, nossos olhares se encontraram por alguns segundos e eu sorri, terminando de enxugar seu peito e braços.
Depois o ajudei a retornar para a cama, já colocando o lençol sobre seu quadril, cobrindo-lhe sua nudez. Então, fui buscar os materiais para o novo curativo.
— Enfermeira?
Olhei por sobre o ombro e vi uma das técnicas na porta da sala de preparo.
— Oi, Andrea.
— Eu vou fazer extra hoje a noite, então queria ficar com os mesmos pacientes.
Assenti em afirmação e ela saiu. Terminei de arrumar a bandeja e sai.
— Meninas, eu estou indo fazer o curativo do paciente 69, se alguma das eletivas subir enquanto eu tiver ocupada, cada uma recebe um para passar na troca de plantão – informei e me dirigi para o isolamento.
★ ★ ★ ★ ★
Ficamos conversando coisas aleatórias à medida que eu ia fazendo o curativo dele. Christian falou um pouco de sua vida como pai solteiro e eu contei como eu e Jack nos conhecemos, e Christian não estava acreditando muito que nós éramos só amigos.
— Acho que se eu fosse o seu namorado, com certeza teria ciúmes de vocês dois. Para mim, homem e mulher não podem ser melhores amigos.
— Ué, e porque não? – perguntei fechando o curativo.
— Porque amizades assim sempre tem algum sentimento amoroso ou erótico envolvido por trás.
— O mundo está evoluindo, Christian. Olha, parece que tem gente querendo participar da nossa conversa também – comentei rindo, quando notei o pau dele um pouco duro, fazendo assim um certo volume sob o lençol.
— Desculpe.
— Tudo bem. Eu tenho culpa no cartório também. Eu não deveria ter triscado nele enquanto fazia o curativo. Relaxe um pouco e ele logo voltará a dormir.
— Com você aqui? Eu duvido muito – Christian disse, então o encarei.
Não sei o que deu em mim naquele momento. Foi como se uma entidade devassa se apossasse do meu corpo e da minha mente, e a única coisa que eu pensava era em saborear aquele pau.
Então, fui até a porta, trancando-a, e voltei tirando as luvas e a máscara, colocando a bandeja sobre uma mesa ao pé do leito. Depois puxei o lençol para baixo, ignorando o que Christian falava e então, comecei a chupá-lo.
Eu lambia, chupava e massageava com as mãos, toda a extensão do pau dele à medida que eu o escutava reprimir seus gemidos, para ninguém ouvir. Entretanto, ele logo veio a gozar em minha boca, aliviando-se.
— Me desculpe e por favor, não conte isso para ninguém. Eu não posso perder o meu emprego – pedi constrangida e desviei o olhar, subindo o lençol novamente.
— Não se preocupe, Ana. Não contarei nada e... obrigado.
Apenas dei um meio sorriso, ainda morrendo de vergonha da situação, então peguei a bandeja e sai do quarto.
“Meu Deus, o que eu acabei de fazer? Com certeza, fiquei doida” pensei respirando fundo, antes de ir para a enfermaria.

Nenhum comentário:
Postar um comentário