segunda-feira, 30 de março de 2020

Meu Ogro - Capítulo 13


ANASTASIA

Após alguns minutos, Christian parou o carro em uma clareira. Descemos da picape e eu abri a porta de trás para Thunder e Bullet, que saíram correndo, cheirando tudo ao redor.

Enquanto Christian ajeitava na carroceria do carro alguns lençóis, travesseiros e mantas que o mesmo havia trazido, eu me aproximei do lago e fiquei ali em pé, contemplando o pôr do sol, alisando minha barriga à medida que minha mente vagava.
Como eu um dia pude pensar que eu era feliz tendo muito dinheiro, indo a diversas festas, usando jóias, roupas e sapatos caros, tendo sempre os últimos lançamentos de carros e celulares, vivendo uma vida regada de muito luxo e exagero.

Eu não sabia o que era a real felicidade. Não mesmo. Mas consegui abri meus olhos e eu aprendi com o Christian o real sentido de ser feliz. A felicidade não estava no dinheiro ou no luxo exacerbado e sim na simplicidade das coisas.

Até agora ainda não tínhamos dito “Eu te amo” um para o outro, mas eu sentia que Christian me amava e me desejava tão intensamente quanto eu a ele, e a cada dia essas palavras ficavam cada vez mais sem importância para mim.

Pois, muitos dizem “Eu te amo” para seus companheiros, mas não respeitam esse amor os traindo, os magoando e os ferindo. Com Christian, eu aprendi que o amor não precisava ser dito e sim demonstrado com gestos. E ele fazia isso.

— Gravetinho? – ouvi Christian me chamar, então me virei e o vi em pé na carroceria da picape.

Sorri e me aproximei com os cachorros me acompanhando. Ele havia colocado um banquinho no chão para que eu pudesse subir com mais facilidade. Tirei então as minhas botas, assim como Christian, e deixei no cantinho onde as mantas que cobriram o assoalho não pegava.
Eu não sabia qual era a real intenção de estarmos ali, mas provavelmente iríamos passar a noite toda naquele lugar, já que Christian tinha trazido sua espingarda e havia deixado a picape bem confortável, como se fosse uma cama mesmo, além de trazer bebidas, água e comidas.

— O que viemos fazer aqui, meu ogro? – inquiri, sentando ao lado de Christian enquanto Bullet e Thunder subiam e se acomodavam ao pé da nossa cama improvisada.

— Se minhas contas estiverem certas, hoje conseguiremos começar a ver perfeitamente a Aurora Boreal. Você já deve ter visto antes, mas eu gostaria de...

— Eu nunca parei para ver isso, querido – murmurei, o interrompendo – O que é a Aurora Boreal?

— São luzes que aparecem no céu. Elas são mais visíveis no verão e na primavera.

— Nossa! Então vamos passar a noite aqui?

— Sim, minha gravetinho.

— Mas, não é perigoso?

— Não. Estamos em uma área segura de animais selvagens – ele disse, então olhei para a sua espingarda e Christian percebeu – Eu trouxe ela apenas por precaução. Minha irmã e meu cunhado sempre vem acampar aqui com os meus sobrinhos. É seguro. Eu prometo.

Assenti, então ele olhou para o céu e depois tirou algo de dentro do bolso de sua calça, já pegando em minha mão, depositando ali algo.

— Aproveitar que o sol está terminando de se pôr para você ainda conseguir ver ele bem melhor. Eu fiz para você, gravetinho – Christian falou, dando o sorriso meio contido e tímido que ele sempre dava quando o mesmo fazia coisas fofas para mim.

Sorri e olhei para minha mão, vendo o presente que era um cordão com um pingente de madeira feito à mão, decorado com uma borboleta branca, que se abria, mas que para a minha surpresa se transforma em um coração, que também se abria.
— Que lindo, querido. Eu amei – falei, me inclinando um pouco para a frente, selando nossas bocas, num beijo rápido.

— Você pode colocar fotos nesses espaços aí, se quiser.

— Vou esperar nosso ogrinho nascer primeiro, então vou colocar uma foto sua e outra dele para levar vocês dois junto comigo sempre – eu informei, sorrindo.

Christian em seguida perguntou se eu queria beber ou comer algo à medida que eu colocava o colar em volta do meu pescoço. Recusei então nos deitamos e eu me aconcheguei a ele, repousando minha cabeça em seu peito.

— Será que vai demorar muito para terminar a nossa casa, querido? – indaguei.

— Mesmo estando praticamente curado, não quero forçar muito o ombro, pegando aquelas toras pesadas de madeira, gravetinho. Mas, já fiz muita coisa sozinho e com ajuda do Jack também. Não se preocupe, minha gravetinho. Até o inverno já estaremos na nova casa – Christian murmurou, acariciando meu braço enquanto o céu se escurecia gradativamente, mostrando as primeiras estrelas.

— E por falar em inverno, eu estou preocupada porque acho que nosso filho vai nascer em pleno inverno rigoroso. E se ele não ficar muito aquecidinho à noite e morrer congelado? – inquiri, preocupada ao pensar na remota possibilidade daquilo acontecer.

— Eu vou fazer lareiras na casa. Ela vai ficar bem aquecida. Nosso filho vai ficar bem seguro. Eu prometo, minha gravetinho.

Assenti, então de repente, luzes verdes e com alguns tons de roxo também começaram a aparecer no céu.
— Começou – anunciou Christian, apontando para o céu.

Eu fiquei maravilhada observando aquela linda dança luminosa acima de nós.

“Como eu pude nunca ter percebido isso no céu antes?” pensei, sorrindo meio emocionada, por alguma razão desconhecida para mim, e com os olhos marejados de lágrimas.

— É tudo tão lindo... Obrigada por me trazer para ver isso, querido... – murmurei, com a voz meio trêmula, antes de me agarrar mais fortemente à ele e desabar no choro.

Christian não disse nada, apenas me abraçou e ficou mexendo nos meus cabelos, acariciando-os à medida que eu ia me acalmando lentamente.

2 comentários:

  1. o que posso dizer você me fez chorar o amor deles é lindo eu queria um ogro assim obrigada lyssa

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  2. Eu amei eu também queria um ogro desse pra mim

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