SAVANNAH, GA, JULHO DE 2014
CHRISTIAN
Após perder minha esposa Mia durante a cesariana de emergência da nossa filha Evie, eu me senti sem chão. A única coisa que me manteve vivo todos esses anos e lutando para continuar em pé a cada dia, foi cuidar do nosso filho Teddy. Um anjinho que haviam deixado em nossa porta há quatro anos.
Theodore tinha apenas dois anos quando tivemos que sair de Nova York e vir para Savannah, devido ele ter contraído, meses antes, uma pneumonia tão forte que o deixou hospitalizado por semanas. Savannah tinha um clima bem mais propício ao estado de saúde necessário para o meu filho e eu também poderia criá-lo numa cidade bem mais tranquila do que Nova York.
Morávamos em um bairro com uma vizinhança bem acolhedora, pois quando consegui um emprego em um escritório, minha vizinha Gail, se prontificou em me ajudar, então ela sempre ficava cuidando do Teddy assim que eu ia buscá-lo na creche, na hora do meu almoço.
Acordei no meio da noite, com meu filho tossindo muito. Me levantei meio sonolento e me dirigi até o quarto ao lado para dar-lhe novamente o xarope, pois o mesmo desde ontem estava meio gripadinho. Entretanto, quando o toquei, senti que Theodore se encontrava muito quente e com a respiração meio puxada.
Tive medo de que fosse uma pneumonia de novo, então liguei para a Sr.ª Jones, já pedindo mil desculpas por tê-la acordado, e logo pedi seu carro emprestado dizendo como Teddy estava. Ela se compadeceu de minha situação e nos levou imediatamente para o hospital.
Quando chegamos na porta da emergência, saltei do carro com meu filho em meus braços e adentrei indo até a ,já pedindo ajuda, então uma moça de cabelos castanhos que passava se aproximou, pediu para a recepcionista fazer a internação do Theodore e me conduziu para uma porta dupla.
Assim que passamos, vi que davam para a parte interna da emergência, então ela me levou para um dos quartos do corredor e pediu para que eu colocasse meu filho sobre uma das duas camas existentes no lugar.
— Fiquem aqui. Eu vou chamar a outra enfermeira para vir vê-los – ela disse, já indo rumo a porta.
— Obrigado, senhora.
— Senhora não. Pode me chamar de Leila se quiser, mas não de senhora.
Ela sorriu e disse que ia chamar a colega dela, porque a outra era melhor com crianças do que ela, então eu assenti, agradecendo-a novamente e Leila saiu do quarto. Teddy começou a tossir de novo e eu estava massageando sua costa quando a outra enfermeira adentrou o quarto segurando uma prancheta.
— Boa noite, sou a Enf.ª Steele. A Enf.ª Williams me pediu para vir visitá-los enquanto ela liga para a pediatra de plantão.
— Obrigado.
— De nada, Sr. Grey. Esse menino lindinho deve ser o Theodore, não é?
Meu filho me puxou pela camisa, me abraçando e enfiando seu rostinho contra minha barriga.
— Pa casa, papai. Quelo í pa casa agola – ele disse e tossiu de novo.
— Desculpe, senhora. Ele tem medo de hospitais porque há alguns meses, ele teve uma pneumonia forte e ficou internado – falei para a enfermeira, que deu um sorriso simpático e anotou algo em sua prancheta, depois se aproximou de nós, sentando-se ao lado do meu filho.
— Teddy? – ela o chamou pelo seu apelido e ele a encarou – Acertei seu apelido, não foi? Posso te chamar assim ou de Theo?
— Goto de Teddy.
— Ok. Então, Teddy, hospitais podem ser legais. Quer ver como pode se divertir muito aqui? – a enfermeira indagou prendendo a atenção do meu filho, que acenou um sim com a cabeça, então uma outra moça entrou no quarto e entregou um pacote a ela – Mas primeiro precisa vestir essa roupa especial e a titia Ana vai precisar colocar um aparelho no seu bracinho.
— Não! Vai doé! – Theodore gritou já começando a chorar e a tossir ao mesmo tempo.
— Calma, meu amorzinho. Não vai doer nadinha. Sei que você tá com medo, mas a titia precisa colocar o aparelho.
— Quelo não. Papai, quelo í pa casa.
— Teddy, olha para mim. Que tal fazermos um acordo? Eu coloco o aparelho primeiro no braço do seu papai e ai ele vai dizer se dói ou não. Tudo bem?
— Tá bom.
A enfermeira, que descobri se chamar Anastasia, devido eu ter olhado o seu crachá, me pediu para trocar a roupa do meu filho enquanto ela pegava o aparelho de pressão e assim o fiz.
Quando ela adentrou o quarto novamente, me pediu para sentar na beirada da cama e começou a aferir minha pressão enquanto explicava para o Teddy o que ela estava fazendo. Meu filho logo se sentiu à vontade e deixou que Anastasia o examinasse também.
— Agora a titia vai te levar até a brinquedoteca e vamos brincar muito enquanto esperamos a doutora chegar para te examinar direitinho, ok?
— Ela é boazinha igual voxê, titia?
— Muito boazinha e ainda vai te dar um pirulito, não é ótimo?
— Goto de pilulito – Theodore disse sorrindo enquanto ela o pegava no colo.
Assim que saímos do quarto, nos aproximamos do balcão da enfermaria e Anastasia informou para Leila que ela estava subindo com um paciente para a brinquedoteca. A outra enfermeira disse que a médica estava lá em cima terminando a visita na Clínica Pediátrica.
— Você tem filhos? – perguntei enquanto estávamos dentro do elevador e o mesmo rompia os andares.
— Não – ela me olhou sorrindo à medida que afagava a costa de Teddy que tossia em seu colo – Mas adoto os pequenos que estão internados e viro a mamãe postiça deles.
— Muito legal isso – comentei.
— Eu não tenho uma mamãe. Papai, a titia pode ser a minha mamãe?
— Filho, por favor...
— Tudo bem, Sr. Grey – Anastasia disse e olhou para o meu filho – Se a doutora boazinha disser que você precisa ficar aqui por alguns dias, eu vou ser sua mamãe postiça – ela deu uma piscadinha e Theodore se aninhou ao seu pescoço.
Quando chegamos ao quarto andar, nos dirigimos até o balcão de uma enfermaria que deduzi ser a Clínica Pediátrica, pois havia nas paredes ao longo do corredor, pinturas de desenhos animados.
— Oi, Jack. A Dr.ª Trevelyan ainda está aqui? – ela perguntou a um homem que estava escorado no balcão, escrevendo algo em uma pasta.
— Oi, amor. A doutora tá lá no isolamento, mas depois vai examinar um paciente no PS. E quem é esse garotinho?
— Um paciente especial, aliás, é o paciente do PS que ela tem que examinar. Pode me dá a chave da brinquedoteca?
Ele assentiu e se inclinou para frente, sobre o balcão, pegando um chaveiro, já o entregando para Anastasia que o agradeceu pedindo que ele informasse a médica onde nós estaríamos. Fiquei na porta enquanto Ana adentrava a sala com meu filho.
Permaneci ali, vendo os dois brincarem e conversarem. Ela parecia que tinha um dom, um jeito mágico de encantar as crianças e Teddy parecia confiar tanto nela que aquilo me fez vê-la com outros olhos.
— Nem tente.
Olhei para o lado e o tal de Jack havia se aproximado de mim.
— Não sei do que está falando.
— Ah, sabe sim. Conheço esse olhar e por esse motivo que eu repito... Nem tente. E sabe porque? Por duas simples razões. Primeira, a minha Ana não é e nunca será para o seu bico. E segunda, ela é minha. Estamos noivos e eu sou extremamente ciumento, então se você quiser ficar com a sua cara intacta é melhor nem ousar se aproximar dela. Está me entendendo? – ele me ameaçou, então pensei primeiramente no meu filho.
— Entendi sim, mas não se preocupe, porque não sou uma ameaça para o senhor.
— Espero que seja verdade.
JACK
— O que tanto você conversou com o pai daquele paciente?
Me virei e vi Ana na porta do vestiário, a mesma então adentrou e eu me fiz de desentendido.
— Não sei do que você está falando, gostosa.
— Jack?
Ela parou do meu lado, se escorando no armário.
— Nada de mais – anunciei terminando de colocar meu casaco.
— Eu te conheço muito bem, Jack. Então anda, desembucha logo.
— Apenas disse que você tinha uma doença sexualmente transmissível.
— Você fez o quê?
— Eu vi aquele cara olhando para você de um jeito bem tarado, então falei que você tinha DST – menti novamente, tentando segurar o riso, mas a cara que a Aninha fez foi hilária demais, então não me aguentei e comecei a rir.
— Babaca – ela resmungou me dando um murro no ombro, antes de ir para o armário dela a fim de trocar de roupa.
— Também te amo, amor.
— Vai ver se eu tô na esquina, vá?
— Só se você fizer um desconto no programa – comentei rindo e Ana apenas me deu dedo enquanto fechava seu armário, antes de sairmos do hospital.

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