ANASTASIA
Minha cabeça era um furacão de pensamentos.
“Será que era mesmo verdade o que Christian escreveu na carta?”
“Será que seu pedido de desculpas era sincero ou apenas um meio de me fazer desistir do divórcio?”
“Não, eu acho que não, pois ele disse no final da carta que se eu quisesse o divórcio ele me daria”
“E sobre a infância dele? Nossa! É claro que havia notado a sutil cicatriz da costa, mas nunca na minha cabeça iria passar a ideia de que aquela era uma marca de maus tratos. Não queria nem imaginar a dor física que ele sofreu. Pobre Christian” pensei enquanto acariciava minha barriga.
“Não me diga que uma simples cartinha de desculpas amoleceu o seu coração?” perguntou-me Rose aparecendo ao pé da cama.
— Estou um pouco confusa – admiti e Rose rolou os olhos.
“Vamos perdoá-lo, Anastasia. O Christian ama a gente e nós o amamos também” falou a pequena Annie também parada ao pé da cama.
“Desde quando uma pirralha de sete anos sabe o que é amor?” Rose disse bem sarcástica e riu.
“Posso não saber sobre o amor entre um homem e uma mulher, mas sei o que é o amor sim”
“Ah sabe e como sabe” Rose debochou rindo.
Rolei os olhos. Ninguém merece ver suas duas personalidades brigando na sua frente. Aquilo era o cúmulo da loucura e estava fazendo minha cabeça doer mais ainda.
— Calem a boca as duas! – ralhei e elas me encararam – Annie, não quero a sua opinião sobre esse assunto, porque você é apenas uma criança e também não quero a sua opinião Rose, porque você não gosta de homem então nunca entenderá minha relação com o Christian, mas para alegrar as duas eu decidi que irei perdoá-lo.
Annie começou a pular de felicidade jogando para o alto o surrado Teddy, um elefante de pelúcia que eu havia ganhado da Elena no meu aniversário de três anos.
— Mas também quando eu tiver uma oportunidade de dar o troco em Christian, eu o trairei com certeza.
“É isso aí garota” Rose falou dando um sorriso aprovando minha atitude.
De repente, ouvi baterem na porta.
— Sumam as duas agora – sussurrei.
“Até parece que eles podem nos ver” Rose debochou rolando os olhos antes delas desaparecerem.
— Pode entrar – falei colocando a carta sobre a mesinha de cabeceira.
Gail abriu a porta e adentrou o quarto trazendo consigo uma bandeja prateada contendo o que eu havia pedido a ela. Comi um pouco do bolo antes de tomar o remédio de dor e após terminar meu lanche, a Sra. Jones me ajudou a levantar da cama então fui para o banheiro tomar um banho.
Quando voltei para o quarto, encontrei ela brigando com Rachel e Alaska que pulavam em cima da cama, fazendo-a de trampolim.
— Titia! – ambas exclamaram juntas enquanto sorriam.
— Desculpe, menina.
— Tudo bem, Gail. Deixa elas se divertirem um pouco – falei indo rumo ao closet – Sabe me informar onde Christian está? – perguntei enquanto ela me ajudava a vestir uma calça jeans feita especialmente para gestantes.
— O Sr. Grey está na biblioteca e parece que passou a noite por lá trabalhando. Ele pediu que ninguém o incomodasse.
— Obrigada, Gail.
Coloquei uma blusa branca de manga comprida e com um laço abaixo do busto. A Sra. Jones novamente me ajudou pondo as sapatilhas de oncinha nos meus pés depois saiu do quarto então terminei de me arrumar enquanto escutava as aventuras de Alaska e Rachel no enorme quintal da mansão.
Levantei a blusa e passei um pouco de óleo de amêndoas na barriga, peguei o secador e sequei os cabelos deixando-os soltos depois apanhei e dobrei a carta pondo-a no bolso de trás da calça.
— Titia, doe muito?
— Doe o quê, florzinha? – perguntei olhando para Alaska.
— Carregar esse barrigão enorme.
— Às vezes.
Chamei as duas para descermos então elas saíram da cama e seguraram minhas mãos. Deixei as gêmeas com a Gail na cozinha e fui até a biblioteca. Encontrei Christian jogando no sofá com um dos braços cobrindo-lhe a face e o mesmo parecia estar dormindo, pois quando me aproximei o ouvi ressonando.
Fiquei o observando por alguns segundos e me virei para a escrivaninha que estava uma zona, me aproximei de lá e havia vários papéis jogados sobre ela, mas logo minha atenção foi presa pelo que estava na tela do computador dele.
Era uma página de um site que falava tudo sobre Transtorno Dissociativo de Identidade. Levei a mão à boca em choque.
“Será que ele havia descoberto sobre o meu transtorno?”
“É óbvio, não acha?” Rose apareceu a minha frente.
“Isso quer dizer que ele se preocupa com a gente” disse Annie ao lado dela.
— Quem será que contou a ele? A única que sabe disso além de mim é a...
“Mamãe” as duas disseram juntas e desapareceram.
Dei um passo para trás e minha mão acabou esbarrando no abajur de mesa que ao cair fez um barulho alto. Christian acordou assustado e olhou para mim.
— Ana?
— Oi, Christian. A gente precisa conversar.
Me afastei da escrivaninha e fui me sentar no outro sofá em frente ao que ele estava. Christian bocejou e passou as mãos nos cabelos tentando arrumá-los.
— Eu vi o seu computador. Desde quando sabe sobre mim?
— Sei o quê? – ele indagou, mas eu notei que Christian tentava se fazer de desentendido.
— Sobre o meu transtorno.
— Elena contou ontem depois da festa para nós.
Arregalei os olhos assustada.
— Nós quem?
— Nossa família – ele disse.
“Droga! Droga! Droga!” praguejei mentalmente.
— E o que ela disse a vocês? – perguntei.
— Elena nos contou que você possui mais duas personalidades: A Annie e a Rose. Ela acusou seu pai de ser o culpado por você ter esse transtorno. Elena disse que eu também era culpado, porque a Rose foi criada pelo que eu fiz a você, anos atrás, e ela voltou por causa do meu erro de agora.
Me mexi desconfortável no sofá, pois não queria mais ouvir sobre meu problema.
— Já que você tocou no assunto traição. Acha mesmo que com uma simples cartinha eu vou esquecer o que você fez e segui em frente sem que nada disso tivesse acontecido? – perguntei séria, jogando a carta para ele que me olhou triste.
— Não, eu não acho. Fiz esta carta porque queria que você me ouvisse.
— E por que não foi falar comigo pessoalmente?
— Eu fui, mas você estava dormindo.
— O que disse na carta era verdade? Seu pedido de desculpas foi realmente sincero?
Christian se levantou e veio se ajoelhar a minha frente.
— Sim, Ana. Você me perdoa, por favor? – perguntou entrelaçando minhas mãos nas suas e me olhando intensamente – Quero muito que tudo volte ao normal...
— Eu também queria – admiti o interrompendo, desviei meu olhar do seu rosto para um ponto qualquer da biblioteca e suspirei – Mas infelizmente, Christian, nada será igual ao que era antes. Sempre vai existir essa cicatriz da traição no nosso casamento, pronta para ser exposta em nossas futuras brigas – voltei meu olhar para ele que me observava atentamente – Eu te perdoo, mas...
— Ainda quer se divorciar de mim – Christian falou meio desanimado soltando minhas mãos depois sentou ao meu lado no sofá e começou a falar um monte de coisas que eu nem dei muita importância então meti um beliscão na costela dele.
— Christian! Dá para você calar a sua boca e me deixar terminar de falar? – indaguei e ele assentiu esfregando o lugar – Como estava dizendo... eu te perdoo, mas se você me trair de novo, eu juro que vou pegar os nossos filhos e desaparecer que nem mesmo o melhor GPS do mundo vai conseguir nos rastrear, ouviu bem?
Ele assentiu e beijou minhas mãos.
— Obrigado por me dar essa nova chance, querida. Prometo que não irei desperdiçá-la – Christian disse e se inclinou para me beijar, mas eu virei o rosto – O que foi? Eu pensei que a gente tivesse feito as pazes.
— Só porque te perdoei não significa que minha raiva passou. Para ganhar de novo um beijo meu, você vai ter que provar que merece. Agora me ajuda a levantar, por que eu preciso urgente fazer xixi.
— Tem um banheiro ali – ele falou me indicando uma porta lateral da biblioteca assim que fiquei em pé.
— Eu sei onde é, Christian. Fui eu que decorei está mansão, lembra?
— Ok, Sra. Grey, não está mais aqui quem falou.
Minha cabeça era um furacão de pensamentos.
“Será que era mesmo verdade o que Christian escreveu na carta?”
“Será que seu pedido de desculpas era sincero ou apenas um meio de me fazer desistir do divórcio?”
“Não, eu acho que não, pois ele disse no final da carta que se eu quisesse o divórcio ele me daria”
“E sobre a infância dele? Nossa! É claro que havia notado a sutil cicatriz da costa, mas nunca na minha cabeça iria passar a ideia de que aquela era uma marca de maus tratos. Não queria nem imaginar a dor física que ele sofreu. Pobre Christian” pensei enquanto acariciava minha barriga.
“Não me diga que uma simples cartinha de desculpas amoleceu o seu coração?” perguntou-me Rose aparecendo ao pé da cama.
— Estou um pouco confusa – admiti e Rose rolou os olhos.
“Vamos perdoá-lo, Anastasia. O Christian ama a gente e nós o amamos também” falou a pequena Annie também parada ao pé da cama.
“Desde quando uma pirralha de sete anos sabe o que é amor?” Rose disse bem sarcástica e riu.
“Posso não saber sobre o amor entre um homem e uma mulher, mas sei o que é o amor sim”
“Ah sabe e como sabe” Rose debochou rindo.
Rolei os olhos. Ninguém merece ver suas duas personalidades brigando na sua frente. Aquilo era o cúmulo da loucura e estava fazendo minha cabeça doer mais ainda.
— Calem a boca as duas! – ralhei e elas me encararam – Annie, não quero a sua opinião sobre esse assunto, porque você é apenas uma criança e também não quero a sua opinião Rose, porque você não gosta de homem então nunca entenderá minha relação com o Christian, mas para alegrar as duas eu decidi que irei perdoá-lo.
Annie começou a pular de felicidade jogando para o alto o surrado Teddy, um elefante de pelúcia que eu havia ganhado da Elena no meu aniversário de três anos.
— Mas também quando eu tiver uma oportunidade de dar o troco em Christian, eu o trairei com certeza.
“É isso aí garota” Rose falou dando um sorriso aprovando minha atitude.
De repente, ouvi baterem na porta.
— Sumam as duas agora – sussurrei.
“Até parece que eles podem nos ver” Rose debochou rolando os olhos antes delas desaparecerem.
— Pode entrar – falei colocando a carta sobre a mesinha de cabeceira.
Gail abriu a porta e adentrou o quarto trazendo consigo uma bandeja prateada contendo o que eu havia pedido a ela. Comi um pouco do bolo antes de tomar o remédio de dor e após terminar meu lanche, a Sra. Jones me ajudou a levantar da cama então fui para o banheiro tomar um banho.
★ ★ ★ ★ ★
Quando voltei para o quarto, encontrei ela brigando com Rachel e Alaska que pulavam em cima da cama, fazendo-a de trampolim.
— Titia! – ambas exclamaram juntas enquanto sorriam.
— Desculpe, menina.
— Tudo bem, Gail. Deixa elas se divertirem um pouco – falei indo rumo ao closet – Sabe me informar onde Christian está? – perguntei enquanto ela me ajudava a vestir uma calça jeans feita especialmente para gestantes.
— O Sr. Grey está na biblioteca e parece que passou a noite por lá trabalhando. Ele pediu que ninguém o incomodasse.
— Obrigada, Gail.
Coloquei uma blusa branca de manga comprida e com um laço abaixo do busto. A Sra. Jones novamente me ajudou pondo as sapatilhas de oncinha nos meus pés depois saiu do quarto então terminei de me arrumar enquanto escutava as aventuras de Alaska e Rachel no enorme quintal da mansão.
Levantei a blusa e passei um pouco de óleo de amêndoas na barriga, peguei o secador e sequei os cabelos deixando-os soltos depois apanhei e dobrei a carta pondo-a no bolso de trás da calça.
— Titia, doe muito?
— Doe o quê, florzinha? – perguntei olhando para Alaska.
— Carregar esse barrigão enorme.
— Às vezes.
Chamei as duas para descermos então elas saíram da cama e seguraram minhas mãos. Deixei as gêmeas com a Gail na cozinha e fui até a biblioteca. Encontrei Christian jogando no sofá com um dos braços cobrindo-lhe a face e o mesmo parecia estar dormindo, pois quando me aproximei o ouvi ressonando.
Fiquei o observando por alguns segundos e me virei para a escrivaninha que estava uma zona, me aproximei de lá e havia vários papéis jogados sobre ela, mas logo minha atenção foi presa pelo que estava na tela do computador dele.
Era uma página de um site que falava tudo sobre Transtorno Dissociativo de Identidade. Levei a mão à boca em choque.
“Será que ele havia descoberto sobre o meu transtorno?”
“É óbvio, não acha?” Rose apareceu a minha frente.
“Isso quer dizer que ele se preocupa com a gente” disse Annie ao lado dela.
— Quem será que contou a ele? A única que sabe disso além de mim é a...
“Mamãe” as duas disseram juntas e desapareceram.
Dei um passo para trás e minha mão acabou esbarrando no abajur de mesa que ao cair fez um barulho alto. Christian acordou assustado e olhou para mim.
— Ana?
— Oi, Christian. A gente precisa conversar.
Me afastei da escrivaninha e fui me sentar no outro sofá em frente ao que ele estava. Christian bocejou e passou as mãos nos cabelos tentando arrumá-los.
— Eu vi o seu computador. Desde quando sabe sobre mim?
— Sei o quê? – ele indagou, mas eu notei que Christian tentava se fazer de desentendido.
— Sobre o meu transtorno.
— Elena contou ontem depois da festa para nós.
Arregalei os olhos assustada.
— Nós quem?
— Nossa família – ele disse.
“Droga! Droga! Droga!” praguejei mentalmente.
— E o que ela disse a vocês? – perguntei.
— Elena nos contou que você possui mais duas personalidades: A Annie e a Rose. Ela acusou seu pai de ser o culpado por você ter esse transtorno. Elena disse que eu também era culpado, porque a Rose foi criada pelo que eu fiz a você, anos atrás, e ela voltou por causa do meu erro de agora.
Me mexi desconfortável no sofá, pois não queria mais ouvir sobre meu problema.
— Já que você tocou no assunto traição. Acha mesmo que com uma simples cartinha eu vou esquecer o que você fez e segui em frente sem que nada disso tivesse acontecido? – perguntei séria, jogando a carta para ele que me olhou triste.
— Não, eu não acho. Fiz esta carta porque queria que você me ouvisse.
— E por que não foi falar comigo pessoalmente?
— Eu fui, mas você estava dormindo.
— O que disse na carta era verdade? Seu pedido de desculpas foi realmente sincero?
Christian se levantou e veio se ajoelhar a minha frente.
— Sim, Ana. Você me perdoa, por favor? – perguntou entrelaçando minhas mãos nas suas e me olhando intensamente – Quero muito que tudo volte ao normal...
— Eu também queria – admiti o interrompendo, desviei meu olhar do seu rosto para um ponto qualquer da biblioteca e suspirei – Mas infelizmente, Christian, nada será igual ao que era antes. Sempre vai existir essa cicatriz da traição no nosso casamento, pronta para ser exposta em nossas futuras brigas – voltei meu olhar para ele que me observava atentamente – Eu te perdoo, mas...
— Ainda quer se divorciar de mim – Christian falou meio desanimado soltando minhas mãos depois sentou ao meu lado no sofá e começou a falar um monte de coisas que eu nem dei muita importância então meti um beliscão na costela dele.
— Christian! Dá para você calar a sua boca e me deixar terminar de falar? – indaguei e ele assentiu esfregando o lugar – Como estava dizendo... eu te perdoo, mas se você me trair de novo, eu juro que vou pegar os nossos filhos e desaparecer que nem mesmo o melhor GPS do mundo vai conseguir nos rastrear, ouviu bem?
Ele assentiu e beijou minhas mãos.
— Obrigado por me dar essa nova chance, querida. Prometo que não irei desperdiçá-la – Christian disse e se inclinou para me beijar, mas eu virei o rosto – O que foi? Eu pensei que a gente tivesse feito as pazes.
— Só porque te perdoei não significa que minha raiva passou. Para ganhar de novo um beijo meu, você vai ter que provar que merece. Agora me ajuda a levantar, por que eu preciso urgente fazer xixi.
— Tem um banheiro ali – ele falou me indicando uma porta lateral da biblioteca assim que fiquei em pé.
— Eu sei onde é, Christian. Fui eu que decorei está mansão, lembra?
— Ok, Sra. Grey, não está mais aqui quem falou.

Nenhum comentário:
Postar um comentário