CHRISTIAN
Os dias foram se passando e a cada entrega que eu fazia na casa da Srta. Steele, eu ficava mais curioso para saber mais sobre aquela misteriosa mulher.
Hoje era a minha folga e eu tinha decidido ir na casa dela, tentar falar com ela, mesmo que isso pudesse causar a perda do meu emprego, por perturbar uma cliente assídua e fiel do restaurante, mas o meu desejo de saber sobre ela era maior.
Aproveitei que meus irmãos não se encontravam em casa, provavelmente estariam com os amigos, peguei minha bicicleta e fui até o Matteo’s Restaurant, onde pedi uma pizza de bacon, calabresa com queijo extra, que era a que a Srta. Steele mais gostava, ou pelo menos era a pizza que a mesma mais pedia quando seu pedido não era sushi.
Fiquei conversando um pouco com a Gia e minutos depois, já com a pizza em mãos, segui para a casa da Srta. Steele. Eu estava nervoso, porque ela poderia ligar para a polícia caso não quisesse conversar comigo, mas mesmo assim, correndo o risco, eu fui.
Encostei a bicicleta no pé da escada, desamarrei a caixa da pizza da garupa e subi, adentrando a varanda, parando em frente a porta, já tocando a campainha. Logo um outro medo me passou pela cabeça, pois ainda era cedo, umas cinco da tarde, e ela poderia está no trabalho.
“Com esse medo todo de gente? Ela com certeza deve trabalhar em casa”
Toquei novamente a campainha e segundos depois ouvi um barulho abafado vindo de dentro da casa e um “Sai do meio, seu gorducho folgado!”, antes de eu perceber na lateral da porta, a cortina ser afastada um pouco e fechada novamente.
— Eu não pedi nada. Vá embora! – ela disse, parecendo está zangada.
— Eu sei, Srta. Steele. Me desculpe ter vindo sem que a senhorita tenha feito nenhum pedido, mas eu estou de folga hoje e comprei essa pizza para a gente comer juntos e conversar um pouco. Quero ser seu amigo.
— Eu não quero ser sua amiga. Vá comer essa pizza com os seus amigos e me deixe em paz! – ela exclamou e eu suspirei, meio triste, pois eu não tinha amigos, devido gostar muito de ler e os garotos da minha idade geralmente só pensavam em festas, garotas, bebidas e sexo.
— Eu não tenho amigos – murmurei, já dando às costas.
— Espere! – ouvi ela falar, segundos depois, então parei de descer a escada e retornei para perto da porta – Eu como essa pizza com você, mas eu sentada aqui dentro e você sentado aí fora, ok?
— Tudo bem – concordei, já vendo a gaveta ser aberta, então coloquei a pizza ali.
— Espere um pouco, ok?
— Ok – murmurei.
A gaveta foi fechada por alguns minutos e nesse meio tempo eu me sentei, no chão mesmo, recostando-me ao lado do vitral da porta, para esperar.
— Porque você não abre a porta? – inquiri, tempo depois, à medida que conversávamos e terminávamos de comer a pizza e de beber os refrigerantes que ela havia pegado.
No início, quando tentei puxar papo, Anastasia (esse era o nome dela) se manteve fechada, mas com o passar dos minutos a fiz rir com uma piada qualquer e isso a desarmou, deixando a mesma mais confortável em conversar comigo.
— Porque não posso, Christian.
— Alguém te mantém prisioneira nesta casa? – indaguei, já preocupado – Eu posso ir na delegacia pedir ajuda, se você quiser, Ana.
— Não precisa. Eu moro sozinha mesmo. Quer dizer, não tão sozinha. Minha única companhia aqui é o Chip, meu gato gordo, preguiçoso e folgado – ela disse, rindo baixinho.
— Então você tem alguma doença contagiosa?
— Não. Eu sou saudável... Tecnicamente, falando.
— Então você tem alguma cicatriz? – inquiri, sorvendo os últimos milímetros de líquido de dentro da latinha.
— Acho melhor você ir embora – Anastasia disse e pelo seu tom de vez, parecia que a mesma estava triste.
— Desculpa, eu não queria...
— Vai embora, por favor! – ela exclamou, fechando a gaveta que estava meio entreaberta para que nós dois pudéssemos pegar as fatias de pizza.
Suspirei, triste, e levantei.
— Tudo bem. Tchau, Ana.
— Tchau, Christian.
Os meses passaram e sempre nas minhas folgas eu comprava uma pizza e ia comer com a Anastasia. Depois daquele dia que eu fiz perguntas invasivas demais sobre ela, prometi para a mesma que nunca mais iria perguntar sobre a sua vida.
Com isso, nossas conversas sempre eram sobre mim e sobre a minha vida, meu trabalho e minha família. Hoje era mais um dia desses, que eu me encontrava de folga, e estavávamos rindo sobre um episódio que tinha acontecido comigo no colégio.
Logo o som de nossas risadas foi abafado pelo som estridente e inesperado de um relâmpago, que me fez sobressaltar, e perceber que o céu se escurecia, tanto pela chegada da noite quanto pela tempestade que se formava.
— Melhor você ir embora, Christian. Já está ficando tarde e vai chover muito – Anastasia disse e eu assenti, já me levantando do chão.
— Até amanhã, Ana.
— Até, Christian.
Peguei minha bicicleta e saí. Todavia, a chuva me pegou no caminho e por está mais próximo da casa da Anastasia do que da minha, eu decidi voltar e pedir abrigo, antes que eu lavasse um raio na cabeça.
Bati na porta dela, tremendo-me dos pés à cabeça, devido eu estar totalmente ensopado da chuva e pelo clima mais frio à noite. Ela hesitou em me deixar entrar na sua casa, até que Ana teve piedade de mim e abriu a porta.
— Entre, mas não olhe para mim – ela murmurou, de trás da porta.
Adentrei, notando a casa parcialmente na penumbra, com exceção do andar de cima que estava com a luz ligada e iluminava um pouco a escada.
— Obrigado, Ana – agradeci, esfregando os braços para tentar me aquecer um pouco.
— De nada – ela disse, passando por mim, de cabeça baixa, com o rosto quase totalmente coberto pelo cabelo.
Então, num impulso, peguei no braço dela, fazendo a mesma virar bruscamente e me olhar no exato momento que a luz de relâmpago iluminou o local.
— Jesus Cristo! – me assustei, soltando-a e dando alguns passos para trás.
Anastasia rapidamente jogou o capuz do seu moletom sobre a cabeça e puxou o cabelo para frente do rosto, já abaixando o mesmo.
— Tem uma secadora na área de serviço lá nos fundos, depois da cozinha. Seque sua roupa e quando a chuva parar, vá embora – ela murmurou, antes de correr escada acima, fazendo-me ouvir segundos depois o baque forte de uma porta se fechando.
Os dias foram se passando e a cada entrega que eu fazia na casa da Srta. Steele, eu ficava mais curioso para saber mais sobre aquela misteriosa mulher.
Hoje era a minha folga e eu tinha decidido ir na casa dela, tentar falar com ela, mesmo que isso pudesse causar a perda do meu emprego, por perturbar uma cliente assídua e fiel do restaurante, mas o meu desejo de saber sobre ela era maior.
Aproveitei que meus irmãos não se encontravam em casa, provavelmente estariam com os amigos, peguei minha bicicleta e fui até o Matteo’s Restaurant, onde pedi uma pizza de bacon, calabresa com queijo extra, que era a que a Srta. Steele mais gostava, ou pelo menos era a pizza que a mesma mais pedia quando seu pedido não era sushi.
Fiquei conversando um pouco com a Gia e minutos depois, já com a pizza em mãos, segui para a casa da Srta. Steele. Eu estava nervoso, porque ela poderia ligar para a polícia caso não quisesse conversar comigo, mas mesmo assim, correndo o risco, eu fui.
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Encostei a bicicleta no pé da escada, desamarrei a caixa da pizza da garupa e subi, adentrando a varanda, parando em frente a porta, já tocando a campainha. Logo um outro medo me passou pela cabeça, pois ainda era cedo, umas cinco da tarde, e ela poderia está no trabalho.
“Com esse medo todo de gente? Ela com certeza deve trabalhar em casa”
Toquei novamente a campainha e segundos depois ouvi um barulho abafado vindo de dentro da casa e um “Sai do meio, seu gorducho folgado!”, antes de eu perceber na lateral da porta, a cortina ser afastada um pouco e fechada novamente.
— Eu não pedi nada. Vá embora! – ela disse, parecendo está zangada.
— Eu sei, Srta. Steele. Me desculpe ter vindo sem que a senhorita tenha feito nenhum pedido, mas eu estou de folga hoje e comprei essa pizza para a gente comer juntos e conversar um pouco. Quero ser seu amigo.
— Eu não quero ser sua amiga. Vá comer essa pizza com os seus amigos e me deixe em paz! – ela exclamou e eu suspirei, meio triste, pois eu não tinha amigos, devido gostar muito de ler e os garotos da minha idade geralmente só pensavam em festas, garotas, bebidas e sexo.
— Eu não tenho amigos – murmurei, já dando às costas.
— Espere! – ouvi ela falar, segundos depois, então parei de descer a escada e retornei para perto da porta – Eu como essa pizza com você, mas eu sentada aqui dentro e você sentado aí fora, ok?
— Tudo bem – concordei, já vendo a gaveta ser aberta, então coloquei a pizza ali.
— Espere um pouco, ok?
— Ok – murmurei.
A gaveta foi fechada por alguns minutos e nesse meio tempo eu me sentei, no chão mesmo, recostando-me ao lado do vitral da porta, para esperar.
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— Porque você não abre a porta? – inquiri, tempo depois, à medida que conversávamos e terminávamos de comer a pizza e de beber os refrigerantes que ela havia pegado.
No início, quando tentei puxar papo, Anastasia (esse era o nome dela) se manteve fechada, mas com o passar dos minutos a fiz rir com uma piada qualquer e isso a desarmou, deixando a mesma mais confortável em conversar comigo.
— Porque não posso, Christian.
— Alguém te mantém prisioneira nesta casa? – indaguei, já preocupado – Eu posso ir na delegacia pedir ajuda, se você quiser, Ana.
— Não precisa. Eu moro sozinha mesmo. Quer dizer, não tão sozinha. Minha única companhia aqui é o Chip, meu gato gordo, preguiçoso e folgado – ela disse, rindo baixinho.
— Então você tem alguma doença contagiosa?
— Não. Eu sou saudável... Tecnicamente, falando.
— Então você tem alguma cicatriz? – inquiri, sorvendo os últimos milímetros de líquido de dentro da latinha.
— Acho melhor você ir embora – Anastasia disse e pelo seu tom de vez, parecia que a mesma estava triste.
— Desculpa, eu não queria...
— Vai embora, por favor! – ela exclamou, fechando a gaveta que estava meio entreaberta para que nós dois pudéssemos pegar as fatias de pizza.
Suspirei, triste, e levantei.
— Tudo bem. Tchau, Ana.
— Tchau, Christian.
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Os meses passaram e sempre nas minhas folgas eu comprava uma pizza e ia comer com a Anastasia. Depois daquele dia que eu fiz perguntas invasivas demais sobre ela, prometi para a mesma que nunca mais iria perguntar sobre a sua vida.
Com isso, nossas conversas sempre eram sobre mim e sobre a minha vida, meu trabalho e minha família. Hoje era mais um dia desses, que eu me encontrava de folga, e estavávamos rindo sobre um episódio que tinha acontecido comigo no colégio.
Logo o som de nossas risadas foi abafado pelo som estridente e inesperado de um relâmpago, que me fez sobressaltar, e perceber que o céu se escurecia, tanto pela chegada da noite quanto pela tempestade que se formava.
— Melhor você ir embora, Christian. Já está ficando tarde e vai chover muito – Anastasia disse e eu assenti, já me levantando do chão.
— Até amanhã, Ana.
— Até, Christian.
Peguei minha bicicleta e saí. Todavia, a chuva me pegou no caminho e por está mais próximo da casa da Anastasia do que da minha, eu decidi voltar e pedir abrigo, antes que eu lavasse um raio na cabeça.
Bati na porta dela, tremendo-me dos pés à cabeça, devido eu estar totalmente ensopado da chuva e pelo clima mais frio à noite. Ela hesitou em me deixar entrar na sua casa, até que Ana teve piedade de mim e abriu a porta.
— Entre, mas não olhe para mim – ela murmurou, de trás da porta.
Adentrei, notando a casa parcialmente na penumbra, com exceção do andar de cima que estava com a luz ligada e iluminava um pouco a escada.
— Obrigado, Ana – agradeci, esfregando os braços para tentar me aquecer um pouco.
— De nada – ela disse, passando por mim, de cabeça baixa, com o rosto quase totalmente coberto pelo cabelo.
Então, num impulso, peguei no braço dela, fazendo a mesma virar bruscamente e me olhar no exato momento que a luz de relâmpago iluminou o local.
— Jesus Cristo! – me assustei, soltando-a e dando alguns passos para trás.
Anastasia rapidamente jogou o capuz do seu moletom sobre a cabeça e puxou o cabelo para frente do rosto, já abaixando o mesmo.
— Tem uma secadora na área de serviço lá nos fundos, depois da cozinha. Seque sua roupa e quando a chuva parar, vá embora – ela murmurou, antes de correr escada acima, fazendo-me ouvir segundos depois o baque forte de uma porta se fechando.

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