sexta-feira, 27 de março de 2020

Maliciosamente Sedutores - Capítulo 31


CHRISTIAN

— Este é o Dr. Hatcher – disse John quando nos apresentou a um senhor de cabelos grisalhos iguais aos dele, assim que entramos em sua sala.

— Me chamem de Barry, por favor.

— O senhor é psiquiatra igual ao Dr. Flynn? – perguntou Anastasia após nós três termos nos cumprimentado.

— Não, senhora. Sou psicólogo especializado em hipnoterapia. Trabalho em Los Angeles, mas ficarei alguns dias aqui em Seattle para acompanhar o seu caso.

— O que o senhor pretende fazer? – inquiri.

— Primeiro quero conversar a sós com a Sra. Grey para criarmos um vínculo de amizade, pois isso é muito importante para que tenhamos sucesso nesta seção. Depois todos retornarão para a sala então começarei a terapia.

Assentimos então eu, John e Raymond fomos para a recepção. Ficamos por lá mais ou menos uns vinte minutos até que o Dr. Hatcher apareceu e nos chamou de volta. Assim que entramos vi Ana enxugando os olhos com um lenço.

“O que será que esse cara fez para a minha esposa?” pensei preocupado enquanto me sentava ao seu lado no sofá.

— Tudo bem, querida? – perguntei tocando-lhe o ombro.

— Estou bem, Christian – ela respondeu em um tom meio frio e se levantou – Podemos começar?

— Sim, mas primeiro vou explicar o que irei fazer. Não quero que nenhum dos três façam barulho, pois a Anastasia deve escutar apenas a minha voz, ok, senhores?

— Ok – respondemos juntos.

— Agora Anastasia, por favor, deite-se ali no divã e feche os olhos – o Dr. Hatcher pediu e ela fez o que ele mandou – Vou colocar uma música suave e quero que se concentre nela.

Barry puxou uma cadeira para o pé do divã, pegou um Ipod em sua maleta e o conectou a um amplificador colocando-o em cima da mesa próximo ao John. O Dr. Hatcher pediu ao Dr. Flynn que ficasse regulando o volume da música e pediu que eu e meu sogro nos sentássemos no sofá em frente ao divã.

Barry se sentou com uns papéis em mãos, que eu acho que eram as anotações do Dr. Flynn sobre a Ana, e fez um sinal para John que ligou o som. Uma música instrumental bem suave logo se fez ouvir pela sala.

— Contarei de dez até um e a cada dígito você irá se desligar de seu corpo e irá regressar ao passado – o Dr. Hatcher disse calmamente – Você visualizará todos os seus momentos traumáticos. Começaremos pelo primeiro quando você tinha três anos. Dez... Nove.... Oito... Sete... Seis... Cinco... Quatro... Três... Dois... Um... Respire fundo... e me conte onde você está?

— Estou em frente à casa da minha mãe – ela respondeu.

— Sua mãe Sarah Kartell?

— Não. Minha mãe Elena Lincoln.

— Me conte mais sobre o que vê?

— Estou nos braços da mamãe que chora e eu estou chorando também.

— Por que você está chorando?

— Mamãe e papai me disseram que eu não poderia mais morar com eles, pois meu pai verdadeiro me levaria para uma casa maior e com piscina. Eu não quero ir. Quero ficar com minha mamãe Elena e meu papai Raul. Um carro chega e um homem sai de dentro e se aproxima rapidamente. Ele me tira a força dos braços da minha mãe e me coloca dentro do carro. Começo a chorar batendo no vidro e gritando por meus pais enquanto que o carro está se afastando da minha casa e isso irrita o cara malvado que me puxa para seu colo e bate forte no meu bumbum me mandando calar a boca. A última coisa que vejo são meus pais abraçados chorando assim como eu.

— Ok, Anastasia. Quero que vá mais alguns anos à frente quando você estava com oito anos... Onde você está agora? – perguntou Barry.

— Estou no hall da mansão Steele.

— O que você está vendo?

— Meu pai Raymond está brigando comigo por eu ter fugido e ido para a casa da minha mãe Elena sem a permissão dele. Estou o afrontando, dizendo que aquela não era minha casa e que ele não é e nunca será meu pai. Ele fica muito furioso. Segura meu braço com força e me leva para o meu quarto, tranca a porta então me manda tirar a roupa.

Olhei assustado para o meu sogro.

“Será que ele teve coragem de abusar da própria filha?”

— O que ele está fazendo com você? – inquiriu o Dr. Hatcher sério, mas notei que ele estava tão assustado quanto eu e o John.

— Ele tira o cinto de couro da sua calça, segura no meu braço para que eu não escape e começa a me bater.

— O que você está sentindo neste momento?

— Apanho calada e a cada cintada que ele me dá, mais ódio sinto dele. Quando ele sai do meu quarto, estou deitada no chão. Minha pele clara agora está toda marcada em tons de roxo e vermelho devido aos hematomas.

“Nossa isso deve ter sido horrível para a Ana”

Olhei de relance para o meu sogro e o mesmo estava com as mãos sobre a face, provavelmente chorando em silêncio muito arrependido. Toquei suas costas em sinal de compreensão e companheirismo.

— Você perdoou seu pai pelo que ele te fez? – perguntou Barry.

— Quando fui passar as férias na casa da minha mãe, ela viu meus hematomas e brigou com meu pai Raymond então ele me pediu desculpas e eu o perdoei.

— Seu perdão foi sincero?

— Não. Não foi sincero. Eu ainda sinto mágoa pela surra que levei. Ele podia ter apenas me colocado de castigo, mas preferiu me bater com crueldade.

— Como era seu relacionamento com sua madrasta?

— No início, era legal então minha irmã nasceu e tanto ela quanto Raymond começaram a dar mais atenção a Kate. Descobri tempo depois que ele me desprezava só porque minha mãe Sarah era uma submissa e ele não gosta desse tipo de coisa. Acho que é porque ele não entende esse mundo e acaba julgando errado.

— Ok, Anastasia. Quero que você saia dessa lembrança e adiante mais alguns anos... Onde você está agora? – perguntou Barry continuando a seção.

— Estou numa sala enorme.

— Pode descrevê-la para mim?

— A sala se parece com a do meu apartamento no Escala, mas os móveis estão diferentes. Esta é a sala da cobertura do Christi...

Ela parou de falar inesperadamente e sua expressão foi de calma a angustiada em um nano de segundo. Olhei preocupado para o Dr. Hatcher que em seguida fez sinal para que John abaixasse um pouco mais o volume da música ao fundo.

— Não... Por favor... Aqui não... Me tira daqui... Por favor... – Ana choramingou chamando a nossa atenção.

— Anastasia, se concentre na minha voz e me diga o que você está vendo?

— É o Christian.

Neste instante, três pares de olhos me encararam, fiz menção para falar, mas o Dr. Flynn fez um sinal me impedindo.

— O que ele está fazendo? Tente me relatar o que está acontecendo ao seu redor, Anastasia – pediu Barry.

— Estou na cozinha só de calcinha, pois ele rasgou minha camisola com raiva...

— Por que o Christian está com raiva de você?

— Eu estava dormindo ao invés de esperá-lo na sala. Meu rosto está vermelho devido aos tapas que ele deu para me acordar. Estou terminando de preparar um drinque para ele que está sentado na sala, mas estou assustada e muito nervosa. Agora estou indo entregar a bebida, mas pelo meu nervosismo deixo derramar um pouco sobre sua calça e ele fica furioso. Ele grita comigo e dá outro tapa forte no meu rosto me fazendo cair no chão. Ele está bêbado e me diz que vamos ter uma conversa particular no quarto de jogos.

— O que é esse quarto de jogos?

— É onde os Mestres levam suas submissas para brincar ou para receber um castigo por desobedecer alguma ordem.

— E o que Christian está fazendo com você?

— Ele está me arrastando pelos cabelos até o quarto e estou implorando para que ele me perdoe pelo que eu tinha feito. Ele grita dizendo que vai me castigar para eu aprender a ser mais cuidadosa. Ele me levanta, me empurra de frente para a parede contra a cruz de madeira em forma de X e prende meus braços. Estou com muito medo e a única coisa que consigo ver é o vermelho da parede à minha frente. Sinto o primeiro golpe e eu grito de dor... – Ana parou de falar novamente e começou a chorar.

Estava me sentindo muito mal em vê-la recordar isso. Só Deus sabe o quanto relembrar aquela maldita noite também me feria profundamente. Percebi que ela estava respirando rápido e forte, era como se lhe faltasse o ar dos pulmões.

— Anastasia, o que ele está fazendo e o que você está sentindo? – o Dr. Hatcher indagou.

— Dói... Estou com muita dor... Não consigo respirar direito... – ela falava com dificuldade.

— Por que você não está conseguindo respirar?

— Ele me bateu... com uma vara... e a mesma... acertou com força... minhas costelas... Acho que... estão quebradas... Eu grito a nossa... palavra de segurança... para informar a ele... que aquele castigo... está além... do que posso aguentar... mas ele ri de mim... e continua a me bater... com mais força ainda... Meu joelho...

— O que houve com o seu joelho?

— Ele acertou... a vara no meu joelho... Não sinto mais... minha perna direita... Eu quero minha mãe...

As lágrimas não paravam de escorrer pelos cantos dos olhos fechados da Ana e acabei notando que tanto eu quanto meu sogro chorávamos também, em silêncio é claro.

“Meu Deus! Como eu pude ter feito aquilo com a mulher da minha vida. Se arrependimento matasse, com certeza eu já teria morrido milhões de vezes por tudo de ruim que fiz a ela”

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