sexta-feira, 27 de março de 2020

Maliciosamente Sedutores - Capítulo 27


ANASTASIA

Suas mãos foram para minha cintura enquanto que as minhas estavam em seu peito. O olhei diretamente nos olhos e vi suas pupilas dilatarem. Nossas respirações se misturavam no curto espaço que existia entre nossos rostos.

Aquele homem parecia exalar luxúria e sensualidade de seus poros. Engoli em seco e me afastei dele o mais rápido possível.

— Espera, Anastasia. Não vai embora, por favor. Me desculpe, eu não deveria ter duvidado de você.

— Tudo bem – minha voz saiu quase num sussurro então pigarrei tentando fazê-la voltar ao normal.

José me conduziu de volta à mesa puxando a cadeira para mim.

— Com licença – disse a garçonete parando ao nosso lado equilibrando a bandeja em uma das mãos – Aqui está seu hambúrguer e seu refrigerante, senhor.

— Obrigado.

— E aqui está seu milk-shake, senhorita.

— Obrigada – falei e logo a moça saiu.

— Então... posso saber o nome do sortudo que pescou a sereia mais linda de Seattle?

— Christian – respondi e respirei fundo.

Só foi pensar nele que aquela maldita imagem surgiu na minha mente. Sorvi um pouco da vitamina para tentar desfazer o nó que acabara de surgir na garganta.

— Você estava chorando por causa dele? – José me perguntou e deu um gole em seu refrigerante.

— Como sabe que eu estava chorando?

— Estava tirando algumas fotos quando te vi chegar no estacionamento então você passou a ser minha modelo e em uma das fotos a vi enxugar o rosto como se estivesse chorando.

— E você ainda me disse que não era nenhum maníaco – falei em tom brincalhão para tentar dissipar a tensão de minutos atrás.

— Se vejo algo tão belo é claro que irei registrar em foto. Sua beleza me encantou muito, Anastasia, mas se você não gosta de ver fotos suas com um estranho, aqui está minha câmera. Apague-as se quiser.

Peguei a máquina e recostei-me à cadeira começando a ver as fotos. Ele realmente sabia como tirar uma boa fotografia. Ergui meu olhar e encarei José que comia sem desviar seus olhos de mim.

— Devo admitir que todas as fotos ficaram bonitas então não irei apagá-las.

— Agradecido.

— Minutos atrás você me perguntou se eu estava chorando por causa do meu marido. A resposta é sim. Antes de vim para cá eu o vi abraçado à outra mulher, mas esta não é a primeira vez que ele me trai. Durante minha gravidez, eu descobri que ele mantinha um caso com a secretária que, aliás, era ex-cunhada dele.

— Uau! – ele exclamou chocado.

— Por um lado eu acho que sou um pouco culpada por ele ter me traído, pois tenho o transtorno de múltiplas personalidades e uma delas me influencia tanto que não consigo me declarar para ele. O máximo que falo é que eu gosto muito dele.

— Mas dizer “eu te gosto” não é a mesma coisa que dizer “eu te amo” – José comentou pensativo e eu tive que concordar com ele. José pegou minha mão e a acariciou – Nunca mais chore por esse tal de Christian, ok? Você é uma mulher linda e não merece ser tratada dessa forma. Se eu fosse seu marido nunca te trataria assim. Se recomponha e mostre para aquele canalha quem manda.

— Obrigada. Na primeira vez que ele me traiu eu o perdoei e até o avisei que se ele me traísse de novo eu pegaria nossos filhos e sumiria no mundo, mas...

— Você não vai mais fazer isso – ele concluiu por mim.

— Isso mesmo – de repente me sobressaltei com o celular vibrando no bolso de trás da calça, o peguei e atendi – Alô.

Ana?

Reconheci na hora a voz grave do outro lado da linha e sorri.

— Oi, Jack. Como você e Lucy estão? E a fazenda?

Nós estamos bem, já a fazenda eu tive que vendê-la. É muito difícil cuidar sozinho de uma fazenda daquele tamanho.

— Nem mesmo com Harry te ajudando? – perguntei e olhei para José que me observava sem entender nada.

Infelizmente ele e sua família se mudaram meses depois que você foi embora, mas te liguei foi para saber se eu e Lucy podemos ficar na sua casa de praia enquanto organizo novamente minha vida aqui em Seattle.

— Onde você está?

Acabamos de desembarcar, estou esperando aparecer um táxi para poder ir até Vancouver – Jack falou.

— Não pega nenhum táxi. Me espera. Estou chegando ai em alguns minutos. Tchau.

Ok. Tchau.

Desliguei e encarei José que ainda me olhava um pouco confuso.

— Preciso ir, pois tenho que buscar um amigo no aeroporto – comuniquei me levantando e ele fez o mesmo.

— Logo agora que a conversa estava boa você tem que ir embora.

Pedi a caneta emprestada da garçonete que passava perto de nós, puxei um guardanapo e escrevi o número do meu celular no papel estendendo para José em seguida.

— O que é isso? – ele indagou pegando o guardanapo.

— Meu número. Gostei muito da sua companhia, José. Me liga. Assim eu posso te pagar esse lanche qualquer dia desses.

— Só se for com um jantar.

— Pode ser – falei tentando parecer indiferente – Tchau.

— Até logo.

Andei em direção à porta, mas antes de abri-la me virei olhando novamente para José e acenei um tchau com a mão fazendo-o sorrir de um jeito sedutor.

Enquanto eu seguia para o estacionamento avistei duas figuras muito familiares. Ambas de braços cruzados, mas uma balançava a cabeça em reprovação enquanto que a outra sorria aprovando minha atitude. Ignorei e passei direto entre elas fazendo-as desaparecerem.

No conforto do meu carro indo em direção ao aeroporto, me peguei questionando o porquê de ter falado sobre meu casamento e de ter dado o meu número para aquele homem, um total estranho. Talvez eu apenas precisava desabafar com alguém.


★ ★ ★ ★ ★


Assim que saí do carro, Lucy correu em minha direção então a peguei no colo.

— Oi, florzinha. Como você está?

— Bem, titia. Tava com saudade. O papai não sabe contar historinha do jeito que a senhora conta.

— Não! – exclamei fingindo uma cara de brava – Que papai mais malvado – falei e sorri para Jack que se aproximava com as malas. Botei Lucy no chão e fui abraçá-lo.

— Oi.

— Por favor, me abraça mais forte – sussurrei com a voz abafada contra seu ombro e assim ele o fez.

Jack apertou mais seus braços ao meu redor que cheguei a sentir uma pontada de dor em minhas costelas, mas aquela dor era pequena comparada com a que eu estava sentindo em meu coração. Depois de alguns segundos nos desvencilhamos e eu limpei uma lágrima que havia descido.

— Obrigada. Estava mesmo precisando de um abraço amigo – murmurei dando um sorriso.

— O que aconteceu, Ana? – Jack perguntou preocupado.

— Depois eu te conto. Vamos?

Ele assentiu então abri o porta-malas do carro tirei metade das sacolas de compras e as coloquei numa parte do banco de trás. Enquanto Jack guardava suas malas , ajudei Lucy a entrar no carro e botei o cinto de segurança nela depois entramos e saímos do aeroporto.

— Tem notícias sobre o Sr. Kavanagh? – perguntou Jack minutos depois.

— Ouvi dizer que Ethan se casou de novo. Por quê?

— Queria saber se ele me aceitaria de volta como seu motorista.

— Você gosta de ser motorista?

— É o único trabalho que consigo.

— Você não fez nenhum curso superior?

— Sou formado em Publicidade.

— Perfeito. Já está contratado – exclamei enquanto parava em um sinal, ele me olhou confuso então sorri – Estou precisando de gente na área de publicidade para trabalhar comigo na minha loja.

— Você tem uma loja?

— O... – parei de falar e suspirei fundo – O Christian me deu uma de presente.

— Anastasia, o que está acontecendo?

— Pega meu celular na minha bolsa, por favor – pedi e assim ele fez.

Abri um joguinho que eu tinha no telefone, dei para Lucy ficar brincando e pedi para que ela colocasse os fones de ouvido. Contei para Jack de uma forma resumida meus últimos meses enquanto seguíamos rumo à mansão. Ele apenas me olhava atônito.

— ...e estou pensando em me vingar traindo ele também. Quero mostrar ao Christian que se ele não começar a me dar valor, alguém pode vim e me tomar dele.

— Não tiro sua razão, mas acha mesmo necessário se vingar? Você está o julgando, o condenando e o sentenciando antes mesmo dele se defender. Minha mãe sempre dizia que uma boa conversa resolve tudo.

— É a segunda vez que o Christian me trai, Jack. Eu não sou árvore para ter um monte de galhos na cabeça – exclamei emburrada.

— Ok. Faça o que você quiser, só não me mete nessa.

— Acho que já achei a pessoa certa para me ajudar com o meu plano – comuniquei, pois meu pensamento foi direto para José – Vocês irão ficar aqui – falei estacionando o Tesla em frente à mansão.

— Ana, não quero atrapalhar sua vida de casada...

— Que a propósito está indo de mal a pior – o interrompi, descendo do carro.

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