sexta-feira, 27 de março de 2020

Maliciosamente Sedutores - Capítulo 32


CHRISTIAN

— Anastasia, tente se acalmar e se concentre na melodia da música que está ouvindo.

O Dr. Hatcher fez um sinal para que John aumentasse o volume. Notamos que ela aos poucos foi se acalmando e logo sua respiração voltou ao normal.

— Quero que continue a me contar o que está havendo – Barry pediu.

— Ele me solta e eu caio no chão. Tento me arrastar até a porta, pois não sinto mais minhas duas pernas. Ele me agarra pelos cabelos e grita dizendo que ainda não tinha terminado comigo. Estou implorando para ele parar quando minha mãe chega e ela está com o Taylor.

— O que eles estão fazendo?

— Mamãe está brigando com Christian e ele a obedece, porque ele já foi o submisso dela assim como eu sou submissa à ele. Minha mãe pedi para Taylor me pegar no colo e me levar para o hospital, mas eu não quero ir e me agarro forte a ela que está ajoelhada ao meu lado. Mamãe me acalma e promete que ninguém nunca mais vai me machucar de novo.

— O que você está sentindo neste momento?

— Me sinto segura perto da minha mãe.

— E com relação ao Christian, o que você está sentindo?

— Amor. Raiva. Mágoa. Está tudo misturado dentro de mim. O sentimento de raiva é o mais forte entre eles e o mesmo cresce a cada lembrança do castigo. Eu amo o Christian, mas nunca disse isso a ele.

— Por que você nunca fez isso, Anastasia?

— Sou apenas um objeto que deve obedecê-lo e tenho medo de revelar o meu sentimento, por que ele nunca demonstrou que me ama também.

Eu queria muito dizer a ela que já a amava naquela época. Que só não conseguia demonstrar por causa dos meus próprios medos e problemas. Tentei levantar, mas meu sogro me impediu fazendo-me sentar novamente no sofá.

— Quero que você saia dessa visão e passe adiante... Onde você está agora? – perguntou Barry.

— Estou num quarto de hospital. Acho que estou internada há alguns dias. Todo meu corpo dói. Estou com um dreno no pulmão esquerdo e meu joelho está inchado e com uma espécie de armação que pareciam parafusos. Há um médico entrando no quarto, junto com ele está minha mãe. Ela sorri para mim e isso me acalma. Mamãe sempre consegue me acalmar com seu sorriso.

— O que o médico está fazendo?

— Está me dizendo que algumas costelas quebradas perfuraram parcialmente meu pulmão, mas que eu já estava fora de perigo. Ele fala que a operação do meu joelho foi um sucesso, mas para que eu voltasse a andar como antes teria que fazer fisioterapia por um tempo. Ele me diz que durante esses dias eu demonstrei ter outras personalidades e que fui diagnosticada com um tipo de transtorno onde possuo mais duas personalidades interligadas a mim. Não estou acreditando no que ele está falando e olho apreensiva para minha mãe que confirma o diagnóstico do médico.

— Ok, Anastasia. Quero agora que se lembre da primeira vez que teve contato visual e verbal com suas outras personalidades... Me descreva aonde você está?

— É meu primeiro dia na fisioterapia. A médica me pediu para andar entre as barras paralelas sem o auxílio das muletas.

— E o que você faz?

— Me posiciono em frente as barras e entrego as muletas para a fisioterapeuta e tento dar o primeiro passo, mas minha perna falha e eu caio. Me levanto com ajuda da fisioterapeuta e tento novamente, mas meu joelho começa a doer e estou quase desistindo quando escuto uma risada e me assusto ao ver no final das barras uma cópia de mim mesma, mas ela tem cabelos curtos e se veste de preto. Há também uma garotinha ao lado dela. Reconheço que sou eu com oito anos de idade. Estou assustada e olho ao redor para ver se mais alguém as está vendo, mas noto que só eu consigo vê-las. A maior se apresenta como Rose e diz ser o que eu nunca vou ser.

— E o que você nunca vai ser?

— Uma pessoa sem medo de agir por impulso. Rose diz também que é minha versão do mal, pois ela é capaz de fazer coisas muito ruins quando está com raiva. A pequena me diz que seu nome é Annie e que é minha versão pura e inocente.

— O que elas estão fazendo agora?

— Estão me incentivando a continuar. Gritando comigo para não desistir. Com auxílio da médica eu consigo andar com muita dificuldade. Ignoro a terrível dor no meu joelho e chego até ao final das barras. Elas aprovam minha persistência e desaparecem.

— Tudo bem, Anastasia. Avance mais à frente. Me conte um pouco sobre Isabela Morrison e o que ela significa para você?

— Ela significa tudo. Ela foi uma irmã, às vezes uma mãe e principalmente algo que nunca tive na minha vida, uma amiga. Sinto muita saudade dela.

— Quero que você visualize seu primeiro encontro com Isabela... Me conte onde você está agora?

— Estou num banheiro. É o banheiro da minha faculdade. Hoje é meu primeiro dia de aula depois do espancamento e da minha recuperação. Estou tentando limpar minha blusa que está com uma mancha enorme de mostarda. Um garoto havia derrubado o seu cachorro-quente em cima de mim na hora do intervalo. Alguém entra no banheiro então levanto o rosto e encaro a pessoa pelo reflexo do espelho. É uma moça de cabelos ruivos meio ondulados, de olhos azuis meio esverdeados e narizinho um pouco empinado. Pela sua roupa percebo que ela é daquelas garotas meio patricinha meio nerd. Reconheço que ela é a aluna nova do meu curso de Design de Interiores. Ela sorri para mim e tira de dentro de sua bolsa um suéter vermelho e o estende em minha direção dizendo que minha blusa não tinha mais salvação. Agradeço e enquanto me visto conversamos. Depois desse encontro nos tornamos melhores amigas e tive confiança e coragem suficiente para contar a ela sobre minha vida e meu transtorno. Isabela disse que me apoiaria durante todo o tratamento e que sempre estaríamos juntas.

— Me conte qual é a relação da Rose com a sua melhor amiga?

— O tratamento para amenizar o meu transtorno de múltiplas personalidades não estava dando certo então deixei de fazê-lo. Foi nesta fase que a Rose aparecia mais que a Annie e eu a deixava assumir. Uma noite a Rose me pediu para assumir o controle e quando eu acordei estava no banco de trás do carro da Isabela. Perguntei o que tinha acontecido então ela me falou que a Rose tinha ligado para ela e a convidado para irem a uma boate. Isabela acabou me confessando que gostava de se relacionar com garotas, mas que fazia isso às escondidas de seus pais porque eles eram um pouco religiosos e não aceitavam aquele tipo de comportamento. Perguntei se tínhamos feito algo e ela me garantiu que não. Só descobri que a Rose e a minha melhor amiga namoravam quando um dia acordei no quarto da Isabela e nós duas estávamos completamente sem roupas. Os pais dela me expulsaram da mansão Morrison e mandaram-me ficar longe da filha deles então depois desse episódio a Rose passou a ser uma pessoa mais fria e sem sentimentos enquanto que a mim comecei a ser uma prostituta de luxo para saciar meu vício em sexo e passei a ignorar minhas outras personalidades ao ponto de não vê-las mais.

— Ok, Anastasia. Saia dessa lembrança. Avance muito mais à frente e visualize agora as cenas e me conte sobre as traições de Christian.

“Traições? Como assim traições no plural? Eu só trai a Ana uma vez e me arrependo todos os dias por ter feito essa burrice”

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