CHRISTIAN
Semana passada finalmente tinha conseguido terminar a nossa nova casa, do jeitinho que a Ana queria. Não imensa como a casa dos pais dela, mas a nossa era um pouco grande também.
Possuía quatro quartos no andar de cima, sendo que um deles era o nosso, com banheiro incluído. Em baixo ficava a sala de estar e cozinha com uma dispensa grande para podermos armazenar os suprimentos necessários para termos comida para o inverno todo.
Como eu tinha feito na minha cabana, fiz alguns móveis da nossa casa nova, incluindo as duas cadeiras de descanso que se encontravam na varanda dos fundos, que dava para uma bela vista para o lago.
Todavia, a maioria dos móveis e coisas para a casa, Ana preferiu comprar em Fort River quando íamos para as consultas mensais. Já que tudo parecia bem na família da Anastasia, a gente também aproveitava a ida na cidade e visitava os pais dela por alguns minutos.
— O que você acha de Jaxon? – escutei Ana enquanto eu saía do banheiro, com a toalha enrolada na cintura.
— Para? – inquiri, ficando nu e indo pegar uma roupa no guarda-roupa.
— Para ser o nome do nosso filho. E tire a toalha de cima do encosto da cadeira, querido, senão vai molhar o chão todo do quarto – ela murmurou, então a fui estender no banheiro, retornando em seguida para o quarto, a fim de poder me vestir.
— Eu gosto de Tom e de Eustace, porque eram os nomes do meu pai e do meu avó por parte de mãe. Meu nome é em homenagem ao pai do meu pai – falei, vestindo uma cueca e uma calça de dormir, já fechando o guarda-roupa e indo para a cama, deitando-me.
— Eu gostei do nome Tom e acho que ele também gostou, querido – Anastasia disse, sorrindo, alisando a barriga.
Sorri e me ajeitei melhor na cama, tocando na barriga dela, sentindo o leve movimento do nosso filho. Apenas dei um beijo ali e desliguei o abajur ao lado da cama. Ao contrário da cabana, Ana pediu para termos eletricidade vinte e quatro horas por dia, então compramos um gerador bem mais potente.
Nos ajeitamos e Anastasia deitou de lado, então a abracei por trás, repousando minha mão sobre sua barriga, acariciando a mesma à medida que adormecíamos.
ANASTASIA
Como no Natal a gente estaria preso em casa devido ao inverno, optamos por passar no mês passado o dia de Ação de Graças com as nossas famílias. Fomos almoçar na casa da irmã do Christian e de tardezinha seguimos para Fort River, a fim de irmos jantar na mansão dos meus pais, aonde passamos a noite.
Como minha prima já havia retornado para a Itália, nos instalamos no meu antigo quarto. Christian, ao entrarmos, ficou totalmente chocado com tudo. Apenas sorri, tanto dele quanto de mim, orgulhosa ao perceber que eu não sentia mais falta daquele luxo todo.
No outro dia, convidei Elena para vir conosco, pois como já me encontrava completando o oitavo mês, então eu queria ela comigo para me sentir mais segura quando chegasse a hora do meu parto.
Ela, graças a Deus, aceitou morar conosco até a primavera, em meados de Maio, para me ajudar e também poder me ensinar tudo que eu precisava saber sobre cuidar de um bebê recém-nascido.
As semanas foram passando e a cada dia eu estava ficando mais ansiosa e mais nervosa com o parto. Perguntava milhares de vezes para Elena como era a sensação de expelir outro ser humano de dentro de você e se doía muito ou pouco.
Ela, juntamente com Christian, conseguiu me tranquilizar um pouco mais, mas a mesma foi bem sincera comigo com relação a dor que eu iria sentir na hora, então a única coisa que passei a fazer nessas últimas semanas foi rezar para que tudo acontecesse rápido.
Hoje era o dia, eu sentia isso, pois passei a manhã com uma dor meio incômoda nas costas e no quadris, indo para o pé da minha barriga. Assim que eu falei para a Elena, a mesma me mandou sair da cozinha e ir direto para a cama, pois segundo ela, eu me encontrava no início do meu trabalho de parto.
Era por volta da hora do jantar, quando eu levantei da cama para ir ao banheiro.
Nas últimas horas, eu tinha começado a sentir cólicas que iam aumentando gradativamente a cada vez que vinham, além de sentir minha barriga ficar bastante dura nas vezes que as cólicas aconteciam.
Elena me informou que eu estava tendo contrações, que a dor era devido o meu corpo está se preparando para deixar o bebê nascer e que isso era demorado mesmo, que provavelmente, pelo tempo de experiência dela, Tom só nasceria à noite.
Durante a tarde, quando as contrações iam ficando cada vez mais intensas, Elena fez o tal do “toque” em mim, para ver se eu estava dilatando. Graças a Deus, eu me encontrava, mas não rápido como eu queria.
Então, continuei a sofrer por mais algumas horas por causa da dor que estava ficando insuportável a cada momento. Às vezes, Christian massageava minhas costas à pedido da Elena que sempre me mandava ficar calma e respirar profundamente nos intervalos da dor.
Enquanto fazia xixi, tive outra contração e me agarrei na pia, mordendo o lábio para não gritar. Já havia feito tanto isso, que minha boca já estava ferida, mas isso era o de menos. Quando a contração cessou, me sequei como pude e levantei, retornando ao quarto.
— Não estou aguentando mais, Ná – murmurei chorando e ela, que terminava de forrar a cama com panos limpos, veio me abraçar.
— Oh, meu girassol. Calma. Eu sei que dói muito, mas assim que você segurar seu filho nos braços, você vai sentir que valeu a pena tudo que passou até aquele exato momento.
Assenti, já sentindo outra contração. Todavia, essa veio com o rompimento da minha bolsa, molhando o chão aos nossos pés. Elena rapidamente me fez deitar na cama e após lavar suas mãos, realizou novamente o toque em mim.
— Chegou a hora, minha querida – ela disse, sorrindo para mim – Na próxima contração, você faz força, como se fosse para fazer cocô.
Elena mal terminou de falar aquelas palavras que logo uma nova contração veio de forma intensa, então comecei a fazer força por alguns segundos, respirando fundo depois. Elena foi até a porta e gritou por Christian, que tinha descido fazia alguns minutos para colocar comida para os nossos cachorros.
— O que houve? – ouvi ele perguntar à medida que eu fazia força novamente.
— Nosso filho... Ele vai nascer agora... – falei ofegante, então Christian se aproximou da cama e segurou a minha mão.
Era quase impossível de descrever o que se passou naqueles minutos seguinte. A dor e a sensação de estar sendo praticamente rasgada ao meio a cada vez que eu fazia força, para que momentos depois, ouvirmos um chorinho estridente ecoar pelo quarto quando Elena colocou Tom sobre mim.
Christian não chorou ao ponto de escorrer lágrimas pelo rosto, como aconteceu comigo, mas ele ficou com os olhos marejados e com um sorriso bobo nos lábios, admirando o nosso pequeno, que berrava incansavelmente à medida que Elena limpava ele sobre minha barriga.
— Escandaloso igual a mãe dele ao nascer – ela comentou sorrindo, fazendo-me sorrir também e agradecê-la por a mesma está ali comigo, me ajudando – Trazer novas vidas ao mundo é o meu trabalho, meu girassol. Agora fica com as pernas nessa posição mesmo para a placenta sair.
— Preciso fazer forma de novo, Ná?
— Não, minha querida. O próprio corpo trata de expelir ela sozinho. Curta o seu filhote um pouco. Abra a camisola e deixe ele mais pertinho do seu peito. Assim...
Elena me mostrou como dar de mamar, depois pegou alguns panos sujos de sangue e saiu do quarto, acho que para nos dar privacidade. Naquele momento, com meu filho nos braços e com Christian ao meu lado, beijando minha testa, agradecendo-me imensamente, eu redescobri a felicidade.
DOIS MESES DEPOIS
Semana passada finalmente tinha conseguido terminar a nossa nova casa, do jeitinho que a Ana queria. Não imensa como a casa dos pais dela, mas a nossa era um pouco grande também.
— O que você acha de Jaxon? – escutei Ana enquanto eu saía do banheiro, com a toalha enrolada na cintura.
— Para ser o nome do nosso filho. E tire a toalha de cima do encosto da cadeira, querido, senão vai molhar o chão todo do quarto – ela murmurou, então a fui estender no banheiro, retornando em seguida para o quarto, a fim de poder me vestir.
— Eu gosto de Tom e de Eustace, porque eram os nomes do meu pai e do meu avó por parte de mãe. Meu nome é em homenagem ao pai do meu pai – falei, vestindo uma cueca e uma calça de dormir, já fechando o guarda-roupa e indo para a cama, deitando-me.
— Eu gostei do nome Tom e acho que ele também gostou, querido – Anastasia disse, sorrindo, alisando a barriga.
Sorri e me ajeitei melhor na cama, tocando na barriga dela, sentindo o leve movimento do nosso filho. Apenas dei um beijo ali e desliguei o abajur ao lado da cama. Ao contrário da cabana, Ana pediu para termos eletricidade vinte e quatro horas por dia, então compramos um gerador bem mais potente.
Nos ajeitamos e Anastasia deitou de lado, então a abracei por trás, repousando minha mão sobre sua barriga, acariciando a mesma à medida que adormecíamos.
ANASTASIA
DOIS MESES DEPOIS
Como no Natal a gente estaria preso em casa devido ao inverno, optamos por passar no mês passado o dia de Ação de Graças com as nossas famílias. Fomos almoçar na casa da irmã do Christian e de tardezinha seguimos para Fort River, a fim de irmos jantar na mansão dos meus pais, aonde passamos a noite.
Como minha prima já havia retornado para a Itália, nos instalamos no meu antigo quarto. Christian, ao entrarmos, ficou totalmente chocado com tudo. Apenas sorri, tanto dele quanto de mim, orgulhosa ao perceber que eu não sentia mais falta daquele luxo todo.
No outro dia, convidei Elena para vir conosco, pois como já me encontrava completando o oitavo mês, então eu queria ela comigo para me sentir mais segura quando chegasse a hora do meu parto.
Ela, graças a Deus, aceitou morar conosco até a primavera, em meados de Maio, para me ajudar e também poder me ensinar tudo que eu precisava saber sobre cuidar de um bebê recém-nascido.
As semanas foram passando e a cada dia eu estava ficando mais ansiosa e mais nervosa com o parto. Perguntava milhares de vezes para Elena como era a sensação de expelir outro ser humano de dentro de você e se doía muito ou pouco.
Ela, juntamente com Christian, conseguiu me tranquilizar um pouco mais, mas a mesma foi bem sincera comigo com relação a dor que eu iria sentir na hora, então a única coisa que passei a fazer nessas últimas semanas foi rezar para que tudo acontecesse rápido.
Hoje era o dia, eu sentia isso, pois passei a manhã com uma dor meio incômoda nas costas e no quadris, indo para o pé da minha barriga. Assim que eu falei para a Elena, a mesma me mandou sair da cozinha e ir direto para a cama, pois segundo ela, eu me encontrava no início do meu trabalho de parto.
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Era por volta da hora do jantar, quando eu levantei da cama para ir ao banheiro.
Elena me informou que eu estava tendo contrações, que a dor era devido o meu corpo está se preparando para deixar o bebê nascer e que isso era demorado mesmo, que provavelmente, pelo tempo de experiência dela, Tom só nasceria à noite.
Durante a tarde, quando as contrações iam ficando cada vez mais intensas, Elena fez o tal do “toque” em mim, para ver se eu estava dilatando. Graças a Deus, eu me encontrava, mas não rápido como eu queria.
Então, continuei a sofrer por mais algumas horas por causa da dor que estava ficando insuportável a cada momento. Às vezes, Christian massageava minhas costas à pedido da Elena que sempre me mandava ficar calma e respirar profundamente nos intervalos da dor.
Enquanto fazia xixi, tive outra contração e me agarrei na pia, mordendo o lábio para não gritar. Já havia feito tanto isso, que minha boca já estava ferida, mas isso era o de menos. Quando a contração cessou, me sequei como pude e levantei, retornando ao quarto.
— Não estou aguentando mais, Ná – murmurei chorando e ela, que terminava de forrar a cama com panos limpos, veio me abraçar.
— Oh, meu girassol. Calma. Eu sei que dói muito, mas assim que você segurar seu filho nos braços, você vai sentir que valeu a pena tudo que passou até aquele exato momento.
Assenti, já sentindo outra contração. Todavia, essa veio com o rompimento da minha bolsa, molhando o chão aos nossos pés. Elena rapidamente me fez deitar na cama e após lavar suas mãos, realizou novamente o toque em mim.
— Chegou a hora, minha querida – ela disse, sorrindo para mim – Na próxima contração, você faz força, como se fosse para fazer cocô.
Elena mal terminou de falar aquelas palavras que logo uma nova contração veio de forma intensa, então comecei a fazer força por alguns segundos, respirando fundo depois. Elena foi até a porta e gritou por Christian, que tinha descido fazia alguns minutos para colocar comida para os nossos cachorros.
— O que houve? – ouvi ele perguntar à medida que eu fazia força novamente.
— Nosso filho... Ele vai nascer agora... – falei ofegante, então Christian se aproximou da cama e segurou a minha mão.
Era quase impossível de descrever o que se passou naqueles minutos seguinte. A dor e a sensação de estar sendo praticamente rasgada ao meio a cada vez que eu fazia força, para que momentos depois, ouvirmos um chorinho estridente ecoar pelo quarto quando Elena colocou Tom sobre mim.
Christian não chorou ao ponto de escorrer lágrimas pelo rosto, como aconteceu comigo, mas ele ficou com os olhos marejados e com um sorriso bobo nos lábios, admirando o nosso pequeno, que berrava incansavelmente à medida que Elena limpava ele sobre minha barriga.
— Escandaloso igual a mãe dele ao nascer – ela comentou sorrindo, fazendo-me sorrir também e agradecê-la por a mesma está ali comigo, me ajudando – Trazer novas vidas ao mundo é o meu trabalho, meu girassol. Agora fica com as pernas nessa posição mesmo para a placenta sair.
— Preciso fazer forma de novo, Ná?
— Não, minha querida. O próprio corpo trata de expelir ela sozinho. Curta o seu filhote um pouco. Abra a camisola e deixe ele mais pertinho do seu peito. Assim...
Elena me mostrou como dar de mamar, depois pegou alguns panos sujos de sangue e saiu do quarto, acho que para nos dar privacidade. Naquele momento, com meu filho nos braços e com Christian ao meu lado, beijando minha testa, agradecendo-me imensamente, eu redescobri a felicidade.

Que lindos!
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