CHRISTIAN
Ao voltar aquela manhã para casa, contente e louco para contar aos meus pais sobre a Ana, me deparei com uma realidade bem difícil. Havia dois policiais na sala de estar com minha mãe, que chorava copiosamente, sendo amparada por uma de nossas vizinhas.
Meus irmãos haviam sido mortos. Ao que parece tentaram passar a perna e roubar um cara de uma gangue local. Já meu pai tinha ido parar no hospital, muito mal, após sofrer um infarto, devido à notícia. Com isso tudo, meu mundo virou de cabeça para baixo.
Quando finalmente consegui aparecer na casa da Ana, depois de três dias preso no hospital com meu pai entre a vida e a morte. Ela nem quis me ouvir e me mandou ir embora, dizendo que eu a tinha enganado sobre amá-la, que eu só havia falado aquilo para transar com ela.
Fiquei arrasado, mas como eu não tinha celular e nem sabia o número fixo da casa dela, eu não havia conseguido entrar em contato com a mesma, para pelo menos avisá-la do que estava se passando em minha vida.
— Você tem que se animar um pouco, Christian. Hoje é o seu Baile de Formatura e a mamãe até me liberou do restaurante para eu ir com você, mesmo não sendo do último ano – Gia falou, se jogando na minha cama, me abraçando.
— Eu não estou com ânimo para festa, lindinha. Faz uma semana que meus irmãos morreram. Meu pai ainda está no hospital, se recuperando. E a garota que eu amo, me odeia.
— Quem perdeu foi ela, Christian. Vamos, por favor! Tia Grace quer que você vá para distrair um pouco a cabeça. Ela tá muito preocupada com você.
A encarei por alguns segundos e assenti, suspirando desanimado, deixando Gia feliz.
— Seu terno já está lá embaixo, junto com as chaves de um carro que eu pedi para o papai alugar para você ir me buscar e me deixar em casa – ela informou, sorrindo, à medida que se levantava da cama.
— Já estava com tudo armado, não era? – indaguei, semicerrando os olhos, a vendo rir.
— Claro.
— Queria ver se eu tivesse insistido no meu “Não” – rebati.
— Eu iria conseguir te convencer de um jeito ou de outro, Christian. Com esse rostinho lindo que mamãe e papai me deram, eu sempre consigo tudo que quero.
Ri, tacando-lhe um travesseiro, fazendo a mesma rir também, então Gia me jogou um beijinho no ar e saiu do quarto, deixando-me a sós com meus pensamentos novamente. Respirei fundo, voltando a pensar na Anastasia, como sempre fazia nesses últimos dias, e logo as horas foram passando.
Então, me levantei da cama e fui me arrumar para o baile.
Quando cheguei na casa dos meus padrinhos, estranhei que Gia ainda não estivesse arrumada, já que a mesma atendeu a porta usando shortinho e regata.
— Desistiu de ir comigo para o baile? – perguntei, adentrando a casa, vendo-a fechar a porta.
— Não. Eu vou me arrumar rapidinho. Estava testando umas makes antes, para ver qual ia me deixar glamurosa, porque eu quero arrasar com os gatinhos veteranos.
— Está indo me fazer companhia ou pegar os caras do último ano? – inquiri.
— Claro que é para te fazer companhia, Christian. Mas se um dos caras lá der mole, eu pego, com certeza. Tenho que está linda e preparada em todas ocasiões, até mesmo em uma ida à padaria. Vai lá que o amor da minha vida foi comprar pão no mesmo horário que eu, né?
Sorri, balançando a cabeça, e a mandei ir se arrumar logo. Todavia, ela me puxou para a sala de estar, me fazendo sentar no sofá. Na mesinha de centro jazia uma rosa e uma caixinha de presente dentro de um vidro, com um suporte de madeira.
— Esse é um presente para você. Daí quando eu descer, você vai me dar ele.
A encarei confuso.
— Ué, esse presente é meu ou é seu?
— Ai, Christian. Você complicada demais as coisas. Eita, Deus! Deixa eu ir logo me vestir. Não esquece, viu? Quando eu descer arrumada, me dê esse presente.
— Ok. Não demora. Quero chegar lá cedo para voltarmos cedo.
— Pode deixar.
— Estou pronta, Christian! Vem me esperar no pé da escada! – ouvi Gia gritar do andar de cima, então sai resmungando.
— Não sei porque esse mistério todo, Gi... – parei de falar, quando a vi aparecendo no alto da escada, usando um vestido lindo, meio rosa-salmão, no estilo princesa, e segurando uma bolsa de mão perolada.
Estava maravilhado vendo-a descer, degrau por degrau, com um sorriso no rosto e com o olhar fixo nos meus.
— Oi, Christian – ela disse, parando ao final da escada, ficando frente a frente comigo.
Suas cicatrizes faciais haviam sido cobertas pela maquiagem que a mesma usava, já as demais de seu corpo, parcialmente, pelo vestido e pelo cabelo, com exceção do seu braço esquerdo.
— Oi, Ana. Você está muito linda.
— É, nós duas sabemos. Agora para de babar e vai dar logo aquele presente que tu me pediu para guardar para você – escutei Gia falar, então virei o rosto, a encarando confuso.
— Que presente?
— Mas é lerdo mesmo, Senhor Jesus Cristo – ela disse batendo com a mão na testa, fazendo Anastasia rir.
De repente, me lembrei de qual presente Gia se referia, então fui até a sala de estar, o peguei e retornei para perto da Ana, entregando o mesmo para ela. Gia a ajudou tirando a parte do vidro. Anastasia então pegou a caixinha e a abriu, revelando assim um lindo anel folheado a ouro com uma pequena pedra, em formato de coração.
— É lindo, Christian. Eu amei – ela comentou, sorrindo, meio boba.
Peguei o anel e o coloquei no seu dedo anelar direito.
— Para oficializar o nosso namoro, se ainda me quiser de volta?
— Claro que eu quero, meu amor. Gia me...
— Primeiro a diversão, depois a conversa, meu povo. Vão logo embora – Gia murmurou, já meio que nos expulsando de sua casa.
Nós despedimos dela, entramos no carro e saímos rumo a minha escola.
Nos divertimos bastante durante o baile e quando o mesmo estava quase finalizando, eu chamei a Ana para dar uma volta no pátio arborizado entre o ginásio e o prédio do colégio.
— Espero que tenha me perdoado pelas coisas horríveis que falei de você naquele dia – ela murmurou, à medida que andávamos de braços dados pelo pátio, rumo a fonte ao centro dele.
— Eu já te perdoei, amor. Não se preocupe com isso – garanti, a olhando de relance, dando-lhe um sorriso.
— Gia me ajudou a enxergar a verdade da situação toda. Ela foi até a minha casa e depois de muita insistência...
— Aquela lá sabe ser insistente quando quer algo dos outros – comentei, rindo.
— Sim – Anastasia assentiu, rindo também – Ela me convenceu a ouví-la e me contou sobre o que havia acontecido com os seus irmãos e com o seu pai. Espero que ele esteja melhor.
— Está se recuperando devagar, mas o quadro clínico dele é promissor, segundo os médicos disseram para a minha mãe.
— Que bom. Fico feliz em saber disso, amor.
— Daí Gia te raptou da sua casa, foi? – perguntei, fazendo Ana sorrir.
— Mais ou menos isso. Ela me falou do seu baile, que ia te convencer a ir com ela, mas ao invés dela, eu que seria a sua acompanhante. Depois que Gia me garantiu que podia me deixar mais aceitável aos olhos dos outros, eu aceitei sair de casa e ir me arrumar na casa dela.
— Posso ser sincero com você, amor? – indaguei, parando perto da fonte, me virando de frente para ela.
— Claro, meu amor.
— Eu entendo que você se sente insegura com sua aparência devido às cicatrizes, mas... – segurei seu rosto entre minhas mãos – ...quero que você saiba que quando estiver comigo, não precisa usar maquiagem para se esconder, porque eu amo suas cicatrizes.
— Christian... – Anastasia murmurou, emocionada, com os olhos cheios de lágrimas – Eu te amo tanto.
— Não mais do que eu amo você, minha princesa. Quero lhe dar um futuro, uma família. Você quer casar e ter filhos, né?
Ela assentiu, balançando a cabeça e sorrindo.
— Sim, meu amor.
— Eu vou te fazer muito feliz, Ana. Eu prometo – sussurrei.
— Você já me faz, Christian.
— Minha princesa encantada...
— Meu amado príncipe...
Sorri e a beijei, ternamente.
Ao voltar aquela manhã para casa, contente e louco para contar aos meus pais sobre a Ana, me deparei com uma realidade bem difícil. Havia dois policiais na sala de estar com minha mãe, que chorava copiosamente, sendo amparada por uma de nossas vizinhas.
Meus irmãos haviam sido mortos. Ao que parece tentaram passar a perna e roubar um cara de uma gangue local. Já meu pai tinha ido parar no hospital, muito mal, após sofrer um infarto, devido à notícia. Com isso tudo, meu mundo virou de cabeça para baixo.
Quando finalmente consegui aparecer na casa da Ana, depois de três dias preso no hospital com meu pai entre a vida e a morte. Ela nem quis me ouvir e me mandou ir embora, dizendo que eu a tinha enganado sobre amá-la, que eu só havia falado aquilo para transar com ela.
Fiquei arrasado, mas como eu não tinha celular e nem sabia o número fixo da casa dela, eu não havia conseguido entrar em contato com a mesma, para pelo menos avisá-la do que estava se passando em minha vida.
— Você tem que se animar um pouco, Christian. Hoje é o seu Baile de Formatura e a mamãe até me liberou do restaurante para eu ir com você, mesmo não sendo do último ano – Gia falou, se jogando na minha cama, me abraçando.
— Eu não estou com ânimo para festa, lindinha. Faz uma semana que meus irmãos morreram. Meu pai ainda está no hospital, se recuperando. E a garota que eu amo, me odeia.
— Quem perdeu foi ela, Christian. Vamos, por favor! Tia Grace quer que você vá para distrair um pouco a cabeça. Ela tá muito preocupada com você.
A encarei por alguns segundos e assenti, suspirando desanimado, deixando Gia feliz.
— Seu terno já está lá embaixo, junto com as chaves de um carro que eu pedi para o papai alugar para você ir me buscar e me deixar em casa – ela informou, sorrindo, à medida que se levantava da cama.
— Já estava com tudo armado, não era? – indaguei, semicerrando os olhos, a vendo rir.
— Claro.
— Queria ver se eu tivesse insistido no meu “Não” – rebati.
— Eu iria conseguir te convencer de um jeito ou de outro, Christian. Com esse rostinho lindo que mamãe e papai me deram, eu sempre consigo tudo que quero.
Ri, tacando-lhe um travesseiro, fazendo a mesma rir também, então Gia me jogou um beijinho no ar e saiu do quarto, deixando-me a sós com meus pensamentos novamente. Respirei fundo, voltando a pensar na Anastasia, como sempre fazia nesses últimos dias, e logo as horas foram passando.
Então, me levantei da cama e fui me arrumar para o baile.
★ ★ ★ ★ ★
Quando cheguei na casa dos meus padrinhos, estranhei que Gia ainda não estivesse arrumada, já que a mesma atendeu a porta usando shortinho e regata.
— Desistiu de ir comigo para o baile? – perguntei, adentrando a casa, vendo-a fechar a porta.
— Não. Eu vou me arrumar rapidinho. Estava testando umas makes antes, para ver qual ia me deixar glamurosa, porque eu quero arrasar com os gatinhos veteranos.
— Está indo me fazer companhia ou pegar os caras do último ano? – inquiri.
— Claro que é para te fazer companhia, Christian. Mas se um dos caras lá der mole, eu pego, com certeza. Tenho que está linda e preparada em todas ocasiões, até mesmo em uma ida à padaria. Vai lá que o amor da minha vida foi comprar pão no mesmo horário que eu, né?
Sorri, balançando a cabeça, e a mandei ir se arrumar logo. Todavia, ela me puxou para a sala de estar, me fazendo sentar no sofá. Na mesinha de centro jazia uma rosa e uma caixinha de presente dentro de um vidro, com um suporte de madeira.
— Esse é um presente para você. Daí quando eu descer, você vai me dar ele.
A encarei confuso.
— Ué, esse presente é meu ou é seu?
— Ai, Christian. Você complicada demais as coisas. Eita, Deus! Deixa eu ir logo me vestir. Não esquece, viu? Quando eu descer arrumada, me dê esse presente.
— Ok. Não demora. Quero chegar lá cedo para voltarmos cedo.
— Pode deixar.
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— Estou pronta, Christian! Vem me esperar no pé da escada! – ouvi Gia gritar do andar de cima, então sai resmungando.
— Não sei porque esse mistério todo, Gi... – parei de falar, quando a vi aparecendo no alto da escada, usando um vestido lindo, meio rosa-salmão, no estilo princesa, e segurando uma bolsa de mão perolada.
— Oi, Christian – ela disse, parando ao final da escada, ficando frente a frente comigo.
Suas cicatrizes faciais haviam sido cobertas pela maquiagem que a mesma usava, já as demais de seu corpo, parcialmente, pelo vestido e pelo cabelo, com exceção do seu braço esquerdo.
— Oi, Ana. Você está muito linda.
— É, nós duas sabemos. Agora para de babar e vai dar logo aquele presente que tu me pediu para guardar para você – escutei Gia falar, então virei o rosto, a encarando confuso.
— Que presente?
— Mas é lerdo mesmo, Senhor Jesus Cristo – ela disse batendo com a mão na testa, fazendo Anastasia rir.
De repente, me lembrei de qual presente Gia se referia, então fui até a sala de estar, o peguei e retornei para perto da Ana, entregando o mesmo para ela. Gia a ajudou tirando a parte do vidro. Anastasia então pegou a caixinha e a abriu, revelando assim um lindo anel folheado a ouro com uma pequena pedra, em formato de coração.
Peguei o anel e o coloquei no seu dedo anelar direito.
— Para oficializar o nosso namoro, se ainda me quiser de volta?
— Claro que eu quero, meu amor. Gia me...
— Primeiro a diversão, depois a conversa, meu povo. Vão logo embora – Gia murmurou, já meio que nos expulsando de sua casa.
Nós despedimos dela, entramos no carro e saímos rumo a minha escola.
★ ★ ★ ★ ★
Nos divertimos bastante durante o baile e quando o mesmo estava quase finalizando, eu chamei a Ana para dar uma volta no pátio arborizado entre o ginásio e o prédio do colégio.
— Espero que tenha me perdoado pelas coisas horríveis que falei de você naquele dia – ela murmurou, à medida que andávamos de braços dados pelo pátio, rumo a fonte ao centro dele.
— Eu já te perdoei, amor. Não se preocupe com isso – garanti, a olhando de relance, dando-lhe um sorriso.
— Gia me ajudou a enxergar a verdade da situação toda. Ela foi até a minha casa e depois de muita insistência...
— Aquela lá sabe ser insistente quando quer algo dos outros – comentei, rindo.
— Sim – Anastasia assentiu, rindo também – Ela me convenceu a ouví-la e me contou sobre o que havia acontecido com os seus irmãos e com o seu pai. Espero que ele esteja melhor.
— Está se recuperando devagar, mas o quadro clínico dele é promissor, segundo os médicos disseram para a minha mãe.
— Que bom. Fico feliz em saber disso, amor.
— Daí Gia te raptou da sua casa, foi? – perguntei, fazendo Ana sorrir.
— Mais ou menos isso. Ela me falou do seu baile, que ia te convencer a ir com ela, mas ao invés dela, eu que seria a sua acompanhante. Depois que Gia me garantiu que podia me deixar mais aceitável aos olhos dos outros, eu aceitei sair de casa e ir me arrumar na casa dela.
— Posso ser sincero com você, amor? – indaguei, parando perto da fonte, me virando de frente para ela.
— Claro, meu amor.
— Eu entendo que você se sente insegura com sua aparência devido às cicatrizes, mas... – segurei seu rosto entre minhas mãos – ...quero que você saiba que quando estiver comigo, não precisa usar maquiagem para se esconder, porque eu amo suas cicatrizes.
— Christian... – Anastasia murmurou, emocionada, com os olhos cheios de lágrimas – Eu te amo tanto.
— Não mais do que eu amo você, minha princesa. Quero lhe dar um futuro, uma família. Você quer casar e ter filhos, né?
Ela assentiu, balançando a cabeça e sorrindo.
— Sim, meu amor.
— Eu vou te fazer muito feliz, Ana. Eu prometo – sussurrei.
— Você já me faz, Christian.
— Minha princesa encantada...
— Meu amado príncipe...
Sorri e a beijei, ternamente.

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