sexta-feira, 27 de março de 2020

Maliciosamente Sedutores - Capítulo 11


ANASTASIA

Acordei com uma terrível dor de cabeça. Sempre era assim. Toda vez que a Annie ou a Rose assumia o controle quando eu voltava sentia muita dor de cabeça e não me lembrava de absolutamente nada do que elas faziam.

Para piorar a minha situação também acordei com dor nas costas. Estiquei o braço até o telefone fixo em cima da mesinha de cabeceira e liguei para o ramal da cozinha. Não demorou muito e logo atenderam.

Mansão Grey.

— Bom dia, Gail.

Bom dia, menina. Acabou de acordar?

— Sim e acordei com dor de cabeça e dor nas costas também. Pode me trazer um remédio para dor? E algo bem saboroso para comer, pois estou morrendo de fome. Que hora é essa?

São quase onze e meia. Estamos terminando de preparar o almoço.

— Acho que não vou conseguir esperar até lá. Ainda sobrou bolo de ontem?

O bolo quase não foi tocado, menina.

— Por quê? O que aconteceu, Gail?

Percebi que ela hesitou por alguns segundos, antes de falar novamente.

Depois que a senhora brigou com o Sr. Grey, a Sra. Steele e a Dona Grace dispensaram os convidados, antes mesmo de nós começarmos a servir o bolo.

— Ok, então me traz um pedaço bem grande de bolo, um xícara de chá de camomila com hortelã e o remédio.

Sim, menina.

Assim que desliguei, fiquei pensando na tal briga que Gail mencionou e se ela hesitou em me dizer é porque a coisa foi feia. De repente, senti vontade de fazer xixi, o que tornou mais frequente nestes últimos meses, joguei o edredom para o lado e com muita dificuldade consegui levantar e ir até o banheiro.

Quando voltava para a cama notei um envelope de carta sobre a mesinha de cabeceira, peguei e não havia nada que identificasse o autor.

— Ainda bem que só faltam mais dois meses e meio para vocês dois nascerem – reclamei para minha barriga enquanto tentava me sentar na cama.

Recostei-me a cabeceira, peguei o envelope, o abri, tirei duas folhas e comecei a ler.


Querida Anastasia,

Em primeiro lugar peço-lhe mil desculpas! Sei que fui um idiota por fazer o que fiz e é por isso que começo esta carta com um pedido de desculpas. Jamais pensei que um dia fosse obrigado a escrever uma carta desse gênero então não sei exatamente o que dizer, mas tentarei expressar o que estou sentindo.

Lixo. É assim que eu me sinto neste momento. Te admiro muito por ainda continuar firme e forte, resistindo à tentação da carne enquanto que eu fui um fraco e acabei sucumbido ao pecado da luxúria, pois foi apenas isso que aconteceu entre eu e... você sabe quem.

Todos os sentimentos que tenho são e sempre serão seus, mas isso não justifica meu erro é claro. Errei, mas errar é humano, não é? Devemos aprender com os nossos erros e eu aprendi com o meu.

No dia do meu aniversário de vinte e um anos quando Elena apareceu no meu apartamento e me deu dois presentes, eu não sabia que um deles: uma menina branquinha com seus lindos cabelos castanhos, olhos azuis, muito tímida, de aparência frágil e que parecia mais uma boneca de porcelana do que uma garota, conquistaria meu coração e me mostraria o quão belo o amor pode ser.

Vou ser eternamente grato a Elena por ela ter proporcionado o nosso encontro e também o reencontro, porque você se tornou a razão da minha vida. Quero muito que tudo volte ao normal entre nós, com você e os nossos filhos bem perto de mim.

Estou ciente de que terei que te reconquistar de novo e provar que mereço seu amor novamente, mas eu não ligo, porque você é muito importante para mim, mais que importante, você é a mulher que eu amo.

Sei que te prometi não dizer essas palavras antes de você, mas eu realmente preciso dizê-las agora: EU TE AMO, ANASTASIA!!!

Vamos nos dar outra chance Ana, por favor? Pense nos nossos filhos, pois nós dois sabemos o que a ausência física dos pais e do amor deles podem fazer na vida de uma pessoa.

Eu nunca cheguei a te contar sobre minha história e acredito que nem minha mãe e nem meu irmão também não disseram nada, pois nós não gostamos de tocar neste assunto, mas a verdade é que eu tenho um passado obscuro.

Eu e Elliot fomos abandonados por nossos pais biológicos em uma fazenda nos arredores de Carson City, onde nos forçavam a trabalhar no campo. Sem trabalho, sem comida, esta era a regra naquele inferno. Crescemos em meios à maus tratos tanto por parte dos donos da fazenda quanto dos seus filhos.

No dia em que completei quatorze anos eu levei uma surra para proteger meu irmão que tinha furtado um bolinho para me dar de presente de aniversário então disse a mim mesmo que não ia aguentar mais aquelas surras que levávamos e juntamente com Elliot armamos um plano para matar todos eles.

Colocamos veneno na água e todos morreram, com exceção da filha mais nova do casal, uma bebê de poucos meses a qual nós levamos quando fugimos para Seattle.

Ficamos mendigando pelas ruas, pegando sol e sereno. Dias depois, Mia começou a passar mal então a levamos até um pronto-socorro onde conhecemos Grace. Mia teve que ficar internada por alguns dias e Grace acabou nos convidando para ficar em sua casa.

Não estou contando isso para você ficar com pena de mim ou coisa parecida, era apenas para mostrar o quanto podemos ser afetados pelos traumas da nossa infância. Se você depois de ler toda a carta ainda estiver decidida a pedir o divórcio. É com lágrimas nos olhos e no rosto que lhe digo que o darei a você.

Te peço apenas que não me exclua da vida dos nossos filhos, pois quero muito estar presente quando eles começarem a engatinhar, quando derem seus primeiros passos, quando falarem as primeiras palavras e assim por diante.

Com amor... Christian


Acho que li a carta dele mais duas vezes antes de colocá-la novamente dentro do envelope.

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