sexta-feira, 27 de março de 2020

Maliciosamente Sedutores - Capítulo 34


ANASTASIA

Abri os olhos, mas voltei a fechá-los por causa da claridade. Pisquei algumas vezes até que me acostumei com a luz do lugar então notei que se tratava de um quarto de hospital.

— Oi, filha – disse Raymond com um sorriso.

— Oi, Bela Adormecida – falou Christian também sorrindo, mas ele estava do outro lado da cama e segurava minha mão.

— Oi – falei sem esboçar nenhuma emoção.

Puxei minha mão rompendo o contato pele a pele com Christian e vi eles se entreolharem meio preocupados depois me encararam.

— Posso saber por que estão me olhando desse jeito? – perguntei irritada, pois estava com um pouco de dor de cabeça.

— Você sabe quem nós somos? – Christian perguntou.

Rolei os olhos.

— O carro nem me bateu tão forte assim, mas por um lado até que seria bom se eu perdesse a memória. Assim não me lembraria de que sou uma filha rejeitada e uma esposa corna.

— Por que você não me contou que me viu abraçado com a Sophie?

— Para quê? Nós brigaríamos e você me escreveria outra carta idiota de perdão e eu de burra, te perdoaria novamente – falei secamente e me recostei ao travesseiro fechando os olhos para não chorar.

— Ana, eu não estou te traindo com ninguém.

— É claro que não, querido – murmurei.

— Estou apenas ajudando Sophie que está passando por uma situação difícil.

— Nossa! Não sabia que agora carência sexual se chamava “situação difícil” – contestei irônica.

— Filha, acredite no seu marido.

— Homens são todos iguais – resmunguei e olhei para um depois para o outro – Sempre tentando justificar as merdas que fazem.

— Anastasia!

— Deixa, Raymond. Ela só vai acreditar quando vê-lo. Vou chamar o médico e avisar que ela já acordou enquanto isso vocês dois precisam conversar – disse Christian que em seguida saiu do quarto.

Observei ele se sentar na beirada da cama e respirar fundo.

— Filha... nem sei o que te dizer.

— Então não diga nada e me deixe sozinha – falei e olhei para o outro lado.

— Mas eu preciso te contar uma coisa. Saber que você ainda sente mágoa de mim por causa daquela surra que eu te dei, me fez pensar sobre meu comportamento durante esses anos e eu percebi que nunca fui um pai de verdade para você. Quando você nasceu eu te desprezei por que na época te culpava pela morte da Sarah – o encarei assim que ele pronunciou aquilo. Raymond estava com o olhar baixo e sua expressão era de muita tristeza – Eu amava muito a sua mãe e não queria ter você perto de mim porque eu não te via como filha e sim como a pessoa que tirou o grande amor da minha vida.

— Eu era apenas um bebê – falei e notei pelo meu tom de voz trêmulo que eu estava à beira de chorar, ele segurou minhas mãos e me encarou.

— Eu sei, filha. Você não tinha culpa de nada. O único culpado pela morte de sua mãe sou eu. Eu que discuti com ela. Eu que a desprezei quando soube do seu passado. Fui eu.

— Então por que você me tirou a força da casa dos Lincoln? – perguntei já não conseguindo esconder as lágrimas que começavam a escorrer pelo meu rosto assim como ele também chorava.

— Jhulliane não conseguia engravidar então me pediu para ir te buscar para que ela cuidasse de você como se fosse uma segunda mãe. Sabe porque eu te proibia de brincar pela casa? Por que você se parece muito com a Sarah e naquela época isso me atormentava muito. Me perdoa, filha? Por tudo que te fiz passar. Eu realmente sinto muito – ele parou de falar se entregando as lágrimas então o abracei.

— Eu te amo, pai, e te perdoo – sussurrei contra seu ombro.

— Eu também te amo, filha. Obrigado.

Sorri emocionada apertando mais o nosso abraço, pois finalmente eu e meu pai tínhamos feito às pazes. Com toda a sinceridade dos nossos corações, principalmente do meu.

— Minha filha querida – ele disse segurando meu rosto entre suas mãos – Não seja uma cabeça dura igual ao seu pai aqui e tente se entender com seu marido. Escute o que ele tem para te dizer.

— Mas pai...

— Anastasia, até mesmo o pior criminoso tem o direito a ser ouvido durante um julgamento. E posso te garantir que dessa vez Christian não é culpado. Deixe ele te mostrar e te esclarecer esse mal-entendido, ok?

— Tudo bem – falei me dando por vencida então ele me beijou na testa.

— Filha, você estava certa quando disse que eu não gosto desse negócio de submissão por que não entendo esse mundo e acabo julgando errado.

— Quando eu disse isso? – perguntei confusa.

— Durante a sessão de hipnose, você não se lembra?

— Não. Só consigo me lembrar de algumas coisas vagamente, mas não de tudo.

— Você disse isso sim, então eu resolvi que irei pesquisar sobre o assunto para poder começar a entender os motivos que leva uma pessoa a fazer esse tipo de coisa.

— Se tiver alguma dúvida pode perguntar para mim, para o Christian ou para a Elena – informei e meu pai assentiu.

— Podíamos fazer uma festa para comemorar nossas pazes.

— Pai, nós estamos apenas a oito dias do Natal. Para quê fazer uma festa agora? Comemoraremos na véspera do Natal que, aliás, este ano vai ser na minha casa.

Escutamos uma batida na porta então em seguida Christian e um cara de jaleco branco entraram no quarto. O médico me examinou depois perguntou-me se estava sentindo dor de cabeça e eu confirmei então ele me disse que era normal aquilo e que me daria alta, mas se a dor continuasse num período de 24 horas era para eu voltar ao hospital para fazer novos exames. Apenas assenti e ele logo saiu.

Christian entregou minha roupa então fui para o banheiro e coloquei o vestido preto depois o casaco vermelho. Ajeitei meu cabelo fazendo uma franja lateral para poder esconder o pequeno curativo em minha testa e fui calçar meus sapatos que estavam ao pé da cama.

— Meninos, eu preciso ir – disse meu pai assim que saímos do quarto – Filha, tenho um baú enorme lá no sótão da mansão cheio de coisas que pertenceram à sua mãe.

— Sério? – indaguei não acreditando.

— Sim. Se você quiser, mando deixar na sua casa.

— Claro e obrigada, pai.

O abracei então ele se despediu de Christian e se foi.

— Vem, quero te mostrar uma coisa – Christian falou pegando na minha mão e me conduzindo pelo corredor do hospital.

— Para onde você está me levando? – perguntei enquanto esperávamos o elevador que logo chegou abrindo suas portas prateadas para nós.

— Vou te mostrar o motivo da Sophie ter me abraçado anteontem.

Não falei nada, apenas entrei no elevador seguindo Christian. Minutos depois estávamos em frente à janela de vidro de um quarto da U.T.I aonde vi uma senhora sentada ao lado da cama de um rapaz que estava entubado.

— Aquela é a senhora Sra. Darren, mãe de Kelvin que é o noivo da Sophie – ouvi Christian dizer – Pela posição que você deve ter estacionado seu carro com certeza não deu para ver que quando Sophie saiu de dentro do Tesla, ela estava chorando – o olhei de relance e o mesmo olhava fixo para frente e mantinha suas mãos dentro do bolso da calça, cruzei os braços e olhei para frente novamente – Pouco minutos depois que havíamos chegado de uma reunião que tivemos cedo, Sophie recebeu uma ligação da Sra. Darren dizendo que Kelvin havia sofrido um acidente de carro e que estava aqui no hospital. Sophie ficou desesperada com a notícia então mandei Taylor trazer ela até aqui. Você me viu ao telefone, pois estava justamente tentando procurar mais informações sobre o tal acidente e foi nessa hora que Sophie e Taylor chegaram. A garota saiu aos prantos de dentro do carro e me abraçou então retribui seu abraço com carinho, pois era disso que ela precisava naquele momento. Depois que Sophie se acalmou perguntei sobre o estado do seu noivo e ela me informou que ele estava em coma e o estado dele era considerado grave então deixei Natasha tomando de conta da empresa e passei o resto do dia e o início da noite à procura dos melhores médicos de Seattle para cuidarem do caso de Kelvin. Se cheguei muito tarde em casa foi porque estava fazendo isso. Com ajuda de Grace, consegui o contato de um especialista no caso do garoto então no outro dia, eu e Sophie saímos àquela hora da manhã, foi para recepcionar o Dr. Trevelyan com quem eu havia falado no dia anterior e o mesmo iria desembarcar cedo em Vancouver.

A cada palavra que Christian dizia era como se eu sentisse um peso em meus ombros. Era o peso da culpa por tê-lo tratado tão mal esses dois últimos dias. Minha semana estava sendo como um furacão de emoções. Segunda-feira: Senti alegria por causa da chegada dos gêmeos em casa e prazer ao poder voltar a fazer sexo. Terça-feira: Senti mágoa por pensar que meu marido estava me atraindo novamente e gratidão por ter conhecido um possível amigo que, aliás, até agora não me ligou, e por ter de volta um velho amigo com quem eu posso conversar. Quarta-feira: Senti minha raiva contra meu marido aumentar e agora na quinta-feira estou sentindo um enorme remorso por tê-lo julgado, condenado e sentenciado sem nem ao menos ouvi-lo.

— Me desculpe, Christian – falei enquanto mantinha meu olhar baixo.

Pedi mentalmente que um buraco se abrisse a minha frente para que eu pudesse me esconder de tamanha vergonha que estava sentindo naquele momento. De repente senti seus braços me envolvendo e circulei a cintura dele com os meus, abraçando-o forte, recostando minha cabeça em seu ombro.

— Não precisa se desculpar, Ana. Você estava no seu direito de desconfiar de mim já que eu te traí no passado – ele empurrou minha cintura gentilmente me afastando um pouco e pegou no meu queixo fazendo com que o olhasse – Mas quero que me prometa uma coisa – balancei a cabeça assentindo – Quando tiver desconfiada de algo ou com ciúmes de mim com outra pessoa, quero que você chegue para mim e me pergunte o que está acontecendo. Lembra-se de hoje de manhã, quando eu te vi abraçada com o Hyde? Eu te perguntei o motivo pelo abraço, não foi?

— Foi – admiti constatando que havíamos passado pela mesma situação só que tínhamos tido reações diferentes.

— Quero que façamos isso. Que conversemos sobre os nossos problemas. Sei que às vezes vai ser difícil porque ambos somos cabeças duras, mas vamos tentar, ok, Sra. Grey?

— Ok, Sr. Grey.

Christian selou nossos lábios em um beijo doce e calmo, mas segundos depois fomos interrompidos por Sophie que estava acompanhada de Grace e um homem ao qual Christian o apresentou como sendo o Dr. Carrick Trevelyan. Assim que o cumprimentei, ele chamou Christian e Grace para conversarem a sós então entrei na U.T.I e fiquei conversando um pouco com a Sophie e com a Sra. Darren.

Nenhum comentário:

Postar um comentário