quinta-feira, 26 de março de 2020

Paciente 69 - Prólogo


MEMORIAL UNIVERSITY MEDICAL CENTER
SAVANNAH, GA, SETEMBRO DE 2009

A equipe de residentes em Enfermagem comemoravam o último dia de sua residência no hospital universitário. Todos estavam felizes, pois na semana seguinte iriam receber seus tão sonhados diplomas e alguns teriam a sorte de continuar no hospital, agora no quadro oficial de funcionários.

Entre o grupo de enfermeiros recém formados que se encontravam no vestiário tirando os uniformes esterilizados, usados por sobre suas roupas, estavam Jack Hyde e Anastasia Steele.

Ambos são o que muitos dizem por aí de irmãos separados antes do nascimento. Eles assim que se conheceram, no primeiro dia de aula na faculdade, logo sentiram a química que os envolviam.

Ana, com seus cabelos castanhos escuros, olhos azuis claros, pele alva, sorriso acolhedor e corpo com curvas naturais, era o desejo de cobiça de todos os garotos. Jack, com seus cabelos loiros escuros, olhos esverdeados, pele morena clara, sorriso conquistador e corpo comparado a de um deus grego, também era o desejo de cobiça de todas as garotas do campus.

Entretanto, contrariando todas as expectativas e suposições que os outros alunos faziam acerca deles, Jack e Ana viraram amigos inseparáveis e não tinham vergonha de demonstrar o carinho, o amor e a cumplicidade que existia entre eles.

O grupo se dirigiu para um bar nas proximidades de onde moravam, já que os mesmos residiam em um prédio residencial ao lado do hospital, e lá comemoraram tomando todas. Mas aquela noite de bebedeira traria consequências um tanto que devastadoras para vida de Anastasia.


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THE BOWER RESIDENCE, APART. 06
SAVANNAH, GA, NOVEMBRO DE 2009

Ana ainda encarava em choque o teste de gravidez em suas mãos. Um filho era o que ela menos poderia sonhar agora. Logo quando estava iniciando sua carreira profissional, ocupando uma das sete vagas para compôr a nova equipe de enfermeiros do Memorial University Medical Center.

Ela sobressaltou-se com uma batida na porta de seu banheiro. Era seu amigo, a chamando para não se atrasarem para o plantão da noite então Anastasia enfiou o teste dentro da bolsa e saiu, encontrando Jack no quarto dela.

Eles se entreolharam e Ana teve vontade de dizer sobre a descoberta da gravidez, mas se ela falasse poderia arruinar a carreira dele também, já que o mesmo era o pai do bebê.

— O que foi? – ele perguntou estranhando o comportamento da sua amiga que o encarava meio esquisito.

— Nada. Vamos? – ela disse dando um sorriso e passando por ele indo para sala.

Jack ficou sem entender, porém a amizade deles estava meio abalada depois de terem transado bêbados, na madrugada da comemoração. Anastasia o chamou, já na porta, então ele se dirigiu até ela, saindo do apartamento que dividiam desde que começaram a fazer a residência deles.

“Mas o que Ana faria para esconder a gravidez de seu melhor amigo?” Essa era a pergunta que martelava na cabeça dela enquanto se preparavam para assumir seus plantões na Clínica Médica e na Emergência.


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SAVANNAH/HILTON HEAD INTERNATIONAL AIRPORT
SAVANNAH, GA, DEZEMBRO DE 2009

As semanas foram se passando e a cada dia estava mais difícil para Anastasia esconder a gravidez de Jack, principalmente com os sintomas, mas ela sempre arranjava uma boa desculpa quando era pega por ele vomitando ou passando mal no corredor do hospital.

Todavia, a situação se complicaria quando a barriga aumentasse ainda mais, então não tendo outra alternativa, Ana foi até a sala do Enfermeiro-Chefe e o comunicou que iria se desligar do hospital, pois se encontrava com alguns problemas pessoais.

Para os amigos, ela disse que estava se demitindo porque precisaria cuidar, por alguns meses, de uma tia que morava em Nova York, porém Jack desconfiou da história, já que a mesma, assim que se conheceram, tinha confidenciado que era órfã.

Entretanto, Anastasia informou que ela havia encontrado recentemente uma tia ligada aos seus pais biológicos e que a mesma se encontrava doente e precisava de cuidados.

— Vou sentir saudades da minha doidinha – Jack comentou abraçado à Ana, no saguão de embarque do aeroporto.

— Eu também vou sentir muita saudade de você, mas eu logo vou estar de volta para te atentar – ela disse em meio às lágrimas.

Anastasia terminou de se despedir dos outros colegas que estavam ali e saiu rumo ao portão de embarque.


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NOVA YORK, NY, JUNHO DE 2010

Aqueles últimos meses em Nova York haviam sido bem difíceis para Ana.

O pouco de dinheiro que ela possuía, a mesma usou para alugar um pequeno apartamento no Brooklyn, onde só saía para ir às consultas no hospital e voltava no mesmo rastro, porque ela não estava ali para fazer amigos ou curtir a cidade e sim para ter o bebê, encontrar uma família que o amaria e entregá-lo a essas pessoas.

Com o passar dos meses, à medida que via sua barriga crescer mais e mais, Anastasia até se permitiu conversar com o bebê algumas vezes, mas preferiu voltar a se manter distante e não ter apego ao bebê. Todavia, foi impossível quando a enfermeira lhe entregou ele, ao nascer.

Cansada e banhada de suor por horas em trabalho de parto, Ana não pensava mais na dor dilacerante que lhe acometia as costas e sim, só admirava aquele pequeno anjinho em seus braços que havia nascido com a mesma marca de nascença que Jack possuía no peito.

Assim que recebeu alta do hospital, Anastasia retornou ao apartamento e deu continuidade a sua busca para achar uma família para o seu filho, porém não havia progresso, o que a fez se desesperar um pouco, pois não tinha comprado nada para o bebê, apenas um conjunto e uma manta, as quais ele havia saído vestido do hospital.

Então, em uma noite, ela saiu com o filho nos braços, pegou um táxi e pediu para o mesmo ir até um bairro de classe média alta e assim o motorista o fez. Após dispensar o táxi, Ana saiu devagar pelo bairro e assim que sentiu um pressentimento bom ao passar em frente a uma casa, ela parou e a observou.

Verificando novamente o bilhete colocado por dentro da manta, Anastasia andou devagar até a porta da entrada.

— Você vai ser mais feliz aqui do que comigo, meu amor. Eu te amo, meu pequeno – ela sussurrou, despedindo-se do filho com um beijo no rosto enquanto lágrimas vinham aos seus olhos.

Ana se agachou então, o ajeitou sobre o tapete de boas vindas na entrada da casa e tocou a campainha três vezes até que luzes se acenderam no interior fazendo ela correr para detrás de um carro do outro lado da rua.

A mesma viu uma mulher grávida aparecer na porta e se assustar ao ver o bebê no chão. Ela olhou para rua depois chamou o marido enquanto pegava o pequeno nos braços e entrou fechando a porta.

Anastasia demorou-se alguns minutos, pois chorava copiosamente e assim que a crise passou um pouco, ela saiu do seu esconderijo e partiu dali para voltar à sua antiga vida, ciente de que seu filho receberia todo o amor que ela e Jack talvez não pudessem dar.

Agora a única coisa que Ana faria era esquecer aquilo para sempre.

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