sexta-feira, 27 de março de 2020

Maliciosamente Sedutores - Capítulo 26


JOSÉ

Como eu não tinha nada para fazer resolvi pegar o carro e ir até o porto a fim de fotografar a paisagem. Poucas pessoas circulavam o local então peguei minha Nikon e comecei a tirar as fotos.

Minutos depois, uma mulher bem elegante saiu de dentro de um carro e foi se sentar na pequena mureta que dividia o estacionamento da área do porto. A beleza dela me chamou a atenção então comecei a fotografá-la e nossa distância me permitia fazer isso sem que ela me visse.

De repente, quando dei o zoom na máquina para tirar uma foto do seu rosto, notei que ela limpava os olhos como se estivesse chorando. Desliguei a câmera e passei a alça pelo meu tórax colocando ela para trás então fui até uma banca de flores e comprei uma rosa branca depois me dirigi até a bela mulher que ainda permanecia no mesmo lugar.

— Está rosa por um sorriso teu – falei atrás dela e a mesma se assustou.

Ela me encarou por cima do ombro e pelo seu olhar percebi que ela me avaliava de cima a baixo. A mulher era mais linda de perto do que de longe, mas infelizmente pela posição que ela estava não pude notar se a mesma era casada ou solteira. Estendi a flor para ela que pegou encantando-me com um sorriso e me agradeceu pela rosa.

— Posso me sentar? – perguntei meio receoso.

— Claro. A mureta é pública – ela falou dando de ombros.

Me sentei um pouco distante de onde ela estava para que não pensasse que eu era algum tarado. A olhei de relance e notei que seu olhar estava fixo na paisagem à frente. Ela estava tão linda daquele jeito, parecia até a Monalisa do mundo moderno.

A vontade de tirar uma foto dela foi tanta que puxei a alça da minha Nikon preta que estava para trás e a peguei, mas meu movimento foi percebido por ela que me olhou meio desconfiada.

— Você é algum tipo de paparazzo por acaso?

Eu ri da pergunta dela e tratei logo de negar.

— Não. As únicas celebridades de que tiro fotos são as paisagens e de vez em quando tiro fotos de pessoas anônimas assim como você – falei e virei minha câmera em sua direção tirando uma foto dela.

— Não sou uma pessoa anônima.

— Você é algum tipo de celebridade que vem até o cais se inspirar para fazer seu trabalho? – perguntei curioso, pois havia ficado encantado pela aquela linda mulher e queria saber mais sobre ela.

— Não sou celebridade – ela sorriu para mim então sorri de volta.

— Aceita tomar um lanche comigo? – ousei perguntar.

— Eu nem te conheço direito.

Levantei, parei a sua frente e estendi meu braço.

“Perfeito, ela é solteira” pensei sorrindo internamente por não ver nenhuma aliança em sua mão.

— Prazer, me chamo José. Meu hobby é fotografar paisagens e pessoas anônimas incluindo moças sentadas em muretas – falei e ela sorriu enquanto apertava minha mão.

— Prazer José, me chamo Anastasia. Não sou nenhum tipo de celebridade e meu hobbie não é sentar em muretas e ficar olhando a paisagem.

— Só isso? Pensei que você fosse falar mais de si mesma.

— Por que eu faria isso? Vai lá que você é algum serial killer.

“Serial Killer? Essa mulher é incrível”

— Se fosse um serial killer eu não te convidaria para lanchar comigo e sim já teria te matado – falei tentando parecer indiferente.

— Há exceções no mundo – ela disse então não nos aguentamos e rimos daquilo.

— Não se preocupe. Não sou nenhum serial killer, maníaco ou tarado. Sou apenas um homem comum convidando uma linda mulher para tomar um lanche. Sem segundas intenções. Palavra de escoteiro – garanti e Anastasia me olhou de cima a baixo.

— Você por acaso é ou já foi escoteiro?

— Não – admiti e ela rolou os olhos sorrindo.

— Tudo bem. Eu aceito seu convite, mas eu não posso demorar – Anastasia disse se levantando da mureta e passando a mão em sua calça para limpá-la – Aonde pretende me levar?

“Para minha casa. Para o meu quarto. Para a minha cama” pensei, pois se eu dissesse isso em voz alta com certeza ela sairia correndo.

— Tem uma lanchonete bem ali, podemos comer alguma coisa lá – optei por dizer e ela assentiu então nos encaminhamos até a lanchonete.





ANASTASIA

Quando chegamos à lanchonete pedi ao José para que sentássemos na parte interna do lugar bem longe das janelas. Eu não queria que nenhum paparazzo tirasse foto de mim com outro homem justamente hoje que eu estava sem aliança. É claro que eu ainda me vingaria do Christian, mas isso era para ser só entre nós.

O lugar estava praticamente vazio, só havia uma mulher ao telefone tomando café e um casal de namorados se amassando num dos cantos da lanchonete. Sentamos na outra extremidade de frente para o casal de adolescentes. José foi tão cavalheiro e puxou a cadeira para eu poder me sentar fazendo questão de dizer que ele é que iria pegar a nossa conta.

— É bom mesmo você pagar a conta, por que eu esqueci minha bolsa dentro do meu carro – brinquei e me ele olhou divertido.

— Qualquer coisa a gente pede a conta e sai de fininho – José comentou e nós sorrimos.

Podia parecer estranho, mas perto dele eu estava me sentindo bem. José me fazia sorrir em meio à situação dolorosa que estava passando no meu casamento.

“Mas será que eu poderia confiar nele o suficiente para poder contar todos os meus problemas?”

Uma garçonete apareceu e nos entregou o cardápio. Sorri discretamente quando notei que a moça não tirava os olhos de José, mas eu não a culpava, pois o rapaz que me acompanhava era muito sexy. A moça anotou nossos pedidos e saiu.

— Arrasando corações – comentei.

— Não sei do que está falando.

— Não me diga que você não notou o olhar que a garçonete te deu? Ela praticamente estava babando em você.

— Sério? Nem notei. Meus olhos estavam admirando outra pessoa – ele disse me dando uma piscadinha e acabei sorrindo meio sem graça.

— Por que você me deu esta rosa? – perguntei de repente.

— Por que queria alegrar a vida de outra rosa que estava tristinha sentada numa mureta – José falou e eu fiquei um pouco ruborizada.

— Isso foi uma cantada?

— Não sei. Para você, isso foi uma cantada? – ele devolveu a pergunta e eu confirmei com um aceno de cabeça.

— José, eu não sou solteira.

— Você já tem namorado?

— Não é isso. Eu sou casada.

— Sério? – José indagou incrédulo – Então porque não está usando sua aliança?

— Um dos diamantes caiu e eu tive que deixá-la na joalheria.

— Ata – ele disse enquanto me olhava divertido.

— Você não está acreditando em mim, não é?

— Não – José confirmou ainda sorrindo.

Levantei da mesa rapidamente fechando a cara com raiva e sai andando rumo à entrada do lugar, mas mal cheguei a dar alguns passos quando o senti puxar meu pulso me fazendo virar e bater contra seu corpo.

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